segunda-feira, 24 de outubro de 2011
RICOS OCUPAM WALL STREET
A mais recente The New Yorker traz como matéria de capa 'mobilização' de ricaços em Wall Street. Os cartazes trazem mensagens como 'Eu estou bem, obrigado', 'Deixem tudo exatamente como está' e 'Deixem Wall Street em paz'.
A liderança do movimento é, com certeza, do Instituto Banqueiros Indignados.
domingo, 23 de outubro de 2011
GOLPES DE TODO GÊNERO
De Elio Gaspari, em sua coluna de hoje: "Há cadáveres no rastro das roubalheiras dos convênios do Ministério do Esporte.
Nas confrarias de artes marciais o que não falta é gente capaz de quebrar o pescoço alheio."
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É provável que o colunista esteja ciente de especulação que circula por aí: há algum tempo, apareceu misteriosamente morto um policial civil do Distrito Federal; esse policial estava apurando falcatruas praticadas pelo militar-lutador que foi bancado pela revista Veja para denunciar o ministro do Esporte.
E quanto ao(s) outro(s) cadáver(es) a que Gaspari alude? Nada consta. A não ser tentativa de assassinato de reputação.
A SUPREMA CORTE E AS MENTIRAS PATRIÓTICAS
(Canini).
Lei sob fogo cruzado nos EUA proíbe mentiras patrióticas
Em 2012, a Suprema Corte dos Estados Unidos vai decidir se mentir é um ato sujeito às duras penas da lei. A disputa judicial foi provocada por um membro eleito do conselho municipal da água em uma região da Califórnia que, ao descrever seus antecedentes em uma assembleia pública, em 2007, se declarou um herói de guerra, agraciado com uma "Medalha de Honra", a mais alta condecoração militar do país. O herói anônimo alcançou então a fama, por sua mentira patriótica. Foi processado pelo governo, condenado em primeira instância, absolvido em segunda. (...)
Na verdade, a Suprema Corte vai decidir sobre a constitucionalidade da "Lei do Heroísmo Roubado" (Stolen Valor Act), promulgada pelo ex-presidente Bush, em 2006. Segundo a Wikipédia, a lei tipificou como contravenção federal a declaração falsa, por qualquer pessoa, de haver recebido qualquer condecoração ou medalha militar dos EUA. (...)
A questão é se a condenação de Xavier Alvarez viola o direito à liberdade de expressão, protegido pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA. Juízes do tribunal de recursos, que reverteram a condenação anterior, desconfiam que o governo tentou, na verdade, atacar a liberdade de expressão, "só porque o caso é de uma mentira".
O juiz-chefe da 9ª Corte Distrital Alex Konzinski escreveu que sem uma forte proteção da Primeira Emenda, "o governo pode processar não apenas o homem que inventa uma história sobre o recebimento de uma Medalha de Honra, mas também os dentistas, que sempre dizem que não vai doer nenhum pouquinho". Segundo ele, "sem a proteção robusta da Primeira Emenda, as pequenas mentiras, os exageros e os engodos, que são uma parte integrante da comunicação humana, se tornariam alvos de censura", narra o USA Today.
Segundo o New York Times, o juiz Milan Smith Jr., escrevendo pela maioria (de uma comissão de três juízes), afirmou que a manutenção dessa lei pode abrir um precedente perigoso. "Não haverá uma barreira constitucional à criminalização de uma pessoa que mente sobre sua idade, seu peso, sua virgindade ou que diz ao policial que não excedeu o limite de velocidade na estrada ou que só bebeu um copo de cerveja". E sentenciou: "A triste verdade é que as pessoas mentem sobre alguns aspectos de sua vida ocasionalmente."
As vozes dissidentes dizem que a lei se refere apenas a mentiras cabeludas, como a da falsa declaração de recebimento de honras militares. O juiz que votou pela manutenção da pena aplicada a Alvarez rejeitou a tese da escorregadela da verdade e disse que "fazer declarações falsas sobre recebimento de honras militares é um subconjunto cuidadosamente definido de declaração factual falsa, que não merece proteção constitucional". Os advogados do governo, que apelaram da decisão que invalidou a lei, enfatizaram que as medalhas "expressam a gratidão da nação pelo patriotismo e pela coragem".
"Eu sou um marine (fuzileiro naval) (...). Me aposentei em 2001. Em 1987, fui condecorado pelo Congresso com a Medalha de Honra. Fui ferido muitas vezes pelo mesmo sujeito", Xavier Alvarez disse na assembleia pública. O governo descobriu que ele sequer pertenceu um dia a qualquer unidade das forças armadas, diz o New York Times. Agora, ele se defende: "Tudo o que estava fazendo é exercer o meu direito de liberdade de expressão".
A Suprema Corte, sob a chefia do ministro John Roberts, tem se mostrado favorável a demandantes que defendem a própria liberdade de expressão, julgando a favor das pessoas que fazem protestos em funerais militares (proibidos), de fabricantes de videogames violentos e distribuidores de material que mostra crueldade contra os animais.
A Suprema Corte também deverá decidir, no final do semestre judiciário, se a Comissão Federal de Comunicações deve regulamentar o uso de palavrões e de nudismo nos programas de televisão.
(Fonte: Conjur - Consultor Jurídico).
Lei sob fogo cruzado nos EUA proíbe mentiras patrióticas
Em 2012, a Suprema Corte dos Estados Unidos vai decidir se mentir é um ato sujeito às duras penas da lei. A disputa judicial foi provocada por um membro eleito do conselho municipal da água em uma região da Califórnia que, ao descrever seus antecedentes em uma assembleia pública, em 2007, se declarou um herói de guerra, agraciado com uma "Medalha de Honra", a mais alta condecoração militar do país. O herói anônimo alcançou então a fama, por sua mentira patriótica. Foi processado pelo governo, condenado em primeira instância, absolvido em segunda. (...)
