sábado, 5 de março de 2016

ANATOMIA DE UMA EXPLÍCITA MANIPULAÇÃO

"Não é à toa que democracias consolidadas possuem mecanismos de regulação do setor de comunicações para garantir o que os padrões internacionais definem como “discurso pluralista e democrático”. Quem preza pelo Estado de Direito sabe que uma esfera pública midiática dominada por uma única empresa e que um jornalismo que não respeita o mínimo equilíbrio de vozes podem ser destrutivos para qualquer nação.

Nesta sexta-feira 4, em que o País parou para acompanhar o desfecho da operação da Polícia Federal que levou o ex-presidente Lula coercitivamente para depor, o Brasil, uma vez mais, presenciou uma aula de manipulação da opinião pública pela Rede Globo.
Não precisamos recuperar aqui a história das Organizações Globo neste campo. Ela é bastante conhecida. Mas, em momentos de crise política como o que vivemos, em que princípios constitucionais são ameaçados diariamente, mostra-se fundamental jogar luz em como tem se dado o processo de “informação” e formação da opinião dos brasileiros.
Não se trata aqui de defender o ex-presidente Lula e o PT, tampouco de negar a importância que um fato como este deve ter para os meios de comunicação. Mas o que se espera de uma concessionária do serviço público de radiodifusão, num momento como este, é objetividade – até porque a “isenção e imparcialidade” que Bonner afirma a Globo ter, não existem.
O que se viu, entretanto, ao longo de uma hora e vinte minutos no principal telejornal do país, está muito distante disso.
Não precisamos entrar na análise do discurso das matérias veiculadas nesta sexta pelo Jornal Nacional, aquele que se arvora o papel de fazer a síntese do dia, “para que o cidadão esteja sempre bem informado”. Vamos aos fatos, como a Globo gosta, e deixar cada um tirar suas conclusões.
1 - Primeiro bloco do JN: 21 minutos de matérias, e nada mais que cinquenta segundos (25 vezes menos) com a posição da defesa. Na matéria de seis minutos e dez segundos sobre os pagamentos que o Instituto Lula e a LILS receberam por palestras feitas pelo ex-presidente, somente a PF falou.
2 - Segundo bloco: mais 15 minutos de matérias. Vinte segundos com a posição do ex-presidente e 20 com uma fala de Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula.
A defesa dos empresários acusados de envolvimento nas obras do sítio de Atibaia foi lida pelos apresentadores na bancada, totalizando pouco mais de um minuto e meio.
Na matéria sobre o tríplex de Guarujá, sete segundos para citar a nota do Instituto Lula em 2 minutos e cinquenta segundos de reportagem.
3 - Quase quarenta minutos desde o início do JN tinham se passado quando foi ao ar a primeira fala de Lula, na matéria sobre a declaração que ele fez à imprensa e à militância na sede do Diretório Nacional do PT. Lula teve voz por sete minutos e meio. Um minuto e quinze de Dilma criticando a operação vieram na sequência.
Rui Falcão, presidente do partido, teve direito a dezesseis segundos. Na matéria sobre as repercussões no Congresso, um minuto para a oposição e 30 segundos para o PT – e mais dois do repórter divulgando informações de como a direita pretende paralisar o Parlamento até o impeachment sair.
4 - Na matéria sobre os atos que aconteceram pelo País, o mesmo número de citações para os atos pró e contra Lula, independentemente da gritante diferença entre o número de pessoas que eles mobilizaram. Depois, mais um minuto só para mostrar as pessoas que, atendendo ao chamado da oposição, bateram panelas ou aplaudiram o início da transmissão do Jornal Nacional.
Do outro lado, mais de dois minutos mostrando militantes do PT hostilizando repórteres da Globo.
Durante a tarde, na GloboNews, a empresa já tinha batido várias vezes na tecla de que “o PT está inflando a militância para o confronto”, desconsiderando totalmente a legitimidade de quem está sendo atacado se defender também nas ruas.
Gerson Camarotti entrou pela internet do aeroporto de Congonhas para dizer: “O que estamos vendo em Congonhas é uma amostra do que o PT está deflagrando hoje”, numa absurda inversão dos fatos.
5 - O JN trouxe ainda uma matéria sobre “os destaques negativos” na imprensa internacional, por mais dois minutos. E informou que o mercado reagiu positivamente aos fatos, com alta na Bolsa de São Paulo e queda no valor dólar. Totalizando, foram 64 minutos de matérias acusando Lula e publicizado os argumentos e informações da PF, dos quais menos de 13 com o outro lado.
6 - Um dos principais assuntos em discussão ao longo do dia, a legalidade da condução coercitiva de Lula e de mais dez investigados não mereceu a atenção do Jornal Nacional. Nem mesmo a opinião dos quatro especialistas em direito penal que foram chamados pela GloboNews ao longo do dia e que, de forma unânime, falaram que tal condução não tinha fundamento legal convenceram o JN.
Alguma menção à declaração contundente de dois ministros do STF que consideraram a ação da PF arbitrária? Nada. À Folha de S.Paulo, Marco Aurélio Melo disse que “o atropelamento não conduz a coisa alguma. Só gera incerteza jurídica para todos os cidadãos. Amanhã constroem um paredão na praça dos Três Poderes". E criticou o argumento utilizado pelo juiz Sergio Moro para embasar a condução coercitiva de Lula: "Será que ele queria essa proteção? Eu acredito que na verdade esse argumento foi dado para justificar um ato de força (…) Isso implica em retrocesso, e não em avanço."
Mas a Globo não achou importante ouvir o STF neste caso. Pelo contrário, colocou declarações da OAB e de associações de magistrados e procuradores que defenderam a ação da PF.
Para além da edição desta sexta do Jornal Nacional, a cobertura deste “dia histórico”, como afirmaram os comentaristas da Globo, contou com vários aspectos condenáveis. Um deles foi o discurso claro de que a economia só vai melhorar quando o governo mudar.
Outro, a acusação de que Lula está, “uma vez mais”, dividindo o país, fazendo um discurso de “perseguição e orquestração”. A comentarista política da Globo News, Cristiana Lobo, chegou a falar em “síndrome de perseguição”. Às 20h, o canal por assinatura da empresa fez um “resumo das declarações do dia”. Nenhuma foi crítica à operação.
Não é muito difícil, portanto, concordar com a definição de orquestração. Sobretudo quando se sabe que jornalistas de diferentes veículos tomaram conhecimento da operação Aletheia antes mesmo dos advogados dos acusados.
A associação Judiciário-Polícia Federal-meios de comunicação se mostrou essencial para os objetivos do dia serem alcançados: constranger ilegalmente o ex-presidente Lula, desmoralizar o PT, enfraquecer o governo e fortalecer os protestos pró-impeachment agendados para o dia 13 de março.
Não há coincidência nos acontecimentos do período recente. Da divulgação da delação de Delcídio aos vazamentos seletivos, passando pelo silenciamento da imprensa diante das denúncias de desvio dos recursos públicos pelo também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pela tentativa de censura contra os blogueiros que denunciaram o esquema da mansão dos Marinho em Paraty.
Reconhecer isso é forçoso, independentemente dos indícios apresentados pela PF contra Lula ou do que ficará efetivamente provado ao final das investigações.
Da mesma forma, é forçoso reconhecer que parte significativa desta crise é resultado direto da ausência de enfrentamento à vergonhosa concentração dos meios de comunicação no País, nos 13 anos de governo petista. Aqui, se está colhendo o que se deixou de plantar.
Mas quando as regras do jogo são rasgadas com tamanha facilidade; quando parcela das instituições que devem zelar pelo respeito às leis são guiadas por fatores políticos; quando a mídia nega o direito da população a uma informação plural, acusa e condena previamente; e quando se vê a maioria da população comprando esta narrativa e aplaudindo a espetacularização do justiçamento a todo custo, não é a biografia do Lula, os feitos de seu governo ou o projeto do PT que estão em risco. É a nossa democracia."



