segunda-feira, 19 de setembro de 2011

CONSUMISMO SE ALASTRA


Cartum de Glix.

A MELHOR AULA DE SUASSUNA


Aos 84 anos, Ariano Suassuna reflete: “Tenho a vaidade de ser professor”. O autor de romances, pe-ças e poesias aclamados pelo público e pela crítica mantém atualmente uma rotina especial como secretário do governo de Pernambuco. Estabeleceu a missão de levar suas aulas-espetáculo por todo o estado. O mestre conta que, das 128 apresentações em 67 municípios, por teatros, auditórios, favelas, praças e ginásios, a que mais gostou foi a do Presídio Feminino do Bom Pastor, no Recife. Gostou tanto que voltou na última terça-feira de agosto.

Nesses espetáculos, Suassuna atua como um professor sentado na mesa no canto do palco, de onde faz as introduções a cada apresentação de música e dança. Todas as cinco aulas que idealizou tratam de um tema que defende com generosidade: a cultura brasileira. Em 2008, foi convidado pela direção do presídio a apresentar a Nau, com seu roteiro repleto de danças africanas, indígenas e portuguesas, coreografias que ajudam a compreender a origem das nossas manifestações. A recepção das detentas foi tão gratificante, lembra o escritor, que, quando finalizou a sua nova aula, Chamada ao Piano, pediu para voltar ao presídio feminino. “Mesmo correndo o risco de parecer oferecido.”

Suassuna é muito querido, isso sim. Entre as presas é uma celebridade, um ídolo com torcida familiarizada. Ao chegar no horário combinado no Bom Pastor, foi recebido com palmas, gritos, beijos nos bebês de colo presentes na unidade prisional. Uma festa com a participação de praticamente todas as 625 detentas, no pátio central.

“Gostei muito quando estive aqui, em 2008”, inicia. “Para mim, foi a melhor aula que dei.” Em seguida, arranca algumas gargalhadas ao explicar, com versos de poeta popular, o seu temor em retornar àquele público. Nunca vi homem valente, que não fosse ferreiro/ Homem de fala mansa, que não fosse traiçoeiro/ O segundo prato, com o gosto do primeiro.

Em Chamada ao Piano, ele anuncia gravações de composições feitas por pianistas pernambucanos no fim do século XIX e primeira metade do XX. “Não existe música velha ou nova. O que existe é música boa e música ruim.” Uma valsa de Euclides Fonseca abre o espetáculo, todo coreografado por Maria Paula Costa Rego, que também dança na companhia de quatro bailarinos formados em grupos populares.

A cada música, uma nova coreografia no palco que Suassuna chama de circo. “Tinha vontade de ser palhaço na infância e, quando fui convidado para ser secretário, pedi ao governador para montar esse circo e apresentar meu espetáculo por aí.” O segundo número apresentado é um tango brasileiro. “Em nada parecido com o tango argentino. O nosso tango é a origem do choro.” Na sequência, o público ouve e vê uma quadrilha, um maxixe, um maracatu, uma marcha carnavalesca e, ponto alto da apresentação, o Choro Número 5, de Capiba. A leveza e a graça do bailarino Gilson Santana, o mestre Meia-Noite, arrancaram gritos, aplausos e assobios em cena aberta em três momentos.

Antes de sair do palco, o escritor assistiu a uma apresentação das detentas. As alunas da Escola Olga Benário (que funciona no presídio) leram poesias dedicadas a Suassuna e são acarinhadas pelo homenageado, um cavalheiro que beija a mão das damas. O autor e sua plateia preferida têm uma relação que escapa às explicações apressadas.

A visita a presídios, entre eles o próprio Bom Pastor, faz parte da infância de Suassuna. Começou em 1930, quando o primo legítimo de sua mãe, João Dantas, ficou preso na Casa de Detenção do Recife depois de matar João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, então presidente da Paraíba, em 26 de julho daquele ano. O futuro escritor, então com 3 anos, afirma lembrar-se dessa passagem. O crime de Dantas foi passional, mas entrou para a história do Brasil. João Pessoa morreu por ter dado publicidade a cartas íntimas, trocadas entre Dantas e sua namorada, Anayde Beiris. As cartas foram obtidas pela polícia, que invadiu o escritório de Dantas e arrombou seu cofre.

João Pessoa era candidato a vice-presidente da República e, sobretudo, adversário político dos Suassuna. Sua morte foi usada como estopim da Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder. Dantas foi preso. Anayde Beiris foi para o Instituto Bom Pastor (onde hoje funciona o presídio feminino) e também recebeu a visita do pequeno Suassuna. No dia 6 de outubro, Dantas é degolado em sua cela. No dia 22, Anayde Beiris, então com 25 anos, tira sua própria vida com veneno.

A sequência de tragédias a envolver a família Suassuna não para por aí. O deputado federal João Suassuna, pai de Ariano, foi morto em outubro daquele ano, na capital da República, baleado nas costas, na tradição covarde dos crimes de encomenda. Parte em vingança pela morte de João Pessoa, parte por causa da violência que marcou a revolução. No bolso de João Suassuna, uma carta endereçada à sua mulher pedia para que nenhum dos seus nove filhos vingasse sua morte.

O Bom Pastor funciona como unidade de triagem, na qual as mulheres aguardam julgamento. A maioria (57%) responde por tráfico de drogas. São jovens entre 22 e 35 anos, de acordo com os dados da Secretaria de Ressocialização.

Iara Pradines, 50 anos, está presa há quatro anos por posse de pasta-base de cocaína. O que ela acha da visita de Suassuna? “As mulheres aqui vivem uma fase difícil de suas vidas. Todas nós sabemos que erramos, mas quem não precisa de apoio para sair do fundo do poço? Ariano nos dá atenção, nos oferece conforto. Aqui, o que mais ouvimos é que não temos solução. Algumas vezes, até a família nos abandona. Ele vem aqui nos mostrar que não estamos excluídas.” (Fonte: Celso Calheiros, na CartaCapital).

CUIDADO COM A MIUDEZA


Malvados.

domingo, 18 de setembro de 2011

BEATLES, CAPRICHOS E EXIGÊNCIAS


Uma das condições impostas pelo cantor Prince para exibir-se num dos Rock In Rio: 700 (setecentas) toalhas brancas no camarim. Outras atrações mundo afora impõem os mais tresloucados caprichos e idiossincrasias.

