quarta-feira, 25 de março de 2015

terça-feira, 24 de março de 2015

DO JORNALISMO OPINATIVO


Articulistas midiáticos

Lançamos agora um estudo especial sobre os textos de opinião publicados nos jornais Folha de S. Paulo, O Globo e Estado de S. Paulo.

Nesta nova sessão, apresentamos gráficos com os nomes dos dez colunistas/articulistas que mais frequentemente citaram personagens de grande destaque no noticiário político nacional – os partidos PT, PMDB e PSDB, o governo federal e a presidente Dilma Rousseff. Optamos por apresentar primeiro os dados agregados em uma série temporal e depois separados por jornal. Desta maneira podemos avaliar comparativamente o comportamento de cada meio e também o efeito agregado de sua produção. Os gráficos revelam as valências neutras, favoráveis e contrárias dos textos para cada personagem.

Na série temporal agregamos os artigos e colunas das páginas de opinião dos três meios relativos à situação. Para tal, agregamos os dados para Dilma, Governo Federal e PT em uma só variável, mantendo a classificação dos textos por valência.

Ao contrário dos rituais de apresentação das reportagens, que pretendem imputar um aspecto de neutralidade aos textos jornalísticos, os artigos de opinião tomam lado. Isto é, os editores dos jornais sabem a posição dos colunistas e articulistas convidados acerca dos assuntos tratados. Assim, fica a seu critério escolher balancear ou não as opiniões que o jornal publica sobre esse ou aquele assunto ou personalidade política. Será que os editores dos grandes jornais tentam equilibrar as opiniões que publicam? Será que o perfil das valências é similar para todos os personagens políticos examinados? Quem são os colunistas/articulistas que mais opinam contra ou a favor do Governo, de Dilma ou do PT? (Fontes: aqui e aqui).

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Parece natural que colunistas como os citados no gráfico escrevam preferentemente (ou até exclusivamente) artigos de cunho oposicionista. Afinal, o direito de opinião é soberano. Quem poderá imaginar um artigo simpático - ou, digamos, compreensivo - à situação de autoria de... Marco Antônio Villa? Claro que ninguém, e isso, reafirmo, é natural. Quanto ao jornal, ao veículo, não; a pluralidade de opiniões deve ser buscada, e o veículo, se assim entender, registrará em editoriais as posições 'pessoais' (do veículo), como fez o jornal Estadão na eleição presidencial 2014.
 
Agora, deplorável, mesmo, é uma empresa jornalística vangloriar-se de exercitar preceitos constitucionais sobre direito à informação, liberdade de opinião e que tais, chegando muitas vezes a ostentar alentado Código de Ética Jornalística (assim mesmo, com maiúsculas), e na prática distorcer escancaradamente determinados fatos, omitir o que julgar conveniente, selecionar o que lhe apetecer, enfim, agir inescrupulosamente.

CHARGE GERAL


Café.

SOBRE A MP DO FUTEBOL BRASILEIRO


A firmeza da presidenta

Por Juca Kfouri

Em primeiro lugar, para acalmar os furiosos, explico que acho presidente mais elegante que presidenta, mas que o tratamento no feminino está registrado em todos os dicionários ainda antes de Dilma Rousseff nascer, razão pela qual, aqui, o termo foi usado pela primeira vez quando Patrícia Amorim foi eleita no Flamengo. Não significa, portanto, nenhum alinhamento automático a quem quer que seja, a não ser ao atendimento da legítima preferência de quem foi democraticamente eleita e reeleita. Dito isso, vamos ao que importa.

A presidenta cujo governo tem levado justas bordoadas de todos os lados, à esquerda e à direita, agiu de maneira impecável em relação à medida provisória do esporte.

Se há uma falha na MP está em não ter obrigado os clubes que aderirem a se transformar em sociedades empresariais.

De resto, não há nenhuma intervenção indevida do Estado no esporte, apenas há os cuidados obrigatórios do credor a quem lhe deve, há décadas, quase R$ 4 bilhões.

