segunda-feira, 9 de maio de 2011

TIO SAM E A TORTURA



Seria cômico se não fosse torturante.

PONDO CADA COISA EM SEU LUGAR: O PAPEL DA INTUIÇÃO


Por Carlos Orsi

Passe tanto tempo quanto eu batendo na tecla de que os métodos da ciência são a única rota razoavelmente segura para a verdade e o conhecimento -- ou, pior ainda, defendendo o Princípio de Clifford (proposto pelo matemático britânico William Clifford, no século XIX), segundo o qual aceitar uma alegação como verdadeira sem prova suficiente é perigoso e imoral --, e você encontrará não uma, mas diversas vezes, variações da objeção do Asno de Buridan.

Para quem não conhece, esse é um asno fictício que teria morrido de fome porque era incapaz de decidir entre dois montes de feno (ou moitas na beira da estrada) igualmente apetitosos. A ideia é a de que esperar por prova suficiente, ainda mais por prova científica, antes de formular um juízo ou tomar uma decisão raramente é prático. As pessoas precisam contar com a intuição, o feeling, o palpite, senão ninguém sairia da cama nas manhãs de inverno. O Princípio de Clifford seria um ideal ético tão impraticável quanto o mandamento de vender tudo o que se tem e dar o dinheiro aos pobres.

(Que, por sua vez, deixariam de ser pobres e teriam de vender tudo o que têm e devolver o dinheiro para os ricos então empobrecidos... mas, divago.)

Essa objeção, no entanto, embute um pressuposto psicológico -- o de que seres humanos precisam de uma ilusão de certeza para poder funcionar no mundo. Se eu decido, digamos, atravessar a rua quando o sinal para pedestres abre, é porque me sinto certo de que os carros vão parar, mesmo sem ter prova científica -- digamos, um estudo estatístico indicando que 99,99% dos automóveis realmente param no sinal vermelho --para sustentar essa certeza.

Esse pressuposto, no entanto, é falso. Todos temos a consciência de que, algumas vezes, agimos com base em conjecturas, palpites, intuições. Tomamos decisões e formamos juízos com base na melhor informação disponível, que muitas vezes pode estar anos-luz aquém do padrão de aceitabilidade científica (...).

O que os maníacos cientificistas cliffordianos como eu bradamos -- no deserto, muitas vezes -- é que, se o conhecimento científico é provisório, palpites, intuições e conjecturas são mais provisórios ainda. Portanto, devem ser tratados com extremo cuidado; portanto, edifícios construídos sobre eles devem ter saídas de emergência em profusão, desobstruídas e muito bem sinalizadas. Ao fim e ao cabo, as pessoas deveriam, sempre que possível, evitar basear suas vidas ou tomar decisões realmente cruciais nesse tipo de coisa.

O mundo é um lugar cheio de incertezas e, sim, a evolução da espécie e a experiência pessoal de cada um conspiram para produzir uma série de atalhos intuitivos que, geralmente, se mostram bons o suficiente para nos permitir navegar o dia-a-dia. Mas, como muitos atalhos, esses envolvem desvios por becos escuros em vizinhanças inóspitas. Convém não esquecer isso.

domingo, 8 de maio de 2011

VIVA BABEL


"Tudo o que vocês chamam de história não é senão o nosso plano de fuga da civilização de vocês".

Roberto Piva
 
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Roberto Piva. Poeta paulista. Set 1937 - jul 2010.
http://vivababel.blogspot.com/

UNIÃO HOMOAFETIVA


Charge de Myrria, jornal 'A Crítica', Manaus-AM.

LOUCOS POR CINEMA


THE COMMITMENTS - LOUCOS PELA FAMA

"Os irlandeses são os negros da Europa. E os dublinenses são os negros da Irlanda. E os dublinenses do norte são os negros de Dublin. Então diga uma vez e diga alto: Eu sou negro e tenho orgulho disso". Essa frase é dita pela personagem Jimmy Rabbitte, vivida pelo ator Robert Arkins, no filme The Commitments. Ele mora na região norte de Dublin, capital de Irlanda, e quer montar uma banda de soul. Jimmy não é cantor nem compositor. Ele sonha empresariar uma banda de sucesso. Para tanto, convida alguns amigos e coloca um anúncio recrutando interessados. O filme é baseado em um livro escrito por Roddy Doyle. Quando o projeto foi anunciado, criou-se uma expectativa negativa na Irlanda. Como é que uma típica história irlandesa, produzida com grana americana e dirigida por um inglês poderia funcionar? Alan Parker, o diretor, soube captar muito bem o clima do livro e de Dublin e realizou um filme cativante, que pode ser resumido em uma palavra: sincero. The Commitments - Loucos Pela Fama exala sinceridade por todos os fotogramas. Ao optar por um elenco composto por jovens e inexperientes atores locais, Parker deu ao filme um senso de urgência e honestidade impressionantes. E ao intercalar situações engraçadas com momentos mais tensos e dramáticos imprimiu o ritmo certo para a condução da trama. Tudo isso tendo como fundo uma trilha sonora da melhor qualidade. The Commitments é o tipo de filme com o qual criamos uma forte ligação afetiva. É daqueles que sempre queremos rever para encontrarmos de novo velhos e queridos amigos.

