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domingo, 13 de junho de 2010

CORTINA DE FACTÓIDES


Vejo no blog do Luis Nassif crítica a respeito do comportamento enviesado do jornal Folha de São Paulo relativamente à corrida presidencial. Há a tentativa de engolfar em cortina de fumaça a figura tenebrosa do livro 'Nos Porões da Privataria', de Amaury Ribeiro Junior, que expõe as entranhas das negociações de privatização no governo passado e teria lançamento previsto para o final de julho.

A cortina de fumaça é formada por 'escândalos' diariamente anunciados, que visariam a converter o 'Nos Porões...' em 'escândalo', factóide.

A matéria destaca o silêncio da Ombudsman da Folha, Suzana Singer, quanto ao assunto. 

Digressão interessante: diante da estranheza de um comentarista quanto ao uso do termo Ombudsman, em vez de Ombudswoman, o leitor H. C. Paes esclarece:

"A palavra é sueca de origem, com raiz no norueguês antigo, segundo a Wikipédia. Usando o Google Translator para a palavra woman, descubro que o feminino seria algo como 'ombudskvinne' ou 'ombudskvinna'.

'Ombudswoman' seria aceitável em dinamarquês, outra das línguas que primeiro incorporou a palavra. Em inglês, a palavra 'ombudswoman' seria um neologismo resultante da aglutinação de um termo escandinavo com um feminino inglês.

Portanto, para o português, vale o que o uso sacramentar, e a tendência é o neologismo ser incorporado como substantivo sobrecomum: 'Ela é um gênio', 'Ela é o ombudsman'."

sábado, 29 de maio de 2010

ISENÇÃO ELEITORAL


A TV Brasil divulgou 'plano editorial e de cobertura das eleições 2010', com diretrizes para cobertura jornalística e de programação.

Tudo dentro do que se espera: proibição de alguns artifícios, como o 'off' (dar notícia sem citar a fonte), e da divulgação de denúncias sem fundamento, pesquisas eleitorais não registradas etc, e oferecimento de tratamento isonômico aos candidatos (pelo menos os mais competitivos).

A parte principal diz respeito às normas de conduta dos profissionais da empresa (apresentadores, âncoras e repórteres), os quais:

a) deverão tomar cuidado com o vestuário, evitando usar roupas com cores identificadas com partidos, como o vermelho, do PT, e o azul e amarelo, do PSDB;

b) não usarão adereços com conotação eleitoral e expressões faciais que denotem satisfação ou descontentamento com a notícia lida;

c) estão proibidos de gravar depoimentos de apoio, participar de campanhas e comparecerem como apoiadores em eventos de partidos e candidatos.

Não temos detalhes sobre eventuais normas baixadas pelas grandes redes, mas elas certamente existem. A dúvida é se também contemplam a proibição de 'expressões faciais que denotem satisfação ou descontentamento com a notícia lida'. Alguns monstros sagrados se veriam em palpos de aranha para cumprir a recomendação.