sábado, 8 de outubro de 2011
DIZEM QUE ELA É IMBATÍVEL...
A FORÇA DA FOFOCA
Fernando Reinach
A fofoca não tem boa fama, mas a informação transmitida por meio desse mecanismo de comunicação é considerado importante na formação e manutenção das relações entre humanos. Pela fofoca sabemos o que esperar de futuras interações com outros membros do grupo.
Claro que muitas vezes a informação é distorcida, mas a maioria dos estudos demonstra que ela pode ser muito útil. Cientistas que estudam macacos descobriram que esses animais, apesar de não possuírem a capacidade de comunicação verbal dos humanos, também fofocam. Eles obtêm informações sobre outros membros do grupo observando seu comportamento em atividades como a retirada de parasitas, o compartilhamento da comida e jogos corporais que simulam confrontos.
Na realidade, a fofoca altera nosso comportamento frente às pessoas sobre as quais fofocamos. Até agora se acreditava que essa modificação era mediada por nosso sistema cognitivo consciente ("Sei que ele é agressivo, portanto vou agir cuidadosamente"). Mas um experimento simples demonstrou que a natureza da informação que recebemos pela fofoca altera o funcionamento de nosso sistema visual independentemente de nossa vontade consciente.
O experimento usa uma característica muito estudada de nosso sistema visual. Quando cada um de nossos olhos é submetido a uma imagem distinta, nossa atenção se divide entre as duas imagens. Primeiro observamos uma das imagens e depois a outra - e assim sucessivamente, até satisfazermos nossa curiosidade. Isto ocorre porque nossa consciência não é capaz de se concentrar simultaneamente nas duas imagens e o sistema visual, operando sem controle da consciência, seleciona uma por vez.
Você pode repetir essa observação colocando dois objetos sobre uma mesa, separados por um pedaço vertical de papelão. Se você se debruçar sobre esses dois objetos de modo que o papelão garanta que cada olho só consiga observar um deles, você vai perceber que sua atenção flutua entre ambos.
O efeito é melhor se outra pessoa colocar em cada um de seus campos visuais objetos que você não havia observado com os dois olhos. Usando um sistema de duas teclas ligadas a dois cronômetros, você pode medir o tempo que seu cérebro se concentra em cada um dos objetos. Um aparato como esse foi usado para medir o efeito da fofoca sobre nosso sistema visual.
O experimento foi feito com grupos de cerca de 300 pessoas. Numa primeira fase, os voluntários observavam fotos de faces. Simultaneamente, era apresentada uma fofoca (por escrito) sobre esta pessoa. A frase poderia ter conotação social negativa ("atirou uma cadeira num colega"), positiva ("ajudou uma idosa a atravessar") ou neutra ("cruzou com uma pessoa na rua").
Imagem. Após observarem os pares de fotos e frases, essas pessoas eram colocadas em um aparelho capaz de projetar em cada olho uma imagem. Enquanto um dos olhos era submetido à foto de uma das faces, o outro via a foto de uma casa. O tempo que o cérebro dedicava a cada uma foi medido.
Observou-se que o sistema visual divide o tempo que a imagem de cada olho ocupa na consciência. Mas se a face visualizada por um olho tivesse sido associada a uma fofoca negativa, o tempo gasto pelo cérebro examinando a imagem era muito maior que o tempo gasto caso a face tivesse sido associada a uma fofoca neutra ou positiva.
Será que bastava o fato ser negativo ou teria de ser socialmente negativo? Para testar esta possibilidade, outros voluntários se submeteram ao experimento, mas as frases foram trocadas de modo a prover informações negativas ("extraiu um dente"), positivas ("sentiu o calor do Sol na face") ou neutra ("fechou a cortina"), mas sem conotação social. Nesses casos, a informação não influenciava o tempo que o sistema visual apresentava a face à consciência.
Esse resultado demonstra que provavelmente estamos pré-programados a prestar atenção em pessoas que foram alvo de fofocas socialmente negativas. Não é sem razão que muitos políticos seguem à risca o mote "falem mal, mas falem de mim", uma maneira segura de garantir que, mesmo inconscientemente, daremos mais atenção a suas faces numa urna eletrônica.
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Fofoca é mesmo bicho poderoso, como retrata muito bem o Alexandre Afonso, autor do cartum acima. No texto, a frase sentiu o calor do Sol na face é destacada como informação positiva. O articulista, cá entre nós, a boca pequena, na verdade pretendeu, impunemente, ironizar o b-r-o-bró em Teresina.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
SOBRE O CASO FERNANDA LAGES
Cenário teresinense: em meio a opiniões, inferências, boatos, suspeitas, desencontros e singular comoção, segue o inquérito que apura as circunstâncias que culminaram na morte, em 25 de agosto, da estudante Fernanda Lages Veras.
A Polícia Civil, responsável pela condução da matéria, parece-nos vir adotando as providências cabíveis, enquanto flui o prazo que a lei lhe confere. A sensatez recomenda que se aguarde o desfecho.
Mas a insensatez é mais forte, e a própria reputação da estudante já passou por tentativas de assassinato. A cada dia, versões novas irrompem, insinuações são lançadas sobre 'suspeitos enigmáticos', ironias pululam, sem que providências concretas as sucedam. Lamentável.