Na quinta-feira passada, foram divulgados pelo jornal The Guardian documentos (que irão a leilão no próximo dia 20 em Los Angeles) dando conta das exigências feitas pelos Beatles para um show realizado no Cow Palace, na Califórnia, em 1965:

. o camarim deveria contar com eletricidade e água, quatro camas de solteiro, espelhos, um frigobar, uma televisão portátil e toalhas limpas, além de, para o show, um mínimo de 150 seguranças uniformizados e, no palco, uma plataforma especial para o baterista Ringo Starr. Pedidos bem razoáveis e sóbrios.

Ah, havia uma condição que os Beatles impunham em todas as plagas onde iriam exibir-se: a banda não tocaria para uma plateia 'segregada'.

UMA MULHER NA ONU


Por Eliane Cantanhêde

O presidente brasileiro abre as assembleias gerais da ONU todos os anos, e Dilma Rousseff é a primeira presidente mulher do Brasil. Logo, ela será a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral da ONU.

Essa equação, basicamente burocrática, tem um resultado bastante político: a chance de Dilma estrear triunfalmente no palco internacional, nesta semana, em Nova York.

Ela vai capitalizar ao máximo a condição de mulher que lutou e sofreu pela democracia, enfrentou e venceu um câncer e foi eleita por um dos maiores eleitorados do mundo para presidir um país que ganha cada vez mais peso no cenário internacional.

Vai ter encontros bilaterais com os alguns dos principais líderes do planeta: Obama, dos EUA, Sarkozy, da França, e Cameron, do Reino Unido. E vai a reuniões paralelas sobre transparência governamental, segurança nuclear e combate ao câncer e à diabete. Além de receber dois prêmios, um de líder política, outro na área de saúde.

Se dependesse apenas do Itamaraty, Dilma faria um discurso frio, contido, correto, mas não combina com seu estilo. Assim, ela consultou as notas e sugestões enviadas pelo chanceler Patriota e encomendou acréscimos à Fazenda e à Saúde, para apimentar o conteúdo.

Em resumo, vai ratificar o apoio ao Estado Palestino num momento crucial, cobrar maior equilíbrio no mundo e maior responsabilidade dos países ricos, fazendo propaganda do modelo brasileiro, ou "lulista", baseado em paz, desenvolvimento e inclusão social. Enquanto o Brasil inclui aos milhões, os EUA, a Grécia, a Espanha... excluem também aos milhões. Os miseráveis batem recorde nos EUA.

Quase sempre, o discurso vira manchete na imprensa brasileira e passa em branco na internacional. Mas Dilma não vai falar para jornalistas nem para o público em geral e sim para centenas de líderes mundiais que a estarão ouvindo ao vivo, em cores. Boa sorte!

................
A jornalista diz que a "equação" é "basicamente burocrática", e que "o discurso vira manchete na imprensa brasileira e passa em branco na internacional". Mas antes mesmo do discurso de Dilma a revista americana Newsweek põe a presidente na capa: com o título 'Don't mess with Dilma' (em tradução literal 'Não mexa com a Dilma'), a reportagem principal aborda o governo, a história política e também a vida pessoal da presidente. A revista cita detalhadamente o crescimento econômico do Brasil e a participação de Dilma nesse processo de mudanças, iniciado com a gestão Lula.

BAR DO CLUBE DOS DIÁRIOS


Será reaberto amanhã, 19, o bar do Clube dos Diários, com menu tradicional, recheado de sabores culturais teresinenses.

Na pauta, o Clube Vinil Diário, em que o freguês é o dj, a partir de bolachões dos anos 1960; nas terças-feiras, as artes cênicas do Eu e você o Teatro da minha vida, e às quartas o retorno do Boca da Noite, mostra da música produzida no Piauí, enquanto as quintas-feiras serão reservadas ao Tô na fossa, não sente na minha mesa, em cima de repertório condizente com o título, e as sextas, ao Palco Aberto, com  shows individuais e acústicos.

Uma boa.

CARTUM UTÓPICO


Por Liberati.

sábado, 17 de setembro de 2011

O PROCESSO DA CORRUPÇÃO


A corrupção é um processo, e como todo processo ela se desenvolve por fases. Didaticamente, a prática desse processo desenvolve-se deste modo:

1. A intenção de corromper.
Alguém tem a ideia de lucrar, de maneira ilícita, com uma oportunidade: um amigo bem colocado na estrutura do poder, uma concorrência pública, uma verba recém-aprovada. No processo, esta é a fase “Luzinha acesa sobre a cabeça”.

2. A iniciativa de corromper.
Essa pessoa (ou esse grupo empresarial, como uma empreiteira, um banco, uma holding) toma a iniciativa de buscar ativamente esse benefício. A corrupção deixa de ser subjetiva e passa ao plano objetivo, da realidade, do comportamento. No processo, esta é a fase “Tô chegando”.

3. A proposta de corrupção.
O agente da corrupção faz a proposta à pessoa certa, diretamente ou, na maoria dos casos, por meio de um representante. Essa é a função clássica dos lobistas, profissionais especializados em cor… convencer uma outra pessoa sobre as vantagens mútuas de um negócio ilícito. No processo, esta é a fase “Vamos lucrar?”.
Você já pensou por que quase não se encontram reportagens sobre lobistas na imprensa, essa categoria de profissionais sombrios que infesta as casas legislativas e que promove animadas festas noturnas nas quais…? Bem, você sabe.

4. A aceitação da proposta.
O alvo do corruptor aceita a proposta. No processo, esta é a fase “Oba!”.

5. O fechamento do trato.
As duas partes chegam a um acordo, mutuamente benéfico. No processo, esta é a fase “Unidos venceremos”.

6. O primeiro pagamento.
Em certos casos, um primeiro pagamento consolida o acordo e garante ao corrupto um ganho concreto, mesmo que o resultado futuro não seja o pretendido por ambas as partes. No processo, esta é a fase “Te paguei em confiança. Olha lá, heim?”.

7. O cumprimento do acordo.
O corrupto cumpre o acordo: o negócio ilícito é afinal realizado. Um benefício é concedido a uma pessoa ou empresa, uma concorrência é fraudada, uma verba é destinada a quem não a merece. No processo, esta é a fase “Gostou do resultado?”.

