sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

XADREZ DOS PRIMEIROS DIAS DO GOVERNO MILITAR, POR LUIS NASSIF

(Ilustração: GGN).
Xadrez dos primeiros dias do governo militar 
Por Luis Nassif

Passo 1 - juntando as peças do jogo

Vamos juntar algumas peças dos discursos de posse e das declarações do novo governo Jair Bolsonaro.
* Sua promessa de extirpar o socialismo e o marxismo do país.
* A proposta de unificar a Nação.
* A proposta do Ministro das Relações Exteriores de abrir a estrutura do Itamarati a não diplomatas.
* A proposta do Ministro da Educação de transformar as escolas municipais em escolas militares.
* A entrega da demarcação das terras indígenas, dos quilombolas e o manejo florestal aos ruralistas do Ministério da Agricultura.
* As promessas de enxugamento radical do Estado e de abertura comercial.
* O tratamento conferido à imprensa no dia da posse.
* O anúncio de caça às bruxas em cargos de confiança e a nomeação de nomes fieis à causa, conforme explicação de Onix Lorenzoni, o pecador absolvido por Sérgio Moro.
* A inclusão de quadros militares em várias áreas da administração, incluindo a Caixa Econômica Federal.
* Na posse do Ministro da Defesa, Bolsonaro deixou escapar que houve articulações com o general Eduardo Villas Boas, comandante-chefe das Forças Armadas, que estimularam sua candidatura. Ou seja, o Poder Militar e o Poder Jurídico se juntaram para manter Lula fora do jogo e viabilizar a candidatura Bolsonaro.
* As declarações de Paulo Guedes sobre a reforma da Previdência, colocando como fator de iniquidade os benefícios para o Judiciário e para a alta administração pública.

Passo 2 - as conclusões iniciais

As conclusões que se tiram:
Conclusão 1 - o que se configura pela frente não é o despotismo, isto é, o governo despótico de um indivíduo, uma família ou grupo. O poder, agora, está com as altas patentes militares, que se veem imbuídas de uma missão salvacionista. É poder que veio para ficar. O salvacionismo consiste em matar o mal pela raiz, interferindo em todos os sistemas que permitem a propagação do socialismo e da corrupção. Portanto, não é discurso restrito a Bolsonaro.  Xadrez dos primeiros dias do governo militar Por Luis Nassif
Conclusão 2 -  No tocante às relações externas, há clareza sobre o chamado interesse nacional.  A racionalidade militar impedirá tolices fundamentalistas de Bolsonaro, como a adesão incondicional a Israel e aos Estados Unidos.
Conclusão 3 - Em relação ao quadro interno, há sintonia com o pensamento de Bolsonaro. Acredita-se piamente na ameaça vermelha, no marxismo nas escolas, nos barbudinhos comunistas do Itamaraty.
Quando se fala em coesão nacional, portanto, não se está pensando em conciliação em torno de objetivos maiores, admitindo a pluralidade de ideias, só possível dentro de um quadro de normalidade democrática. Persegue-se a coesão excludente, na qual só caberão os homens bons, que se unirão no combate aos pervertidos.

Passo 3 - a estratégia de legitimação

Na fase inicial do governo Bolsonaro, há alguns fatores de legitimação pela racionalidade:
1. Atualmente, os militares no governo atuam como um freio às pirações do fundamentalismo-religioso da família Bolsonaro.
2. Atuam como uma barreira aos negócios engendrados pela ala dos financiadores de Bolsonaro. A indicação de militares para o Ministério da Infraestrutura e para a presidência da Caixa Econômica Federal, por exemplo, foi vista com alívio por quem acompanha os jogos de lobbies na área pública.
3. Depois do completo abandono da área de segurança, pelos ex-Ministros José Eduardo Cardoso, Alexandre de Moraes e Torquato Jardim-Roberto Jungmann, por justiça reconheça-se que a reestruturação do Ministério da Justiça, por Sérgio Moro, pelo menos no papel, mostra uma retomada dos conceitos originais do Plano Nacional de Segurança. Permanecem as ameaças de uso político do Ministério e do COAF, mas que não afeta a base de apoio de Moro.
4. Um discurso surpreendentemente cidadão do Ministro Paulo Guedes, sobre a reforma da Previdência, explicitando de forma corajosa uma realidade, em geral, escondida pelo pensamento liberal (https://goo.gl/CRUjuh):  “A Previdência é uma fábrica de desigualdades. Quem legisla tem as maiores aposentadorias. Quem julga tem as maiores aposentadorias. O povo brasileiro, as menores”. Das palavras aos fatos, há várias montanhas a serem escaladas.
Os dois pontos centrais de legitimação do novo militarismo, portanto, são a volta do crescimento e a segurança pública.
Antes de voltar ao caso brasileiro, algumas lições da história.