(De Bia Barbosa, jornalista, especialista em direitos humanos e integrante da coordenação do Intervozes. Texto intitulado "Operação Aletheia e a nova aula global de manipulação midiática", publicado na revista Carta Capital - aqui.
A propósito da arbitrária determinação de condução coercitiva por parte do juiz Moro, cuidou ele, há pouco, de emitir nota em que tenta justificar sua flagrantemente ilegal ordem. Porém, a tentativa é vã: "Sob bombardeio, Moro justifica ação contra Lula" - AQUI.
A Globo, por sua vez, continua onde sempre esteve, ministrando suas aulas).

EUA: O CENÁRIO TRUMP


Emad Hajjaj. (Jordânia).

A CONDUÇÃO DO RETROCESSO


Ministro Marco Aurélio: Moro atropelou regras

Do Brasil 247

A primeira crítica contundente do Supremo Tribunal Federal à ação do juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dentro da 24ª fase da operação Lava Jato veio do ministro Marco Aurélio Mello. 
"Condução coercitiva? O que é isso? Eu não compreendi. Só se conduz coercitivamente, ou, como se dizia antigamente, debaixo de vara, o cidadão que resiste e não comparece para depor. E o Lula não foi intimado", afirmou Mello, segundo a colunista Mônica Bergamo.
Marco Aurélio diz que é preciso "colocar os pingos nos 'is'". "Vamos consertar o Brasil. Mas não vamos atropelar. O atropelamento não conduz a coisa alguma. Só gera incerteza jurídica para todos os cidadãos. Amanhã constroem um paredão na praça dos Três Poderes", afirmou.
O magistrado criticou também o argumento utilizado por Moro para embasar a condução coercitiva de Lula, de que a medida seria para a própria segurança do ex-presidente. "Será que ele [Lula] queria essa proteção? Eu acredito que na verdade esse argumento foi dado para justificar um ato de força", segue o magistrado. "Isso implica em retrocesso, e não em avanço."
O ministro do STF disse que o juiz Sérgio Moro "estabelece o critério dele, de plantão", o que seria um risco. "Nós, magistrados, não somos legisladores, não somos justiceiros". E ensina: "Não se avança atropelando regras básicas". (Aqui e aqui).
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Entreouvido nos bastidores: "Vai ver, o juiz considera que a lição ministrada não vem ao caso".
Elites em geral e obtusos os mais diversos - como Marcelo Rezende, da Record - aplaudem Moro calorosamente.

