.
Pesquisa revela que 66% das mulheres negras agredidas não têm renda para manter a si e seus dependentes
No Brasil 247:
A ampla maioria (85%) das mulheres negras que sofreram violência doméstica ou familiar e não possui renda suficiente para se manter ainda convive com seus agressores dentro de casa. O número é quatro vezes superior à média das mulheres negras que declaram já terem sofrido algum tipo de agressão (21%), independentemente da renda. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher Negra feita pelo DataSenado e pela Nexus, em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, aponta como as situações de vulnerabilidade econômica da mulher negra estão diretamente associadas a episódios de abuso. O estudo considerou como negras as mulheres autodeclaradas pretas ou pardas.
A ampla maioria (85%) das mulheres negras que sofreram violência doméstica ou familiar e não possui renda suficiente para se manter ainda convive com seus agressores dentro de casa. O número é quatro vezes superior à média das mulheres negras que declaram já terem sofrido algum tipo de agressão (21%), independentemente da renda. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher Negra feita pelo DataSenado e pela Nexus, em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, aponta como as situações de vulnerabilidade econômica da mulher negra estão diretamente associadas a episódios de abuso. O estudo considerou como negras as mulheres autodeclaradas pretas ou pardas.
Divulgada no Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, a pesquisa foi aprofundada com um recorte específico para mulheres negras. O objetivo é entender as especificidades das experiências delas para que seja possível a formulação de políticas públicas que levem em conta suas realidades socioeconômicas e culturais, além de identificar barreiras nos acessos aos serviços de proteção.
Entre as mulheres negras que afirmaram não conseguir se sustentar, uma em cada três (32%) já sofreu algum tipo de agressão. Para 24%, o episódio de violência aconteceu nos últimos 12 meses. Quando perguntadas sobre situações específicas de violência descritas na pesquisa, o número de mulheres negras que sofreram agressões no último ano sobe para 31% – revelando que 7% das entrevistadas não consideraram, em um primeiro momento, aquilo que viveram como episódio de abuso doméstico.
Além da renda, a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher Negra ressalta que a presença de filhos abaixo dos 18 anos também faz com que as mulheres não consigam sair de um contexto abusivo: 80% das mulheres negras que declararam ter sofrido violência doméstica e possuem filhos menores de idade continuam morando com o agressor.“
A pesquisa do DataSenado, em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência e a Nexus, revela a dura e persistente desigualdade econômica enfrentada por milhares de brasileiras negras. Essa vulnerabilidade financeira não apenas limita sua autonomia, mas também as mantém reféns a relacionamentos abusivos, onde a dependência econômica se torna mais uma ferramenta de controle e violência”, comenta Elga Lopes, Diretora da Secretaria de Transparência e do Instituto DataSenado.
Das mulheres negras que afirmaram ter sofrido violência familiar, 27% disseram não ter renda nenhuma e 39% não têm renda suficiente para se manter e manter seus dependentes, somando 66% de vítimas sem condições financeiras de se sustentar.
Nesse recorte de mulheres sem renda para se manter, apenas 30% buscaram algum tipo de assistência em saúde após um episódio grave de violência. A pesquisa DataSenado/Nexus mostra que esse percentual se mantém acima dos 60% em todos os níveis educacionais, evidenciando uma barreira na hora da busca ou no acesso à assistência. (...).
(Para ler a matéria na íntegra - conferindo a dissecação da pesquisa e a explicitação do quadro reinante no universo feminino nacional - clique Aqui).
Nenhum comentário:
Postar um comentário