Na verdade, a Suprema Corte vai decidir sobre a constitucionalidade da "Lei do Heroísmo Roubado" (Stolen Valor Act), promulgada pelo ex-presidente Bush, em 2006. Segundo a Wikipédia, a lei tipificou como contravenção federal a declaração falsa, por qualquer pessoa, de haver recebido qualquer condecoração ou medalha militar dos EUA. (...)
A questão é se a condenação de Xavier Alvarez viola o direito à liberdade de expressão, protegido pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA. Juízes do tribunal de recursos, que reverteram a condenação anterior, desconfiam que o governo tentou, na verdade, atacar a liberdade de expressão, "só porque o caso é de uma mentira".
O juiz-chefe da 9ª Corte Distrital Alex Konzinski escreveu que sem uma forte proteção da Primeira Emenda, "o governo pode processar não apenas o homem que inventa uma história sobre o recebimento de uma Medalha de Honra, mas também os dentistas, que sempre dizem que não vai doer nenhum pouquinho". Segundo ele, "sem a proteção robusta da Primeira Emenda, as pequenas mentiras, os exageros e os engodos, que são uma parte integrante da comunicação humana, se tornariam alvos de censura", narra o USA Today.
Segundo o New York Times, o juiz Milan Smith Jr., escrevendo pela maioria (de uma comissão de três juízes), afirmou que a manutenção dessa lei pode abrir um precedente perigoso. "Não haverá uma barreira constitucional à criminalização de uma pessoa que mente sobre sua idade, seu peso, sua virgindade ou que diz ao policial que não excedeu o limite de velocidade na estrada ou que só bebeu um copo de cerveja". E sentenciou: "A triste verdade é que as pessoas mentem sobre alguns aspectos de sua vida ocasionalmente."
As vozes dissidentes dizem que a lei se refere apenas a mentiras cabeludas, como a da falsa declaração de recebimento de honras militares. O juiz que votou pela manutenção da pena aplicada a Alvarez rejeitou a tese da escorregadela da verdade e disse que "fazer declarações falsas sobre recebimento de honras militares é um subconjunto cuidadosamente definido de declaração factual falsa, que não merece proteção constitucional". Os advogados do governo, que apelaram da decisão que invalidou a lei, enfatizaram que as medalhas "expressam a gratidão da nação pelo patriotismo e pela coragem".
"Eu sou um marine (fuzileiro naval) (...). Me aposentei em 2001. Em 1987, fui condecorado pelo Congresso com a Medalha de Honra. Fui ferido muitas vezes pelo mesmo sujeito", Xavier Alvarez disse na assembleia pública. O governo descobriu que ele sequer pertenceu um dia a qualquer unidade das forças armadas, diz o New York Times. Agora, ele se defende: "Tudo o que estava fazendo é exercer o meu direito de liberdade de expressão".
A Suprema Corte, sob a chefia do ministro John Roberts, tem se mostrado favorável a demandantes que defendem a própria liberdade de expressão, julgando a favor das pessoas que fazem protestos em funerais militares (proibidos), de fabricantes de videogames violentos e distribuidores de material que mostra crueldade contra os animais.
A Suprema Corte também deverá decidir, no final do semestre judiciário, se a Comissão Federal de Comunicações deve regulamentar o uso de palavrões e de nudismo nos programas de televisão.
(Fonte: Conjur - Consultor Jurídico).
sábado, 22 de outubro de 2011
A REDE QUE CONTROLA A ECONOMIA MUNDIAL
Este gráfico mostra as interconexões entre o grupo de 1.318 empresas transnacionais que formam o núcleo da economia mundial. O tamanho de cada ponto representa o tamanho da receita de cada uma.[Imagem: Vitali et al.]
Além das ideologias
Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos.
Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global.
A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça.
Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.
"A realidade é complexa demais, nós temos que ir além dos dogmas, sejam eles das teorias da conspiração ou do livre mercado," afirmou James Glattfelder, um dos autores do trabalho. "Nossa análise é baseada na realidade." (...)
Estudos anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade, não podendo, portanto, ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia afetar a economia mundial - tornando-a mais ou menos instável, por exemplo.
O novo estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de dados com 37 milhões de empresas e investidores.
A análise identificou 43.060 grandes empresas transnacionais e traçou as conexões de controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em escala mundial.
Poder econômico mundial
Refinando ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais outras empresas - na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas.
Mais do que isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo - as chamadas blue chips nos mercados de ações.
Em outras palavras, elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo.
E isso não é tudo.
Super-entidade econômica
Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas.
"Na verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira," diz Glattfelder.
E a maioria delas são bancos.
Os pesquisadores afirmam em seu estudo que a concentração de poder em si não é boa e nem ruim, mas essa interconexão pode ser (ruim).
Como o mundo viu durante a crise de 2008, essas redes são muito instáveis: basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede, levando consigo a economia mundial como um todo.
Eles ponderam, contudo, que essa super-entidade pode não ser o resultado de uma conspiração - 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer.
A questão real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode exercer um poder político centralizado intencionalmente.
Eles suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em conjunto no interesse comum - e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede.