O Jornal Nacional, que ontem, 4, dedicou mais de uma hora e meia à cobertura sobre Lula, não tocou no assunto.

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"Há uma coincidência importante do ineditismo disso [condução coercitiva de um ex-presidente do Brasil] com o fato de que se trata do primeiro ex-presidente da República de origem social mais humilde. É evidente que essas duas coisas estão relacionadas. Seria muita ingenuidade sociológica, para não dizer o mínimo, pretender que se trata de uma mera coincidência.(Fábio Wanderley Reis, cientista político, professor emérito da UFMG) - AQUI.

CONFRONTO DE IDEIAS


João Zero/Liberati.

PONTO DE EQUILÍBRIO


Pavel Constantin. (Romênia).

sexta-feira, 4 de março de 2016

CONDUÇÃO COERCITIVA: TRANSGRESSÃO TOTAL


Certos comentaristas políticos, apresentadores de programas de TV, entrevistados diversos, ao se manifestarem sobre a condução coercitiva do ex-presidente Lula, apressam-se em fazer declarações do tipo "Ninguém está acima da lei", "Todos têm o dever de se submeter à Justiça" etc., como se o ex-presidente tivesse invocado alguma condição superior.

O fato é que a condução coercitiva está reservada àqueles que, intimados a prestar depoimento, deixam de atender à ordem judicial, sendo, então, 'buscados' pela Justiça. Nesse sentido, foi arbitrária a condução coercitiva do ex-presidente - que por sinal prestou depoimento (à PF) em janeiro, sem qualquer contratempo.

Mas comentaristas em geral dão asas à imaginação para legitimar a arbitrariedade. Renata Lo Prete, da Globo News, saiu-se com essa, ao ser instada a opinar a respeito: "Há quem ache que foi correto, há quem ache que não".

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, à falta de argumento, revelou comovente zelo pela paz pública: a condução coercitiva foi a alternativa encontrada para evitar confrontos entre grupos políticos, o que certamente ocorreria caso a providência rotineira - intimação com local/data/hora - tivesse sido utilizada. Santos Lima esqueceu o velho princípio consistente em que "onde a lei não distingue, a ninguém é lícito distinguir". E mais: se estava tão preocupado em evitar tumultos, poderia ter ouvido Lula na própria residência, o que a lei permite - valendo notar que o ex-presidente FHC foi assim tratado: "Lula depõe no circo. FHC, em casa" (aqui).

Mas a condução coercitiva, ilegal, aconteceu. É o caso de dizer-se, parafraseando o poeta piauiense H. Dobal: A Lei é grande, mas a vontade de espetacularizar é maior!

TRUMP KLUX


Patrick Chappatte. (Paquistão).

SOBRE OS MAIS RECENTES ACONTECIMENTOS


Conforme a rotina recomenda, a mídia alça a "delação" de Delcídio do Amaral à condição de verdade insofismável - aqui -, e a força-tarefa da Lava Jato cuida de dar seguimento a seu plano de trabalho: expor, desgastar o Lula, mesmo que as providências configurem flagrante desrespeito ao Supremo Tribunal Federal - aqui.

Ao se falar em "expor, desgastar o Lula",  convém dizer: para o povão, "conduzir coercitivamente o ex-presidente" não tem sentido algum: a versão corrente é: "Lula foi preso".

Enquanto isso, a jornalista Mônica Bergamo dá conta - aqui -, entre outras curiosidades, de que:

a) o vazamento dos termos da "delação" de Delcídio do Amaral foi feito por integrantes da Lava Jato (acrescento: a despeito de o instrumento encontrar-se sob apreciação do STF). Ou seja, a própria PGR teria transgredido a lei;

b) o PSDB recebeu informações de que Delcídio "pode envolver líderes do partido que teriam participado de negociações para serem excluídos de investigações na CPI do mensalão". Não virá ao caso.

Nota: Há pouco, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima informou que a condução coercitiva de Lula ocorreu em face da comoção social que certamente aconteceria caso ele tivesse sido intimado para prestar depoimento com data, local e hora marcada.

Sendo assim, pergunto eu: E se a oitiva do ex-presidente tivesse acontecido em total sigilo?