Passo 4 - os militares e a política

Montesquieu, o pai da ciência jurídica, o pensador que imaginou o sistema de “freios e contrapesos” na democracia, desenvolveu seus estudos a partir da análise da glória e decadência do Império Romano, na obra “Considerações sobre as causas da grandeza dos romanos e da sua decadência”.
Dois fatores ajudaram na coesão da nação.
O primeiro, a democracia romana, a divisão do poder, do qual o Povo participava do processo legislativo e da escolha dos Magistrados. E, com os poderes se fiscalizando, havia mais preocupação com o bem-estar da população, com o fortalecimento do conceito de Nação e com a busca da legitimação que fortalecesse a coesão interna.
A ideia aglutinadora era o da expansão infinita do Império Romano. As conquistas asseguravam aos militares a propriedade de terras e aos cidadãos a entrada de mais riquezas, com o controle de novas rotas de comércio.
Com a concentração de poder, que começa com a era César, cai a legitimidade do Senado e do Judiciário. Entra-se em um período de grande segurança interna, agravada pela violência militar, da qual o exemplo mais atrabiliário eram os centuriões; e pela insegurança jurisdicional, com os julgamentos dependendo da corrupção ou intimidação dos juízes. É o início da decadência.
E, aí, comprova-se a máxima de Montesquieu: “Todo homem que tem poder é levado a abusar dele”.

Passo 5 - o caso brasileiro

Vamos transplantar a velha ordem romana para o caso brasileiro. A próxima fase sugere um sistema de poder desequilibrado, com o estamento militar se sobrepondo ao político e ao jurídico.
A lógica militar não comporta a presença do déspota - individualmente ou em grupos. O governo autoritário só se legitima, perante a tropa, se houver a alternância de mando.
Assim como no caso romano, trata-se de um modelo que só se sustenta pela expansão do império, distribuição das benesses e perspectiva, de militares que estão de fora, de, em algum momento, ser aceito no baile.
No caso brasileiro, não significa a conquista de outros países, mas a ampliação do controle do Estado. Conquistam-se mais territórios na máquina, abre-se espaço para a colocação de mais companheiros.
Trata-se de uma lógica de grupo, inexorável, que independe das melhores intenções manifestadas no começo do processo.
Essa dinâmica fará com que, cada vez mais, se amplie a influência militar na máquina pública.
A lógica militar, com sua disciplina e normas, é incompatível com formas difusas de organização política e econômica. No caso da política, na fluidez e nas formas de articulação da democracia. No caso da economia, da auto-regulação dos mercados. Faz parte da formação militar procurar manter todos os fatores sob controle.
Em breve, os fatos atropelarão o discurso do livre mercado.
Mas a permanência, ou não, no poder, dependerá do que entregarem à população.