THE COMMITMENTS - LOUCOS PELA FAMA (The Commitments - Inglaterra, 1991). Direção: Alan Parker. Elenco: Robert Arkins, Colm Meaney, Michael Aherne, Angeline Ball, Maria Doyle Kennedy, Dave Finnegan, Johnny Murphy, Andrew Strong, Bronagh Gallagher, Felim Gormley e Glen Hansard. Duração: 118 minutos. Distribuição: Fox.

http://cinemarden.blogspot.com/

O PANORAMA VISTO DA TELA


Cartum de Da Costa.

QUE SIGA A SATIAGRAHA


A validade da operação Satiagraha está sub judice. O STJ delibera sobre o assunto; até o momento, dois ministros votaram pela anulação e um pela manutenção.

O principal ponto questionado é a colaboração oferecida à Polícia Federal pela ABIN Agência Brasileira de Inteligência na apuração de supostos ilícitos praticados pelo fundo Opportunity, do ex-banqueiro Daniel Dantas. (A colaboração é admitida em lei específica).

O deputado Protógenes Queiroz - primeiro a atuar como delegado no rumoroso caso - lidera movimento de apoio à operação. Até o momento, foram obtidas cerca de 3.000 assinaturas (entre as quais a minha) em abaixo-assinado a ser encaminhado à Justiça.

Para aderir à campanha, clique neste endereço: http://www.abaixoassinado.org/assinaturas/assinar/8640

sábado, 7 de maio de 2011

DEFINIÇÕES DE BIERCE



Boato - arma favorita dos assassinos do caráter.


Cínico - biltre cuja visão defeituosa vê as coisas como elas são, não como deveriam ser.


Clérigo - pessoa que se dedica a cuidar dos nossos interesses espirituais, como meio de melhorar os seus materiais.


Decidir - sucumbir à preponderância de um conjunto de influências sobre outro.


Empurrar - uma das principais maneiras de chegar ao sucesso, especialmente em política. A outra é puxar.


Futuro - aquele período do tempo em que nossos negócios prosperam, nossos amigos são leais e nossa felicidade é infalível.


Niilista - um russo que nega a existência de tudo, menos de Tolstoi. O chefe da escola é Tolstoi.


Profecia - arte e prática de vender a credibilidade alheia para entrega futura.


Respeitabilidade - filha da união entre uma careca e uma conta bancária.


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(Ilustração: Ambrose Bierce, contista, fabulista e crítico americano. 1842-1913).

ANTIANÚNCIO


Mais autodepreciativo do que o nome do produto acima, só mesmo o juízo que Ambrose Bierce, o ácido pensador americano (1842-1913), externou em seu 'Dicionário do diabo':

Aguardente ... Espírito tido como a bebida dos heróis, pois só um herói se aventura a bebê-la.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

ILUSTRAÇÃO


Por Jugoslav Vlanovic.

A OPINIÃO DE LEONARDO BOFF


Fez-se vingança, não justiça

Alguém precisa ser inimigo de si mesmo e contrário aos valores humanitários mínimos se aprovasse o nefasto crime do terrorismo da Al Qaeda do 11 de novembro de 2001 em Nova Iorque. Mas é por todos os títulos inaceitável que um Estado, militarmente o mais poderoso do mundo, para responder ao terrorismo se tenha transformado ele mesmo num Estado terrorista. Foi o que fez Bush, limitando a democracia e suspendendo a vigência incondicional de alguns direitos, que eram apanágio do pais. Fez mais, conduziu duas guerras, contra o Afeganistão e contra o Iraque, onde devastou uma das culturas mais antigas da humanidade (...).

Cabe renovar a pergunta que quase a ninguém interessa colocar: por que se produziram tais atos terroristas? O bispo Robert Bowman, de Melbourne Beach, Flórida, que fora anteriormente piloto de caças militares durante a guerra do Vietnã, respondeu, claramente, no National Catholic Reporter, numa carta aberta ao Presidente: ”Somos alvo de terroristas porque, em boa parte no mundo, nosso Governo defende a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos alvos de terroristas porque nos odeiam. E nos odeiam porque nosso Governo faz coisas odiosas”.

Não disse outra coisa Richard Clarke, responsável contra o terrorismo da Casa Branca numa entrevista a Jorge Pontual emitida pela Globonews de 28/02/2010 e repetida no dia 03/05/2011. Havia advertido à CIA e ao Presidente Bush que um ataque da Al Qaeda era iminente em Nova York. Não lhe deram ouvidos. Logo em seguida ocorreu, o que o encheu de raiva. Essa raiva aumentou contra o Governo quando viu que com mentiras e falsidades Bush, por pura vontade imperial de manter a hegemonia mundial, decretou uma guerra contra o Iraque que não tinha conexão nenhuma com o 11 de setembro. A raiva chegou a um ponto que por saúde e decência se demitiu do cargo.

Mais contundente foi Chalmers Johnson, um dos principais analistas da CIA, também numa entrevista ao mesmo jornalista no dia 2 de maio do corrente ano na Globonews. Conheceu por dentro os malefícios que as mais de 800 bases militares norte-americanas produzem, espalhadas pelo mundo todo, pois evocam raiva e revolta nas populações, caldo para o terrorismo. Cita o livro de Eduardo Galeano “As veias abertas da A.Latina” para ilustrar as barbaridades que os órgãos de Inteligência norte-americanos por aqui fizeram. Denuncia o caráter imperial dos Governos, fundado no uso da inteligência que recomenda golpes de Estado, organiza assassinato de líderes e ensina a torturar. Em protesto, se demitiu e foi ser professor de história na Universidade da Califórnia. Escreveu três tomos “Blowback” (retaliação), onde previa, por poucos meses de antecedência, as retaliações contra a prepotência norte-americana no mundo. Foi tido como o profeta de 11 de setembro. Este é o pano de fundo para entendermos a atual situação que culminou com a execução criminosa de Osama Bin Laden.