CARTOON BALOON


Slobodan Trifkovic. (Sérvia).

DIÁLOGO TRANSCENDENTAL



- A suposta delação delcidiana teria se desenrolado ao longo de três dias...

- É o que consta.

- Teria sido a vingança de Delcídio pelo fato de o governo nada ter feito para aliviar a situação dele quando ele estava trancafiado em razão de malfeitorias praticadas, confessadas e gravadas.

- Exato.

- E o governo não fez nada...

- Se há algo inquestionável é o fato de o Planalto haver se comportado de forma absolutamente republicana no que diz respeito à Lava Jato. A própria força-tarefa da operação confirma isso.

- Mas se o governo estivesse mesmo envolvido em práticas delituosas, a ameaça feita pelo presidiário Delcídio teria surtido efeito: o governo, desesperado, faria o possível e o impossível para aliviar a barra do senador, mantendo-o de boca fechada.

- É o que diz a lógica.

- Entretanto, nada fez. Manteve a postura republicana.

- Isso.

- Tal atitude me parece um razoável sinal de postura correta, típica de quem pode não ter culpa no cartório. A mídia, porém, não pondera coisa alguma: atribui imediatos e definitivos foros de verdade a cada uma das acusações, revogadas desde logo quaisquer presunções de inocência.

- É, velho filósofo grego dizia que a verdade é a primeira vítima da guerra. Isso não vale nessas plagas: aqui, onde se desenvolve guerra sem fim, enquanto a economia se arrebenta, a verdade está vivinha, virou rótulo e, a priori, tem lado.

- Como dizia o grande João Saldanha, vida que segue.

- É, vida que segue.

quinta-feira, 3 de março de 2016

CARTUM TRANSGRESSOR


Ehsan Gansil. (Irã).

OS QUE FATURAM COM A CRISE


Enquanto otários torcem por ela, malandros deitam e rolam com a crise

Por Mauro Santayana

Em “notinhas”, jogadas aqui e ali na imprensa, tem gente no “mercado” que atribui a queda do dólar ao menor patamar deste início de ano, não a situações concretas, como o superávit de mais de 3 bilhões de dólares alcançado pelo país em fevereiro, mas a declarações de delatores “premiados”, que estariam “facilitando” as chances de impeachment do atual governo. 

Trata-se apenas de conversa fiada e de mais um aspecto de um clima permanente, rasteiro, de especulação safada e de reles boataria, que une otários que falam mal do país a bem-sucedidos malandros que os usam todos os dias e se aproveitam deles. 

Enquanto a maior parte da economia real, como o comércio, a construção civil e a indústria, sofre com a campanha de “crise” e pela crise, de “quanto pior, melhor”, promovida em parte por milhares de imbecis que também são afetados, mas torcem abertamente contra o país nos bares e redes sociais, muitos espertos estão fazendo verdadeiras fortunas, ajudando a montar e disseminar boatos e mentiras para aproveitar-se do vaivém da bolsa e dos juros e do sobe e desce das principais divisas. (Aqui).


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O texto acima foi produzido/divulgado ANTES da chegada às bancas da revista IstoÉ.

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Relativamente à "delação" pretensamente formulada por Delcídio do Amaral, reservo-me o direito de não emitir opinião, neste momento, visto que o documento, gravíssimo, foi negado pelo senador e pelo PGR Rodrigo Janot - a quem competiria colher a "delação", dada a condição de Delcídio -, além de não contar com homologação por parte do ministro Teori Zavascki, do STF, condutor da Lava Jato. 

Mas, seguindo a linha traçada por Mauro Santayana, observo:

.o Pregão OnLine (aqui) informa que o Ibovespa subiu 5,12% no dia de hoje. 

.eis aí uma boa oportunidade de a Comissão de Valores Mobiliários adotar providências, se for e vier ao caso.

O ABISMO VOLÚVEL


Ryotiras/Ricardo.