Um alerta precisa ser dado: o de evitar-se a repetição do caso Escola Base, de São Paulo, de março de 1994: a Escola de Educação Infantil Base sofreu uma denúncia de abuso sexual contra menores. Mães desesperadas de alunos mantiveram contato com a Rede Globo. Resultado imediato: linchamento social dos acusados (pela mídia em geral), depredação de suas moradias e da escola. Transcorridos dois meses, o inquérito foi arquivado com a conclusão de que os acusados eram todos inocentes. (Mesmo que fossem culpados, tal particularidade não justificaria o comportamento acima exposto).
Em 2005, onze anos após o ocorrido, a Rede Globo foi condenada a pagar cerca de 450 mil reais para cada acusado no caso Escola Base. Mas terá sido isso suficiente?
É preciso insistir: a sensatez é o caminho.
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Caso Fernanda Lages Veras. Caso Escola Base.
ÁLCOOL NA CABEÇA
ÁLCOOL MATA MAIS QUE O CRACK
O álcool é uma droga mais perigosa do que o crack e a heroína, quando são levados em conta os danos causados aos usuários e a terceiros, disseram cientistas britânicos essa semana.
Apresentando uma nova escala relacionada aos danos para os usuários e para a sociedade, o álcool aparece como a droga mais nociva, quase três vezes mais perniciosa do que a cocaína e o tabaco.
Segundo essa escala, a heroína e o crack são a segunda e a terceira drogas mais nocivas.
David Nutt, presidente do Comitê Científico Independente para Drogas da Grã-Bretanha, que participou do trabalho publicado na revista Lancet, disse que as conclusões mostram que “tratar agressivamente os danos do álcool é uma estratégia válida e necessária de saúde pública”. (...)
“É intrigante notar que as duas drogas legais avaliadas - álcool e tabaco - aparecem no segmento superior do ranking, indicando que as drogas legais causam pelo menos tanto dano quanto as substâncias ilegais”, disse Nutt em nota.
Há um ano, o pesquisador foi obrigado a deixar a direção do influente Conselho Consultivo sobre o Abuso de Drogas por ter criticado ministros por ignorarem as evidências científicas de que a maconha faz menos mal que o álcool.
A Organização Mundial da Saúde estima que os riscos associados ao álcool - acidentes, doenças do coração e fígado, suicídios e câncer - causem 2,5 milhões de mortes por ano, ou 3,8 por cento do total. Seria o terceiro principal fator de risco para mortes prematuras e incapacitações em nível global.
Na nova escala, os danos para o usuário incluem mortes causadas direta ou indiretamente pelas drogas, além de dependência e perda de relacionamentos. Os danos para os demais incluem criminalidade, dano ambiental, conflitos familiares, danos internacionais, custos econômicos e prejuízos à coesão comunitária.
Numa escala de 0 a 100, o álcool aparece com 72 pontos, seguido pela heroína (55) e o crack (54). Algumas outras drogas avaliadas foram as metanfetaminas (33), cocaína (27), tabaco (26), anfetaminas (23), maconha (20), benzodiazepinoicos (como Valium) (15), ketamina (15), metadona (14), mefedrona (13), ecstasy (9), esteroides anabolizantes (9), LSD (7) e cogumelos alucinógenos (5).
Fonte: Tribuna da Bahia, com informações da Agência Reuters. (Ilustração: Stephen Wood).
STEINBERG EM BELÉM
Meu amigo Biratan Porto registra em seu blog, com satisfação, informação sobre a passagem do genial cartunista Saul Steinberg por Belém, há décadas.
Sua nota: "Um orgulho. O mestre Steinberg passou por Belém do Pará, por volta de 1954, e fez um registro do Grande Hotel. Deve ter ficado maravilhado com as cores da Amazônia. Este é um dos poucos trabalhos dele com cores. Acima a foto do majestoso Grande Hotel, que foi criminosamente demolido."
Caro Biratan, mestre Steinberg com certeza ficou maravilhado com as cores da Amazônia.
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Steinberg. Steinberg em Belém. Biratan Porto.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
DA SÉRIE DESFECHOS IDIOTAS
- Cientistas descobriram microorganismo capaz de converter urina em combustível de foguete!
- Sério?
- O micróbio Anammox tem a capacidade de oxidar a amônia presente na urina humana através de um complexo processo. Quando o processo termina, o resultado é hidrazina, combustível que alimenta foguetes espaciais e pode ser útil em futuras missões.
- Legal. Quanto mais astronautas por voo, melhor!
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Releve a idiotice e leia AQUI a importante notícia.
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Da série desfechos idiotas. Urina combustível.
GELEIA QUASE GERAL
O futuro presente
Aldir Blanc (oferecido ao amigo Jaguar)
Perguntei em uma crônica por onde andaria uma figura onipresente em minha infância: o Três-com-goma. Depois, lembrei que ele possuía um companheiro, o Trinca-Espinha. Meu avô português chamava todo mundo de Três-com-goma, do entregador de cerveja ao patrão. Havia também o Codias, que deve ter sido soterrado na Ladeira do Bumba. Três-com-goma e Trinca-Espinha certamente não faturaram 300 milhões sem licitação, nem armaram mutretas no Dnit, na Conab, nos ministérios do Turismo ou do Esporte. Tampouco tornaram- se parentes do governador paulista Álcool-em-mim, um lindo sobrenome para biriteiro. Será que algum deles foi absolvido, junto com a filha de Horroriz, depois de ter sido filmado recebendo suborno? Duvido. Nenhum dos dois esteve na ilha do Sarney, nem cerrou fileiras na "base de sustentação". Jamais foram ex-síndicos raivosos, babando no paletó mal-ajambrado.