As 10 primeiras das 147 empresas transnacionais super conectadas:
- Barclays plc
- Capital Group Companies Inc
- FMR Corporation
- AXA
- State Street Corporation
- JP Morgan Chase & Co
- Legal & General Group plc
- Vanguard Group Inc
- UBS AG
- Merrill Lynch & Co Inc
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."basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede" - eis a definição de risco sistêmico. É o que autoridades monetárias costumam invocar ao repassar dinheiro público para os bancos;
."Eles ponderam, contudo, que essa super-entidade pode não ser o resultado de uma conspiração - 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer." Será assim tão grande? O fato de que as empresas "agem em conjunto no interesse comum - e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede" parece sintomático.
O FIM DO MUNDO FOI ONTEM
O radialista evangélico norte-americano Harold Camping, de 89 anos, tem prometido desde o começo do ano que o mundo vai acabar. Ele estabeleceu algumas datas fatais, sendo 21 de outubro a mais recente. Uma vez mais sua previsão foi detonada, e certamente Harold mais uma vez atribuirá o furo a uma 'falha de cálculo'.
Seguidores da seita que ele dirige, a Family Network, chegaram a gastar as economias de suas vidas inteiras na expectativa de serem arrebatados para o céu. A seita tem 66 (atenção: 66, e não 666) estações de rádio nos EUA, por meio das quais Camping faz seus anúncios proféticos.
Charge: Lute.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
NOTA INESPERADA
"Após a reunião com o ministro do Esporte, Orlando Silva, a presidenta Dilma Rousseff disse que o governo 'não condena ninguém sem provas e parte do princípio civilizatório da presunção da inocência'.
'Não lutamos inutilmente para acabar com o arbítrio e não vamos aceitar que alguém seja condenado sumariamente', disse a presidenta.(...)"
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A pertinente nota acima (inesperada para a grande midia) poderá não sobreviver por tempo razoável. A czarina Veja lançará nova edição em algumas horas. Seja lá como for, o certo é que o ucasse inicial da czarina não prosperou, a despeito do 'apoio agregado' de outros representantes da nobreza midiática.
Afinal, condenação sumária e carente de provas não condiz com Estado Democrático de Direito.
A METAFÍSICA DO PÊNALTI PERDIDO
Por Idelber Avelar
Adoro o escritor austríaco Peter Handke. Mas só mesmo alguém que não entende nada de futebol pode escrever um romance intitulado A angústia do goleiro diante do pênalti. Ora, qualquer criança sabe que se há alguma angústia, ela é do batedor. O goleiro só tem a ganhar. O texto de hoje é uma reflexão sobre essa estranha expressão, “perder um pênalti“.
Para perder-se alguma coisa, supõe-se que nós a tenhamos. Mas quem tem o pênalti, desde o momento em que ele é marcado, é o goleiro. O goleiro é o dono do pênalti, mas só o cobrador pode perdê-lo. Perder o que não se tem, eis aí a tragédia do pênalti para o batedor. Quem já amou sabe do que falo. A partir do momento da marcação, o atacante recebe um presente de grego, um presente ao qual ele só pode, na melhor das hipóteses, fazer jus: confirmar o que todos esperam e fazer o gol. Ele só pode, se convertê-lo, ficar quites. Se não convertê-lo, estará em débito com o presente recebido, terá se mostrado indigno de recebê-lo: um mau recebedor de presentes, um ingrato. Não há angústia do goleiro na cobrança do pênalti. A verdadeira angústia é a do batedor: a angústia dos que só têm a perder.
Quem se lembra dos pênaltis convertidos? Ninguém. Só os pênaltis perdidos têm morada na memória. Quantos gols de pênalti terá feito o Zico? Dezenas muitas. Mas todos se lembram do pênalti perdido em 1986, contra a França. Convertido, aquele pênalti teria levado o Brasil às semifinais da Copa do Mundo. Não há jogador mais amado pelos atleticanos que Toninho Cerezzo, mas a memória mais marcante desse que tanto ganhou nunca deixou de ser o pênalti chutado quase nas arquibancadas na decisão de 1977, no fatídico 05 de março de 1978, de tão triste memória para todos nós que achamos que o futebol e o jiu-jitsu devem continuar sendo dois esportes diferentes.
Os italianos, coitados, são especialistas em reminiscências de penalidades máximas. Lembram-se de serem eliminados nos pênaltis das copas de 90, 98 e, claro, de Baresi, herói e grande craque da decisão de 94, zagueiraço que anulou Romário e Bebeto durante 120 minutos, chutando para o espaço, ironicamente, o pênalti que começou a entregar o tetracampeonato ao modesto escrete feijão-com-arroz de Parreira.
Dos pênaltis convertidos só nos lembramos por coisas alheias ao pênalti mesmo, como o milésimo gol de Pelé. Até nisso o pênalti foi irônico: aquele que marcou gol de tudo quanto foi jeito, de letra, de cabeça subindo na testada, de cabeça mergulhando no peixinho, de costas, por cobertura, de voleio, de bicicleta, de meio-voleio, espírita, de placa, além de quase todas as combinações possíveis entre eles, o gênio que fez mil duzentos e tantos desse momento único que não conhece nenhum outro esporte, pois ele, o Rei maior, teve que se resignar a marcar o milésimo de pênalti, arrastado, chorado, com o goleiro Andrada quase pegando a bola pelo rabo, quase humilhando o Rei ali na boca da butija, com o teatrão todo preparado já para a festa do seu gol mil. A bola entrou e o Rei escapou por pouco, como escapou tantas vezes, mas não eludiu o gostinho amargo de que o milzão foi feito ali, na obrigação protocolar do penal. (Fonte: ContextoLivre).
ENTREOUVIDO GEOPOLÍTICO
- Primavera árabe, tudo bem. Na Arábia Saudita de Abdullah, porém, ninguém mexe.
