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domingo, 1 de maio de 2016

UM CAUSO EM TEMPO DE IMPEACHMENT


"A piada é antiga, mas como mais antiga é esta mania das oligarquias, dentre elas a Rede Globo, de patrocinar golpes, vamos lá. O sujeito se apresenta ao médico e diz que estava andando pelo mato de sua fazenda quando escorregou e um toco penetrou lá… naquele lugar. No cunha.  O médico, experimentado, pede para a suposta vítima do toco tirar a roupa e ficar na posição cata-cavaco.  Com uma lupa, o doutor examina o local atingido  e lasca  o diagnóstico: “Não foi toco”.

A vítima do “toco”  esperneia, diz que não é mentiroso, que o médico o conhece há muito tempo, que sabe o cunha que tem,  e que, se ele tá falando que foi toco, é porque  foi toco. O médico, calmo,  responde que entende a posição do distinto paciente, mas insiste, do alto da sua experiência,  que não foi toco.

A discussão vai aumentando  e, com o tempo exíguo como sempre  para consultas, o doutor arremata: “Olha, meu amigo. Aqui tem um remédio para toco. Então como o senhor insiste  que foi toco, tome estes comprimidos, um a cada três vezes ao dia”.

Já vestindo a roupa, satisfeito em ter convencido o médico de que foi toco, o paciente ouve um alerta, em relação ao  qual ele deve temer: “Só tem uma coisinha: se não for toco e o senhor tomar este remédio, o senhor morre. Mas tenho aqui um outro remédio no caso de não ter sido toco, e  quanto a esse o senhor não precisa temer por sua  vida”.

Já nem um pouco paciente, o sujeito pega o remédio para não toco e encerra a conversa: “Vou tomar este medicamento para não toco, mas que foi toco, foi toco!!!”

Conto a  piadinha manjada só para lembrar dessa história dos golpistas, incluídos aí parlamentares, vice-presidente da República, velha mídia, membros do STF e demais, que, mesmo na posição de cata-cavaco, continuam insistindo que não há um golpe em andamento no Brasil.

Vou me ater aqui à Rede Globo de Televisão e afiliados, que insistem na tese do “não é golpe”. A Globo levou mais de 30 anos para reconhecer que participou do golpe de 1964. Aliás, seu jornal “O Globo” esteve na linha de frente, na origem da conspiração e na consecução dela; já a emissora de TV só participou da ditadura partir de 1965 – pelo  simples fato de ter sido criada naquele ano, sob os auspícios dos militares.

A impressão que se tem é que, com esse reconhecimento, ocorrido somente em 31 de agosto de 2013, as instituições criadas por Roberto Marinho tentaram tirar o peso das costas para colocar outro: o golpe de abril de 2016. Desta vez, emissora de TV, jornal e rádios do conglomerado, todos eles, participam do golpe, diuturnamente.

Por falar nisso, um passarinho me contou que a família Marinho orientou, recentemente,  todos os diretores de jornalismo da rede no Brasil  a reforçarem  a posição  de que “não é golpe”. A orientação, que na verdade é uma ordem, foi  de que os dirigentes convocassem todos os subordinados para dizer que o “é golpe” não pode prosperar na sociedade e que ninguém arrede os pés dessa convicção.

Ao contrário do remédio que tomou durante a ditadura militar, que foi o apoio incondicional dos milicos, a Globo desta vez está no dilema: toma o medicamento para toco ou para não toco?  Mas esse dilema só se torna explícito pela insistência em afirmar que não foi toco (perdão,  de que não é golpe).

As ruas já entoam “Fora Rede Globo, o povo não é bobo” e “E a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura. E continua…” Portanto, insistindo na tese de que não é golpe, as instituições Globo vão sorvendo diariamente, em vários momentos, o remédio para o “não foi toco”. O problema é que está morrendo, pois, se uma parte do povo mais antigo, acostumado a assistir e engolir os venenos cotidianamente fornecidos pela rede, ainda dá audiência, a moçada já não assiste. Jovens que não manterão o hábito de seus pais, de sintonizar a emissora, sabem que a verdade é dura, de que é golpe e a Globo vai morrer junto com a falácia do “não foi toco”. E para isso não há remédio."






(De Washington Luiz de Araújo, jornalista, post intitulado "Rede Globo do golpe: foi toco ou não foi toco?", divulgado no site Bem Blogado e reproduzido no Jornal GGN - aqui.

O post é um tanto, digamos, jocoso, deselegante, para dizer o mínimo, mas o fato é que salta aos olhos o 'dirigismo' assumido pela Globo relativamente à conjuntura, e esse processo não é recente, muito pelo contrário. Quem acompanha, como este escriba, ao menos dois de seus jornais diários, percebe que nem mesmo agora, com a vitória praticamente assegurada, a Globo consegue realizar seu propósito atual, que é o de aparentar isenção, ou ao menos de atenuar o engajamento em prol do afastamento da presidente, tão intenso, p. ex., nos dias que antecederam a manifestação de 13 de março e a votação na Câmara, em 17 de abril - incluindo, claro, os próprios dias citados. Ontem, 30 de abril, véspera do dia do trabalho, foi pleno o silêncio do JN às manifestações pelo Brasil havidas ao longo do dia e as previstas para hoje, eventos que com certeza mereceriam tratamento radicalmente diferente se dissessem respeito ao 'outro lado'. Já no que tange à repercussão - altamente negativa, frise-se - na mídia internacional da tentativa de golpe no Brasil, o alheamento global é de uma constrangedora 'eloquência'. 

É evidente que cada ente tem o direito de eleger suas preferências pessoais. O jornal O Estado de São Paulo, no pleito presidencial de 2014, declarou em editorial a candidatura de sua predileção; o Washington Post, entre outros jornais norte-americanos, faz o mesmo rotineiramente, e o mundo não lhe cai na cabeça. Por sua vez, o implacável bom senso sempre acaba por impor a conclusão óbvia: agir ostensivamente em um sentido e tentar aparentar distanciamento, equidistância, soa inteiramente dissonante. É o que se pode chamar de mal insanável).