Quer pagar no generoso prazo de 20 anos com uma série de incentivos para saldar a dívida? Pois que se sujeite às condições do credor. O resto é choro de mau pagador.

Estive com a presidenta na terça seguinte ao primeiro panelaço, ato odiento de quem não quer ouvir.
Suspeitei que o encontro agendado na semana anterior nem aconteceria, porque na manhã daquele dia Dilma Rousseff fora hostilizada em São Paulo.

Mas não só o encontro foi mantido como estendeu-se por mais tempo do que o previsto, curiosamente por exatos 90 minutos.

Em seu gabinete no Palácio do Planalto, estavam também o ministro Thomas Traumann e o ex-deputado Edinho Silva, competente articulador da MP.

Ela queria ouvir alguém, como este que vos escreve, sem nenhum interesse específico na medida, a não ser aquilo que considera melhor para o país.

Surpreendi-me com sua serenidade e firmeza num dia tão turbulento. Ela disse e repetiu, ao anotar diversas ponderações, que seu compromisso com o Bom Senso F.C. seria mantido e que resolveria as naturais resistências do Ministério da Fazenda.

Já escrevi aqui e repito que o artigo 217 da Constituição, que trata da autonomia das entidades esportivas, analisado pelo STF, foi objeto de uma decisão unânime da mais alta corte do Brasil, seguindo o relatório do então ministro Cezar Peluso, no sentido de que autonomia não significa soberania, argumento dos que defendem a terra de ninguém em que se transformou nosso futebol.

Saí otimista do encontro, convencido de que o governo estava prestes a fazer um golaço. A última quinta confirmou a sensação.

O que não significa a resolução de todos os problemas nem que se deva baixar a guarda, ao contrário, porque será dura a batalha no Congresso Nacional para evitar que o texto seja estuprado como foram a Lei Pelé e, em certa medida, o Estatuto do Torcedor.

Por enquanto, está 7 a 2. Ou a 6? (Fonte: aqui - reproduzido da Folha).

INSTALADA A CPI SWISSLEAKS-HSBC


Foi instalada oficialmente nesta 3ª feira (24.mar.2015) a Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado que vai investigar as 8.667 contas numeradas de clientes ligados ao Brasil na agência de “private bank” do HSBC em Genebra, na Suíça. (...). - Aqui.

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Conforme antevimos...

24.03: INSTALAÇÃO DA CPI DO SWISSLEAKS-HSBC


Senador Randolfe Rodrigues: "CPI vai divulgar lista completa do HSBC"

Do DCM

Nesta terça-feira, começam em Brasília os trabalhos da CPI do HSBC. Durante 180 dias, 11 senadores vão investigar quantos correntistas brasileiros do banco, dentre os mais de 8 mil, cometeram crime de evasão fiscal.
 
Responsável por protocolar o pedido de instalação da CPI, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) falou com exclusividade ao Trocando Ideia e afirmou que o objetivo da comissão não é apenas identificar sonegadores, mas debater o sistema tributário nacional e descobrir se parte dos R$ 20 bilhões de brasileiros no HSBC financiou atividades criminosas.
 
O psolista também afirma que obter a lista completa dos correntistas nacionais é uma necessidade da CPI e que a divulgação de todos os nomes da listagem será feita tão logo o grupo esteja com ela em mãos. Confira a entrevista abaixo:
 
Quais os objetivos da CPI do HSBC?
A CPI deve cumprir dois papeis fundamentais. Investigar se houve evasão de divisas e, nesse caso, repatriar recursos mandados para o exterior. E diagnosticar como tantos brasileiros optaram por ter contas no exterior e repensar nosso sistema tributário, que garfa a classe média e os pobres e permite que ricos usem os paraísos fiscais.
 