- Com base em que você diz isso, Tio Sam?
- Com base em minhas bases, of course!
GURIZADA, FILÃO LUCRATIVO
"Há hoje um evidente abuso na prescrição de drogas psiquiátricas, especialmente para crianças.
Crianças que têm problemas de comportamento ou problemas familiares vão até o médico e saem de lá com diagnóstico de transtorno bipolar, ou TDAH [transtorno de déficit de atenção e hiperatividade]. E é claro que tem o dedo da indústria estimulando os médicos a fazer mais e mais diagnósticos.
Às vezes, a criança chega a usar quatro, seis drogas diferentes, porque uma dá muitos efeitos colaterais, a outra não reduz os sintomas e outras as deixam ainda mais doentes.
Drogas antipsicóticas estão claramente associadas ao diabetes e à síndrome metabólica. Estamos dando veneno para as pessoas mais vulneráveis da sociedade."
(Marcia Angell, médica, professora do Departamento de Medicina Social da Universidade Harvard, EUA, primeira mulher a ocupar o cargo de editora-chefe no bicentenário 'New England Journal of Medicine' e autora de 'A Verdade sobre os Laboratórios Farmacêuticos', que desnuda o mercado de medicamentos, revelando como os laboratórios se afastaram de sua missão original de descobrir e fabricar remédios úteis para se transformar em gigantescas máquinas de marketing. A crítica acima leva em conta o cenário observado nos EUA, mas...).
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
BANQUEIROS MAFIOSOS
Quando se atribui a crise financeira mundial ao descalabro do Livre Mercado, traduzido especialmente na ação deletéria dos bancos via empréstimos lastreados em hipotecas fajutas e mediante 'apostas' em derivativos nebulosos, ficamos meio confusos. Afinal, como tais malfeitorias acontecem?
Eis um exemplo: o Citigroup (EUA) estruturou e vendeu US$ 500 milhões em CDOs (obrigações de dívida) lastreados em hipotecas de alto risco, auferindo seus ganhos de imediato - e em seguida apostou contra esses ativos, para levar outra bolada, ludibriando os investidores.
O que aconteceu com o criminoso? Pilhado pela SEC (a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) foi condenado a pagar uma multa de US$ 285 milhões - e ok, baby, não se fala mais nisso.
É que entra em cena a maior de todas as atenuantes: o risco sistêmico. Não dá pra 'punir demais' os bancos, visto que, se um quebrar, os demais inevitavelmente podem ter o mesmo destino. E por aí vai.
THE END LÍBIO
A mão do ditador era de ferro; a corda, não. O barril, enfim, retomará sua utilidade petrolífera, objetivo principal das sete grandes. Com a barbárie sendo considerada natural, é claro.
NEYMAR EXTRAPOLOU
Na vitória de ontem (19) do Santos sobre o Botafogo na Vila Belmiro, Neymar brilhou: fustigou em várias oportunidades a defesa adversária e fez um golaço genial.
E deu até um sutil drible de corpo num quero-quero renitente, que, impassível, dava uma de dono do pedaço.
UM CLÁSSICO DE HITCHCOCK
Festim diabólico
Por Marden Machado
Alfred Hitchcock era um diretor que adorava desafios. Quando realizou Festim Diabólico, seu primeiro trabalho colorido, ele decidiu experimentar algo radical: rodar o filme inteiro em plano-sequência, ou seja, sem cortes. Na verdade, existem oito cortes. Porém, eles são tão sutis que a impressão que temos ao assistir ao filme é que eles realmente não existem. A trama, baseada em peça inspirada de Patrick Hamilton, que por sua vez se inspirou em um fato verídico, conta a história de dois jovens brilhantes que estrangulam um colega com uma corda (daí o título original) e escondem o corpo dentro de um baú. Na sequência, chamam um grupo de pessoas, inclusive os pais e a namorada da vítima, para um jantar. Eles querem provar com isso que cometeram o crime perfeito. Philip (Farley Granger) e Brandon (John Dall), cheios de confiança e com um forte sentimento de superioridade, enfrentam até um antigo professor da turma, Rupert Cadell, vivido por James Stewart. Com uma direção milimetricamente objetiva, Hitchcock utiliza tudo em cena para contar sua história. Atores, objetos e cenários auxiliam nessa tarefa e fazem deste Festim Diabólico um capítulo único na filmografia deste genial diretor e na história do cinema.
FESTIM DIABÓLICO (Rope - EUA 1948). Direção: Alfred Hitchcock. Elenco: James Stewart, John Dall, Farley Granger, Joan Chandler, Cedric Hardwicke, Constance Collier, Douglas Dick, Edith Evanson e Dick Hogan. Duração: 80 minutos. Distribuição: Universal.
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Eu sempre achei que o plano-sequência efetivamente se havia concretizado; agora vem o Marden e informa: há oito cortes. Diante dessa, o desafio passará a ser o seguinte: apontar as cenas em que Hitchcock aparece em alguns de seus filmes e (novidade) os pontos de corte de Festim Diabólico.
NOTA: Marden informa (veja comentário): os cortes ocorrem a cada dez minutos do filme, aproximadamente. "Os cortes acontecem em portas que se abrem ou nas costas das personagens".
Gracias, amigo.
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Cinema. Festim diabólico. Marden Machado.
O VOCABULEROLERO DA VELHA MÍDIA
Por Emir Sader
In Carta Maior
Aqui algumas indicações sobre como ler a velha mídia. Nada do que é dito vale pelo seu valor de face. Tudo remete a um significado, cuja arte é tratar de camuflá-lo bem.