Passo 6 - os desafios para a militarização

Tome-se a reforma da Previdência. O discurso de Paulo Guedes tem legitimidade, senso de justiça. Mas, colocado em prática, significaria um rompimento radical com o estado patrimonialista. E parte desse Estado é elemento integrante do governo Bolsonaro.
Vamos repetir sua declaração, por surpreendente: “Quem legisla (os políticos) tem as maiores aposentadorias. Quem julga (o Judiciário) tem as maiores aposentadorias”. E onde entram os militares? Segundo o general Hamilton Mourão, o verborrágico vice-presidente, é necessária uma conversa com o Supremo (para mostrar o peso do Judiciário no orçamento), mas o custo das Forças Armadas não pode ser visto como privilégio, mas compensação pela vida dura nos quarteis. Mas como ficariam as aposentadorias herdadas por filhas de militares? E a lógica do militar passar para a reserva com aumento do soldo, na forma de promoção?
Faz parte de quem se torna poder, exerce-lo em sua plenitude.
Será difícil para Guedes atingir seus objetivos abrindo essa exceção para os militares. Significaria se indispor com peças essenciais do sistema de poder que levou Bolsonaro à Presidência, tendo o principal avalista do sistema – os militares – sem legitimidade para tratar do tema.
Caso falhe essa entrega, sempre restará o álibi intemporal da guerra. Portanto, a saída política para qualquer impasse será caçar os suspeitos de sempre.
(Correção  
Mensagem do leitor Alex [Mensagem inserida por Luis Nassif]:
... "mas o custo das Forças Armadas não pode ser visto como privilégio, mas compensação pela vida dura nos quarteis. Mas como ficariam as aposentadorias herdadas por filhas de militares? E a lógica do militar passar para a reserva com aumento do soldo, na forma de promoção?"
Caro Nassif, acredito que você cometeu alguns equívocos. Desde a Medida Provisória 2215/2001 que os militares não mais passam para a inatividade recebendo os proventos do posto acima. E para os militares que entraram nas forças armadas após a medida provisória 2215 não existe mais a possibilidade das filhas herdarem a pensão do titular. Seria bom uma correção. Grato. Alex).
(Fonte: Jornal GGN - aqui -, de que Luis Nassif é titular).

TEMPO TEMPO


Seyran Caferli. (Azerbaijão).

CARTUNISTAS NÃO PERDOAM

.Uns, de forma sutil...

Alexandre Beck.

...Outros, de modo curto e grosso


Jota Camelo.

ESTE JÁ NÃO MAIS É O MEU PAÍS


"Muito estranho, mas é verdade: estou me sentindo uma espécie de "estrangeiro" onde nasci e sempre vivi.

Esta inadaptação pode resultar um pouco da minha idade. O velho não tem muita paciência e se torna muito exigente com as coisas em geral.

O fato é que não gosto da nossa imprensa empresarial; não mais gosto do que faz o nosso sistema de justiça criminal; detesto a maioria dos governantes que hoje tomam ou tomaram posse; nunca gostei do nosso modelo de sociedade, injusto, capitalista, desigual, individualista e hipócrita; estou decepcionado com o nosso povo que escolheu, para Presidente da República, uma pessoa asquerosa (adepta da tortura e do extermínio de seus adversários).

Acho que estou assistindo à derrocada de quase todos os valores que sempre estiveram presentes em minha vida, pelos quais sempre lutei.
Enfim, não gostaria de terminar a minha existência no seio de uma sociedade tão ruim como esta.
Não posso deixar de registrar o meu desencanto com a "comunidade jurídica", onde me realizei profissionalmente. Explico.
Salvo as sempre existentes exceções, os juristas de meu país estão absolutamente omissos diante da chegada de algo muito parecido com o fascismo.
Muitos a tudo se submetem, por opção ideológica mesmo, outros por mero oportunismo e carreirismo. A maioria dos advogados não quer comprometer sua atividade profissional e continua a bajular ministros e desembargadores ou poupa de críticas as mazelas do nosso Poder Judiciário.
A maior parte da juventude, mormente os estudantes, está alienada e só pensa em seus interesses mais imediatos. Viciadas em tecnologia, as novas gerações se afastam, cada vez mais, da cultura, do conhecimento científico, das lutas sociais e do conhecimento histórico. Justiça social não é, nem de longe, uma de suas principais preocupações. Mais importante é trocar o celular por um de última geração... Os outros ... são os outros ...
Nos atuais dias, poucos se preocupam com a dor alheia, poucos se preocupam com o sofrimento dos outros.
Hedonismo e individualismo estão cada vez mais predominando em nossa sociedade, competitiva e alienante.
A minha derradeira esperança, para mudar todo este deletério estado de coisas, era a rebeldia dos jovens, que pouco teriam a conservar. Decepção. Dentre eles, não é muito fácil encontrar uma consciência verdadeiramente crítica.
Nos dias de hoje, muitos jovens são levados, facilmente, pelos modismos criados pelos projetos empresariais, muitos destes projetos comerciais são concebidos no estrangeiro. As crianças estão robotizadas pela gananciosa propaganda, sob os olhares complacentes de seus pais infantilizados.
Seria infindável a minha "choradeira". Mas quero terminar lamentando o crescente fundamentalismo religioso que, indevidamente misturado com a política, cria condições para uma sociedade obscura, conservadora e inimiga da cultura e do conhecimento científico. A razão perde espaço para as crendices. A lógica perde espaço para o raciocínio de difícil entendimento.
Mais uma vez confesso que não sei o que fazer. Entretanto, sei que não posso deixar de fazer alguma coisa. Estou achando que aqui não é o meu lugar. Parentes, alguns poucos amigos e vocês, leitores desta página, ainda me dão alguma esperança de eu poder fazer alguma coisa útil neste ambiente tão hostil.
Como disse em mensagem anterior, parodiando uma linda música de Victor Heredia, ouso dizer que ainda sinto estar "vivo entre tantos mortos". Enquanto continuar achando que realmente a vida vale a pena, vou continuar tentando ressuscitar alguns destes zumbis ...".  