Os órgãos de inteligência norte-americanos são uns fracassados. Por dez anos vasculharam o mundo para caçar Bin Laden. Nada conseguiram. Só usando um método imoral, a tortura de um mensageiro de Bin Laden, conseguiram chegar ao seu esconderijo. Portanto, não tiveram mérito próprio nenhum.

Tudo nessa caçada está sob o signo da imoralidade, da vergonha e do crime. Primeiramente, o Presidente Barack Obama, como se fosse um “deus” determinou a execução/matança de Bin Laden. Isso vai contra o princípio ético universal de “não matar” e dos acordos internacionais que prescrevem a prisão, o julgamento e a punição do acusado. Assim se fez com Hussein do Iraque,com os criminosos nazistas em Nürenberg, com Eichmann em Israel e com outros acusados. Com Bin Laden se preferiu a execução intencionada, crime pelo qual Barak Obama deverá um dia responder. Depois se invadiu território do Paquistão, sem qualquer aviso prévio da operação. Em seguida, se sequestrou o cadáver e o lançaram ao mar, crime contra a piedade familiar, direito que cada família tem de enterrar seus mortos, criminosos ou não, pois por piores que sejam, nunca deixam de ser humanos.

Não se fez justiça. Praticou-se a vingança, sempre condenável.”Minha é a vingança”, diz o Deus das escrituras das três religiões abraâmicas. Agora estaremos sob o poder de um Imperador sobre quem pesa a acusação de assassinato. E a necrofilia das multidões nos diminui e nos envergonha a todos.

(Leonardo Boff é Teólogo e Filósofo, autor, entre outros, de 'Fundamentalismo, terrorismo, religião e paz', Vozes 2009).

ADIADA VOTAÇÃO DO CÓDIGO FLORESTAL


Charge de Pelicano.

GILDA E COMPANHIA


Rita Hayworth, atriz, eterna Gilda. USA, 1918-1987. Traço de Netto.

Gilda e companhia (incluindo um som caprichado) estão no http://cinemascopeblog.blogspot.com/ .

LUZILÂNDIA À MARGEM... (II)


Notícia divulgada ontem, 05 de maio, na Coluna Porteira, de meu amigo Francisco Magalhães:

"As preces dos moradores de Luzilândia feitas à padroeira Santa Luzia foram atendidas!

Um Batalhão da Polícia Militar será instalado na cidade.

Noventa homens vão trabalhar no quartel sob o comando de um Capitão.

A cidade vinha sofrendo uma onda violência causada por assaltos - o último foi ao Banco do Brasil - e o tráfico de drogas, principalmente o de crack e cocaína.

A inauguração será dentro de três meses."

http://www.cidadeverde.com/porteira/
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Alvíssaras!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

OLD CARTUM


Ivan Le Louarn CHAVAL.
Cartunista francês. 1915-1968.

DIREITO INTERNACIONAL?



Comissária da ONU pede detalhes 'precisos' sobre morte de Bin Laden

A alta comissária de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, pediu nesta quinta-feira que o governo americano divulgue os detalhes da operação que matou Osama Bin Laden no Paquistão na segunda-feira, a fim de esclarecer a legalidade da ação.

"Aguardo a divulgação completa dos fatos precisos. Acredito que não apenas o meu escritório, mas qualquer um tem o direito de saber exatamente o que aconteceu", disse ela a repórteres em Oslo, capital da Noruega.

"As Nações Unidas condenam o terrorismo, mas também têm regras básicas sobre como deter atividades terroristas. Isto deve ser feito respeitando as leis internacionais."

A legalidade da operação que matou o líder da Al-Qaeda vem sendo alvo de questionamentos, especialmente depois que os Estados Unidos confirmaram que Bin Laden não estava armado no momento em que foi morto. (...)

Na quarta-feira, a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional disse que os militares americanos deveriam ter capturado Bin Laden vivo se ele não estava com armas.

Por sua vez, nesta quinta-feira, o líder da igreja anglicana, arcebispo Rowan Williams, disse que o assassinato de um homem desarmado causava desconforto. (...) - BBC Brasil.

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Ao que Tio Sam indaga: "Afinal, quantas divisões tem a igreja anglicana? Quantas divisões tem a Anistia Internacional? Quantas divisões tem a ONU?"

A FOTO


Charge de Dálcio Machado, Correio Popular (SP).

quarta-feira, 4 de maio de 2011

NA EXPECTATIVA DO BOM DIREITO


Tramita no Senado o projeto de lei nº 141/2011, que dispõe sobre Direito de Resposta, remédio jurídico indispensável ao bom funcionamento do Estado de Direito, previsto como diretriz constitucional mas carente de explicitação desde a extinção da Lei de Imprensa pelo STF.

O PL é composto por 13 artigos. Eis os dois iniciais:

Art. 1º Esta Lei disciplina o exercício do direito de resposta ou retificação do ofendido em matéria divulgada, publicada ou transmitida por veículo de comunicação social.

