Mostrando postagens com marcador Eles disseram. Breno Altman. Petrobras. Aldemir Bendine.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eles disseram. Breno Altman. Petrobras. Aldemir Bendine.. Mostrar todas as postagens
sábado, 7 de fevereiro de 2015
ENFIM, SOB NOVA DIREÇÃO
"A indicação de Aldemir Bendine para o comando da Petrobras é mais do que uma surpresa.
O atual chefe do BB representa linha de resistência diante da escalada de forças privatistas para tomar de assalto a estatal do petróleo.
O mercado estava assanhado, afinal, para fincar cabeça-de-ponte na principal companhia brasileira.
A pressão corporativa e de mídia assumiu, nos últimos dias, dimensões de chantagem contra a presidente Dilma Rousseff.
Se não encontrasse uma solução à la Joaquim Levy para a empresa, iria arder no mármore do inferno.
Muitos apostaram que Dilma bateria novamente a mão no tatame, entregando mais uma trincheira estratégica do Estado para operadores do capital, no afã de relaxar o crescente cerco sobre o governo.
Quem assim o previu, agora morde a língua. Incluindo o modesto signatário desse blog.
A nomeação de Bendine constitui resposta ousada. Apesar de não ser quadro do PT ou da esquerda, com carreira inteiramente construída no Banco do Brasil, é aliado inquestionável do processo de mudanças iniciado em 2003.
Escolhido para dirigir a instituição financeira a partir de 2009, foi peça chave na política de enfrentamento da crise econômica, liderando estratégia agressiva para reduzir juros e expandir crédito, um dos pilares das medidas anticíclicas destinadas a impedir o encolhimento da produção e consumo internos.
Sob sua batuta, o Banco do Brasil ajudou a ampliar a participação dos bancos públicos, forçando grupos privados a reduzirem momentaneamente seus spreads (diferença de juros pagos aos investidores e cobrados dos credores), raridade em nossa história monetária.
Bendine foi uma das vedetes de 2012, marcado pela aposta em reduzir os juros pagos pelo Estado aos fundos financeiros – a taxa básica, descontada a inflação, que havia sido de 4,5% no ano anterior, caiu para 1,41%.
Este avanço foi parcialmente anulado a partir de 2013, quando o governo se julgou sem forças para continuar a batalha deflagrada contra o rentismo e o Banco Central voltou a elevar fortemente a taxa Selic.
O Banco do Brasil perde, então, parte de seu protagonismo, mas tal resultado não pode ser atribuído à gestão do futuro presidente da Petrobras.
Apesar do recuo, Bendine continuou a ser hostilizado pelos setores da imprensa que se conectam à banca privada e haviam desempenhado função de vanguarda na disputa contra a orientação vigente em 2012.
Ainda que não sejam conhecidas publicamente suas posições sobre regime de partilha e política de conteúdo nacional, por exemplo, seria difícil imaginar que venha a ser capturado por interesses de grupos privatistas.
Além do mais, conhece bastante bem a empresa que irá assumir e apresenta inegável expertise no tratamento de imbróglios financeiros, como é o caso.
Sindicatos dos bancários reclamam de sua mão de ferro em embates e negociações salariais, mas é obrigatório reconhecer que os laços de lealdade e identidade de Bendine se entrelaçam com o campo progressista.
Não é à toa que as ações da Petrobras despencaram após a divulgação de seu nome como presidente da empresa.
O mercado precificou o tamanho de sua frustração diante da decisão firme e inesperada da presidente Dilma Rousseff."
(De Breno Altman, em seu blog, post intitulado "Dilma vira o jogo na Petrobras" - aqui.
Nove em cada dez leitores se mostram desapontados - para não dizer indignados - com a indicação de Aldemir Bendine para a direção da Petrobras. É que, a exemplo de Josias de Sousa e outros analistas da Folha - nem falo de Estadão e Globo -, estavam certos de que o posto passaria a ser ocupado por pessoa de perfil diferente. Alguns comentaristas só faltam 'aberturar' Breno Altman pela ousadia de argumentar da forma como argumentou. Queriam alguém que 'peitasse' Dilma e preparasse o terreno para entregar a Petrobras ao Livre Mercado. Veio Bendine, que fortaleceu o Banco do Brasil, dificultando a sua privatização, sonho tão acalentado pelo Mercado Livre!
Que Bendine seja bem sucedido).
Assinar:
Postagens (Atom)
