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domingo, 26 de março de 2017

A ASCENSÃO DA CARGA TRIBUTÁRIA


Aumento de tributos deve cobrir 40% do rombo do orçamento

Da Folha

A equipe econômica pretende cobrir mais de 40% dos R$ 58,2 bilhões que terá de ajustar no Orçamento deste ano com alta de tributos, o fim da desoneração da folha de pagamento para todos os setores e a retirada de isenções fiscais para segmentos específicos da indústria.
 
O governo conta ainda com R$ 14 bilhões de receitas vindas de precatórios e concessões de três hidrelétricas da estatal Cemig que devem voltar para a União, o que ainda depende da Justiça.
 
Nesse cenário, que será apresentado ao presidente Michel Temer na terça-feira (28), o contingenciamento orçamentário será de R$ 20 bilhões para fechar a conta.
 
Assim, o governo conseguirá cumprir a meta de deficit primário de R$ 139 bilhões.
 
O governo tem pouca margem de manobra no Orçamento. A maior parte (90%) é de despesas obrigatórias que não podem ser alteradas sem aprovação do Congresso. O que sobra —cerca de R$ 100 bilhões— são despesas "contingenciáveis".
 
No entanto, dentro desses gastos, estão desembolsos batizados por especialistas em contas públicas de "quase obrigatórios": água, luz e energia de hospitais e escolas, por exemplo, além de programas como o Bolsa Família.
 
Com poucas opções, a equipe econômica vai recomendar a Temer editar uma medida provisória para pôr fim às desonerações da folha de pagamento, medida tomada no governo Dilma Rousseff e considerada pela atual equipe econômica inócua para a geração de empregos.
 
Essa medida entraria em vigor no início do segundo semestre, por causa da carência de 90 dias entre a edição da MP e o fim do benefício.
 
Outra saída encontrada foi acabar com isenções fiscais também concedidas pelo governo anterior a segmentos específicos da indústria.
 
Nessas duas frentes, o governo pode ter uma receita adicional de R$ 8 bilhões a R$ 9 bilhões. Esse valor, somando aos R$ 14 bilhões das hidrelétricas, reduziria a necessidade de contingenciamento para R$ 36 bilhões, montante considerado ainda elevado pelo governo.
 
É aí que entrariam possibilidades como aumento de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) —nesse caso, câmbio e crédito estão descartados— ou alta de PIS/Cofins.
 
Inicialmente, a equipe econômica considerou elevar esse tributo só para combustíveis. A ideia agora é aumentar as alíquotas de PIS/Cofins para todos os produtos.
 
A estimativa é conseguir uma arrecadação adicional de até R$ 16 bilhões.
 
Com isso, o bloqueio de gastos do Orçamento seria de R$ 20 bilhões, cifra considerada aceitável pelo governo.
 
A expectativa é que todos os anúncios sejam feitos até terça-feira (28).  -  (AQUI).

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Déficit primário: é o resultado da arrecadação do governo menos os gastos, exceto juros da dívida pública.

Dívida pública: dívida contraída pelo governo com entidades financeiras e pessoas físicas, do Brasil ou do exterior. 

Valor da dívida pública: algo em torno de R$ 4 trilhões. 

Valor dos juros: em 2016, o Brasil gastou cerca de R$ 1,4 trilhão, somente em juros/serviços. Os juros da dívida pública consomem por ano 10 vezes mais do que o montante despendido com saúde e educação.

Para onde está mirando o olho de lince dos credores e suas parceiras, as agências de risco: o tempestivo e integral pagamento dos juros/serviços.