Art. 2º Ao ofendido em matéria divulgada, publicada ou transmitida por veículo de comunicação social fica assegurado o direito de resposta ou retificação, gratuito e proporcional ao agravo.
§ 1º Para os efeitos desta Lei, considera-se matéria qualquer reportagem, nota ou notícia divulgada por veículo de comunicação social independentemente do meio ou plataforma de distribuição, publicação ou transmissão que utilize, cujo conteúdo atente, ainda que por equívoco de informação, contra a honra, a intimidade, a reputação, o conceito, o nome, a marca ou a imagem de pessoa física ou jurídica identificada ou passível de identificação.
§ 2º Ficam excluídos da definição de matéria estabelecida no § 1º deste artigo os meros comentários realizados por usuários de Internet nas páginas eletrônicas dos veículos de comunicação social.
§ 3º A retratação ou retificação espontânea, a que sejam conferidos os mesmos destaque, publicidade, periodicidade e dimensão do agravo, impede o exercício do direito de resposta, mas não prejudica a ação de reparação por dano moral.

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Para ler os demais artigos, clique aqui: http://contextolivre.blogspot.com/2011/05/projeto-de-lei-que-dispoe-sobre-direito.html

CARTUM FANTASMA


Pelo visto, diante de tantas versões nebulosas e mal ajambradas oferecidas pelos protagonistas do episódio mais midiático dos últimos tempos, o fantasma de Bin Laden vai perturbar ad infinitum o sono de muitos dos donos do mundo.

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Desenho: selecionei o cartum há algum tempo, mas esqueci de anotar o nome do autor. (Lembra-me o traço do Fred).

SAL É BOM E NÃO FAZ MAL?


Estudo provoca polêmica ao revelar que dieta com baixo teor de sal é inefetiva

Por Gina Kolata

Um novo estudo revelou que as dietas com baixo teor de sal aumentam o risco de morte provocada por ataques cardíacos e derrames e não previne a hipertensão arterial, mas as limitações da pesquisa significam que o debate sobre os efeitos do sal na dieta estão longe de terminar.

De fato, especialistas do Centro para a Prevenção e o Controle de Doenças dos Estados Unidos tiveram uma impressão tão forte de que o estudo continha falhas que eles o criticaram em uma entrevista, algo que esses profissionais normalmente não fazem.

Peter Briss, um médico da instituição, disse que o estudo teve dimensão muito pequena; que as pessoas estudadas eram relativamente novas, com uma média de 40 anos de idade no início do projeto; e que com poucas anomalias cardiovasculares, é difícil chegar a conclusões. E, de acordo com Briss e outros especialistas, o estudo vai de encontro às evidências que indicam que o alto consumo de sódio pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares.

“Neste momento, é preciso encarar esse estudo com ceticismo”, advertiu Briss.

O estudo foi publicado na edição de (hoje) 4 de maio do periódico “Journal of the American Medical Association”. O projeto, que só envolveu no início indivíduos que não sofriam de hipertensão arterial, teve um caráter observacional, e foi considerado, na melhor das hipóteses, sugestivo, e não conclusivo. Ele incluiu 3.681 indivíduos europeus de meia idade que não sofriam de hipertensão arterial nem de doenças cardiovasculares. Os indivíduos tiveram a saúde acompanhada por um período médio de 7,9 anos.

Os pesquisadores avaliaram o consumo de sódio dos participantes no início do estudo e ao final mediram a quantidade de sódio excretada na urina deles durante um período de 24 horas. Todo sódio consumido é excretado na urina em um período de um dia, de forma que esse método se constitui na forma mais precisa de determinar o consumo desse elemento.

Os pesquisadores descobriram que quanto menos sal as pessoas ingerem, mais probabilidade elas têm de morrer de doenças do coração – 50 pessoas que faziam parte do grupo de um terço da amostragem total que consumia menos sal (2,5 gramas de sódio por dia) morreram durante o estudo, 24 morreram no grupo de consumo intermediário (3,9 gramas de sódio por dia) e dez no grupo de alto consumo de sal (6 grama de sódio por dia). E embora aqueles que ingeriam mais sal tivessem apresentado, em média, uma ligeira elevação da pressão sistólica – um aumento de 1,71 milímetros na pressão para cada aumento de 2,5 gramas de sal ingerido diariamente –, eles não apresentaram uma maior propensão a desenvolver a hipertensão arterial.

“Se o objetivo é prevenir a hipertensão arterial com um menor consumo de sódio, o estudo revela que isso não funciona”, afirmou o principal autor do estudo, o médico Jan A. Staessen, professor de medicina da Universidade de Leuven, na Bélgica.

Mas Briss afirma que dentre os outros problemas apresentados pelo estudo está o fato de que aqueles indivíduos que pareciam consumir a menor quantidade de sal forneceram menos urina do que os que consumiram mais, o que seria uma indicação de que eles podem não ter coletado toda a sua urina em um período de 24 horas.

O médico Frank Sacks, da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard concorda e também diz que o estudo apresenta falhas.

“Esse é um estudo problemático”, critica Sacks. “Nós não devemos orientar nenhum tipo de decisão na área de saúde pública com base nele”.

Michael Alderman, um pesquisador da pressão arterial da Faculdade de Medicina Albert Einstein e editor do periódico “American Journal of Hypertension”, diz que a literatura médica sobre o sal e os seus efeitos sobre a saúde é inconsistente. Porém, ele afirma que o novo estudo não é o único a descobrir efeitos adversos das dietas com baixo teor de sódio. O seu próprio estudo, com pessoas que apresentavam hipertensão arterial, revelou que aqueles que ingerem menos sal são os que têm maior probabilidade de morrer.