Por exemplo, quando dizem liberdade de imprensa, querem liberdade de empresa, das suas empresas, de dizerem, pelo poder da propriedade que têm, o que pensam.
A chave está em fazer passar o que pensam pelo interesse geral, pelas necessidades do país. Daí que nunca fazem o que deveriam fazer. Isto é, dizer, por exemplo: “A família Frias acha que...” Ou: “A família Civita acha que...” e assim por diante.
A arte da manipulação reside em construções em que os sujeitos (eles) ficam ocultos. Usam fórmulas como: “É mister”, “Faz-se necessário”, “É fundamental”, “É indispensável”.
Sempre cabe a pergunta: Quem, cara pálida? Eles, os donos da empresa. Sempre tentam passar a ideia de que falam em nome do país, do Brasil, da comunidade, de todos, quando falam em nome deles. A definição mais precisa de ideologia: fazer passar interesses particulares pelos interesses gerais.
Quando dizem “fazer a lição de casa”, querem dizer fazer duro ajuste fiscal. Quando falam de “populismo”, querem dizer governo que prioriza interesses populares. Quando falam de “demagogia”, se referem a discursos que desmascaram os interesses das elites, que tratam de ocultar.
Quando falam de “liberdade de expressão”, estão falando no direito deles, famílias proprietárias das empresas monopolistas da mídia, dizerem o que bem entendem. Confundem liberdade de imprensa com liberdade de empresas – as deles.
No Vocabulerolero indispensável para entender o que a mídia expressa de maneira cifrada, é preciso entender que quando falam de “governo responsável”, é aquele que prioriza o combate à inflação, às custas das políticas sociais. Quando falam de “clientelismo” se referem às politicas sociais dos governos.
Quando falam de “líder carismático”, querem desqualificar os discursos os lideres populares, que falam diretamente ao povo sobre seus interesses.
Quando falam de “terrorismo” se referem aos que combatem ou resistem a ações norte-americanas. “Sociedades livres” são as de “livre mercado”. Democráticos sao os países ocidentais que têm eleições periódicas, separação dos três poderes, variedade de siglas de partidos e "imprensa livre", isto é, imprensa privada.
“Democrático” é o pais aliado dos EUA – berço da democracia. Totalitário é o inimigo dos EUA.
Quando dizem “Basta” ou “Cansei” querem dizer que eles não aguentam mais medidas populares e democráticas que afetam seus interesses e os seus valores.
Entre a velha mídia e a realidade se interpõe uma grossa camada de mecanismos ideológicos, com os quais tentam passar seus interesses particulares como se fossem interesses gerais. É o melhor exemplo do que Marx chamava de ideologia: valores e concepções particulares que pretendem promover-se a interesses da totalidade. Para isso se valem de categorias enganosas, que é preciso desmistificar cotidianamente, para que possamos enxergar a realidade como ela é.
(Fonte: ContextoLivre).
Marcadores:
Emir Sader. O vocabulerolero de velha mídia.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
MEGA MAFUÁ
Sábado passado, 15, dia de sorteio da Mega acumulada, foi publicado o seguinte texto num dos muitos blogs que acompanho, o Rio Acima::
"Como ganhar na Mega Sena
R$ 46 milhões!
Filas e filas nas lotéricas. Todos sonhando com o que fariam com a grana. Mandar o chefe plantar batata deve ser o pensamento de mais da metade dos apostadores. Iates, mulheres, 'meus bom drink'...
Na verdade, as pessoas jogam para sonhar, e não para ganhar.
'Se eu ganhar, compro uma sunga nova e coloco o troco na poupança', diz um rato de praia amigo meu...
Talvez todos percam, e a Mega Sena acumule mais uma vez. É um jogo dificílimo. Uma chance em mais de 50 milhões de acertar.
Tolo que sou, joguei os mesmos seis números por anos, até o dia em que descobri a única maneira de ganhar toda semana: parar de jogar.
Desde então, na quarta e no sábado, torço discretamente para a minha combinação não sair. Agora, tenho mais de 50 milhões de chances de ficar feliz e apenas uma de me lamentar para o resto da vida."
................
Pois é, meu caro Marcelo Migliaccio, e foi então que surgiu alguém numa lotérica do bairro Mafuá, desta Teresina verde e tórrida, fez um jogo de R$ 2,00 e levou sozinho a bolada. Como dizia o velho Machado: "O inesperado tem voto decisivo na assembleia dos acontecimentos".
LIXO
Dálcio Machado.
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Em Pernambuco, a fiscalização frouxa/inoperante permitiu, ao longo de anos, a importação de lixo hospitalar originário dos EUA. Qual a verdadeira dimensão de tal irresponsabilidade? Quantas vítimas? Quantas punições? Ironicamente, as autoridades, em vez de indicar as providências corretivas adotadas, preocuparam-se em deplorar os danos aos bolsos dos pequenos industriais e comerciantes de confecções. Como diria o expert em panos quentes (panos, não lençóis): calma, pior seria se o lixo fosse nuclear.
POETINHA, 19.10.1913
De Antonio Carlos Jobim (25.01.1927 - 08.12.1994) para Vinicius de Moraes (19.11.1913 - 09.07.1980).
Palmas para os poetas!
Marcadores:
98 anos.,
Vinicius e Tom. Cadê o poetinha. Vinicius
terça-feira, 18 de outubro de 2011
CARTA DE BANCÁRIA À GLOBO
Teresa Roberta Soares é bancária (Banco do Brasil) e formada em jornalismo. A prolongada greve dos bancários foi praticamente encerrada, mas vale a pena reproduzir a carta, de 14.10.2011:
Carta à Direção Globo de Jornalismo
Sr. Carlos Henrique Schroder,
É com grande insatisfação que escrevo aqui em nome de quase 500 mil bancários existentes no Brasil.