Como foi que eles saíram de cena? Sob os escombros de algum templo evangélico erguido com esterco? Talvez a história da segunda metade do século 20 tenha apagado lentamente seus traços, como bonecos num quadro negro (que, por sinal, hoje é verde ou branco) esquecido. Eles jamais aguentariam um reality show, os tiros nas escolas, as crianças drogadas pelas ruas, o democrata negro Barack Obanana cumprindo o programa dos republicanos e frustrando expectativas, como a do historiador Simão Schama, que esperava de seu governo uma recuperação como as que aconteceram após a Guerra Civil e a terrível recessão parida pela quebra da Bolsa, em 1929 (ver o livro "O futuro da América"). Talvez meus dois heróis caíssem mortos vendo banqueiros fraudadores sendo "auxiliados" em bilhões de dólares — e tratando de tirar do bolo cedido os próprios jetons. Quem sabe não resistiram ao medo do Ebola, do HIV, dos frequentes suicídios de popstars, dos aviões contra as Torres, da retaliação brutal (justificada pelo assassino Karl Rove com a falácia das armas de destruição em massa), ao Bunga-Bunga do Berlusca, ao outono árabe, no qual um ditador é derrubado e os insurgentes nas ruas. Possivelmente sucumbiram às explanações táticas dos técnicos da Seleção Canarinho ou ao assassinato, com munição da PM, da juíza Acioli, que transformou o antes polêmico “Tropa de Elite 2” em comédia de costumes. Nervoso, andei pela casa. Havia uma porta espelhada de armário aberta.
Olhei para o espelho obscurecido e vi um velho careca, de barba, com pinta de avô babão, sorrindo lá do fundo pra mim:
— E aí, Três-com-goma? Respondi, comovido:
— Puxa, faz um tempão, Trinca-Espinha!
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
STEVE JOBS DO NOVO MUNDO
Steve Jobs lutou por um longo tempo, mas partiu. Li há três dias um bom texto sobre a trajetória de Jobs, e agora resolvi compartilhá-lo. Os autores são Alexandre Versignassi e Tiago Cordeiro, e a matéria foi publicada na SuperInteressante:
COMO STEVE JOBS MATOU OS NERDS
Steve Jobs tinha 12 anos e um problema: queria montar um frequenciômetro – aparelho essencial quando você precisa construir seu próprio circuito em casa. O menino não tinha todas as peças (de) que precisava, então decidiu telefonar para alguém que certamente teria: Bill Hewlett, dono da HP. Era a maior empresa da região onde Jobs morava, naquele ano de 1967. Graças à Hewlett-Packard, aliás, aquele lugar na Califórnia, nos arredores de San Francisco, acabaria conhecido como Vale do Silício.
Jobs pegou a lista telefônica, encontrou um “William Hewlett” ali e ligou. O fundador do Vale do Silício e o jovem Da Vinci conversaram por 20 minutos. Jobs conseguiu o que precisava para montar seu frequenciômetro. E não parou mais. Alguns anos depois, conheceu sua cara-metade, outro jovem que sabia tudo de frequenciômetros, osciloscópios e circuitos integrados: Steve Wozniack. Juntos eles criaram um aparelho que enganava os computadores das companhias telefônicas e fazia ligações para qualquer lugar do planeta de graça. Uma vez ligaram para o Vaticano – Wozniak se apresentou como Henry Kissinger e pediu para falar com o papa (Paulo VI não atendeu).
Entre um trote e outro, os dois tiveram contato com o primeiro computador pessoal da história, o Altair 8800. Era basicamente uma supercalculadora, vendida na forma de kit para montar. Jobs e Woz gostaram tanto que resolveram fazer sua própria versão do aparelho e pôr para vender. Desenvolveram um protótipo no quarto de Jobs mesmo e, em 1976, deram a ele o nome de Apple I. Esse primeiro Apple, por sinal, também vinha na forma de kit e não contava com certos luxos, como uma tomada, muito menos teclado, monitor ou gabinete. Era só placamãe, memória... A circuitaria pelada, que eles vendiam por US$ 666,66 (devem ter ficado bravos com o fora do papa...).
Enquanto isso, em Albuquerque, Novo México, outro fã do Altair 8800 montava sua própria empresa: a Microsoft. Bill Gates nunca construiria sua própria máquina, ficaria só nos softwares (e ninguém pode dizer que foi uma má decisão).
Jobs, por outro lado, não esperou nem um ano para lançar o Apple II – desta vez um computador completo. Aí o dinheiro começou a entrar para valer.
E no final dos anos 80 a coisa explodiu. Os computadores não eram mais exclusividade de empresas e centros de pesquisa. As letras verdes sobre as telas pretas estavam em todo lugar. E a cultura nerd também. Ser bitolado agora era algo bacana. Até porque Jobs e Gates viraram magnatas antes dos 30. Passar o dia enfurnado escrevendo software e montando circuitos, então, não deveria ser de todo ruim...