Alderman diz que no passado já atuou como consultor não remunerado do Instituto do Sal, mas que atualmente não faz consultoria para a instituição e nem para a indústria de alimentos, e tampouco recebe qualquer apoio ou dinheiro dos grupos que integram essa indústria.

Alderman afirma que a redução do consumo de sal traz consequências que vão além da pressão arterial. Isso faz também, por exemplo, com que aumente a resistência à insulina, o que pode gerar o risco de doenças do coração.

“Dieta é uma coisa complicada”, alerta Alderman. “Sempre haverá consequências imprevistas”.

Segundo Alderman, um dos problemas com os debates sobre o sal é que todos os estudos sobre isso são inadequados. Ou eles consistem de estudos baseados em intervenções de curto prazo nas quais os indivíduos ingerem grandes quantidades de sal e depois são privados dessa substância para que se possa avaliar os efeitos disso sobre a pressão sanguínea, ou eles têm o formato de pesquisas, como esta, que observam determinadas populações e avaliam se aqueles indivíduos que consumem menos sal são mais saudáveis.

“Estudos observacionais nos dizem o que um indivíduo vai experimentar se ele selecionar uma determinada dieta”, explica Alderman. “Mas eles não nos dizem o que acontecerá se modificarmos o consumo de sódio das pessoas”.

Alderman diz que o que se faz necessário é um estudo de grandes dimensões no qual os indivíduos participantes sejam escolhidos aleatoriamente para seguirem ou não uma dieta de baixo teor de sódio, e que esses indivíduos sejam acompanhados durantes anos para determinar se a ingestão de menos sal melhora a saúde e reduz o índice de mortes provocadas por doenças cardiovasculares.

Mas outros especialistas dizem que tal estudo jamais será feito.

“Esta é uma daquelas situações realmente interessantes”, diz o médico Lawrence Apple, professor de medicina, epidemiologia e saúde internacional das Instituições Médicas Johns Hopkins. “Podemos dizer, 'Tudo bem, deixemos de lado os estudos observacionais porque eles apresentam todos esses problemas'”. Mas, segundo ele, apesar da virtudes dos testes clínicos aleatórios controlados, um estudo desse tipo “mais será realizado”. Seria impossível manter pessoas em uma dieta de baixo teor de sódio em um mundo no qual tanto sódio é acrescentado aos alimentos preparados.

Briss acrescenta que não seria prudente tomar ações na área de saúde pública enquanto os pesquisadores aguardassem por um teste clínico que poderia se revelar até mesmo inviável.

Mas Alderman discorda.

“Os defensores das dietas de baixo teor de sal sugerem que todos os 300 milhões de norte-americanos sejam submetidos a tal dieta. Mas se esses indivíduos são incapazes de fazer com que as pessoas sigam uma dieta de baixo teor de sal para a realização de um teste clínico, eu me pergunto: sobre o que eles estão falando?”.

E ele acrescenta: “Isso custará dinheiro, mas é por isso que nós fazemos ciência. Também custará dinheiro modificar a composição dos alimentos”. (Fonte: UOL).

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Depois de quarenta anos como vilões, o café e o ovo foram 'liberados'; agora chegou a vez do sal. O fato de os coordenaores da pesquisa a condenarem não se sustenta: se se tratasse efetivamente de um embuste, eles mesmos cuidariam de abortar sua divulgação. Vai ver, a condenação é 'defesa prévia' destinada a salvaguardar os doutos pesquisadores.

Mas convém lembrar o velho alerta: tudo o que é demais é demasiado.

OLD PHOTO


René Maltête. Paris, anos 1960.
Lembrando velhos cartuns, como aquele do grande Sampaulo, 'Didi chorou'.

CHISTE BINLADIANO


Charge de Xalberto, em A Charge Online.

A QUEDA DA DESIGUALDADE



Estudo indica que desigualdade atingiu menor nível já visto no Brasil

Júlia Dias Carneiro
Da BBC Brasil no Rio de Janeiro

Na última década, a desigualdade no Brasil chegou ao nível mínimo já registrado no país, e a renda da metade mais pobre da população aumentou em ritmo 5,5 vezes mais rápido que a da minoria mais rica do país, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

De acordo com o pesquisador Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da FGV, a renda dos 50% mais pobres no Brasil cresceu 67,93% ao longo da última década (dezembro de 2000 a dezembro de 2010), enquanto a renda dos 10% mais ricos teve incremento de 10,03%.

"É como se os pobres estivessem num país que cresce como a China, enquanto os mais ricos estão em um país relativamente estagnado", compara Neri.

Segundo o pesquisador, os principais efeitos por trás da redução da desigualdade são, em primeiro lugar, o aumento da escolaridade, e em segundo, programas sociais de redistribuição de renda.

Núcleo duro

Intitulado "Desigualdade de Renda na Década", o estudo se baseou em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) e da Pesquisa Mensal do Emprego (PME), ambos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para traçar um panorama da década.

A conclusão de Neri é de que o período merece o título de "década de redução da desigualdade", assim como os anos 1960/70 teriam sido os do milagre econômico; os anos 1980, os da redemocratização; e os 1990, os da estabilização.

A pesquisa mostrou que a pobreza caiu 67,3% desde o início do Plano Real, em 1994, até 2010.

A redução da pobreza foi de 50,64% durante a era Lula, entre dezembro de 2002 e dezembro de 2010. Já do início do Plano Real, incluindo o mandato de Fernando Henrique Cardoso, até 2002, a queda foi de 31,9%.

