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quinta-feira, 21 de julho de 2016

O BRASIL EDULCORADO (II)


Olimpíadas no Brasil: "um mundo novo"?

Por Romulus

“Padrão COI”
- Não sou daqueles que acham que enquanto não se resolverem todas as mazelas não se pode abrigar grandes eventos. Acredito no poder dos símbolos e dos emblemas.
- A pobreza em si não é incompatível com a olimpíada.
- O errado é a olimpíada se dar em um país que hostiliza os pobres - mas não a pobreza, bem entendido!
- A olimpíada poderia ter sido o coroamento da década de inflexão na curva do avanço da cidadania no pais grande mais desigual do mundo, mesmo que ainda faltasse muito por fazer.
- Ou seja, na analogia esportiva, poderia ter sido o coroamento (do início) da nossa “virada” na História.
- Da mesma forma que a escolha da sede foi o coroamento do recém-adquirido prestigio internacional do Brasil nos anos Lula.
*   *   *
Mas...
- A olimpíada será “brasileiríssima” nas piores acepções do termo:
- descumprimento de metas sociais e ambientais;
- improvisos mil na organização, com os já tradicionais multi-feriados para diminuir o inevitável (?) caos em grandes eventos;
- “jeitinho” legal (?) fiscal-orçamentário para pagar a festa;
- segregação espacial da mesma (“Sorria, você está na Barra!”);
- maquiagem urbana para tapar os pobres e a pobreza dos olhos do mundo.

*   *   *

Tapumes
- “Ai, que vergonha disso aí! Tapa logo, por favor!"
- Sim... compreendo bem...
- Mais uma vez:
- vergonha do pobre;
- não da pobreza.
*   *   *
Modalidades esportivas em que nadamos de braçada: revezamento de presidentes, tiro na institucionalidade e arremesso de democracia
- A cereja do bolo olímpico:
- o aparelho do Estado tomado de volta por quem acha isso tudo "uma beleza”;
- Estado, alias, tomado de volta com o uso, mais uma vez, do nosso famoso “jeitinho” brasileiro;
[Famoso mesmo: há tese em Harvard sobre “the Brazilian ‘jeitinho’"]
*   *   *
Slap! Paf!
- Nessas horas a diferença abissal, no nosso Brasil, entre a expectativa e a realidade dá mais um tapa na cara de quem se deixou levar pelo sonho. Mais uma vez.
- Mesmo costumando ser cauteloso nas previsões, admito que também levei esse tapa (merecido?) na cara.
*   *   *
"Feliz Rio2016!”
- Isto é:
- se você está do lado “certo” do tapume, evidentemente.
- E ainda, estando nele, esteja também do lado “certo” da política brasileira.
- Aliás, seria esse tal lado “certo” da sociedade o seu lado “direito”?
- Se for, fica fácil fácil para explicar para os gringos, “right”?


(Fonte: aqui).