Em primeiro lugar, gostaria de dizer que estamos indignados com o tratamento que os telejornais da Central Globo de Jornalismo, subordinada a sua Direção Geral de Jornalismo e Esportes (DGJE), estão dando a nossa greve.
Todos os dias suas reportagens altamente parciais (sempre do lado dos banqueiros, o capital de vocês) mostram nossa greve prejudicando clientes, idosos, etc. O que vocês não mostram é o quanto nós somos prejudicados o ano inteiro.
Sr. Carlos Henrique Schroder, aos 16 anos, quando entrei para a faculdade de jornalismo, eu achava que poderia mudar o mundo.
Aos 20, quando acabei a faculdade, percebi que o mundo é que havia me mudado.
Decidi ser bancária, que por sinal é uma profissão muito digna, talvez até mais digna do que aquela profissão que me fez passar quatro anos na universidade.
Sr. Carlos, nós, bancários, trabalhamos feito robôs. Em minha agência somos 24 funcionários e temos que atender em média 500 clientes por dia, em seis horas de trabalho, sendo no máximo 15 minutos para atender cada cliente, o que matematicamente torna-se uma conta impossível.
Nesses 15 minutos que temos para atender os clientes, em vez de resolver os problemas deles, temos que oferecer produtos que eles não precisam. Temos que empurrar seguros de vida a universitários; temos que vender (com muita dor no coração) títulos de capitalização e colocar cheque especial na conta de idosos que só ganham um salário mínimo. Fazemos empréstimos com juros absurdos para aposentados do INSS que não sabem nem ler. Fazemos tudo isso porque somos obrigados pela instituição capitalista que paga nosso minguado salário.
Trabalhamos de seis a oito horas contratuais fazendo tudo o que podemos para garantir o lucro da nossa empresa, sem contar as horas extras e também as horas “bestas” (fora do ponto eletrônico).
Em quantos e quantos meses já perdemos boa parte do nosso salário para pagar diferenças de caixa provocadas por dias de pico onde não conseguimos nem almoçar? Isso sem contar que só temos 15 minutos para engolir a comida e escovar os dentes!!! Em quantos e quantos dias deixamos de beber um copo de água sequer, ou mesmo deixamos de ir ao banheiro para necessidades lógicas?
Sr. Carlos, o Banco em que eu trabalho (BB) teve um lucro de mais de 6 bilhões só no primeiro semestre deste ano. O Itaú lucrou mais de 7 bilhões e o Bradesco mais de cinco.
Sr. Carlos, todo esse dinheiro daria para construir dezenas de escolas e hospitais em toda parte do nosso país, e o Sr. Tem que concordar que o Brasil é muito carente nessas áreas.
Quantos milhões de reais os bancos não gastam todos os anos com publicidade e propaganda na sua emissora? O Bom Dia Brasil tem o oferecimento do Banco do Brasil, o Jornal Nacional é patrocinado pelo Bradesco, fora os outros telejornais e os comerciais dos outros bancos que sua emissora veicula todos os dias.
Sr. Carlos, os escriturários do BB recebem R$ 1.400,00 líquidos para sustentar suas famílias. Temos um bom plano de saúde, graças a Deus, e um auxílio alimentação que dá pra abastecer uma casa, mas o Sr. Tem que concordar comigo que R$ 1.400,00 não dá pra manter o padrão que os bancários precisam para trabalhar.
Temos que nos vestir bem e ter uma boa aparência, afinal trabalhamos nas empresas que mais dão lucro no Brasil e precisamos ter uma boa apresentação.
O que nos deixa mais indignados é que seus telejornais nos mostram como vilões da sociedade, exterminadores de benefícios de velhinhos, grevistas baderneiros, como se nós não quiséssemos trabalhar.
Sr. Carlos Henrique Schroder, nós não estamos de férias, nós estamos exercendo um direito constitucional que nos foi dado; passamos em concurso público e nos classificamos entre milhares de pessoas. Acho que merecemos ganhar um pouco mais pelo que passamos todos os dias, o Sr. não acha?
Nossa greve não é só por nós, é principalmente pelos clientes. Os bancos têm estrutura suficiente para contratar mais funcionários, tirando assim o peso da carga que carregamos, pois cada um de nós trabalha por cerca de 10 pessoas que não existem. Com mais funcionários, os clientes ficarão menos tempo nas filas intermináveis e terão uma qualidade de atendimento muito melhor.
O que queremos é que seus telejornais e jornalistas prezem aquilo que de mais importante eu aprendi na universidade: a verdade e a ética jornalística.
Não deixem o capital se sobrepor aos valores éticos e à verdade nua e crua. Mostrem o que realmente acontece, não escondam nenhum dos lados.
Não acho correto mostrar apenas o lado ruim da greve, pois com toda certeza do universo, Sr. Carlos, o lado negro dessa história não é a greve, não é mesmo! A greve é nossa única chance cobrar o que nos é direito.
O Sr. sabe que a economia do país teve uma inflação considerável e nosso aumento real seria de apenas 0,56%, o que é absurdamente injusto se compararmos com o lucro que nós, funcionários, proporcionamos aos bancos de 2010 para 2011.
No governo FHC passamos 8 anos sem aumento nenhum, e a inflação cresceu a cada ano. Nosso salário estagnou.
O salário mínimo cresceu mais de 400% de 2002 a 2011, enquanto nosso salário aumenta a passos miúdos. Se continuar neste ritmo, daqui a uns anos vai valer mais à pena ganhar um salário mínimo do que trabalhar em um Banco.