A CPI também pode ser um instrumento para que se debata a sonegação de imposto no país, algo tão pouco falado e muito nocivo à sociedade?
Com certeza, a movimentação de brasileiros nessas contas do HSBC é superior, por exemplo, a dos xeques árabes. É preciso ouvir a Receita Federal e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), fazer audiências públicas com nomes como Everardo Maciel (ex-chefe da Receita Federal) para que se fale sobre esse tema.
 
O governo ainda não apresentou resultados concretos de recuperação de dinheiro e processo contra sonegadores. Isso será levantado na CPI?
Sim, vamos perguntar o que o governo já tem de informações. Me parece que o governo não sabia dessas contas, o que revela muito sobre o nosso sistema de arrecadação. A CPI vai buscar saber quem declarou essas contas à Receita e, assim, separar o joio do trigo dessa história.
 
Como a CPI pretende obter esses dados?
Vamos buscar com o governo brasileiro e também junto ao Ministério Público francês, que já deu validade aos documentos que foram vazados pelo senhor Hervé Falciani. Ter a lista completa dos correntistas brasileiros é pré-requisito para iniciar os trabalhos da CPI.
 
Tendo a lista em mãos, a pretensão é torná-la pública?
Não vejo a menor dificuldade em divulgar a lista quando a CPI estiver com ela, mas é preciso distinguir quem declarou as contas dos que não o fizeram. Esses já estão enquadrados no crime de evasão de divisas. Só que devemos ir além e descobrir se as contas não encobriam crimes como o tráfico de drogas, armas e outros.
 
Você teme que a CPI tenha os trabalhos dificultados por pressões tanto de fora quanto dentro do próprio Congresso? 
Sabemos que o trabalho desta CPI estará sujeito a todo tipo de lobbies dentro e fora do Congresso. Mas eu espero que o senador que assuma a relatoria da CPI não se submeta a essas questões.
 
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Entreouvido nos bastidores:
 
"A partir de hoje, teremos dias altamente atribulados: equipes de reportagem de pelo menos 150 veículos de comunicação se digladiando para colher o máximo de informações, assédio sobre cada um dos membros da CPI, indignados editoriais preparados a toque de caixa, suspeitos fazendo questão de esclarecer seus atos, redes sociais 'hastagando' o assunto nos três turnos e mais a madrugada, MP tentando tomar a frente e ser ele próprio o protagonista (com o que a mídia amiga concordará!), passeatas em perspectiva, Globo dedicando até 10% de cada jornal - Bom Dia, Hoje, Nacional, da Globo - a esse bombástico tema, e não deixando pedra sobre pedra, mídia atenuando a carga sobre o impostômetro e oferecendo ênfase diária ao sonegômetro (R$ 450 bi? R$ 500 bi por ano? Talvez mais), Casoy dando dez aulas por dia (uma para cada uma das dez matérias  sobre o assunto expostas por ele), rádios inseridos no contexto, redes sociais se mantendo firmes e fortes na 'hastagagem', UOL em ebulição - e furos fantásticos, claro: equipes de fino faro, com o auxílio luxuoso dos correspondentes, indo diretamente às fontes, na Europa, e antecipando detalhes interessantíssimos e surpreendentes... Enfim, como frisei: dias altamente atribulados." 
 
"Basta de ficção." 

CHAPADA DO CORISCO


Waldez. (Belém-PA).

O JORNALISMO GLOBAL


"Não me proponho contribuir para a quebra da Globo. Seria um desperdício de tecnologia em audiovisual acumulada durante décadas, a qual se tornou um patrimônio nacional de valor incalculável. Quando o senador Crivella agendou uma conversa com João Roberto Marinho na última campanha eleitoral, sugeri a ele que deveria dizer que, se eleito, se comprometeria a lutar pela consolidação do Rio como capital audiovisual da América Latina e um dos principais centros de produção de arte audiovisual do mundo. O líder seria a Globo, naturalmente, não a Record, cuja base audiovisual é São Paulo.