O cinema refletiu bem a onda. Em Jogos de Guerra (1983), Matthew Broderick invade o sistema do Pentágono e quase começa a Terceira Guerra Mundial. Em Mulher Nota 1000 (1985), dois nerds escaneiam páginas da Playboy para criar a garota ideal. Os computadores ainda eram basicamente um equipamento para rodar planilhas de cálculo. Mas, na mitologia urbana da época, alguém nerd o bastante poderia mudar o mundo com aquelas máquinas de 1 MHz e 4 K de RAM.
Siglas assim, até então alienígenas, começavam a entrar no dia a dia. Aprender a operar um Apple II ou um IBM PC era algo que exigia dedicação, mas todo mundo achava natural. Fazia parte do processo de incorporar aquelas máquinas tão complexas que pareciam ter vindo do espaço. E, quanto mais conhecimento técnico você tivesse, mais essas máquinas do espaço fariam por você. Aqueles eram tempos nerds. Não os nossos. Hoje a cultura nerd está morta.
E o assassino foi Steve Jobs. O nerdicídio começou ainda em 1984, quando ele lançou o Macintosh. Era o primeiro computador que qualquer criança podia usar. Ainda assim a cultura nerd continuaria firme: memória RAM e velocidade de processador continuaram sendo assunto de mesa de bar por duas décadas mais. Agora acabou. Você tem ideia de qual é a memória RAM do seu “espertofone”? Pouca gente sabe. E não sabe porque isso deixou de ser importante. A gente não tem como trocar a memória do iPhone ou do iPad para que ele fique mais rápido. A destreza com eletrônicos também não faz mais diferença nenhuma... iPhone e iPad tornaram a nerdice menos necessária.
Um epílogo: aos 12 anos, Fidel Castro mandou uma carta para Franklin Roosevelt pedindo uma nota de dólar – “É que nunca vi uma, presidente”, escreveu. A história do fundador da Apple, que começou com aquele telefonema para o dono da HP, é ironicamente parecida. Com uma diferença: a revolução de Steven Paul Jobs foi global. E vai durar para sempre.
RECONHECENDO OS MÉRITOS
"Com um dos sistemas bancários mais sólidos do mundo, uma enorme capacidade de medidas de estímulo anticíclicas e reservas cambiais robustas, não causa surpresa que o Brasil hoje se sinta no direito de distribuir tantos conselhos – ainda que excêntricos”
(Samantha Pearson, analista, no BeyondBrics, blog do Financial Times, em texto em que classifica de hipócrita o gesto do Brasil em prontificar-se a ajudar os países europeus em crise. Samantha destaca a carga tributária e a recente elevação do IPI sobre carros importados como aspectos negativos que 'desautorizariam' a disposição brasileira.
Noves fora os poréns e senões, o que fica evidenciado é o reconhecimento, por parte da jornalista, de que o Brasil detém:
."um dos sistemas bancários mais sólidos do mundo" .... e isso se deve a quê? Ao fato de que o País não só adotou as diretrizes dos Acordos Basileia I e II - há mais de uma década -, mas impôs ao sistema bancário parâmetros de alavancagem e análise de risco ainda mais rigorosos do que os prescritos pelos Acordos globais citados, quando muitos países mundo afora afrouxaram o quanto puderam suas normas.
."uma enorme capacidade de medidas de estímulo anticíclicas" .... a exemplo do que se observou em 2008/9, quando, entre outras providências, observou-se desoneração fiscal, elevação dos investimentos - PAC, operações BNDES... - e manutenção/elevação das operações de crédito bancário a despeito do retraimento da banca privada; isso graças ao fato de que Banco do Brasil, CEF, BNDES, BASA e BNB são bancos públicos.
.reservas cambiais robustas .... o que é forte indicativo do acerto de suas políticas.
Impressão final: o Brasil parece pujante, mesmo, pois até matérias que pretendem expô-lo ao ridículo acabam por ter de reconhecer seus méritos!)
VIENTOS DE BRASIL
O jornal espanhol El Pais inaugurou recentemente o blog Vientos de Brasil, voltado para temas culturais, políticos, sociais e econômicos deste Brasil "que prefiere el diálogo a la pelea, la fe en algo a la incredulidad. El Brasil de las mil razas y culturas que conviven sin guerras."
O Vientos é dirigido pelo jornalista e escritor Juan Arias, que por quase duas décadas atuou na Itália e no Vaticano, e há 12 anos é correspondente do El Pais no Brasil.
Para conhecer o Vientos de Brasil, clique AQUI.
O desenho acima ilustra matéria do blog sobre o ensino de religião nas escolas públicas do Rio de Janeiro.
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Vientos de Brasil. Blog do Es Pais. Juan Arias.
'OCUPAR WALL STREET', COMUNICADO Nº 1
Dos manifestantes de Nova York, em Assembleia Geral de 02.10.2011:
Este comunicado foi votado unanimemente pelos membros do Ocupar Wall Street, por volta das 20:00 do dia 29 de setembro. É nosso primeiro documento oficial. Temos outros três em preparação, que provavelmente serão lançados nos próximos dias: 1) uma declaração de demandas do movimento; 2) princípios de solidariedade; 3) documentação sobre como formar o seu próprio Grupo de Ocupação de Democracia Direta.
Este é um documento vivo. Você pode receber uma cópia oficial da última versão pelo e-mail c2anycga@gmail.com.
Ao nos reunirmos em solidariedade para expressar um sentimento de injustiça massiva, não devemos perder de vista aquilo que nos reuniu. Escrevemos para que todas as pessoas que se sentem atingidas pelas forças corporativas do mundo saibam que somos suas aliadas.