Bom, Sr. Carlos, acho que já falei demais. Eu não o conheço, mas sei que o Sr. tem um currículo que muito jornalista gostaria de ter e ocupa uma posição respeitável. Quero parabenizá-lo por isso. Sei também que minha indignação não vai resolver nada e sei que seus telejornais continuarão parciais por toda vida, pois isto é política da emissora e não há o que se fazer. Mas desabafei o que estava engasgado na garganta de milhares de bancários de todo o país.
Saiba que vendo o que se passa hoje na televisão brasileira, me orgulho de ter optado por sofrer um pouco sendo bancária do que ter um pouco mais de dinheiro e não dormir à noite sendo jornalista da emissora a qual o Sr. faz parte.
Grata pela atenção,
Teresa Roberta Soares
(Fonte: blog de Luis Nassif).
VEJA, A CZARINA
Age com total desenvoltura, ou melhor, liberdade de empresa. Publica o que lhe apetece (até propaganda dissimulada de 'drogas milagrosas'). Silencia quanto aos podres de seus parceiros e formula denúncias contra seus adversários, sem apontar provas, embasada até mesmo na palavra de escroques ou em disse-me-disse, e sem ouvir o outro lado.
As matérias por ela publicadas não são matérias, são ucasses, decretos imperiais. Verdades absolutas, repercutidas à larga, endossadas pela mídia e assumidas de imediato até mesmo por nossos bravos chargistas, sem qualquer questionamento e sem que se aguarde a conclusão das investigações.
Revista Veja, a czarina do Brasil.
A MARCHA DAS APURAÇÕES
No Estado Democrático de Direito, é imperiosa a apuração e punição de corruptos de todos os matizes, com observância dos direitos e garantias constitucionais. A liberdade de acusar e publicar amplamente quaisquer acusações deve coexistir com a presunção da inocência, o que requer o completo trâmite do processo. A coexistência dos direitos e garantias é 'disciplinada' pelo Sistema de Freios e Contrapesos: que direito deve prevalecer sobre outro? Alguém pode ser condenado sem que o acusador apresente provas cabais da malfeitoria? O direito de acusar pode suplantar a presunção da inocência?
O Ministério dos Esportes parece apresentar furos diversos, notadamente em relação à parceria com ONGs - furos que se estaria tentando corrigir.
O depoimento do acusador do ministro Orlando Silva à Polícia Federal, previsto para hoje, 18, foi adiado, sob a alegação de problema de saúde. Fato curioso, no mínimo. Ou sintomático?
Parece razoável aguardar a comprovação de eventuais práticas dolosas por parte do ministro. Até porque, mortais comuns que somos, desconhecemos interesses outros (CBF, FIFA, TVs...) que possam estar embasando os acontecimentos em curso. Sem contar que o próprio acusador pode estar tentando embaralhar o meio de campo visando a escapar da devolução da verba por ele surrupiada.
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Corrupção. Ministério dos Esportes. Veja. ONGs.
ECOS DE MEMÓRIAS
Woody certamente se refere a Memórias Póstumas de Brás Cubas.
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Fonte: ContextoLivre. (Autor do desenho: Berzé).
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Literatura. Woody Allen. Machado de Assis.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
PANDEMÔNIO
Acusada pela Record de piratear imagens dos Jogos Pan-Americanos, a Globo reconheceu que não poderia ter exibido as cenas que mostrou. A culpa, porém, segundo a emissora, foi da agência de notícias (APTN, da AP) que enviou as imagens.
"As imagens vieram liberadas para uso. Quando fomos perguntados hoje hoje sobre isso, voltamos o questionamento para a APTN, que então nos mandou o pedido de desculpas", disse a Globo.
E a Globo, mandará pedido de desculpas pela apropriação?
Acostumada a capitanear os eventos mais importantes, a Globo não consegue administrar a situação, em que fracassou duas vezes: a primeira, ao não empenhar-se para abocanhar os Jogos, a segunda quando, ao contrário das demais emissoras de TV, esnobou a oferta da Record de cessão de imagens.
Enquanto isso, no México...
É COISA NOSSA
"(...) Discutimos hábitos de diferentes países. O fato de islâmicos não darem a mão para mulheres. O ritual que é a entrega de um cartão de visita para um japonês. A pontualidade britânica. O estilo direto e 'cut to the chase' dos americanos, que pode parecer meio grosseiro para os não iniciados.
Saio do almoço com a impressão de que o Brasil só será respeitado quando houver um curso internacional de como lidar conosco. O hábito de insultar a mãe dos amigos antes de entrar na conversa (...) O convite para visitas sem o fornecimento do endereço. O warm-up antes dos assuntos sérios, falando da bunda da secretária. Entender que conhecer a escalação do time do interlocutor é mais importante que saber o nome completo dele.
Enquanto nós tivermos que absorver a cultura estrangeira e eles não entenderem a cultura cá do Bananão, é porque ainda não alcançamos a relevância internacional que pretendemos. Assento no Conselho da ONU não serve para porra nenhuma. Quero ver os gringos anotando no caderninho: 'Quanto mais íntima a pessoa, mais ela deve ser insultada. E, sempre que possível, denigra a mãe do interlocutor (...). Só assim os outros podem perceber que vocês são amigos'."
(Renzo Mora, escritor e crítico musical).
CERTAS PALAVRAS
PALAVRAS VAZIAS
Por Rodolpho Motta Lima
Na semana passada, pretendi colocar em discussão o uso indevido da palavra “democracia”, vocábulo que nos é muito caro, mas que vem sendo abastardado pela sua pretensa identificação semântica com “capitalismo” ou “liberalismo”. Será que realmente estamos em uma democracia só porque vivemos debaixo de um sistema que garanta a livre expressão? Se o que nos cerca são desigualdades históricas, crônicas, onde a fome e a miséria estão presentes, essa é, realmente, uma “democracia”?
