Mostrando postagens com marcador Eles disseram. Tereza Cruvinel. Impeachment. Manutenção de direitos da presidente.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eles disseram. Tereza Cruvinel. Impeachment. Manutenção de direitos da presidente.. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
ECOS DA MANUTENÇÃO DE DIREITOS DA PRESIDENTE
"A deposição de Dilma do cargo de presidente era certa. Surpresa, especialmente para Michel Temer, para o PSDB e o DEM, foi a decisão de cassá-la sem lhe retirar os direitos políticos que a inabilitariam para quaisquer funções publicas, eletivas ou não. Temer estrilou, PSDB e DEM falaram até em romper com o governo, o partido Solidariedade promete recorrer ao STF. Tucanos e democratas desistiram disso. Queriam Dilma banida da vida pública. Agora ela os incomodará como uma importante líder da oposição, ao lado de Lula. São diferentes os motivos de Temer e os deles para a grande contrariedade com a decisão do Senado.
Começando por Temer, ele mesmo alegou, na reunião ministerial, que a preservação dos direitos políticos de Dilma passará a ideia de que o governo sofreu uma derrota parcial no dia da vitória maior. É certo mas há algo ainda mais relevante (e para ele preocupante) nesta história. O destaque que permitiu separar em duas a votação do impeachment foi articulado entre o PT, a senadora Katia Abreu (PMDB, de onde pode ser expulsa por sua lealdade a Dilma) e o presidente do Senado, Renan Calheiros. O destaque seria apresentado por Katia, que já o tinha preparado, mas viu-se depois que, pelo regimento, destaques de bancadas não precisam ser submetidos a voto, e assim, foi apresentado pela bancada do PT. Superada a discussão jurídica e mantido o entendimento do presidente do STF, Ricardo Lewandowski, de que o Senado tinha autonomia para optar pelo fatiamento, 16 senadores que votaram SIM pela cassação do mandato de Dilma votaram NÃO à sua inabilitação para a vida pública. Quinze eram do PMDB.
O que os moveu a mitigar a pena imposta a Dilma só eles sabem mas é possível especular com razões diversas. Alguns, que muito usufruíram dos governos do PT, podem ter sido movidos por algum tipo de remorso político, se é que isso existe. Outros podem ter buscado atenuar a marca de golpistas em suas biografias. Cristóvam Buarque, por exemplo, argumentou que votaria pela cassação de Dilma por entender que isso faria bem ao país mas que não desejava puni-la como pessoa. Sejam quais forem as razões de cada um, o bloco do PMDB que seguiu Renan mandou um recado a Temer. O de que terão sempre alguma autonomia em relação ao governo, não se dispondo a fazer tudo que o Planalto mandar. Temer conhece seu partido, sabe que será assim. Que provará do veneno peemedebista já servido a outros governos. Talvez só não esperasse uma desobediência já na votação que o efetivou como presidente.
Já a irritação dos tucanos está relacionada com a disputa política nacional e não, como disseram, com o fato de não terem sido sequer avisados da articulação para preservar os direitos políticos de Dilma. Isso fará dela um incômodo para quem sempre desejou a exterminação das lideranças do PT e da esquerda, a começar de Lula. Agora que o ex-presidente tem sua elegibilidade ameaçada pelos processos da Lava Jato, surgirá uma Dilma com aura de mártir, com direito a ocupar cargos públicos e a disputar eleições. Ao lado de Lula ela será uma das mais importantes líderes da oposição. Poderá voltar ao proscênio político em 2018, concorrendo à Câmara, ao Senado ou até mesmo à presidência. Isso é que os incomoda, a sobrevivência de Dilma como liderança política competitiva no campo da esquerda.
Dispensável comentar a decisão de Paulinho da Força, sempre pronto a prestar serviços a Temer ou a qualquer manda-chuva do campo conservador."
(De Tereza Cruvinel, analista, em seu blog, post intitulado "Por que reagem à preservação dos direitos políticos de Dilma?" - aqui.
Dos partidos situacionistas que anunciaram ingresso no STF alegando a inconstitucionalidade da preservação dos direitos, dois já anunciaram a desistência, motivada pelo temor de que a Corte decidisse por examinar todo o processo. Mas, eis que há pouco a defesa da presidente, em sintonia com o que havia anunciado antes mesmo da aprovação da preservação dos direitos, acaba de submeter à citada instância mandado de segurança pleitando a anulação de todo o processo, por falta de justa causa - aqui -, entre outros pedidos.
Inferências, até agora: a) como acima observado, partidos situacionistas que anunciaram a ida ao Supremo para questionar a preservação dos direitos políticos da presidente o fizeram por temer o reexame do processo; b) os senadores do PMDB que votaram pelo impeachment e em seguida autorizaram a preservação dos direitos o fizeram provavelmente por estarem convencidos da inexistência de crime de responsabilidade; c) a presidente demostra que a promessa de ir ao Supremo por estar convencida da ausência de crime não era blefe; enganaram-se, pois, os que supuseram que tal ida estava descartada, notadamente em razão do 'agrado' da preservação de seus direitos políticos...).
Assinar:
Postagens (Atom)