(De Afrânio Silva Jardim, post intitulado "Este já não mais é o meu país", publicado no GGNAqui.
Afrânio Jardim é professor associado de Direito da Uerj, segundo ele mesmo, 'por pouco tempo'.

O texto suscita reflexão sobre como, de certa forma, funcionou exitosamente a tática jurídico-midiática de incutir na opinião pública, em especial nos jovens, a impressão - melhor seria dizer convicção - de que todos os defensores do Estado Forte são corruptos. Tal tática perdurou ao longo de anos, ante a inoperância dos estatistas no sentido de, mediante uma abrangente e democrática política de comunicação, apontar a verdadeira dimensão do problema. Resultado: o que se está a ver. 
Em decorrência, afigura-se 'natural' o sentimento que ora angustia o veterano professor - e certamente muitos outros cidadãos brasileiros.

Felizmente o professor reage ao final, para dizer "que ainda sinto estar 'vivo entre tantos mortos'. Enquanto continuar achando que realmente a vida vale a pena, vou continuar tentando ressuscitar alguns destes zumbis").

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

ANO VELHO, ANO NOVO


Veronezi.

OLHO NOS VÍDEOS


Olho nos Vídeos


.Bom Dia:
Sobre a equipe de governo .................... AQUI.

.Leonardo Stoppa:
Live da tarde ....................................... AQUI.

.Política Brasil:
a) Moro: pressão sobre o STF ................ AQUI.
b) Bolsonaro e a promessa de Haddad .... AQUI.

.Boa Noite:
O PT continua na mira .......................... AQUI.

....
(Diante da ampla - e simpática - cobertura oferecida ao novo governo pela mídia em geral, é importante conhecer a opinião do 'outro lado', como dizia, e ainda diz, a Folha).

OS ÍNDIOS E SUAS TERRAS


Pelicano.

A CARTA BRASILEIRA DE BENJAMIN NETANYAHU

.
'Países não fazem cortesias, países têm interesses e não se comportam por pura empatia.' De fato. Entretanto, ao abordar a questão da parceria Brasil Israel e a anunciada intenção de transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, é preciso levar em conta as relações entre o presidente Jair Bolsonaro e lideranças pentecostais. Que compromissos o então candidato assumiu? Líderes do Cinturão da Bíblia, que abrange amplo território do sudeste dos EUA, exercem forte influência sobre igrejas evangélicas do Brasil. E quanto ao mundo árabe? E quanto à geopolítica? E quanto à tradição diplomática e o pragmatismo comercial? Boas perguntas. 

M. Jacobsen.

A carta brasileira de Benjamin Netanyahu

Por André Araújo  
  
O Primeiro Ministro de Israel não é político de perder tempo. Já foi várias vezes aos EUA, país que é seu único aliado, lá fica horas e volta para controlar a turbulenta política israelense, das mais complicadas do mundo, com população muito diversificada, de espectro ideológico de esquerda à extrema direita. Netanyahu é do Partido Likud, conservador, mas precisa de apoio de partidos mais à direita para se equilibrar, está longe de ser uma unanimidade em Israel; é dos políticos mais contestados, especialmente pelos israelenses mais cultos e sofisticados intelectualmente, e agora enfrenta também sérias acusações de corrupção e está com o cargo sob ameaça.