Unidos como povo, reconhecemos a realidade: que o futuro da raça humana exige a cooperação de seus membros; que nosso sistema deve proteger nossos direitos e que, ante a corrupção desse sistema, resta aos indivíduos a proteção de seus próprios direitos e de seus vizinhos; que um governo democrático deriva seu justo poder do povo, mas as corporações não pedem permissão para extrair riqueza do povo e da Terra; e que nenhuma democracia real é atingível quando o processo é determinado pelo poder econômico. Nós nos aproximamos de vocês num momento em que as corporações, que colocam o lucro antes das pessoas, o interesse próprio antes da justiça, e a opressão antes da igualdade, controlam nosso governo. Nós nos reunimos aqui, pacificamente, em asssembleia, como é de direito nosso, para tornar esses fatos públicos.
Elas tomaram nossas casas através de um processo de liquidação ilegal, apesar de que não eram donos da hipoteca original.
Elas receberam impunemente socorro financeiro tirado dos contribuintes, e continuam dando bônus exorbitantes a seus executivos.
Elas perpetuaram a desigualdade e a discriminação no local de trabalho, baseados em idade, cor da pele, sexo, identidade de gênero e orientação sexual.
Elas envenenaram a oferta de comida pela negligência e destruíram a agricultura familiar através do monopólio.
Elas lucraram com a tortura, o confinamento e o tratamento cruel de incontáveis animais não-humanos, e deliberadamente escondem essas práticas.
Elas continuamente arrancaram dos empregados o direito de negociar melhores salários e condições de trabalho mais seguras.
Elas mantiveram os estudantes reféns com dezenas de milhares de dólares em dívidas pela educação, que é, em si mesma, um direito humano.
Elas consistentemente terceirizaram o trabalho e usaram essa terceirização como alavanca para cortar salários e assistência médica dos trabalhadores.
Elas influenciaram os tribunais para que tivessem os mesmos direitos que os seres humanos, sem qualquer das culpabilidades ou responsabilidades.
Elas gastaram milhões de dólares com equipes de advogados para encontrar formas de escapar de seus contratos de seguros de saúde.
Elas venderam nossa privacidade como se fosse mercadoria.
Elas usaram o exército e a polícia para impedir a liberdade de imprensa.
Elas deliberadamente se recusaram a recolher produtos danificados que ameaçavam as vidas das pessoas, tudo em nome do lucro.
Elas determinaram a política econômica, apesar dos fracassos catastróficos que essas políticas produziram e continuam a produzir.
Elas doaram enormes quantidades de dinheiro a políticos cuja obrigação era regulá-las.
Elas continuam a bloquear formas alternativas de energia para nos manter dependentes do petróleo.
Elas continuam a bloquear formas genéricas de remédios que poderiam salvar vidas das pessoas para proteger investimentos que já deram lucros substanciais.
Elas deliberadamente esconderam vazamentos de petróleo, acidentes, arquivos falsificados e ingredientes inativos, tudo na busca do lucro.
Elas deliberadamente mantiveram as pessoas malinformadas e medrosas através de seu controle da mídia.
Elas aceitaram contratos privados para assassinar prisioneiros mesmo quando confrontadas com dúvidas sérias acerca de sua culpa.
Elas perpetuaram o colonialismo dentro e fora do país.
Elas participaram da tortura e do assassinato de civis inocentes em outros países.
Elas continuam a criar armas de destruição em massa para receber contratos do governo.
Para os povos do mundo,
Nós, a Assembleia Geral de Nova York que ocupa Wall Street na Praça Liberdade, os convocamos a que façam valer o seu poder.
Exercitem o seu direito a assembleias pacíficas; ocupem os espaços públicos; criem um processo que lide com os problemas que enfrentamos; e gerem soluções acessíveis a todos.
A todas as comunidades que formem grupos e ajam no espírito da democracia direta, nós oferecemos apoio, documentação e todos os recursos que temos.
Juntem-se a nós e façam com que suas vozes sejam ouvidas.
Estas demandas não são exaustivas.
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Wall Street. Comunicado 1. Ocupar Wall Street.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
OLD CARTUM: NOBEL DE FÍSICA
Este cartum, da década de 1990 e cujo autor não consegui precisar, já mostrava que o Universo é maior do que se pensava inicialmente. Os ganhadores do Nobel de Física 2011 demonstraram que o Universo está em constante expansão, e que a velocidade dessa expansão é ascendente.
O planeta Terra integra o Sistema Solar, um, digamos, 'pontinho' situado na quase periferia da galáxia (Via Láctea). Fala-se que há bilhões de galáxias, em meio à Energia Escura, e esse número se expande inexoravelmente, em sintonia com o poder dos novos telescópios.
Aumentam a quantidade de galáxias e a distância entre elas. WOW!
CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 23 ANOS
Grupo de juristas trabalha para regulamentar Constituição de 1988
A Constituição Federal completa 23 anos de sua promulgação (...) (amanhã), 5 de outubro, com mais de 60 emendas já aprovadas em seu texto e inúmeros dispositivos pendentes de regulamentação, como o que prevê o direito de greve do servidor público e o que estabelece o aviso prévio proporcional ao tempo de serviço.
Ex-procurador da República, o senador Pedro Taques (PDT-MT) quer comemorar a data com uma ação efetiva pela aprovação das leis necessárias à regulamentação - ordinárias ou complementares - para que a Constituição ganhe, finalmente, a "força normativa" que, em sua opinião, precisaria ter.