8. O pagamento final.
O corruptor, que tinha iniciado o processo, põe um termo a ele ao fazer o pagamento do serviço prestado. No processo, esta é a fase “Unidos, vencemos”.

Repare como esse processo serve para mapear até mesmo uma corrupção em escala menor, como o suborno de um guarda: pego numa blitz, o motorista tem ideia de sair-se da enrascada sem pagar a vultosa multa (1), engata uma conversa inicialmente cautelosa (2) e, percebendo a receptividade do guarda, faz a proposta (3): uma cerveja caprichada, e estamos conversados. O policial aceita a proposta (4), os dois combinam como o pagamento será feito (5), este é realizado (6-8), e o policial cumpre o acordo de não multar o infrator, em troca de um benefício ilegal (7).

Qualquer análise racional descobrirá o óbvio: o corruptor está no início, no meio e no fim do processo. Sem ele, não existiria corrupção. É ele quem toma a iniciativa de corromper, e é ele quem tem o recurso mais valioso na negociação (o dinheiro), quem estabelece as bases da proposta e quem faz o pagamento que concretiza a corrupção.

A lei reconhece essa verdade simples ao denominar os crimes como corrupção ativa (o crime do agente, do corruptor) e corrupção passiva (o crime do corrompido, daquele que aceita participar do esquema ilícito).

Reza o ditado: “Corruptos são ervilhas; corruptores são pérolas”. De um lado, uma multidão disponível e barata; do outro, poucos endinheirados. Corruptos são substituíveis: se determinado alvo faz jogo duro, cisma de ser honesto, recusa-se a aceitar propostas mutuamente vantajosas, basta uma campanha pela imprensa, um lobby num Ministério, ou mesmo uma ação mais radical, como o assassinato, e está resolvido o problema eventual. Uma autoridade mais compreensiva assume a função, e segue o jogo.

Um exemplo: há poucos anos, no Rio de Janeiro, vários responsáveis pela compra de medicamentos para os hospitais públicos foram alvos de atentado por se recusarem a fazer o jogo das empresas.
Já os corruptores são poucos e poderosos.

Portanto, um movimento inteligente de combate à corrupção focaria em três medidas básicas:

1. Ataque à causa do problema, ou seja, à fonte da corrupção: o corruptor.

2. Redação de leis inteligentes e ágeis, em que as penas fossem proporcionais à responsabilidade: no caso, uma pena bem maior para o corruptor.

3. Punições adicionais que atingissem o “bolso” do corruptor.

Por exemplo, após a condenação, a proibição de realizar, durante 10 anos, outro negócio com o Estado.

No âmbito psicossocial, esse movimento lutaria por uma cena de impacto: a foto da prisão de um corruptor. Uma situação capaz de assustar toda a cadeia (opa!) da corrupção.

Tenho certeza de que você se lembrará de uma foto semelhante, que marcou uma operação da Polícia Federal, há alguns anos (e ele foi algemado, ainda por cima…), como também se lembrará da reação imediata e surpreendente das “altas esferas” que tornou impossível repetir esse procedimento humilhante contra notórios corruptores.

Você já deve ter reparado que os interessados na continuidade do processo da corrupção e na continuidade dos benefícios financeiros, políticos e sociais advindos desse processo intuem a importância primordial de proteger, a qualquer custo, o agente da corrupção: ele é a galinha dos ovos de ouro (e dos relógios, canetas e barras de ouro, das notas verdinhas etc.).

Que fiquem em paz os maiores financiadores da mídia, da política e da advocacia.
Essa atividade de proteção, quando assumida por quem fiscaliza as ações dos homens públicos (os legisladores e a mídia), gera a situação de impunidade. Ou seja, paradoxalmente, a atividade de proteção se manifesta pela inatividade ante a ação criminosa. Basta isso. (...)

Fonte: Os lances por trás da Marcha Contra a Corrupção. AQUI e AQUI.

Ilustração: Nilton.

HQMIX 2011


Glauco é homenageado no HQMIX, o Oscar dos quadrinhos brasileiros

Para homenagear o cartunista Glauco, assassinado em março do ano passado, o artista plástico Olintho Tahara criou uma escultura do Geraldão como troféu da edição deste ano do prêmio HQMIX, o Oscar dos quadrinhos no Brasil. Pojucan, filho do artista, e a viúva, Beatriz Galvão, foram ao Sesc Pompéia na noite desta sexta-feira receber a homenagem e a estatueta. Pojucan contou que organiza a obra do pai para uma mostra retrospectiva no Centro Cultural São Paulo em 2012, reunindo material dos 30 anos de carreira do cartunista.

- Para tudo meu pai tinha um desenho para mostrar, sempre com muito humor - lembrou Pojucan. - Ele falava que eu era o Geraldinho, mas dizia o mesmo para meu irmão Raoni. Acho que Raoni era mesmo mais parecido com Geraldinho - disse o jovem artista, cujo irmão também foi morto a tiros com o pai na casa em que moravam em Osasco, na região metropolitana de São Paulo.

Muitos premiados prestaram homenagem a Glauco. Laerte foi o que mais falou do amigo e não escondeu a alegria em ganhar um Geraldão tridimensional por ter sido vencedor na categoria tira nacional, com "Piratas do Tietê".

- Fico muito emocionado em receber esse Geraldão. Toda a memória de Glauco é carregada de significados. Era um sujeito multivalente. Ele é o polvo humano, cheio de braços e pernas, mas com uma cabeça só - disse Laerte, emocionado.

Laerte voltou ao palco para receber o prêmio em nome do amigo Angeli, que venceu na categoria melhor chargista.

- Fazendo jus a fama, ele está trabalhando desesperadamente para fazer a próxima charge - contou Laerte, fazendo referência ao documentário "Angeli 24 horas", de Beth Formaggini, exibido antes do início da premiação. (Fonte: Globo.com)

Relação dos premiados: AQUI.

RICOS AFLITOS


Por Tiago Recchia.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

PRYSCILA NO HQMIX


De Mônica Bergamo: "BARBIE DA HQ - A curitibana Pryscila Vieira, 32, concorre hoje ao troféu HQMix na categoria tirinha nacional com 'Amely', que ela publica na Folha há dois anos. 'A Amely é uma boneca inflável que vem com dois defeitos de fábrica: ela fala e pensa', diz. A cartunista diz que causa 'espanto' às pessoas o fato de ser uma mulher 'normal' na profissão que escolheu. 'Imaginam que eu tenha cabelo roxo, use coturnos, mas sou uma Barbie. Vivo de salto e maquiagem.'"