Acontece que os programas de boa qualidade formal da Globo, como as novelas, casos especiais, Globo Repórter, Fátima Bernardes, The Voice (não sei por que não “A Voz”) e SuperStar, funcionam como uma espécie de rede física de esgoto pelo qual flui o material de má qualidade, a saber, o Jornal Nacional e, principalmente, o Jornal da Globo. Vai também junto desse lixo esse monumento à imbecilidade globalizada, o BBB Brasil, que disputa com Faustão o campeonato da idiotice, salvo apenas, no caso de Faustão, pela Dança dos Famosos, para os que tem estômago para tolerar as piadas de mau gosto do apresentador.

O lamentável é que os outros canais, como Record, Bandeirantes e SBT, não se aproveitam das falhas estruturais da Globo para lhe ocuparem o espaço jornalístico. Na Band o jornalismo é tão pobre que as notícias dos principais Estados são veiculadas por rádio, sem acompanhamento de imagem. A Record tem a sorte de ter em seus quadros um dos maiores jornalistas do Brasil, Paulo Henrique Amorim, mas também nela falta infraestrutura para o noticiário em geral. Com isso, a Globo nada de braçadas, fixando o padrão de mediocridade que move a maior parte do jornalismo de televisão.

Como colunista do Globo, privei durante quase um ano da intimidade de Roberto Marinho, o que me possibilitou conhecer bem algumas de suas facetas. Era um homem simples, sem ideologia, voltado quase exclusivamente para o jornal, não à tevê. É que, de jornal, ele acreditava entender bem – entrou na tipografia e acabou dono -, enquanto a televisão não lhe era familiar, e deixava entregue a José Bonifácio, o Boni, e Walter Clark. Boni e Clark puderam dar uma direção profissional à televisão, sem interferência do dono, enquanto o jornal era estritamente vigiado por ele.

Talvez viesse daí a mediocridade do Globo quando comparado com o Jornal do Brasil, por exemplo. Entretanto, mesmo que não fosse um luminar do jornalismo, Roberto Marinho tinha o espírito da notícia. Lamentou várias vezes não ter podido dar o furo do Plano Cruzado, porque Sarney lhe pedira reserva. (O curioso nesse episódio é que Sarney não se deu conta de que estava passando informação privilegiada para o maior grupo de comunicação do país num momento crucial da vida econômica brasileira. Na verdade, Sarney temia tanto o grupo Globo que não pensou duas vezes antes de lhe entregar uma ficha valiosa que não foi usada.)

O espírito jornalístico de Roberto Marinho não foi transmitido à prole. No caso da televisão, foi totalmente desvirtuado. Como jornal perdeu espaço no mundo da comunicação, a penetração da tevê tornou-se uma arma mortal de difusão ideológica. No Jornal Nacional ela vinha sendo usada com alguma moderação porque os editores, William Bonner à frente, calculavam que os telespectadores são sobretudo de classe média baixa. A partir da última eleição, contudo, com o sistema Globo assumindo papel de militante pró-Aécio, a manipulação ideológica também do noticiário televisivo no horário nobre tornou-se aberta.

Como já escrevi anteriormente, o sistema de três feudos e várias satrapias jornalísticas do Globo não tem hoje nenhum controle político. É o campo da liberdade sem limites dos âncoras e apresentadores, no qual atua a lei da selva. Um ensaio iluminado de Norberto Bobbio ensina que os luminares do alvorecer da Idade Moderna não esclareceram bem o que entendiam por liberdade. Alguns, como Locke e Montesquieu, viam a liberdade como o não limite; outros, como Rousseau e Hobbes, como prerrogativa de estabelecer os próprios limites. Os primeiros inspiraram o liberalismo econômico. Os segundos, a democracia.