O Brasil deu a esse político astuto uma ótima carta, um presente no oferecimento de uma improvável aliança ideológica, algo impensável dentro de um conceito elementar de geopolítica.  Países não fazem cortesias, países têm interesses e não se comportam por pura empatia. 

Sob o ponto de vista estratégico, a aliança lógica do Brasil é com o mundo árabe, grande comprador de produtos brasileiros no setor de proteína animal, atividade que emprega muitos brasileiros tanto na área agrícola como na industrialização. Junto com o Irã, o mundo árabe é o maior mercado para a carne de frango do Brasil, um mercado que levou décadas para conquistar porque depende de métodos de abate ajustados à cultura muçulmana.

A tácita aliança do Brasil com o mundo árabe é antiga, vem da viagem do Imperador Dom Pedro ao Líbano em 1870, o que provocou uma grande emigração de sírio-libaneses. A primeira grande diáspora antes da Primeira Guerra, uma segunda diáspora entre 1920 e 1930 e uma terceira depois dos conflitos provocados pela instalação do Estado de Israel. Por essa grande imigração o Brasil tem hoje a maior colônia árabe do mundo fora do Oriente Médio.

16% da população brasileira têm ascendência árabe, algo como 32 milhões de brasileiros. Em nenhum outro Pais se conheceu a ocorrência de tantos governadores, prefeitos, congressistas de origem árabe. A maior cidade do País teve quatro Prefeitos de sobrenome árabe, 11 Estados brasileiros foram governados por descendentes de árabes. Então é uma aliança de interesse econômico, social, populacional e também cultural.

Não há remotamente algo semelhante com Israel, País que compra pouquíssimo do Brasil mas quer vender muito. O número de judeus no Brasil é de 130.000, nem remotamente comparável ao da população de ascendência árabe e concentrada em três polos: os árabes estão por todo o Brasil.

A aliança estratégica com o Iraque, estabelecida no Governo Geisel, foi crucial para o Brasil ser abastecido de petróleo enquanto estava em moratória. O Iraque aceitando pagamento em produtos brasileiros. O Brasil desenvolveu sua indústria bélica com encomendas do Iraque e da Arábia Saudita.

No desdobramento diplomático o Brasil segue a linha geral da União Europeia, da China, da Rússia e dos países asiáticos no sentido de respeitar os direitos territoriais do povo palestino. No lado contrário, ignorando esses direitos, só existe um País no mundo, os EUA, único aliado de Israel.

Portanto uma aliança diplomática com Israel não tem nenhuma conexão com a lógica da geopolítica brasileira, é algo exótico e onde o Brasil não tem nada a ganhar. Para comprar produtos israelenses basta pagar, não precisa ter aliança, estamos dando de graça vantagens diplomáticas sem contrapartida.

Por essa razão o Premiê de Israel ficou seis dias no Brasil, algo que não é normal na sua apertada agenda. A carta brasileira é valiosa para ele em um momento de baixa e perigo; está levando para Israel uma vantajosa aliança DE GRAÇA, não precisou dar nada em troca, o Brasil lhe deu um presente.  -  (Aqui).

DA SÉRIE A AMÉRICA PARA OS AMERICANOS


Mariano.

DA SÉRIE POLÊMICAS INTERMINÁVEIS

Zop.
....
Entreouvido insidioso:
"Quais os argumentos em defesa?"
"Todos. Munição não me falta!"

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

NA VERTIGEM DA RODA VIVA

                            (Chico Buarque e Miúcha)

Na vertigem da Roda Viva 

Por Humberto Werneck

Chico já não era apenas ‘o irmão da Miúcha’ quando, no começo de 1965, o escritor e psicanalista Roberto Freire – então à frente do recém-criado TUCA, o Teatro da Universidade Católica de São Paulo – lhe propôs um desafio: queria que ele musicasse o poema Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto, que o grupo ia encenar. Roberto conhecera Chico justamente através de Miúcha, sua amiga, que o arrastou para um show no Colégio Santa Cruz, aí por 1961, 1962. “Você precisa ouvir”, ela dissera, “umas coisas que o meu irmão mais novo está fazendo”. O escritor não ficou nada impressionado com “o tal do Carioca – tímido, gago, atrapalhado, superbonito mas tocando um violão danado de ruim”. Miúcha insistiu e nos primeiros meses de 1965 levou Chico à casa de Roberto Freire, numa noite em que lá estavam, entre outros, Alaíde Costa e Geraldo Vandré. Dessa vez ele cantou Pedro pedreiro, composta havia pouco – tinha sido apresentada numa daquelas produções de Walter Silva no Paramount, BO 65, no dia 29 de março. “Fiquei vidrado”, lembra Roberto. 