Com um grupo de juristas, Taques está fazendo um levantamento dos dispositivos pendentes de regulamentação e dos projetos em tramitação no Congresso que visam complementar a normatização da Constituição. O senador pretende apresentar, ainda em outubro, em "homenagem" ao aniversário da promulgação, um pacote de propostas com esse objetivo.
"Alguns falam em criar nova Constituição. Acho um absurdo. Nós temos uma que precisa ser cumprida. Não estamos vivendo uma ruptura social, para que tenhamos outra Constituição", diz ele.
Taques cita alguns exemplos mais emblemáticos de temas ainda pendentes de leis. Um deles é o Estatuto da Magistratura (artigo 93), cuja proposta só pode ser de iniciativa do Supremo Tribunal Federal (STF). Outro caso é a tipificação do crime do terrorismo (artigo 5º, inciso XLIII).
"Nós teremos eventos como a Copa das Confederações [2014], Copa do Mundo [2014] e Olimpíada [2016] e não temos um tipo penal, um crime de terrorismo", afirma o senador. Nesse caso, segundo ele, há uma discussão política: alguns entendem que há o risco de criminalização dos movimentos sociais, como MST. "Entendo que o MST não tem nada a ver com terrorismo. É movimento social, tem de ser respeitado. Mas precisamos de um tipo penal para terrorismo."
Em alguns assuntos, a ausência de regulamentação leva o Supremo Tribunal Federal (STF) a tomar uma decisão. É o caso do direito de greve do servidor público, garantido no artigo 37 (inciso VII), mas pendente de lei específica. Diante da lacuna, o STF determinou que sejam aplicadas as regras da iniciativa privada.
Outro caso tratado pelo STF foi o do direito ao aviso prévio proporcional ao tempo de serviço (artigo 7º, inciso XXI). Foram impetrados no STF mandados de injunção reclamando o direito, diante da omissão do Congresso. Os ministros concordaram que precisam estabelecer uma fórmula de cálculo, mas não houve consenso sobre os parâmetros.
Taques cita, ainda, a necessidade de aprovar uma lei de defesa do estado democrático, para substituir a Lei de Segurança Nacional (LSN). "Muito mais que uma nova Constituição, precisamos fazer com que esta seja cumprida. E, para isso, precisamos de algumas regulamentações", diz o senador.
Na semana passada, tão logo teve sua criação autorizada pela Justiça Eleitoral, o PSD do prefeito Gilberto Kassab propôs - por meio da senadora Kátia Abreu (TO) - a realização de uma reforma ampla da Constituição por uma assembleia revisora exclusiva. Ela está buscando apoios para uma proposta de emenda constitucional (PEC) estabelecendo a eleição de constituintes em 2014, exclusivamente para fazer uma revisão do texto em dois anos (2015 a 2016).
Segundo Taques, não há um número preciso sobre os dispositivos constitucionais pendentes de regulamentação, já que nem todos são explícitos ao exigir a complementação legal. "Existem vários estudos. Alguns defendem que a Constituição, desde sua promulgação, precisaria de 130 leis ordinárias [aprovadas por maioria simples da Câmara e do Senado] e mais 33 leis complementares [cuja aprovação exige quórum qualificado, pela maioria absoluta de cada Casa]", diz.
Levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) aponta pouco mais de 40 dispositivos que pedem regulamentação nos capítulos Dos Direitos e Garantias Fundamentais (nove), Da Organização do Estado (13), Da Ordem Social (13), Ato das Disposições Transitórias (três) e Emendas Constitucionais (quatro).
O vice-presidente da República, Michel Temer, na última gestão na presidência da Câmara, criou uma comissão para propor a normatização dos artigos da Constituição pendentes de regularização. O coordenador dos trabalhos foi o advogado e então deputado Régis de Oliveira (PSC-SP), autor de projeto de lei regulamentando o direito de greve do servidor público e de uma PEC que propunha o enxugamento do texto constitucional.
Segundo o ex-deputado, a omissão do Congresso não prejudica o cumprimento dos direitos previstos na Constituição - como o da greve no serviço público -, mas os limites estão sendo estabelecidos pelo STF. "O direito de greve no serviço público está previsto, mas falta a lei. Posso exercer, mesmo na falta de lei. Quem diz os limites? O Supremo. O direito tem sido aplicado, mas quem está complementando a Constituição, em vez do Legislativo, é o Judiciário", diz Oliveira.
O trabalho da comissão deu "em nada", embora a assessoria tenha realizado um trabalho de qualidade, segundo ele. Faltou interesse dos deputados. Alguns apareciam nas reuniões apenas para assinar a presença. Dos relatores dos dez grupos temáticos, apenas dois apresentaram relatórios. "Fui ao Michel e disse que não adiantava continuar e que eu ia encerrar os trabalhos. Ele também não fez questão de prosseguir naquilo. Eu não ia fazer papel de bobo. E ficou por isso mesmo."
Fonte: Raquel Ulhôa, do Valor Econômico.
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Há uma razão, enfim, para que comemoremos o aniversário da propositiva Constituição Federal: o trabalho a ser desenvolvido pelo constitucionalista Pedro Taques, que não faz papel de bobo. A CF merece ser chamada de 'cidadã', e a constituinte exclusiva sugerida pelo PSD é ociosa.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
'CPMF' NA UNIÃO EUROPEIA
União Europeia vai taxar operações financeiras
José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, anunciou a criação de um imposto sobre transações financeiras no bloco - e, se possível, no mundo todo.