"A pobreza caiu dois terços de seus valores iniciais nos últimos 17 anos, mas agora entramos no terço mais difícil, onde está o núcleo duro de pobreza. É onde as metas de erradicação vão encontrar mais dificuldades", diz Neri.

'Para os nossos filhos'

De acordo com o estudo, a desigualdade chegou a seu mínimo histórico em 2010. O parâmetro é o índice Gini, que chegou ao valor mais baixo no Brasil desde a primeira pesquisa do Censo que investigou a renda dos brasileiros, em 1960.

O Gini varia de 0 a 1, e quanto mais alto, maior a desigualdade. O Brasil chegou ao ápice em 1990, com 0,609. Desde então, viu queda progressiva no indicador, até chegar ao mínimo de 0,530 no ano passado.

"Ainda é um nível de desigualdade muito alto, mas está em queda. Para chegar a um nível médio de desigualdade, como o norte-americano (cerca de 0,42), ainda vai levar uns 30 anos. Vai ser algo para os nossos filhos", diz Neri.

Ele ressaltou, entretanto, que "algo diferente" está acontecendo no Brasil em relação a outros países emergentes, como Rússia, Índia e África do Sul, nos quais a desigualdade vem aumentando.

Apesar de a escolaridade ter sido identificada como o principal fator por trás da redução da desigualdade, o estudo mostrou que a renda de analfabetos vem aumentando em ritmo maior que daqueles que chegaram à universidade, e que o "prêmio educação" - o valor do salário em relação ao número de anos estudados – teve queda.

De acordo com dados da Pnad, entre 2001 e 2009, os analfabetos obtiveram incremento de 47% na renda, enquanto pessoas com nível de escolaridade a partir do superior incompleto tiveram queda de 1% nos ganhos.

"O trabalho pouco qualificado ficou mais valorizado no Brasil, como o de empregadas domésticas, operários da construção civil, trabalhadores agrícolas", diz Neri.

"Em parte, isso pode ocorrer porque programas sociais como o Bolsa Família tenham aumentado o salário reserva dessas pessoas, que só se dispõem a trabalhar com um salário razoável. Mas ainda é preciso estudar o fenômeno mais a fundo."

Neri aponta que os maiores ganhos reais de renda no período foram de "grupos tradicionalmente excluídos", ou seja, os que costumavam ser listados nos extremos mais desvantajosos dos panoramas da desigualdade.

O aumento da renda de pessoas e pardas, por exemplo, foi maior em relação às brancas, e o das mulheres foi maior em relação aos homens.

"É uma redução dos diferenciais", diz Neri. "A desigualdade segue caindo, então aqueles identificados como grupos de menor renda estão subindo."

terça-feira, 3 de maio de 2011

LUZILÂNDIA, À MARGEM DO CAMINHO


Estagnação econômica, insegurança coletiva, ausência de perspectivas, eis a realidade luzilandense, cidade de nossa especial predileção encravada no norte do Piauí (260 km de Teresina), banhada pelo rio Parnaíba.

Rotineiramente, procuramos na mídia notícias positivas sobre a cidade. Nada, ou quase nada. Uma tristeza.

Seis meses após um assalto à agência do Banco do Brasil, eis que um outro, mais traumático ainda, volta a surpreender a comunidade, desta feita ceifando a vida do administrador da unidade, Humberto Rodrigues Veloso (foto), nosso amigo desde a década de 1990.

Em sobressalto, corremos à cata de informações em nossos sites favoritos. Trágico quadro: comoção e desespero. Pinço uma informação: há poucos meses, lideranças políticas pleitearam a instalação de uma companhia de polícia, ou até mesmo de um batalhão, considerando o fato de que Luzilândia é cidade fronteiriça (limítrofe ao Maranhão), o que a torna bem mais vulnerável a investidas criminosas.

Resposta: não, visto que Luzilândia é desprovida de empreendimentos de porte que 'justifiquem' um aparato tão custoso. Como se os bens materiais devessem preponderar sobre a dignidade humana.

Até quando tal realidade perdurará?

Aos familiares do Humberto, aos colegas do BB e à comunidade luzilandense, nossas sinceras condolências.

Foto: reproduzida do site http://www.luzilandiaonline.com.br/

LIVRO ABERTO (II)

LIVRO ABERTO


Cuidado: “Facebook é máquina de espionagem”

Em uma entrevista ao Russia Today, o fundador do Wikileaks, Julian Assange, disse que o Facebook é a “mais espantosa máquina de espionagem já inventada”.

“Nas redes sociais temos a base de dados mais ampla sobre os cidadãos, suas relações, o nome de seus contatos, seus endereços, as mensagens que trocam com outras pessoas e isso tudo é alojado nos EUA, acessível aos seus serviços de inteligência”, disse ele.

Para Assange, as empresas por trás desses serviços – como o Google e o Yahoo – criaram mecanismos para facilitar o acesso dos serviços de inteligência a esse tipo de informação. “Obter uma citação ou um requerimento judicial já não é um problema. Existe uma interface de conexão já em uso. Isso quer dizer que o Facebook está sendo gerido pelos serviços de inteligência americanos? Não, não é isso. Simplesmente a inteligência dos EUA tem a capacidade legal e política para pressioná-los. É caro manejar um a um cada um dos arquivos, por isso automatizaram o processo”.