(Extraído do blogue Poesia contra a guerra, o excerto acima integra o livro Chico Buarque, letra e música, 2 vols. Companhia das Letras, 1989).

OLHO NOS VÍDEOS


Olho nos Vídeos


.Boa Noite 247:
As primeiras medidas de Bolsonaro .............. AQUI.

.Rui Costa Pimenta:
O início do governo Bolsonaro ..................... AQUI.

(Diante da ampla - e simpática - cobertura oferecida ao novo governo pela mídia em geral, é importante conhecer a opinião do 'outro lado', como dizia, e ainda diz, a Folha).

PADRÕES MAIS LIBERAIS NO FRONT


Genildo.

VOLTANDO À PRISÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA


Vimos no Uol que "Moro promete endurecer leis contra crimes e garantir prisão em 2ª instância" - aqui -. 

De forma sucinta, destacamos uma particularidade: o inciso LVII do artigo 5º da Constituição diz expressamente: "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". Eis, de forma clara, a presunção de inocência, um dos preciosos direitos e garantias individuais assegurados. Direitos preciosos? Sim, a ponto de a própria Constituição estabelecer, em seu artigo 60, § 4º, que não podem ser abolidos em hipótese alguma, seja por lei (evidentemente), seja por emenda constitucional (esta, aliás, nem sequer poderá ser objeto de deliberação).

Acontece que tempos atrás o STF resolveu 'mexer' na Carta Magna, atropelando o Direito e 'descontrolando' o controle de constitucionalidade, ao deliberar no sentido de que o réu poderá ser definitivamente preso - em suma: ser, desde logo, considerado  culpado - na hipótese de a condenação vir a ser ratificada por decisão colegiada, colegialidade essa que se materializa a partir da segunda instância.

E quanto aos eventuais recursos cabíveis? O preso poderia acioná-los, mas, preso, por 'culpado', assim rezou o Supremo. Aspas em 'culpado'?! Como assim? Quer dizer, então, seu leniente, que se o réu, endinheirado, fosse um elemento de alta periculosidade, um baita escroque, membro de organização criminosa, iria poder defender o seu direito constitucional numa boa, livre e leve?! Nada disso. Para tal situação, o artigo 283 do Código de Processo Penal já prevê a decretação de Prisão Preventiva! Ué, sendo assim, por que o Supremo 'mandou ver', passando por cima da Lei Maior ao decidir como decidiu? Boa pergunta.

Quem defende o combate sem trégua à corrupção? Todos os cidadãos íntegros. Mas, é imperioso agir em sintonia com a Constituição Federal, que deve prevalecer sobre todos. A propósito, foi exatamente a dessintonia entre algumas das medidas alinhadas e a Carta Maior que determinou a "deformação" - segundo alegou o Ministério Público -, pelo Congresso Nacional, do projeto que visava a constituir um pacote anticorrupção apoiado por, segundo o MP, dois milhões de cidadãos brasileiros. (E note-se que nem aludimos, aqui, a assembleia constituinte, tampouco a teoria da proibição do retrocesso...).

Sintomaticamente, o superministro, em seu anúncio desta data, afirmou inspirar-se no "plenário do STF" ao propor as novas medidas.

A ver, portanto.

....
Nota: O Uol foi preciso em sua manchete: "Moro promete... garantir prisão em 2ª instância". A palavra 'garantir' sugere definitividade, deixando patentes as bases mutáveis, movediças, que ora sustentam o mecanismo. Ao contrário do diz taxativamente o inciso LVII ao artigo 5º da CF, desvirtuado, lamentavelmente, em algum ponto fora da curva.

FAROL 2019


Iotti.

SOB NOVA ARQUITETURA


Brum.

COMEÇOU A ODISSEIA BRASIL


Tacho.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

OLHO NOS VÍDEOS


Olho nos Vídeos


.TV Brasil:
A posse presidencial de Jair Bolsonaro .......... AQUI.