TRUMP, O PARTIDO REPUBLICANO E A QUEDA QUE NÃO HOUVE


Trump coloca o Partido Republicano de joelhos

Por José Antonio Lima, na CartaCapital

establishment do Partido Republicano, formado por políticos influentes e pelos maiores doadores da sigla, passaram os últimos meses aguardando que a candidatura de Donald Trump se desidratasse e caísse na irrelevância. 
A ideia era aguardar os danos que sua personalidade caricata e sua ideologia incoerente, uma mistura de ataques a vacas sagradas republicanas e ideias fascistas, mostrasse aos eleitores o absurdo da escolha pelo empresário. 
A Super Terça de 1º de março, na qual Trump conseguiu vitórias acachapantes, deixou claro que os mandachuvas do partido estavam amplamente equivocados.
Agora, correm contra o tempo para criar uma alternativa viável a Trump – doadores já criaram um novo Comitê de Ação Política Anti-Trump – e evitar uma candidatura cujo desfecho pode colocar em risco a própria existência do partido.
A terça-feira 1º foi um dia crucial na escolha dos candidatos à presidência dos Estados Unidos por reunir uma série de disputas prévias decisivas. Os republicanos realizaram primárias e assembleias partidárias (o caucus) em 13 estados, sendo 11 delas vinculantes para a escolha do candidato presidencial. 
Trump obteve sete vitórias, quatro delas por grandes margens (Alabama, Geórgia, Massachusetts e Tennessee) e três com vantagens mais apertadas (Arkansas, Vermont e Virginia). Desde 1988, quando a Super Terça foi instituída, os candidatos que obtiveram vitórias maiúsculas nessa data obtiveram a nomeação de seus partidos, tanto entre os democratas quanto entre os republicanos.
Além de ampla, a vitória de Trump é representativa por ter sido plural. Sua principal base de apoio são os eleitores brancos e sem curso superior, um dos setores da população duramente afetados pela crise iniciada em 2008 e ainda não totalmente superada, e Trump conseguiu conquistá-los tanto em estados moderados e laicos, como Massachusetts, quanto no sul evangélico e conservador simbolizado por Alabama e Geórgia. 
O "futuro" derrotado
Mais que isso, a vitória de Trump demonstrou que seus principais concorrentes não têm muitas condições de derrotá-lo. Depois de ver Jeb Bush (filho de George H. W. e irmão de George W.) sair humilhado da corrida presidencial mesmo com uma campanha que movimentou mais de 100 milhões de dólares, o establishment republicano vê agora em uma situação complicada outro de seus queridinhos. 
O senador pela Flórida Marco Rubio, jovem e de origem latina, apontado como o "futuro" republicano, venceu apenas o caucus de Minnesota e amargou terceiros lugares em diversas primárias. Em algumas delas, não obteve o mínimo de votos para conseguir delegados na convenção republicana de julho, que de fato escolherá o nomeado. Esse fracasso ocorreu mesmo após Rubio passar a última semana realizando ataques ferozes e de baixo nível a Trump, que incluíram uma insinuação de que seu órgão sexual é diminuto.
Quem se salvou na Super Terça republicana foi Ted Cruz, senador pelo Texas e, como Rubio, jovem e de origem cubana. Cruz venceu a primária de seu estado natal, a do vizinho Oklahoma e o caucus do Alaska. Ao contrário de Rubio, no entanto, Cruz está longe de ser benquisto pelos caciques republicanos. Figura importante no movimento anti-establishmentTea Party, Cruz costuma se referir aos líderes de seu partido no Congresso como "cartel de Washington".
Faltando quatro meses e meio para a convenção nacional, o Partido Republicano se vê em uma encruzilhada. 
Do outro lado do espectro político, a situação parece resolvida. A ex-secretária de Estado Hillary Clinton venceu oito prévias na Super Terça, contra quatro do senador independente Bernie Sanders, e parece ter fechado a disputa.
O resultado final das votações e a distribuição de delegados para a convenção democrata será finalizada nos próximos dias, mas Clinton deve ter hoje uma vantagem maior sobre Sanders do que a obtida pelo então senador Barack Obama sobre ela em 2008, quando disputaram a nomeação democrata.
Um partido rachado
Enquanto isso, cada vitória de Trump desfaz o bloco republicano e ajuda aumentar o fosso entre o eleitorado e os políticos dos partido. Está claro que o magnata lidera uma massa enorme de eleitores e cada vez mais atrai figuras importantes da sigla – como o governador de New Jersey Chris Christie e o senador Jeff Sessions – essenciais para uma campanha nacional.
Ao mesmo tempo, no entanto, o establishment não têm um candidato à altura e continua atacando Trump sem dó. No fim de semana, uma nova onda de críticas foi dirigida a Trump porque ele se recusou a rechaçar o apoio recebido de David Duke, ex-líder da organização racista Ku Klux Clan (posição da qual se retratou mais tarde). 
Mitt Romney, candidato republicano em 2012, classificou a reação inicial de Trump de "desqualificante e repugnante", enquanto Stuart Stevens, seu principal conselheiro na campanha de 2012, disse que Hillary Clinton seria uma presidente melhor que Trump. Paul Ryan, o presidente da Câmara de Representantes, afirmou que o candidato republicano não pode recorrer a "evasivas" e "jogos" e deve "rejeitar qualquer grupo baseado em intolerância".
Algumas reações foram mais extremadas. Para o senador por Nebraska Ben Sasse, se Trump vencer as prévias republicanas os conservadores norte-americanos "terão de achar uma terceira opção". Pete Wehner, ex-integrante da administração de George W. Bush, avalia que uma vitória de Trump seria "catastrófica" para o partido e para o país. "Se ele ganhar a presidência, poderemos ver iniciativas para formar um novo partido", disse ao sitePolitico.
O ex-governador de Minnesota Tim Pawlenty, apoiador de Marco Rubio, diz que a situação atual testará a capacidade do partido de permanecer unido. "Se o Partido Republicano fosse um avião e você estivesse olhando pela janela, veria alguns pedaços da superfície voando, e estaria pensando se o motor ou a asa seria a próxima parte"
Por enquanto, os republicanos têm duas alternativas para barrar Trump. A primeira é apostar tudo em Ted Cruz e retirar as outras duas candidaturas relevantes – as de Marco Rubio e do governador de Ohio John Kasich. Há dúvidas, no entanto, sobre a capacidade de Cruz de obter um número de delegados na convenção nacional superior ao de Trump.
A outra é manter as candidaturas de Rubio e Kasich para que eles, ao lado de Cruz, obtenham uma quantidade significativa de delegados para impedir que Trump tenha maioria na convenção nacional. Neste caso, a disputa se resumiria a uma votação entre os 2.472 delegados republicanos, que decidiriam o nomeado. Seria preciso, para tanto, uma união dos delegados de Cruz, Rubio e Kasich, bem como de outros pré-candidatos, em torno de um único nome.
A viabilidade dessas estratégias será colocada à prova nos próximos dias. Em 15 de março, o estado natal de Rubio, a Flórida, e o de Kasich, Ohio, farão suas primárias. Se Trump derrotá-los também nessas duas arenas, a disputa estará mais próxima do fim, e o partido republicano, de um dos momentos mais delicados de sua história. (Aqui).