A taxa, que tem a aprovação da Alemanha e da França, deve entrar em vigor até 2014 e pode representar até € 55 bilhões por ano para os cofres públicos.
Em princípio, as alíquotas variarão entre 0,1% para transações envolvendo ações e obrigações e 0,01% para outros tipos de produtos financeiros.
O tributo é encarado como forma de reembolso pelos Estados europeus dos esforços feitos desde 2008, quando o banco americano Lehman Brothers faliu. "Ao longo dos últimos três anos, os Estados-membros aportaram ajuda e forneceram garantias que somam € 4,6 trilhões ao setor financeiro", lembrou Durão, definindo o projeto como "uma contribuição justa". "É chegado o momento de o setor financeiro assegurar uma contribuição à sociedade."
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O setor financeiro recebeu dos Estados europeus 4,6 trilhões de euros ao longo dos últimos três anos, continua agindo num mercado desregulamentado, onde reinam operações estrambóticas (derivativos), e observa, tranquilamente, a dramática situação de países diversos, como Portugal, Espanha e Grécia. Espera-se que a União Europeia resista até 2014, mas essa 'CPMF' pode não vingar, pois certamente os banqueiros irão combatê-la sem tréguas.
Desenho: Chapatte.
PICLES
LEON ELIACHAR DIZIA QUE O HUMORISTA FAZ CÓCEGAS NO RACIOCÍNIO DOS OUTROS. CERTAS 'ESTRELAS' VIOLENTAM O CÉREBRO DOS OUTROS COM UMA BRITADEIRA.
O humor abjeto foi feito pra humilhar a sutileza.
INSIGHT, O ESTALO PRIMOROSO, ESTÁ MUITO ALÉM DO JARDIM DAS TOUPEIRAS.
Óbvio ululante: total liberdade de expressão - até para o baixo calão.
VEREADORES
DaCosta.
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Num mundo em crise e carente de bom senso e racionalidade, os impávidos edis cuidam de elevar ao máximo sua categoria e, para rebater os críticos, alegam que a medida não implicará elevação de custos, uma vez que o montante das despesas não poderá ultrapassar o percentual orçamentário constitucionalmente estipulado. Apostam, espertamente, na ingenuidade e desinformação dos eleitores.
TERESINA: ESCOLAS FICAM BEM NA FOTO
Desde o dia 22, a Casa da Cultura de Teresina abriga uma grande exposição: a 16ª edição do Salão de Fotografia de Teresina. E esse é um dos grandes atrativos que tem levado ao espaço diversos estudantes de escolas da rede pública e particular.
O Salão de Fotografia é uma realização da Prefeitura de Teresina por meio da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves. De acordo com a diretora da Casa, Josy Brito, o número de escolas que têm agendado visitas ao Salão vem aumentando, o que reforça a parceria entre espaço cultural e educação. “Através das fotografias, as pessoas, principalmente os jovens, têm a possibilidade de conhecer mais da cidade, retratada de uma forma artística, além de ter acesso ao que está sendo produzido por esses artistas. E com as visitas, eles acabam conhecendo mais da própria Casa da Cultura, o museu, a biblioteca e os espaços que oferecemos”.
O agendamento das visitas ao Salão pode ser feito através do telefone 3215 7849, sendo necessário um Ofício. A Casa da Cultura funciona de segunda a sexta de 8h às 17h e aos sábados de 9h às 12h.
AUXÍLIO PALETÓ, A EXCRESCÊNCIA
Ação do MP de São Paulo quer fim de auxílio paletó pago a deputados como ajuda de custo
Em meio ao escândalo do mercado de emendas que abala a Assembleia Legislativa de São Paulo, os 94 deputados estaduais da Casa poderão perder um antigo privilégio que lhes é concedido rigorosamente todo ano: o auxílio paletó. Em ação de caráter civil, o Ministério Público Estadual requereu o corte imediato da verba, oficialmente denominada ajuda de custo – para a promotoria, “absolutamente indevida, lesiva ao patrimônio público e flagrantemente atentatória ao princípio da moralidade”. A Justiça deu cinco dias para a Assembleia se manifestar.
A ação, com pedido de tutela antecipada, foi distribuída para a 3.ª Vara da Fazenda Pública da Capital. Em 28 páginas, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social – braço do Ministério Público que combate improbidade e corrupção – aponta inconstitucionalidade da verba.
A promotoria pede que a Mesa Diretora da Assembleia se abstenha – sob pena de multa diária de R$ 100 mil – de efetuar o repasse e pagamento aos deputados da segunda parcela da ajuda de custo do exercício de 2011 e das parcelas dos demais exercícios subsequentes, “bem como não crie outra verba remuneratória ou indenizatória com natureza semelhante”.
O auxílio paletó, também conhecido como ‘verba de enxoval’, cai na conta dos parlamentares duas vezes ao ano, no início e no encerramento de cada sessão legislativa. O valor corresponde ao subsídio mensal do deputado. Historicamente, o reforço no contracheque foi adotado para permitir aos deputados a renovação de seu guarda-roupas. Quando virou chacota nacional, mudou de nome e objetivo – virou ajuda de custo “para compensação de despesa com transporte e outras imprescindíveis para o comparecimento à sessão legislativa ordinária ou à sessão decorrente de convocação extraordinária”.