.Boa Noite 247:
Imprensa comeu o pão que... ...................... AQUI.

MJC: MOVIMENTO DOS JORNALISTAS CERCEADOS

."Imprensa é tratada com descaso na posse de Bolsonaro" - Aqui.
."Mônica Bergamo detalha a maior humilhação 
da história da imprensa brasileira" - Aqui.

Genildo.

SOBRE O NOVO PRESIDENTE


"Enfim, Jair Messias Bolsonaro sobe a rampa nesta terça-feira (1°) para receber a faixa presidencial.

Carrega uma autoconfiança e um desdém com o contraditório poucas vezes vistos. A parentada se esbalda em exibir camisetas com recadinhos para a malta e em congestionar as redes sociais com toda a sorte de regras sobre como estão certos e sobre como são a redenção para tudo isso que está aí. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos e eles acima do Brasil, de Deus e de todos.

Veja a promessa de facilitar a posse de armas para o “cidadão de bem”. Você já deve ter calo nos ouvidos de tanto escutar policiais recomendarem não reagir a assaltos. O bandido tem a seu favor o elemento surpresa, a prática. E sua vida sempre vale mais do que qualquer bem material.

Mas os Rambos de botequim não estão preocupados com estudos, lógica, racionalidade, essas besteiras.
Enxergam-se como um Lee Van Cleef de barriga avantajada e pantufas a acertar testas de malandros, todos lerdos e ruins de mira, em um desempenho que policiais treinados muitas vezes não conseguiram ter.
E não vamos falar aqui de brigas com vizinho, violência doméstica, disparos acidentais ou de crianças e adolescentes fuçando o armário. Não, vamos tentar entender o que define um cidadão de bem apto a se armar. Para bolsonaristas, quem não tem antecedente criminal, ora bolas.

Como o cidadão de bem que entrou no último dia 11 em uma igreja em Campinas e meteu chumbo em quem estava ao redor. Ou o cidadão de bem, sem antecedentes, que disparou em 2011 mais de 60 vezes em uma escola do Rio, matando 12 adolescentes. Ou estariam eles se referindo aos cidadãos de bem que cometeram mais de 2.000 feminicídios no país, em 2016 e 2017, muitos sem nem unzinho antecedente criminal?

Os Bolsonaros sobem a rampa com a mão no coldre e de salto alto. Com soberba e ouvidos moucos a críticas. Como realizaram o milagre de vencer a eleição contra todos os prognósticos, parecem não ter dúvida de que irão acertar o alvo outra vez."





(De Rainier Bragon, artigo intitulado "Bolsonaro sobe a rampa com a mão no coldre e de salto 15", publicado na edição de hoje, 1º de janeiro, da Folha, reproduzido no blog Tijolaçoaqui. 

A cerimônia de posse do presidente mobilizou muitos brasileiros, mas, ao que informa a imprensa, os 115 mil que teriam comparecido à Esplanada ficaram a milhas dos 500 mil esperados [segundo dias antes divulgara a própria imprensa]. Não obstante, foi um número expressivo. Entre os pontos que teriam marcado a posse - da qual só vimos pequenos trechos -, o discurso em sinais da mulher do presidente, a ovação ao superministro ex-juiz [mas essa seria mais do que óbvia!!], as precárias condições a que foram submetidos os jornalistas incumbidos da cobertura e o fato de em seu discurso Bolsonaro haver desancado o 'socialismo' [quanto a isso, se o empossado teve como foco crítico os programas sociais implementados nos governos petistas - e teve, claro -, estamos todos à beira do pior dos mundos, o que também não causará surpresa, conforme, aliás, analistas como Mário Vitor - aqui - anteciparam]. Reflexões valiosas certamente serão oferecidas pelos observadores que viram a íntegra da solenidade e sacam da arte de ler nas entrelinhas).

NEW TIME CARTOON


Milton Cueva 'Kerry'.