TRUMP VERSUS PARTIDO REPUBLICANO


Nate Beeler. (EUA).

TEMPUS FUGIT

Aroeira.
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Ao que Cunha e seus parceiros, em uníssono: "Que nada!"

A GAIOLA DE PANDORA


Ryotiras/Ricardo.

O DIÁLOGO TRANSCENDENTAL DA HORA


Brasil, 3 de março de 2016. Câmara dos deputados. Ontem, 2, em sessão plenária do STF, os seis ministros que se manifestaram (a votação será concluída nesta data) proferiram voto determinando instauração de processo criminal contra o deputado Eduardo Cunha, PRESIDENTE da Câmara dos deputados, segundo na linha de sucessão do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA.

Dá-se o seguinte 'debate':

- Nobres colegas, o senhor Eduardo Cunha não detém a mais remota autoridade para ocupar o cargo de presidente desta Casa! Ademais, convém salientar que...

- Não convém salientar coisa alguma. V. Exa. age de forma solerte e canhestra! Estar sob investigação criminal não significa ser condenado!

- Nobre deputado, V. Exa. já ouviu falar em escrúpulos?

- Como disse alguém, danem-se os escrúpulos!

(Aplausos, gritos de apoiamento - palavra fantástica: apoiamento -, tapinhas nas costas, por aí).

O VÍRUS CANTANTE


Vida de Suporte.

quarta-feira, 2 de março de 2016

REDES SOCIAIS NÃO RIMAM COM COBRAS E LAGARTOS


Dez perguntas antes de atacar alguém nas redes sociais

Por Leonardo Sakamoto (Em seu blog na Folha de SP)

É rápido e indolor. Antes de postar uma crítica pesada sobre alguém ou um grupo nas redes sociais, faça este teste.
O que estou prestes a postar (responda sim ou não):
1) Incita a violência ou promove o ódio contra um indivíduo ou grupo?
2) É um ataque baseado em achismos e fundamenta-se em páginas anônimas das quais você nunca tinha ouvido falar ou fontes desconhecidas?
3) Ridiculariza o outro ou outra apenas pelo fato de pensarem diferente de você?
4) É desnecessário e nada acrescenta ao debate?
5) É vazio e serve apenas para você se sentir aquecido e querido através de “likes'' dos seus amigos?
6) É regado por preconceitos de gênero, orientação sexual, cor de pele, origem social ou etnia?
7) Poderia ser dito de forma mais educada, sem xingamentos gratuitos, mesmo que outras pessoas estejam xingando gratuitamente no debate?
8) Você ficaria sem graça se, durante uma entrevista de emprego daqui a dez anos, o examinador te perguntasse sobre essa postagem, que vai ficar disponível no Google para sempre?
9) Se fosse você o alvo da postagem, sentiria-se injustiçado ou violentado?
10) Teria vergonha da repercussão de dizer isso para um auditório lotado com 500 pessoas desconhecidas ao vivo?
Se respondeu “sim'' a qualquer uma dessas questões, pare e reflita se vale a pena mesmo publicar isso. Isso não é autocensura, mas sabedoria. Usar conscientemente as ferramentas de comunicação em massa da internet é a diferença entre ser uma pessoa que contribui para um mundo melhor ou apenas um estorvo gerador de dor. (Comentários: aqui).
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Na frente da telinha, eis que vem à mente a máxima de Epicuro (circa 342-270 a.C.): 
"Caráter é aquilo que és é quando ninguém está te olhando."