................
Vive de salto e maquiagem, tem talento de sobra - e esperamos que abiscoite o troféu HQMix.

INVOLUINDO A EVOLUÇÃO

PROTEGENDO A EXORBITÂNCIA


Reportando-se à elevação do IPI sobre veículos importados adotada ontem pelo governo, um amigo, de acurado senso, observa: "No momento em que o mercado nacional de veículos começa a forçar a baixa de preços para, pelo menos, ficar um pouco mais próximo do mercado internacional, o governo brasileiro repete o que sempre fez: protege a indústria lobista local, que mantém preços absurdos e lucros altíssimos. (...)"
 
De fato, os ganhos das montadoras ultrapassam o triplo do auferido pelo mercado exterior, realidade absurdíssima. Sem contar que a elevação do imposto ontem decretada tem alcance limitado, visto que "A maior parte dos carros estrangeiros vendidos no Brasil vem da Argentina e do México, trazidos pelas montadoras que têm fábrica no Brasil, e portanto não pagam imposto de importação de 35% e também estão livres da nova alíquota de IPI, anunciada ontem pelo governo." (UOL Carros).
 
A circunstância atenuante (!!) é a de que os gordos lucros das montadoras vêm de décadas, e não seria agora, em plena fogueira da crise mundial, que se iria erradicá-los - sem contar que China e Coreia, ao que consta, não baixaram tanto assim os preços aqui praticados.

JOUMANA HADDAD


"Ser árabe é como dar murro em ponta de faca"


Por Carolina Borba

A escritora libanesa Joumana Haddad encara a cultura mulçumana, nada contra a correnteza e se consagra na literatura oriental.

Divergente dos estereótipos impostos às mulheres muçulmanas, Joumana Haddad se destaca na literatura oriental por sua linguagem ousada e assuntos polêmicos para serem tratados por mulheres da cultura árabe. A libanesa é uma das atrações confirmadas para a VII Festa Literária Internacional de Pernambuco, que este ano fará “Uma Viagem ao Oriente”, entre os dias 11 e 15 de novembro.

Jornalista literária, poeta, tradutora e escritora, Haddad é a criadora da revista Jasad – corpo, em árabe –, que é proibida em quase todos os países árabes. A publicação explora assuntos considerados tabus, como corpo e sexualidade, reservando espaço para literatura erótica e ensaios fotográficos.

Apesar disso, ela não tenta se igualar aos homens para se afirmar como uma mulher independente. Mas admite ser difícil se impor em um meio opressivo e machista, como é o caso da cultura mulçumana. No livro “Eu matei Sherazade” – recentemente publicado no Brasil – a escritora relata como conseguiu se firmar e emplacar na cultura árabe.

Mesmo com todas as adversidades, Joumana ainda continua a morar no Líbano, pois acredita que a mudança não é importável. Ela precisa ser criada dentro do seio cultural para que seja acreditada e aceita.

................
Fonte: blog do artista gráfico João de Deus Netto no Portal Luis Nassif. AQUI.

CONSULTORES DO MUNDO IRREAL


Em tempos de recessão mundial, com 'cracks' a torto e a direito, os consultores que aconselharam medidas especulativas de alto risco e levaram tubarões a dar com os burros n'água aparentemente se converteram em personas non gratas. Mas só aparentemente, visto que no nicho dos grandes bancos mundo afora, por exemplo, continua-se auferindo os tubos, mediante 'táticas' sugeridas por consultores para lá de criativos.

A SAGA DO ENSAIO VOCAL


O grupo Ensaio Vocal, criado em 1990, ostenta uma carreira de sucesso, com apresentações dentro e fora do país. No repertório, música popular brasileira e as do cancioneiro piauiense.

O vocal atualmente é formado por Luiza Miranda, Vanda Queiroz, Paulo Aquino, Ananias Júnior, Fernando Libório, Luciana Libório, Vagner Ribeiro e Aurélio Melo (idealizador do grupo e maestro da Orquestra Sinfônica de Teresina).

Para ver imagens e ouvir canções do grupo, clique AQUI.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O IMPOSTÔMETRO IMPOSTOR


Mair Pena Neto

A classe empresarial brasileira vive se queixando da "elevada" carga tributária brasileira. Há alguns anos, a Associação Comercial de São Paulo criou um impostômetro que registra quanto o brasileiro teria pago de imposto até a presente data. Os valores são sempre repercutidos pela mídia, como aconteceu nesta semana, quando o aparelho marcou R$ 1 trilhão em impostos, um mês antes do registro do mesmo valor, em 2010.

Desconfio que o impostômetro só funciona mesmo para a suposta indignação dos endinheirados. Já cansei - para usar expressão cara aos mais abastados - de ouvir falar nos valores estratosféricos registrados pelo tal aparelho, sem que desencadeie a mínima indignação popular. Chegam a ser curiosas as imagens dos protestos contra os impostos, com um bando de engravatados olhados com estranheza pela população.

Soa totalmente artificial a preocupação dos empresários com o preço do arroz, do feijão e da cachaça.
Eles não pesam nada em seus bolsos e não acredito que estejam preocupados com a carestia e seu impacto na população brasileira. Desconfio que estejam mais interessados em obter maiores lucros e elevarem ainda mais seu padrão de vida, equivalente ao dos países mais desenvolvidos do mundo.
Cansamos, valendo-me uma vez mais da expressão, de ver o governo conceder isenção fiscal para vários produtos sem que isso retornasse no preço final ao consumidor.

Imposto, como o próprio nome diz, não é algo que se pague por livre e espontânea vontade, mas sem ele nenhuma sociedade funciona. A discussão seria então sobre o tamanho da carga tributária, motivo da queixa permanente dos empresários. Se levarmos em conta a qualidade dos serviços oferecidos pelo Estado, podemos dizer que, sim, ela é alta. A educação pública não é boa, como mostrou o recente resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e a saúde não consegue oferecer um atendimento no padrão necessário com os recursos que tem. Mas estes não são serviços utilizados pelos adeptos do impostômetro, que têm dinheiro suficiente para pagar as melhores escolas para seus filhos e os mais caros planos de saúde. Os impostos precisam, isso sim, ser mais bem utilizados para garantir a melhora destes serviços, proporcionando a toda a população as mesmas qualidades de educação e saúde dos filhos dos empresários.