E o fundador do Wikileaks vai além: quem usa as redes sociais com frequência e convida os amigos a participarem do Facebook está trabalhando de graça para as agências de inteligência dos EUA.

Assange está aguardando sua extradição para a Suécia. (Fonte: blog ContextoLivre).

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Os EUA são a base da Internet, quero dizer, a Internet é norte-americana. Quem utiliza a Internet estaria na mesma situação relatada por Assange? E quem utiliza celular? Putz.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

NA PRAIA


Obra realizada por Sudarshan Pattnaik, artista indiano. Local: praia de Puri, Índia.

(Praia de Puri... Estranhamente - segundo reação de lideranças religiosas islâmicas, que não viram pertinência na atitude -, o corpo de Bin Laden teria sido lançado ao mar).

A MORTE DE OSAMA BIN LADEN


Por Carlos Orsi

Sendo este um blog - http://carlosorsi.blogspot.com/ - especialmente atento aos aspectos mais tóxicos da religião e do tipo de pensamento que sustenta a crença religiosa em geral - e tendo sido Osama bin Laden o homem que, no mundo moderno, mas fez para extrair dor e sofrimento desses aspectos e modos -, alguns comentários sobre seu passamento me parecem cabíveis.

O primeiro é lamentar o grau de ódio e fanatismo que o ódio e o fanatismo engendram, como reação, em suas vítimas. Ler no New York Times que o presidente Barack Obama definiu a morte de Bin Laden com a frase "justiça foi feita" é nada menos que chocante.

Não, senhor presidente, justiça não foi feita. Justiça teria sido feita se Bin Laden tivesse sido levado para Haia (ou Washington, ou Miami, ou Nova York), julgado e condenado. Até mesmo os arquitetos do Holocausto tiveram direito a seu dia no tribunal. Até mesmo o Estado de Israel julgou necessário dar a Eichmann o direito de defesa.

Mesmo considerando que um passo do tipo talvez tivesse sido politicamente, ou militarmente, inviável no caso de Bin Laden, teria sido possível evitar a indecente inclusão da palavra "justiça" no discurso presidencial.

O segundo é temer pelo impacto que a forma como a localização de Bin Laden se deu terá no (já claudicante) respeito das potências ocidentais pelos direitos humanos. De acordo com o NY Times, o mensageiro que foi seguido entrando na fortaleza de Bin Laden no Paquistão teve sua identidade revelada por prisioneiros de Guantánamo. Sob quais condições esses homens falaram, e o que os induziu a falar, é algo, ao que parece, aberto a livre especulação.

Terceiro, resta imaginar os efeitos da morte de Bin Laden sobre a legião de fanáticos que o tinham como comandante, se não de campo, certamente espiritual. Se a história dos fanatismos religiosos servir de exemplo, haverá três reações, uma em seguida da outra:

1. A morte não aconteceu;

2. A morte aconteceu, mas será vingada;

3. A morte de Bin Laden nas mãos de seus inimigos passará a ser vista como uma espécie de transfiguração mística, transformando-o, morto, num símbolo ainda mais forte do que era em vida.

Esse é um padrão que se repete desde épocas imemoriais - exemplos que me ocorrem agora incluem Jesus de Nazaré, o rei de Portugal Dom Sebastião e, em tempos relativamente recentes, Salvador Allende e Che Guevara.

Por fim:

No livro The Al Qaeda Reader, uma compilação de textos doutrinários da organização de Bin Laden, há um longo capítulo sobre a moralidade das operações suicidas e de se causar a morte de inocentes. A conclusão é de que todas essas coisas são permissíveis, desde que feitas pelo bem e pela glória do islã.

Substitua "islã" pela religião, ideologia, divindade, partido político, país ou clube de futebol de sua preferência e você verá quantas "Al Qaedas" em potencial nos espreitam pelos cantos deste mundo de malucos.

GUERRA DE LETRAS


Sponholz, Jornal da Manhã (PR).

ATO (NÃO TÃO) FALHO


A BBC incorreu no erro de, em seu portal, trocar Osama por Obama. No caso, 'Obama dead'. Atos falhos fazem parte. Tanto que outras tevês também escorregaram. Mas de todos os vacilos, o mais eloquente  foi o da Fox, extremista conservadora, aliada do Tea Party e maior inimiga midiática de Barack Obama. No caso, um ato não tão falho assim.

Nada a estranhar. Afinal, está valendo tudo, até fotomontagem fajuta de 2009 estampando um close de Bin Laden morto, esparrela acatada e divulgada por vários portais e canais televisivos.

O PODER, A MORTE E O ESPETÁCULO


Por Brizola Neto

O episódio da morte de Osama Bin Laden, depois de 10 anos anulado como chefe minimamente capaz de qualquer estrutura terrorista, cuja a única preocupação era fugir da intensa perseguição que lhe fazia o maior exército e os maiores meios tecnológicos do mundo, tem menos importância na questão do terrorismo do que nos rumos sombrios da ordem internacional vivida hoje pelo mundo.

Não se trata, aqui, de discutir o óbvio, a condenação como crime bárbaro da monstruosa morte de mais de três mil civis no World Trade Center.

A evidência curiosa – e terrível – deste episódio é o exercício imperial do poder militar norteamericano de transformar sua vontade em lei e sua capacidade em transformar sua aplicação em espetáculos bélico-midiáticos e…eleitorais.

Em 2003 – ano da véspera de sua reeleição – Bush recuperou o prestígio de sua desastrosa administração com a Guerra do Iraque, a partir de março.