O LUAR NASCEU PRA TODOS


Mehdi Azizi. (Irã).

REFUGIADOS, O COLAPSO


Mahmoud Barkhordari. (Irã).

KU KLUX KLAN DECLARA APOIO A TRUMP


Steve Sack. (EUA).

A LAVA JATO E A EXPANSÃO DAS EMPREITEIRAS NO EXTERIOR


Brasil, vestal dos emergentes

Por André Araújo

A expansão das empreiteiras brasileiras para o exterior se deu a partir do Governo Militar, com a ida da Mendes Júnior ao Iraque em um jogo cruzado com a Petrobras e sua trading Interbras, o Iraque passou a ser o maior fornecedor de petróleo bruto ao Brasil e, em troca, comprava automóveis, material bélico e serviços de engenharia, estes (envolvendo) inclusive equipamentos brasileiros como geradores, bombas de grande porte, compressores, máquinas de construção. O Iraque salvou o Brasil na primeira e segunda crises do petróleo, o Brasil não tinha divisas mas podia pagar o petróleo com bens industriais e serviços, o esquema salvou a economia brasileira por alguns anos.
A partir dessa base, que se deu na segunda metade da década de 70, outras empreiteiras brasileiras procuraram desbravar mercados na África e na América Latina. muito apoiadas pelo Governo através do Banco do Brasil, da Interbras e do Itamaraty. A CACEX tinha um vasto programa de financiamento à exportação, usando para isso a agência do Banco do Brasil em Cayman Islands, um paraíso fiscal.
A Odebrecht conseguiu contratos no Peru (grande projeto de irrigação), a Camargo Correa na Venezuela (hidrelétrica do salto Guri); uma grande incursão foi  da Odebrecht em Angola, em todos os segmentos, chegando a representar 10% do PIB daquele Pais, incluindo diamantes, condomínios residenciais, supermercados, estradas. No rastro das empreiteiras foram outras empresas: as empreiteiras abriram caminho para empresas médias e pequenas, para serviços de consultoria e comércio.
Provavelmente os marqueteiros políticos foram um desses negócios que acompanharam essa expansão da engenharia.
Agora, a implosão da Lava Jato joga por terra quase 40 anos de difíceis esforços de exportação de serviços; vamos perder mercados que representaram décadas de esforços conjuntos das empresas e de vários governos brasileiros.
Só quem correu países primitivos para vender alguma coisa sabe como é difícil e trabalhoso conseguir algum resultado; é preciso muita paciência, perseverança e conhecimento dos costumes locais para ter algum êxito, depois precisa fazer o serviço, e mais complicado ainda é receber. Relações políticas são obviamente fundamentais para todas as etapas.
Com o Brasil colocando na janela para o mundo inteiro ver os negócios de suas empreiteiras com países emergentes, é evidente que esses países nunca mais vão querer ver empreiteiras brasileiras e marqueteiros políticos do Brasil.
Para ocupar o lugar do Brasil, existem empresas da Turquia, Dubai, Índia, Paquistão, Singapura, Malásia, Tailândia, Coreia do Sul, Indonésia, Rússia e obviamente China; nenhum desses países sonha com uma Lava Jato, o sigilo está garantido; já o Brasil tornou-se a vestal dos emergentes, revelando ao mundo os negócios de suas empresas nacionais.
Há um outro país vestal, os Estados Unidos, mas eles têm um poder tecnológico e geopolítico de tal magnitude que suas empresas vendem por causa do poderio da Embaixada americana, algo que o Brasil não tem.
Vamos ser então a famosa virgem de bordel, aquela que é pura em um mundo de vícios e safadezas.
Porque o mundo competitivo REAL e não os dos cursos de compliance na FGV e no INSPER não é um mundo de santos.
O comércio global de petróleo, de armas, de construção civil, de fretes marítimos, de construção naval, de aviação, não é um território puro como a terra da Branca de Neve; é preciso saber jogar o jogo, sem o que não se vende nada.
Entre os BRICS, o Brasil vai  ser o único sacristão de novela, branco como farinha de Nazaré, enquanto nossos colegas de BRICS, a Rússia, a Índia, a China e África do Sul operam dentro das regras da arena de touros que é o mercado mundial.
Empresa brasileira no exterior? Nem por sonho! Combinações sigilosas são delatadas para os jornais do mundo e, pior ainda, agora os delatores vão ser ouvidos por oferta brasileira no Departamento de Justiça dos EUA para que esse possa processar países onde nossas empreiteiras operaram, seus Ministros e dirigentes: o Brasil entrega quem com ele contrata.
Ou alguém acha que nossas empreiteiras, depois dessa, e nossos marqueteiros políticos vão ter mercado no exterior?
E para essa destruição arrasa quarteirão de um enorme capital nacional não faltam aplausos dos Sardenbergs, Camarottis, Lo Pretes, Mervais, todos achando lindo o Brasil entregar dirigentes de vários países e suas tratativas com o Brasil, que todos achavam que seriam sigilosas até o fim dos tempos. Eles que elogiam tanto a cultura anglo-americana esquecem que a riqueza da Inglaterra no Século XVII se fez com a pirataria no Caribe, sendo os piratas concessionários do Rei da Inglaterra, que lhes fornecia cartas de corso para roubar os galeões espanhóis.
Os antigos piratas e assaltantes de diligências hoje dão cursos de ética e aulas de compliance, mas por baixo das capas continuam sendo piratas e assaltantes reciclados como operadores de Wall Street, enquanto os provincianos do Brasil se assumem como bons mocinhos que querem se mostrar ao mundo tal qual coroinhas maristas, acreditando piamente que agora o Brasil virou moderno enquanto a recessão come solta, porque sem empresas não há empregos. (Fonte: aqui).
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Os doutos certamente limitar-se-ão a indagar: Desemprego? Recessão? Comprometimento da imagem e dos interesses do País e de suas empresas no exterior? O que temos a ver com isso?!
Enquanto isso, no âmbito interno, estão sendo fortemente pressionadas as iniciativas visando a alcançar algum alento, mediante a retomada de empreendimentos estratégicos, a exemplo dos acordos de leniência que o setor público tenta firmar com empreiteiras. Para alegria, obviamente, de empresas estrangeiras.