O 'HARMÔNICA' E A 'VINGANÇA' DO CRONISTA DAHER

Era Uma Vez no Oeste. Um baita filme de bang-bang, de uma época em que os 'pioneiros', estimulados pelo governo norte-americano a ocupar o Oeste, foram por ele autorizados (mediante a segunda emenda à constituição, se não erramos a mira) a portar armas, 'defendendo-se' de índios hostis, dizimando também búfalos e o que lhes desse na telha, inclusive promovendo baixas entre seus próprios 'iguais'. Armas, aliás, estão na ordem do dia... 
Mas o enfoque da crônica não é exatamente a questão das armas - vai além, bem mais além, salpicada de humor corrosivo.
(NOTA: Vale registrar que hoje, 1º de janeiro, é o dia da paz e da esperança, como lembra o jornalista e teólogo Mauro Lopes - Aqui).
(Foto: Bronson em 'Era uma vez...")
Sergio Leone e Beto Brant 
Por Rui 'Harmônica' Daher    
Na minha sequência de westerns vespertinos assisti ao, para mim, melhor filme do gênero de todos os tempos: “Era uma vez no Oeste”, “Once upon a time in the West”, “C’era uma volta il West”. Podem escolher, sempre estarão diante da obra magistral do diretor italiano Sergio Leone, lançado em 1968 (que ano aquele, hein?).
As filmagens externas foram feitas em Utah e Arizona (EUA), deserto de Almeria (Espanha), e as internas em Roma, nos estúdios da Cinecittà.
Tanto admiro que tenho o filme em VHS e DVD, mas o assisti no Telecine, embora esteja disponível em qualquer plataforma digital que acessem.
A produção é ítalo-hispano-EUA. Leone, Argento e Bertolucci escreveram a história para que Sergio Donati a roteirizasse. A fotografia é de Tonino Delli Colli e a música de Ennio Morricone. 
Mais não precisaria dizer. São luminares do que nos primeiros 30 anos do Pós-Guerra tiraram de gênios italianos o melhor da filmografia mundial.
Mas, digo. Percebam a beleza da tunisiana Claudia Cardinale, hoje com 80 anos, na época aos 30. As expressões de Henry Fonda, falecido aos 77, em 1982. Tantos mais e quem mais me inspirou, Charles Bronson (1921-2003), o misterioso Harmônica, agora minha adoção.
Agora, sim, mais não digo. Assistam ao filme. Final surpreendente ao revelar-se as origem e identidade de Harmônica.
E por que eu Harmônica? Poderia ser “O Invasor”, dirigido por Beto Brant, em 2001, com Paulo Miklos, no papel de um sicário contratado para matar um sócio indesejado, mas não, o argumento não é esse.
Harmônica tem a expressão que Miklos nunca faria. Quero em mim o cinismo, o mistério, a certeza da vitória final, pois não estarei sendo, pelo contrário, estarei pagando para a vingança.
Isso inclui a todos. Sem perdão aos que me processam pelos meus escritos opinativos e galhofeiros. Com mais leveza, ainda que imperdoáveis, a familiares e amigos que transformaram o país onde nasci o cu da cobra do planeta.
Apesar dos pedidos e conselhos, não aliviarei. Aos primeiros que me processaram, já estipulei destino. Velório no Clube Harmonia ou Paulistano, enterro no cemitério São Paulo, coroas apenas de tulipas holandesas e rosas colombianas, caixão de mogno, vestes em sapatilhas Ferragamo, camisas sociais do meu velho camiseiro Augusto (não sei onde anda), gravata Carolina Herrera, perfume Dunhill que se misturará ao odor de cadáver que progride. Aos presentes serão doadas camisas polo cor-de-rosa.
Se quando ocorrer o evento for inverno, acompanhará um cashmere Burberry.
Espere. Não quero conversar com seus advogados robotizados contra mim. Tutela antecipada, né? O processo já me chega decidido por juiz recôndito em seu bolso? Quero ver se sua baixa estatura, como a minha, seu Botox para copiar, suas ideias para afastar. Suas profissões, como agora me diz Zeca Baleiro, “sujas e vulgares”.   
Harmônica, como em “Era uma vez no Oeste”, sempre vence no final. Aguardem. De mim, não terão um minuto de sossego.
Esperem. Entre 1964 e 1985 não foi diferente. E venci!  -  (Aqui).

CARTUM DO APARATO

(Aqui).
Maringoni.

O DESTINO DO GOLPISMO (II)


Biratan Porto. (Belém-PA).

AMOR E PÂNICO



Will Leite.