Por outro lado, a carga tributária não é elevada se a entendemos como necessária para um Estado com capacidade de promover o desenvolvimento econômico, de intervir nos momentos de crises globais - como o que vimos em 2008 e se repete agora -, e de oferecer bons serviços aos seus cidadãos. Injusta, por exemplo, é uma alíquota máxima de imposto de renda, que iguala profissionais com salários médios a executivos com bônus superiores a tudo que ganham em um ano. Inaceitável é que essa carga tributária recaia, proporcionalmente, muito mais sobre os pobres do que sobre os ricos. Inconcebível é não existir imposto sobre as grandes fortunas. Sobre isso, jamais se ouviu um pio dos que reclamam dos altos impostos.

No fim, tudo se resume a uma visão do papel do Estado. A turma do impostômetro é aquela que gosta do Estado mínimo e do livre mercado ditando as regras. Ela não está preocupada com universalização da saúde e da educação porque pode pagar, e bem, para tê-las. Os defensores de um Estado mais atuante e cidadão não podem cair nessa. O que é preciso é tornar mais justa a capacidade de arrecadação do Estado para que esse tipo de discurso não prospere em quem não tem nada a ver com ele. (Fonte: DiretoDaRedação).

CARTUM DE LUKAS


Caim, Abel e a Lei de Gérson.

A CARA-DE-PAU É A ALMA DO NEGÓCIO

 
Sakamoto - reproduzido no ContextoLivre
 
Dicas rápidas para fazer uma propaganda de sucesso (baseadas em exemplos coletados em rádios, TVs, jornais e revistas):
 
Antes de mais nada, para vender produtos de limpeza, coloque mulheres sorrindo ao fazer a faxina de casa. Atenção: só mulheres.
 
Depois, utilize crianças simpáticas e animais silvestres saltitantes ao fazer um vídeo institucional para uma empresa de agrotóxico. Crianças e animais fofos são como coringas. Nunca falham. Vide o Globo Repórter: na dúvida, botam sempre um especial sobre os filhotes de girafa da África ou os gorilas anões do Congo. Ibope garantido.
 
Não tenha medo de parecer ridículo. Se for de uma indústria de cigarro, defenda a liberdade com responsabilidade usando um locutor de voz séria, mas aveludada, no rádio.
 
Cative seu consumidor. Mostre que aquele SUV não polui tanto porque já vem de fábrica com adesivo “Save the Planet”.
 
Ignore a realidade. Comercial de biscoito recheado deve mostrar só crianças magrinhas. Já sanduba mega-ultra-hiper gorduroso pede uma modelo que só coma alface – e sem sal.
 
Dê um nó na legislação. Anunciar que um automóvel chega a 300km/h com um limite de velocidade de 120 km/h no país não é crime. Chegar a 300 km/h é que é.
 
O que os olhos não veem, o coração não sente. Coloque um grande desmentido com letrinhas bizarramente miúdas no final do comercial de TV para explicar que se quiser comprar um carro naquelas condições anunciadas só sendo trigêmeo, ter mais de 90 anos e vir à loja em dia bissexto do ano do Rato no horóscopo chinês.
 
Seja sarcástico. Propaganda de carne pode sim usar vaquinhas e franguinhos felizes anunciando o produto. Mesmo que o produto seja de vaquinhas e franguinhos mortos e moídos.
 
Dividir para conquistar é a melhor saída. Ter o amor pela esposa posto a prova porque a geladeira não é assim uma “Caríssima”, funciona.
 
Seja dissimulado. Se for um banco, faça um comercial para fazer crer que, para você, as pessoas são mais importantes que o dinheiro delas.
 
Diga que você é campeão de sustentabilidade. Ninguém entende mesmo o que significa essa palavra.
E você, qual a sua sugestão?
 
................
Lembrei de 'n' comerciais idiotas. Vou limitar-me a um: na tv local (Teresina), a voz do garoto propaganda de uma empresa vendedora de motos escancara: "Compre, compre, cause inveja a seus amigos!"

FOI-SE, ENFIM, O NOVAIS


Por Samuca, in Diário de Pernambuco.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

CADERNOS DE TERESINA


Em vias de lançamento a edição de setembro da revista Cadernos de Teresina, espaço da literatura, da música, do folclore, do meio ambiente, da fotografia e do humor.

A capa traz ilustração do parceiro Dino Alves.

O CASO DO JUIZ (NADA) MINEIRO


Polêmico juiz ataca instituições em despacho

O polêmico juiz Danilo Campos, da comarca de Montes Claros, no Norte de Minas, decidiu oficializar denúncias contra seus colegas de profissão, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Ministério Público, a Receita Federal e até a Polícia Federal. Segundo ele, o Brasil é um grande produtor mundial de “laranjas”, os juízes são carreiristas e omissos e a OAB se assemelha a uma “pocilga”, não sendo capaz de limpar o próprio terreiro. Para Campos, as instituições, principalmente as ligadas ao Judiciário, são responsáveis pela corrupção no país.

O desabafo foi oficializado em um despacho judicial assinado pelo magistrado no dia 22 de agosto. Ele respondia a um questionamento do advogado Antônio Adenilson Rodrigues Veloso referente a processo em que o réu é Anderson Braga e Anne Fonseca Braga, respectivamente, irmão e sobrinha do prefeito de Pirapora, Warmillon Braga (DEM). O advogado pediu a retirada de Campos da análise do processo, alegando que ele tem um caso conjugal com um vereador da cidade, oposicionista a Warmillon. O advogado usa de ironia ao se referir ao magistrado e afirma que ele não conseguiu ser promovido mesmo após anos de profissão.

Campos então proferiu um despacho acusando não só Veloso de corrupto como toda a classe da advocacia e magistratura. Ao se referir à sobrinha de Warmillon, ele a classifica como “laranja”. “Então, pelo que se vê, não é à toa que o Brasil se destaca como grande produtor mundial da fruta”, diz.