A tevê Globo é hoje o império da liberdade sem limites, do liberalismo econômico que gerou nas quatro últimas décadas o neoliberalismo. Antes, por contraditório que possa parecer, Roberto Marinho lhe dava um caráter democrático. Um dia, na minha época no Globo, entrei na sala dele e lhe expus o que sabia dos rumores de corrupção do Governo Collor. “O que acha que eu devo fazer?”, perguntou ele a mim, que tinha pouco mais de metade de sua idade. “Ponha na televisão”, sugeri. Ele ficou em silêncio alguns segundos para comentar, encerrando a conversa: “É muita responsabilidade...”

É essa responsabilidade que a Globo perdeu sob a influência nefasta do grupo Veja. Destruidora do Governo Collor, sem provas – a entrevista que publicou com o irmão de Collor foi um monumento à irresponsabilidade jornalística -, Veja começou a articular suas “revelações” de escândalos, oriundas de espionagem paga, com o noticiário do Jornal Nacional e o Jornal da Globo. Duplamente irresponsáveis, esses dois sistemas de empulhação jornalística estão destruindo o Brasil com intrigas, e contribuindo para a degradação de todas as instituições brasileiras, Executivo, Legislativo e Judiciário. Chegou o momento do basta.

Para destruir Veja, o que se justifica como profilaxia da imprensa brasileira, é muito fácil: basta parar de comprá-la e cancelar as assinaturas. Caso sinta necessidade de revista, compre a Carta Capital como alternativa, com uma linha mais imparcial.

No caso da tevê também é fácil. Como queremos preservar as novelas e punir o jornalismo-lixo, vamos fazer o seguinte: no horário do Jornal Nacional e do Jornal da Globo - depois da novela, num caso, e do BBB, do outro -, vamos desligar a televisão ou mudar de canal. Todos os anunciantes da Globo saberão pelas pesquisas que, naquele horário, os aparelhos ou estarão desligados ou ligados em outro canal. (Sugiro que alguém mais competente que eu em matéria de internet arranje um jeito de tornar essa convocação nacional através das redes sociais, começando numa data marcada com antecedência e combinando novas datas até que se torne conhecida alguma providência do sistema Globo em reestruturar profissionalmente seus jornais!)"





(De José Carlos de Assis, jornalista, economista e professor, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de mais de vinte livros sobre Economia Política, sendo o último “A Razão de Deus”, pela Civilização Brasileira. Post intitulado "Como dar um basta definitivo no jornalismo-lixo da Globo" - aqui).

CARTUM DA REDE


Kayser.

segunda-feira, 23 de março de 2015

SOBRE POLÍTICA E PODER


Dormindo com o inimigo, ou a lição de Napoleão

Por Motta Araújo

A fama histórica de Napoleão Bonaparte vem de sua carreira militar, a imagem de estadista vem de sua visão modernizadora, mas sua qualificação menos conhecida é de operador político. O Imperador era um político frio e astuto, nada emocional, que sabia fazer acordos e recrutar auxiliares.

Napoleão sabia o valor da competência e não trabalhava com medíocres só porque eram simpáticos e aduladores.

Seus dois maiores auxiliares políticos eram, para ele, pessoas detestáveis, desagradáveis, maus caracteres.

Charles Meurice de Talleyrand Perigord, ministro de Relações Exteriores, e Joseph Fouché, ministro da Polícia eram os dois grandes instrumentos do general corso, o primeiro na diplomacia e o segundo na segurança interna.

Talleyrand serviu a oito regimes, desde a Revolução  até à Restauração Bourbon, foi Ministro de Exteriores do Comité de Salvação Publica, o governo da Revolução em 1789, passou pelo Consulado, Diretório, Império, chegando a ser o Ministro de Luis XVIII, irmão do guilhotinado Rei Luis XVI, cujo decreto de execução ele subscreveu, o que não impediu do irmão nomeá-lo Ministro.

