domingo, 11 de outubro de 2026

O ÁLBUM VERMELHO DA NETA DE BETO GUEDES

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REVISTA PIAUÍ

O show estava prestes a começar e já não havia mais cadeiras vazias no Cine Theatro Brasil, por volta das 18h45 do dia 20 de agosto. A famosa casa de espetáculos no Centro de Belo Horizonte foi palco do show de lançamento do disco Álbum vermelho, o primeiro da jovem cantora Julia Guedes, de 24 anos.

O disco chegou às plataformas no dia 6 de agosto pelo selo Dobra Discos, com distribuição da Altafonte Brasil. A cantora mineira brinca que foram dez anos compondo e dez dias gravando – todas as faixas que ouvimos são fruto de apenas um take de gravação e pouquíssimo trabalho de pós-edição (com o objetivo de preservar a organicidade e a força do trabalho coletivo). Guedes assina a direção criativa, a direção de arte e o design do álbum, pensando som e imagem como partes de uma mesma obra. A capa também foi toda montada no “analógico”, com banners, cartolinas e adereços. Não há photoshop, inteligência artificial ou qualquer outra artimanha tecnológica. 

Apesar da pouca idade, Guedes estreia com um trabalho versátil, passando por gêneros como MPB, pop, rock, jazz e elementos latinos. Desde as primeiras ideias de arranjo aos 14 anos, que serviriam de base para Suas mareas, a penúltima faixa do álbum, até os últimos ajustes de Poesia total (sua composição mais recente) passaram-se dez anos, que refletem um amadurecimento da artista. A meditativa Chuva e sol revisita o período em que Guedes se mudou para o Rio de Janeiro em 2024, e passou a morar em Santa Teresa, na expectativa de gravar o álbum. A gravação não aconteceu naquele momento e é nessa dualidade de frustração, novidade, medo e empolgação que somos embalados. Podemos observar esse turbilhão de sentimentos com a melodia envolvente e o arranjo orquestral. 


A cantora carrega o sobrenome e o DNA de uma das grandes figuras da música brasileira e da ilustre geração mineira do Clube da Esquina, Beto Guedes, seu avô. Logo na primeira música do disco – Vermelho e sem nome – podemos observar claras referências ao estilo em que Julia cresceu imersa. Ela bebe na fonte do legado de sua família, mas ao mesmo tempo tenta colocar suas próprias digitais no trabalho. O disco conta um pouco desse ciclo, já que começa e termina nas raízes. Nos primeiros álbuns de Beto Guedes, a última música era sempre uma composição de seu pai, Godofredo Guedes, bisavô de Julia. O Álbum vermelho encerra com A página do relâmpago elétrico, faixa de abertura do primeiro álbum de seu avô, lançado em 1977. Para os álbuns futuros, Julia Guedes manterá a tradição: a última faixa será sempre uma composição do vô Beto.  -  (Revista Piauí).

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