Campos se vê como minoria no mundo jurídico por ser, segundo ele, exemplo de honestidade. Ele acusou colegas de profissão de servirem a interesses pessoais. Para Campos, a representação da classe “tornou-se refúgio de magistrados carreiristas, que logravam o milagre de fazer da arriscada atuação sindical uma fonte perene de proveito para suas carreiras”. “Não é de se admirar que os tribunais tenham se convertido em zona franca da impunidade dos políticos, (que) mantendo com tanta perseverança o odioso foro privilegiado”, finaliza.

Campos ficou conhecido nacionalmente quando, em 2009, ingressou com a primeira representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra as promoções de juízes a desembargadores no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Procurado, disse que assinou a manifestação de maneira consciente. “As instituições não funcionam.” Campos disse que exerce uma atividade perigosa, pois cumpre seu papel de denunciar os poderosos.

Para ele, é inexplicável o prefeito de Pirapora possuir dezenas de processos e ainda não ter sido preso.

O delegado da Polícia Federal, Tiago Amorim, disse que a instituição sempre atuou de maneira isenta e tem como meta o combate à corrupção. O MP e o CNJ não comentaram o caso, apesar de procurados. A OAB entrará com representação contra Campos no CNJ e considerou a sua conduta como “desequilibrada”. O TJ informou que não comenta opiniões isoladas de magistrados.
(Fonte: Amália Goulart, no Hoje em Dia).

3º SALÃO MEDPLAN DE HUMOR



Recebi o catálogo do 3º Salão Medplan de Humor, que traz os desenhos selecionados e premiados em 2011, todos evocando o tema proposto - o consumismo.

Felicitamos o diretor José Cerqueira Dantas pelo sucesso do evento, e louvamos o profissionalismo do coordenador - e excelente cartunista - José Antonio Costa, o meu amigo JotaA, e de toda a equipe envolvida.

Desenho 1: JotaA. Desenho 2: cartum de Vinicius Visentini (Vinix).

CHARGE DE JARBAS

DESTINO: BRASIL


A repórter do Jornal da Globo, ontem, 13, arremata entrevista com uma senhora paraguaia: "Peruanos, bolivianos e paraguaios estão vindo para o Brasil, onde podem ganhar o dobro do que auferem em seus países de origem. O Brasil se converteu no novo Eldorado, como os Estados Unidos."

A jovem esqueceu de completar: "...como os Estados Unidos de tempos atrás".

Os EUA apresentaram em 2010 a pior situação social dos últimos 50 anos, conforme relatório divulgado pelo Escritório do Censo: 46,2 milhões de americanos estão vivendo abaixo da linha da pobreza, e a taxa de desemprego não dá mostras de sair do patamar de 9%.

E se depender do Tea Party, ops, do Partido Republicano, tudo ficará na mesma, se não piorar.

O Jornal da Globo, aliás, deveria ter oferecido informações sobre como anda o retorno dos brazucas, que vinham amargando o way of life.  

CARTUM DE TRIMANO


Luis Trimano.
Artista gráfico, 68 anos, natural de Buenos Aires, há décadas no Brasil.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

ONU VÊ SITUAÇÃO SÍRIA


Brasileiro chefiará missão de direitos humanos da ONU na Síria

O Conselho de Direitos Humanos da ONU nomeou o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro para presidir a comissão de inquérito que vai investigar violações aos direitos humanos na Síria, incluindo possíveis crimes contra a humanidade, desde o início dos protestos pró-democracia no país.

Segundo a Organização das Nações Unidas, ao menos 2.600 pessoas morreram nas manifestações desde março.

Pinheiro já atuou como investigador do Conselho em Burundi e depois em Mianmar. Ele estará acompanhado do turco Yakin Ertrk, ex-funcionário das Nações Unidas em questões do gênero, e da norte-americana Karen AbuZayd, que atuou como chefe da agência da ONU de assistência aos refugiados palestinos.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU enviará uma comissão de inquérito depois de analisar relatório do Escritório do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), cuja aprovação em agosto para ida à Síria teve a aprovação do Brasil.

"O relatório descreve uma série de abusos do governo que vão desde assassinatos, desaparecimentos, privação de liberdade e até mesmo a tortura de crianças, até uma aparente política sistemática de atirar para matar contra os manifestantes, com uso de franco-atiradores", disse um comunicado da ONU.

A embaixadora uruguaia Laura Dupuy Lasserre, que atualmente preside o fórum de 47 membros em Genebra, "destacou a importância de que as autoridades sírias cooperem completamente com a comissão", segundo nota da ONU.

Nesta segunda-feira, a Rússia rejeitou pedidos por uma pressão maior sobre a Síria pela repressão violenta aos protestos contra o presidente Bashar al-Assad.

A Rússia e a China, membros com poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, resistiram aos esforços dos Estados Unidos e seus aliados europeus de aumentar a resposta internacional à repressão da Síria.

Assad reagiu ao levante, inspirado pelas revoltas que derrubaram três líderes norte-africanos este ano, com ataques militares contra centros de protestos e prisões em massa.

A comissão de inquérito tem prazo até final de novembro para dar suas conclusões. (Fonte: Agência Reuters/Stephanie Nebehay).

................
Paulo Sérgio Pinheiro atuou também pela ONU na investigação dos massacres em Ruanda, nos anos 1990. É um dos mentores da Comissão da Verdade, que visa à elucidação de crimes praticados pelo regime militar brasileiro no período 1964-1985.

Ilustração: Jonathan Guyer (homenagem ao cartunista sírio Ali Ferzat).

EMPRENHADOS PELO OUVIDO


Belluzzo: monopólio da mídia dificulta saída para crise. O debate virou uma farsa

"O consenso em torno de certas ideias de dominância financeira - idéias que estão na origem da atual crise - não seria possível sem a sua vocalização pela mídia. Não se trata de uma teoria conspiratória, estou dizendo que isso se deu através de um processo social em que as camadas dominantes impõem as idéias dominantes.

A gente nunca pode perder essa dimensão da luta social; como ela se desenvolve e como maneja os símbolos, os significados, as palavras. Tome o exemplo da queda da taxa de juros brasileira. Isso produziu em certas pessoas (da mídia) uma estupefação; em algumas mais estupefação, em outras alguma indignação. As que ficaram mais estupefactas sempre ouviram o contrário, que era um perigo, era a ruína.