Saddam Hussein foi apresentado como um aliado de Bin Laden e um perigo atômico para o mundo. Num discurso so Congresso americano, Bush afirmou:

“Hussein tinha um programa de armas nucleares avançadas, tinha um projeto para uma arma nuclear e estava trabalhando em cinco diferentes métodos de enriquecimento de urânio para uma bomba. O governo britânico descobriu que Saddam Hussein procurou recentemente quantidades significativas de urânio da África. Fontes de inteligência nos dizem que tentou comprar tubos de alumínio de alta resistência apropriado para a produção de armas nucleares. Saddam Hussein não explicou essas atividades, de forma crível. Ele claramente tem muito a esconder.”

O ridículo destas palavras, hoje, é tão evidente que não se pode acreditar que tenham sido a razão de uma invasão avassaladora e de dezenas ou centenas de milhares de mortes.

É igualmente curioso – e terrível – o pronunciamento de ontem de Barack Obama. Teatral do início ao fim – inclusive na saída de costas, caminhando solitário pelo corredor da Casa Branca. O efeito dramático era o objetivo, pouco importando que se fosse anunciar ali a morte de um homem.

De um homem, mas não de uma política belicista. As tropas norte-americanas não estão arrumando suas mochilas para embarcar de volta.

Evidente que foi uma vitória desta política. Mas essa política jamais pode ser vitoriosa, definitivamente, porque violenta o principio da soberania das nações.

O mundo saudou a eleição de Barack Obama como uma esperança do fim da violência e da guerra como formas de resolver os problemas do mundo e as relações entre os países.

O Barack Obama que não pôde desmontar a prisão de Guantánamo com que Bush sujou a imagem de liberdade, lei e democracia que os americanos dizem lhes ser sagrada, conseguiu algo mais complexo: a morte do homem que ridicularizou a capacidade bélica do governo de seu antecessor, cuja afirmação custou muito mais vidas – inclusive de americanos – que o atentado das Torres Gêmeas.

Vamos viver um dia – ou alguns dias – mergulhados num espetáculo mórbido. “Como foi, quantos tiros, o corpo foi jogado ao mar ou não (chega a ser irônico que digam que isso teria sido feito para respeitar a lei islâmica), se era ou não era ele”, os festejos semelhantes ao de um jogo de futebol vencido, são os temas que vão estar exaustivamente debatidos sobre o cadáver de Bin Laden.

Mas o essencial nada tem a ver com isso.

O que significou, em 2004, um triunfo para os republicanos de Bush vai significar, provavelmente, também uma vitória eleitoral para os democratas de Obama.

E, em qualquer caso, uma derrota para uma ordem internacional onde não haja mais uma “polícia do mundo” e, em seu lugar, floresçam povos livres. Livres, inclusive, dos ódios que levaram à tragédia do World Trade Center.

O FIM DE BIN LADEN


O líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, está morto e seu corpo foi resgatado por autoridades dos Estados Unidos, informou a rede de televisão CNN no fim da noite do domingo. De acordo com as fontes ouvidas pela CNN, Bin Laden morreu durante um ataque dos EUA a uma mansão nos arredores de Islamabad, capital do Paquistão, país vizinho ao Afeganistão.

O presidente dos EUA, Barack Obama, acaba de confirmar, em pronunciamento na TV, a morte de Bin Laden.

O maior atentado planejado por Bin Laden, segundo os EUA, foi o ataque contra as Torres Gêmeas, em Nova York, no dia 11 de setembro de 2001.

Há quem sustente que a presença das tropas americanas no Iraque e Afeganistão decorre basicamente da ação da Al Qaeda, mas nada garante que o fim de Osama bin Laden implicará o término do conflito.

Enquanto isso, os adeptos da teoria da conspiração...

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Em face de tal acontecimento, Barack Obama deveria anunciar o fechamento definitivo de Guantánamo.

domingo, 1 de maio de 2011

OLD MAGAZINE


Esquire, janeiro de 1948.

DAVI E GOLIAS, SÉCULO XXI


Por Michael Kountouris.

ZONA DE EXCLUSÃO SELETIVA


O governo líbio informou que Saif al Arab Gaddafi, 29, filho mais novo de Kadafi, foi morto em Trípoli durante um ataque aéreo da Otan. Também foram mortos três netos de Kadafi, e parentes e amigos sairam feridos. O dirigente líbio e sua mulher escaparam ilesos.

Em comunicado na madrugada deste domingo, a Otan confirmou ataques "de precisão", no sábado, contra um prédio de comando e controle no bairro de Bab Al Azizya, ressaltando que os alvos da aliança são exclusivamente militares e "claramente vinculados aos ataques sistemáticos do regime de Kadafi sobre a população e áreas povoadas líbias".

Apesar da declaração da Otan, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou neste domingo que a aliança pode ter considerado como um alvo o ditador líbio e sua família.

A Rússia tem sido uma crítica da atuação da aliança ocidental na Líbia e foi um dos países que se abstiveram no voto da resolução pela intervenção militar no país africano.

"Temos sérias dúvidas sobre os comunicados dos membros da coalizão de que os ataques na Líbia não pretendiam eliminar Kadafi e sua família", afirmou o ministério em nota oficial.

"O uso desproporcional da força supera a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, que não prevê, de nenhuma maneira, a mudança de poder na Líbia e representa consequências nefastas e a morte de inocentes", completa o texto.