O Príncipe de Talleyrand serviu profissionalmente a Napoleão até sua primeira derrocada, mas não aderiu à aventura dos 100 dias porque já não via chance de uma relançamento do Império que acabou em Waterloo, além do que quando Napoleão desembarcou da ilha de Elba, Talleyrand estava representando a França do Ancien Regime no Congresso de Viena, convocado para enterrar o período napoleônico para sempre.

Napoleão tinha horror a ele, só superado pelo horror que tinha a seu chefe de polícia, Fouché, criador da primeira polícia política moderna. Fouché tinha fichados 100 mil nomes de potenciais riscos ao governo napoleônico. Napoleão soube recompensá-lo com o título de Duque de Otranto.

Ambos, Talleyrand e Fouché, eram altamente corruptos, Talleyrand tinha gostos caros, jogava muito, ostentava uma coleção de amantes, palácios em Paris e no campo, tinha fome insaciável de dinheiro. Certa feita recebeu 4 milhões de francos de ouro dos nobres poloneses para recriar um Reino da Polônia, não conseguiu e devolveu o dinheiro, era um corrupto honesto.

Ao entrarem na Sala do Trono, Talleyrand, manco por um defeito na perna, apoiado em Fouché, Napoleão proferiu a célebre frase em alto e bom som: "Eis que entra o vício apoiado no crime".

Pois Napoleão tolerava esses dois canalhas porque precisava da extraordinária competência deles.
Para Winston Churchill não havia nenhum ser mais desprezível do que o líder do Partido Trabalhista Clement Attlee.

Em 1940, Churchill, Primeiro Ministro de uma Inglaterra lutando sozinha contra o Terceiro Reich ainda sem o apoio americano, convidou Attlee para Vice Primeiro Ministro porque precisava do apoio do Labour Party na união de esforços para a luta. Não só Attlee mas o Gabinete era multipartidário, tinha a situação e a oposição. Finda a guerra, Attlee derrota Churchill nas eleições gerais e o substitui em junho de 1945.

Roosevelt fez mais, deu um cargo de Embaixador Extraordinário a seu oponente nas eleições de 1940, Wendell Wilkie, e lhe confiou tarefas da mais alta importância nos esforços diplomáticos da Segunda Guerra.

Getúlio também usou adversários em Ministérios, não tinha qualquer problema com isso. Após derrotar a elite paulista na Revolução de 1932, coloca um de seus maiores líderes, a quem tinha exilado, Armando de Salles Oliveira, como interventor em São Paulo, quando Salles Oliveira funda a USP.  Getúlio teve vários Ministros que se alternavam como colaboradores e adversários, Oswaldo Aranha, José Américo, Eurico Dutra, Neves da Fontoura, Flores da Cunha, Baptista Luzardo, Danton Coelho.

A Presidente Dilma deveria seguir essa receita, trazendo adversários de ontem para o Ministério, sei que isso é difícil para mulheres na política, elas têm uma personalização muito maior do que os homens; mulheres são mais emocionais por natureza e não sepultam facilmente antipatias, mas lançar pontes é um dos segredos da alta politica.

Seria também uma forma de embaralhar o jogo político da frente anti-governo que vai se formando no horizonte. (Fonte: aqui).

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A presidente tem mais é que continuar a estimular a apuração da corrupção e a punição exemplar dos corruptos e corruptores (admitindo acordos de leniência com empresas, conforme prevê a legislação e tendo em vista a continuidade - com seriedade! - dos empreendimentos do conglomerado Petrobras, vital para o Brasil), além de recuperar a economia, procurando atenuar os ônus que, por ora, atingem com mais intensidade as faixas remediadas e pobres.
 
(O 'por ora' é uma 'pretensiosa expectativa': Permito-me dizer que a presidente deveria, independentemente de apoio prévio, mandar para o Congresso um pacote que imponha o imposto sobre grandes fortunas e reduza os impactos já incidentes sobre as classes médias e pobres).