As ideias , como dizia um autor do século XIX, têm uma força material enorme - a força material das ideias dominantes. Norberto Elias, o sociólogo, dizia que é muito difícil você desconstruir um consenso como este. Daí o papel crucial da luta social e política. Ou você acha que a crise vai se resolver mecanicamente, por ela mesma? Não vai. É necessário formular alternativas.

A solução dita ‘normal' é previsível, diz o economista americano Doug Henwood, que tem uma newsletter de nome muito interessante, 'Left Business Observer'. Henwood foi encarregado de escrever sobre Wall Street, antes e depois da crise. É muito fácil, asseverou. Antes da crise, Wall Street era o locus mais poderoso de interesses políticos, econômicos e sociais dos EUA. Depois da crise, Wall Street continua sendo o locus mais poderoso de interesses políticos, econômicos e sociais dos EUA.

Um repórter que te entrevista sobre política monetária e ouve algo contrário a esses interesses, daqui e de lá, hesita em publicar; se publica o faz cheio de ressalvas. Esse jornalista foi emprenhado pelo ouvido, durante anos, para perguntar e ouvir sempre a mesma coisa.

O problema da mídia no mundo inteiro é esse monopólio de algumas empresas que veiculam a visão dominante. Elas são a classe dominante. Nos anos 50 e 60 na Europa, por exemplo, você tinha uma mídia diversificada que expressava as posições políticas distintas. As pessoas liam o 'Avanti!', o 'La Unità'... Havia debate político. Hoje você não tem debate. O que você tem é uma farsa".

(Luiz Gonzaga Belluzzo, no debate ‘Neoliberalismo, um colapso inconcluso'. ContextoLivre).

MISS UNIVERSO AGITA SISTEMA SOLAR


Por Dálcio Machado.

DA SÉRIE CLÁSSICOS DE SEMPRE


BLADE RUNNER - O CAÇADOR DE ANDRÓIDES

“O homem fez o homem à sua imagem e semelhança. Agora o problema é seu”! Que frase boa para chamar a atenção de alguém para ver um filme. Melhor ainda quando este filme oferece em um mesmo pacote quatro fatores importantíssimos: 1) É dirigido por um visionário do gênero (Ridley Scott, que havia acabado de dirigir Alien – O 8º Passageiro); 2) Tem um ator carismático no papel principal (Harrison Ford, no auge da carreira); 3) O roteiro inspira-se em um excelente livro de ficção-científica, e 4) Um orçamento generoso (foi na época o mais caro filme produzido no gênero). Blade Runner - O Caçador de Andróides, terceiro trabalho de Scott, é baseado em Do Androids Dream of Eletric Sheep? (algo como Os Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?), de Philip K. Dick, publicado em 1968. O livro é bastante diferente do filme. Nele, a ação se passa no ano de 1992, em San Francisco, não em 2019, em Los Angeles. A Terra se recupera de uma guerra nuclear que extinguiu todos os animais do planeta. Os humanos mais ricos foram morar em colônias espaciais, os menos afortunados ficaram e vivem agora em um mundo caótico, poluído e super povoado, enfrentando constantes chuvas ácidas e uma sensação de noite eterna. Deckard é um funcionário da Polícia de San Francisco, casado com Iran e que antes da guerra tinha uma ovelha de estimação. Quando oito andróides Nexus 6 fogem para a Terra, ele é convocado para caçá-los e só aceita o trabalho por causa da recompensa. Ele planeja comprar uma ovelha elétrica. Em 1969, o estreante Martin Scorsese tentou levar a história para a tela grande, sem sucesso. Muito poderia ser escrito sobre Blade Runner. Os spinners e os diversos artefatos criados por Syd Mead, os cenários futuristas desenvolvidos por Lawrence Paull e David Snyder, a trilha sonora composta por Vangelis, a direção de Ridley Scott, o desempenho de todo o elenco, o roteiro de Hampton Fancher e David Peoples, a fotografia de Jordan Cronenweth, os efeitos especiais de Douglas Trumbull, a montagem de Terry Rawlings, a produção de Michael Deeley e todas as implicações que este trabalho conjunto gerou no entendimento dos cinéfilos ao redor do mundo. É difícil encontrar dois fãs com a mesma visão. Cada um entende o filme ao seu modo, e não adianta argumentar. Existem cinco versões do filme. 1) O primeiro corte do diretor; 2) A versão do estúdio, lançada em 1982, com a narração de Deckard; 3) A primeira versão do diretor, sem a narração e com o final diferente; 4) A segunda versão do diretor com um novo tratamento de cor e 5) A versão definitiva do diretor (que Ridley Scott jura ser a última) com um novo tratamento de cor e algumas poucas imagens adicionais. Todas essas versões fazem parte da edição especial lançada em DVD e Blu-Ray. Blade Runner é um dos filmes mais influentes das últimas décadas. Basta observar o que foi produzido a partir de 1982, não só em filme, mas também em histórias-em-quadrinhos. Alguns exemplos: RoboCop, O Cavaleiro das Trevas (HQ de Frank Miller), os dois primeiros filmes da série Batman (de Tim Burton), Chuva Negra (do próprio Scott), O Quinto Elemento, Juiz Dredd (HQ e filme), O Exterminador do Futuro, Estranhos Prazeres, O Corvo e a série Matrix. Blade Runner é um clássico genuíno que resistiu ao teste do tempo e influenciou outras obras. Além de tudo isso, é um autêntico filme de autor, cheio de pequenos detalhes que só quem o viu repetidas vezes e com bastante atenção é capaz de detectar na totalidade e sentir o que ele realmente é: uma experiência única.

BLADE RUNNER - O CAÇADOR DE ANDRÓIDES (Blade Runner - EUA 1982). Direção: Ridley Scott. Elenco: Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young, Brion James, Daryl Hannah, Edward James Olmos, James Hong, Joanna Cassidy, Joe Turkel, M. Emmet Walsh, Morgan Paull e William Sanderson. Duração: 117 minutos. Distribuição: Warner.

Marden Machado - in CINEMADEN.
................

Simplesmente um filmaço - para ser visto várias vezes.