“Em que pese a tentativa do Parlamento estadual de caracterizar a ajuda de custo como verba indenizatória no momento de sua criação, não se verificou no plano fático tal natureza jurídica, eis que o auxílio paletó, na realidade, possui todas as características de verdadeira verba remuneratória”, advertem os promotores Saad Mazloum e Silvio Antonio Marques. (...)
Fonte: jornal O Estado de São Paulo - Fausto Macedo.
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Relativamente ao Piauí (Câmara de Vereadores de Teresina e Assembleia Legislativa), o Ministério Público está igualmente agindo contra a regalia. Não sei em que estágio se encontra a iniciativa, mas torço para que seja positivo o desfecho.
domingo, 2 de outubro de 2011
BEIJOS
Luis Fernando Veríssimo
Queria ser um homem moderno, mas tinha alguma dificuldade com o protocolo. Por exemplo: não sabia quem beijava. Quando via aproximar-se uma conhecida do casal, perguntava para a mulher, apreensivo, com o canto da boca: “Essa eu beijo? Essa eu beijo?”. Nunca se lembrava.
Para simplificar, passou a beijar todas. Conhecidas ou não. Quando lhe apresentavam uma mulher, em vez de apertar sua mão, beijava-a. Dois beijos, um em cada face.
– Muito (muá) prazer (muá).
Outro problema era a quantidade de beijos. Já tinha dominado os dois beijos, estava confortável com dois beijos, quando a moda passou a ser três. Um dia, a mulher comentou:
– Não sabia que você era tão amigo da Fulana (o nome verdadeiro não é este).
– Beijo todas.
– Quantas vezes?
– Quem está contando?
Às vezes, ele partia para o terceiro beijo e a beijada não esperava. Ou então esperava e ele não dava, e quando ele voltava ela já recuara. Não havia nada mais constrangedor do que oferecer a face para o terceiro beijo (ou o quarto, quando a moda passou a ser esta) e o beijo não vir. Ficar, por assim dizer, com a cara no ar enquanto a mulher se afastava, rezando para que ninguém tivesse notado. O problema da vida, pensava ele, é que a vida não é coreografada.
Aí os homens começaram a se beijar também. Tudo bem. Seu lema passou a ser: se me beijarem, eu beijo. Mas não tomava a iniciativa. Quando chegavam numa reunião, fazia um rápido levantamento dos presentes. Essa eu beijo duas vezes, essa três, esse me beija, esse não me beija, aquele já está me beijando quatro vezes...
Na outra noite, numa recepção de casamento, a mulher comentou:
– Você enlouqueceu?
– Me descontrolei, pronto.
– Você beijou todo o mundo.
– Todo o mundo estava beijando todo o mundo.
– Mas beijo na boca?
– Foi só um.
– Mas logo o padre?!
Tomado por uma espécie de frenesi, depois de beijar uma fileira de conhecidos e desconhecidos, ele dobrara o padre pela cintura e o beijara longamente, como no cinema antigo.
sábado, 1 de outubro de 2011
SOBRETAXANDO A OBESIDADE
Dinamarca cria sobrtaxa para alimentos que engordam
A Dinamarca se tornou o primeiro país do mundo a introduzir uma sobretaxa para produtos e alimentos que engordam.
Segundo o jornal Copenhagen Post, um pacote de 250g de manteiga sofrerá um aumento de mais de 14%, enquanto o litro do azeite de oliva custará 7% a mais. (...)
Em 2005, 11% da população dinamarquesa podia ser considerada obesa, enquanto a taxa de sobrepeso no país era de 45%. Entre os países da OCDE, esses números eram de 16% e 50%, respectivamente.
Para efeito de comparação, nos EUA, 34% da população são obesos; no México, 30%; no Brasil, 16%; na França, 11%; e no Japão, 3%, ainda de acordo com os números da OCDE Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico.
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O Mapa da Obesidade acima, da Organização Mundial de Saúde, espelha a situação observada em 2005. Desde então, o problema da obesidade se acentuou, notadamente nos países emergentes (BRICS e outros). O percentual de obesos do Brasil - 16% - é o mesmo da OCDE, ambos superiores ao da Dinamarca. Para lembrar: 16 milhões é a quantidade de miseráveis absolutos do Brasil.
A LIÇÃO DE PERO VAZ
“(...). E, pois que, Senhor, é certo que assim neste cargo que levo, como em outra qualquer cousa que de vosso serviço for, Vossa Alteza há-de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de S. Tomé Jorge d’Osório meu genro, o que d’Ela receberei em muita mercê.
Beijo as mãos de Vossa Alteza.
Deste Porto Seguro, da vossa ilha da Vera Cruz hoje, sexta-feira, primeiro dia de Maio de 1500.
Pero Vaz de Caminha”
O que se lê no último parágrafo da carta de Caminha ao rei dom Manuel é para que ele libertasse do cárcere o seu genro, Jorge d’Osório, casado com sua filha Isabel, preso por assalto e agressão.
Lição ministrada pelo primeiro representante das elites da história do Brasil: deixe o pedido na parte final da manifestação, para que o solicitado não possa alegar esquecimento.
A esperteza dazelites não tem limites!
(Dica elaborada a partir de texto de Georges Bourdoukan).
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