Algumas outras expressões consagradas, no campo da política ou da economia, sempre me incomodaram. Lembro que, quando jovem, o pessoal da direita se referia aos exploradores – aí entendidos os latifundiários, os coronéis do açúcar, os grandes capitalistas, etc – como a “classe produtora”, desprezando totalmente, no processo de produção da riqueza nacional, os trabalhadores do campo e da cidade, numa demonstração clara, pela seleção vocabular, de segregação social. Hoje esse termo é menos usado, mas encontra um certo substituto na palavra “empreendedor”, que parece querer referir-se tão somente aos que, detendo o capital, podem criar empresas.
Outra palavra que não me cai bem aos ouvidos, pela generalização com que hoje é empregada, é o termo “consumidor”. Parece que se está extinguindo o “cidadão”, palavra que remete a todos os direitos e deveres do ser humano em uma sociedade democrática, trocada por esse vocábulo que revela claramente a essência de uma economia “de mercado”, na qual as pessoas valem pelo que possuem ou podem possuir e só nessa condição devem agir.
Aliás, a palavra “mercado” também é incomodativa, porque ocupa, hoje, destaque equivalente ao dos magos e demiurgos de antigamente, quase um deus a comandar o espetáculo da desigualdade social. Quando ouço declarações de que “o mercado está nervoso”, confesso que eu é que fico, diante desse disparate metonímico. Nem vou dizer aqui, ainda no plano da economia, o que penso da “lei da oferta e da procura”, pois certamente seria trucidado verbalmente pelo pessoal do economês. Mas sempre me pareceu estranho que, havendo maior procura por um bem, este tenha que ter seu valor aumentado: é o mesmo bem, sua produção demandou o mesmo custo, mas ele passa a “valer mais” porque há mais gente que o tem como objetivo. Confortável para quem produz, não? Mas e o outro lado, como é que fica? Fica pagando mais...
Na relação de palavras ou conjunto de palavras que me parecem exotéricas, está a expressão “segredo de Estado”. Afinal, que é o Estado, quem é o Estado? Em boa hora, em episódio recente, o Governo parece que acabou entendendo que não poderia declinar da divulgação dos fatos da história brasileira, para o conhecimento geral do povo. Sei que certas recalcitrâncias se fazem ainda em nome de uma malfadada “governabilidade”, mais uma palavra perversa que coloca certos políticos ou grupos em condição de, velada ou escancaradamente, chantagear o Governo, condicionando seu apoio a medidas sérias em troca de decisões não tão sérias, como, por exemplo, a de condenar ao silêncio fatos significativos de nossa história. É coisa petrificada na política nacional: nenhum partido governa sem o PMDB, essa aberração política que pode estar á esquerda ou à direita, desde que atendidas suas conveniências de desfrute do poder. E a esse processo de submissão se dá o nome de “governabilidade”...
No campo da política, e em outros, a mídia usa e abusa de uma palavra que me causa espécie: “o especialista”. Você pode apostar que, quando a mídia tem interesse em disseminar tal ou qual opinião, sempre há de mencionar um “especialista” que, ouvido, diz exatamente o que se pretende que ele diga. Trata-se de especialistas por conveniência... O que me lembra Darcy Ribeiro, que, ao falar sobre especialistas, dizia que há pessoas que, quanto mais se aprofundam no saber do que sabem, mais ignorantes ficam no resto.
Estava no meio desta coluna quando ouvi alguém falar na tal de “falta de vontade política”, para justificar a ausência de uma atitude por parte de um determinado governo. Ora, quando qualquer governo não faz alguma coisa é porque não quer fazer, ou porque não acredita naquilo, ou porque pretende outra coisa. Sendo assim, “vontade política de não fazer” seria uma expressão melhor... Fazendo aqui uma autocrítica, porque eu mesmo já usei muitas vezes essa expressão, cá para nós, “vontade política” é eufemismo vazio, tão vazio quanto a palavra “atitude”, impiedosamente usada hoje por cronistas esportivos para mostrar que o atleta X ou Y deve agir no sentido W ou Z...
O que você acha da expressão “clamor da opinião pública”, quando utilizada pela mídia a serviço de seus objetivos nem sempre confessados? A “opinião pública” é , quase sempre, a opinião que se publica, ou seja, a opinião que segue a linha político-ideológica do órgão midiático que a apregoa.
Seguimos, assim, nesse cotidiano repleto de palavras vazias, ou enganosas, ou falsas. E este texto não tem o propósito ou a pretensão de vê-las banidas, que essa é uma luta inglória, mas quer propor, pelo menos, um convite ao enfrentamento. Afinal, em outro contexto, Drummond já havia afirmado: “Lutar com as palavras é a luta mais vã. No entanto, lutamos”.
domingo, 16 de outubro de 2011
TALENTO, MODO DE USAR
Do prefácio do Manual Imaginário de Postura Profissional: "As coisas vão mudando de forma avassaladora, mas o talento é atributo que continua indispensável. No âmbito midiático, por exemplo, é indispensável ao profissional atender plenamente aos interesses patronais, produzindo exatamente o que a cúpula espera. E isso requer talento. Arte é isso: imprimir à encomenda qualidade superior à solicitada, saber distorcer e/ou omitir fatos, mantendo-se altaneiramente indiferente a insinuações de denuncismo seletivo e aleivosias do gênero."
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