AJUSTES NA GRÉCIA


Por Amorim.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

BANCO CENTRAL DESBANCADO


Assalto em surdina

Ruy Castro

Às 23h30 do dia 27 de agosto, um sábado, 12 homens invadiram a agência do banco Itaú na avenida Paulista, em São Paulo, renderam o vigia e, pelas dez horas seguintes, dedicaram-se a saquear 170 cofres particulares numa sala do subsolo. O sistema de alarme, inclusive o que protege os cofres, foi desligado pelos bandidos antes da ação, embora o monitoramento desse sistema fique numa central distante da agência (não se informou onde).

Às 9h30 de domingo, os bandidos deixaram o banco levando milhões de reais em dinheiro e joias, com tempo de sobra para passar o dia lavando o carro ou pegar a macarronada na casa da nonna. Ao tomar conhecimento da tragédia, horas depois, o banco registrou queixa no 78º DP (Jardins). As vítimas só foram saber do assalto na quarta-feira, 31 de agosto, três dias depois, aparentemente porque um cliente descobriu e contou a outros.

Mais cinco dias se passaram até que a Polícia Civil encaminhasse o caso ao Deic (departamento da polícia especializado em roubo), a 5 de setembro. E este também esperou até o dia seguinte para ir ao local do crime e iniciar oficialmente as investigações. Do assalto a esse dia, foram, portanto, nove dias para que incontáveis pistas inevitavelmente deixadas por 12 homens durante 10 horas num recinto ficassem comprometidas.

Sherlock Holmes e seus discípulos Philo Vance, Bulldog Drummond, o Santo, o padre Brown, Ellery Queen, Hercule Poirot, Miss Marple, Charlie Chan, Dick Tracy, Nero Wolfe, Lew Archer e outros especialistas em pegadas e impressões digitais teriam ido ao desespero com essa morosidade geral.

O prejuízo dos 170 clientes varia, no mínimo, de R$ 1 milhão a R$ 3 milhões por vítima, o que torna esse roubo talvez o maior da história dos bancos no Brasil. E aquele que ninguém parece ter muita pressa para resolver.

................
Prejuízo por vítima: R$ 1 milhão a R$ 3 milhões. A mídia dá conta de que o banco Itaú se dispõe, espontaneamente, a dar a cada uma delas o valor de R$ 15 mil (quinze mil reais). Juridicamente, os bancos não respondem pelo conteúdo dos cofres particulares...

PESADELO GREGO


A economia da Grécia sofreu contração de 7,3% no segundo trimestre do ano, acima dos 6,9% estimados pelo Governo, devido ao impacto das duras medidas de austeridade e economia aplicadas para reduzir o déficit.

A economia continuou caindo entre abril e junho, devido à "redução em 17,9% dos investimentos líquidos".

A taxa de desemprego em junho ficou em 16%, levemente inferior a 16,2% do mês anterior.

Outros dados publicados nesta quinta-feira, desta vez pelo sindicado patronal, apontam que 25% das lojas do país fecharam as portas desde agosto de 2010.

Nos últimos cinco meses, o setor da construção registrou redução de 46%.

O próprio ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, reconheceu há poucos dias que a recessão neste ano chegará perto de 5%, contra os 3,8% inicialmente previstos.

Missão técnica da UE, Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional preparam o reatamento de conversas entre Atenas e os inspetores internacionais sobre as reformas exigidas à Grécia e desenhar o orçamento de 2012. (Fonte: Agência EFE).

................................
Para o destino da Grécia estão rumando Portugal, Espanha, Irlanda, Itália... Todos seguindo ou prestes a seguir o receituário dos agentes acima citados. Se o Brasil estivesse sob as asas da ALCA, a exemplo do México (que amarga situação desconfortável), com certeza estaria engrossando a lista. A disseminação de parcerias e a dinamização do mercado interno são o antídoto acionado pelo Brasil contra a recessão. O resto é torcida contra, distorção de fatos e ranger de dentes.

Ilustração: Kountouris.

CARTUM DE BOSC

domingo, 11 de setembro de 2011

RESUMO DO ONZE


Dos 'n' textos lidos sobre o atentado de 11 de setembro de 2001 contra os EUA, reproduzo o do jornalista Janio de Freitas:

A QUEDA

As celebrações e as atividades jornalísticas e políticas a propósito do 11 de Setembro não se fazem a propósito de vitória. E se não o fazem, dissociados da visão gloriosa que o Ocidente tem de si mesmo, é por não poderem fazê-lo. O acontecimento de 11 de setembro de 2001 não se completou ainda.

A concepção histórica e social, religiosa e combatente que gerou o ataque vitorioso às torres simbólicas não deu sinais, nestes dez anos seguintes, de que as respostas ocidentais a tenham reduzido à vida vegetativa. Para nem falar em extinção. Está viva, sem sinal de derrota próxima, na geografia hostil às forças norte-americanas e outras que se enredam em mortandade até hoje sem efeito além da mortandade mesma. A par de ser esse enredamento a causa, agravante senão originária, de gastos que têm uma quota alta de responsabilidade na crise do poder e da vida nacional nos Estados Unidos.

Nos dez anos recentes, nada, entre os norte-americanos, pôde desfazer-se por completo das influências decorrentes do 11 de Setembro. O poder policial agigantou-se a ponto de se tornar inconciliável com a democracia. E o medo conferiu-lhe primazia sobre os direitos gerais de cidadania, tornados alcançáveis e vitais desde que enfim abolida a discriminação racial há cerca de 50 anos.

Nada na vida social, política e militar americana voltou à sua natureza depois da derrubada das torres gêmeas. O que Barack Obama prometia era a superação dessas condições, a começar da retirada quase imediata das tropas invasoras do Iraque e do Afeganistão. Desistiu ou fracassou, não faz diferença. Nem os arremedos e promessas de retirada futura têm sequer o mínimo de crédito. A arrogância natural dos norte-americanos, fruto personalizado do seu êxito nacional sobre o planeta, continua a mesma, porém minada por sentimentos de insegurança e por interrogações até aqui insuperáveis. E, pior, sem indícios de se deixarem superar em tempos mais ou menos próximos.

As celebrações nos Estados Unidos e a abundância da rememoração jornalística do 11 de setembro de 2001 ocupam-se da dor e do pasmo de uma derrota que não teve, e não se sabe quando e se terá, o seu reverso.

................
Ilustração: Basquiat.