REFUGIADOS, O COLAPSO


Slobodan Trifkovic. (Sérvia).

terça-feira, 1 de março de 2016

CARTUM OLÍMPICO


Amorim.

NONSENSE CARTOON


Karlo.

NÃO À ESPETACULARIZAÇÃO


"Crimes necessitam e reclamam firme combate, mas tal enfrentamento deve observar rigoroso respeito às regras do jogo. A espetacularização do Direito Penal prejudica a todos. Não há cidadania plena e desembaraçada em um contexto de flagrantes e diuturnas violações às garantias individuais, a sensação de insegurança que a todos toca não pode ser pretexto para concessões desta natureza."






(De Wellington César Lima e Silva, procurador de Justiça, nomeado ministro da Justiça. Os termos acima foram expostos em 2009, em boletim IBCCrim, Instituto Brasileiro de Ciências Criminais.  Perfis do novo ministro podem ser lidos AQUI.

Consta que o ex-ministro Cardozo era sempre 'o último a saber' - aqui -. A ânsia pela espetacularização certamente implicava em que privilegiados midiáticos fossem os primeiros. 

É imperioso que crimes sejam firmemente combatidos, mas com respeito às regras do jogo. Garantismo é palavra que nos últimos tempos tem sido enxovalhada, quando na verdade deveria traduzir-se numa definição elementar: Ser garantista é tão somente respeitar a Constituição Federal.
Boa sorte ao novo ministro).

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Nota: Acabo de ler artigos escritos por:

a) Alex Solnik, intitulado "Polícia Federal estava se transformando no 4º poder" - clique AQUI; e

b) Hylda Cavalcanti: "Para cientista, gestão Cardozo tem acertos, mas falhou diante de abusos institucionais" - AQUI

UNIÃO EUROPEIA: INTEGRAÇÃO PARA REFUGIADO NÃO VER


Paresh Nath. (União dos Emirados Árabes).

A VIA CRUCIS DOS REFUGIADOS


Marian Kamensky. (Eslovênia).

OS PROCESSOS


Sobre as questões jurídicas envolvendo o ex-presidente Lula, dois fatos revelados ontem, dia 29:

a) o Ministério Público Federal revelou que as providências por ele adotadas decorrem de pedido formulado por adversário político-partidário do ex-presidente, com base em matéria - eivada de inconsistências, frise-se - veiculada pela revista Veja. A informação está AQUI;

b) o ex-presidente e sua mulher comunicaram formalmente ao Ministério Público Estadual SP que não iriam depor pessoalmente sobre os temas por ele elencados - desconhecendo, pois, a "coercitividade" de que a intimação se revestiria -, limitando-se a fazê-lo por escrito. Em seguida, Lula e dona Letícia recorreram ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em busca de Habeas Corpus, e o Tribunal solicitou a manifestação dos dois promotores (um dos quais há dias antecipara à revista Veja a 'conclusão' de suas providências) responsáveis pela condução do assunto. Ao que os doutos operadores do Direito se deram conta de que, POR EQUÍVOCO, constara erroneamente da notificação a descabida ameaça de condução coercitiva, apressando-se em garantir à Corte que o erro não teria sido por eles perpetrado, detalhe altamente relevante, diga-se. A informação está AQUI.

O ex-presidente Lula e defensores vêm há tempos sustentando haver interferência de interesses político-midiáticos nos assuntos judiciais que lhe dizem respeito.

Ao que se observa, faz sentido.

CARTUM DECISÓRIO


Ryotiras/Ricardo.