Nota: Dias atrás, quando a agência de classificação de risco Moody's rebaixou a nota da Petrobras, consagrou-se a expectativa de que o Brasil viria a ser o próximo alvo, passando à condição de  investimento especulativo, desprezado, em decorrência, por fundos hoje presentes mas que estariam impedidos de aqui permanecer face à proibição regulamentar de operarem em países com elevada possibilidade de calote. Para decepção de muitos, isso não aconteceu: a nota de crédito do Brasil foi mantida pela agência Standard & Poor's, justamente a que despertava maior preocupação. O país segue, assim, com grau de investimento, selo de bom pagador.
Bola pra frente.

CONCLUÍDA A VIAGEM AO NÃO-IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS


Zop.

DELIVERY EM VOGA


Duke.

ECOS FINAIS DO DIA MUNDIAL DA ÁGUA


Como multinacionais lucram bilhões com ÁGUA

Por Cynara Menezes

Na década de 1990, a era de ouro da privataria em nosso continente, o Banco Mundial expediu a “orientação” de que a distribuição de água nos países fosse privatizada para que se tornasse “mais eficiente”. O que as empresas de fato fizeram foi: encarecer a água em até dez vezes e reduzir a distribuição nos bairros mais pobres.

Alguns dos países que seguiram o “conselho” o fizeram sob violentos protestos, como a Bolívia, que enfrentou uma Guerra da Água em 2000, sob a presidência do ex-ditador Hugo Banzer: as multinacionais que passaram a controlar a água em Cochabamba queriam proibir as pessoas de furar poços ou mesmo recolher água de chuva, desatando a ira da população. A prefeitura teve de voltar atrás.

Na última década, quando passaram a ser governados pela esquerda, vários países que haviam privatizado resolveram reestatizar a água. Em 2007, o governo Evo Morales nacionalizou a água na Bolívia e defendeu que os países do Mercosul passassem a considerar os recursos naturais como direito humano fundamental.

Três anos antes, no governo do antecessor e de novo sucessor de Pepe Mujica, Tabaré Vázquez, havia sido aprovada, por plebiscito, uma emenda constitucional que define a água como bem público no Uruguai e que prevê a participação da sociedade civil na gestão dos recursos hídricos. Os serviços públicos de abastecimento de água para consumo humano, diz o texto, devem ser prestados “exclusiva e diretamente por pessoas jurídicas estatais”.

No Brasil, onde inexiste legislação neste sentido, já houve várias tentativas de privatizar a distribuição de água. Há, aliás, uma coincidência estranha em curso neste momento. Enquanto São Paulo vive uma crise hídrica, foi nomeado como secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, o engenheiro civil Benedito Braga, que irá acumular o cargo com a presidência do Conselho Mundial da Água, órgão ligado ao Banco Mundial e que inclui as maiores corporações da água no mundo entre seus membros, como as francesas Suez e Vivendi (leia mais na reportagem da Rede Brasil Atual, aqui).

Parte do esgoto em São Paulo já foi privatizada pelos tucanos a partir de 1995, quando a Suez (olha ela aí), em consórcio com a brasileira CBPO, obteve a concessão para operar os serviços de saneamento em Limeira. A maior concorrente dessas empresas privadas é a própria Sabesp, que é de capital misto, mas controlada pelo Estado (parte de suas ações são vendidas na Bovespa e na Bolsa de Nova York). O saneamento foi privatizado em outras cidades do Brasil, como Niterói e Manaus. Várias tentativas foram barradas na Justiça, acionada pelos sindicatos da categoria.

Agora, com a seca na Cantareira, as ações da Sabesp sofreram queda. Não parece o momento ideal para aplicar o surrado discurso de que apenas a privatização traria “eficiência” à empresa? O que seria, antes de tudo, uma injustiça, porque todo mundo reconhece a Sabesp como uma empresa eficiente e que os erros técnicos foram motivados por decisões político-eleitoreiras tomadas pelo governo Geraldo Alckmin. Sob a ótica privatista, no entanto, seria perfeito. A combalida Sabesp poderia –maravilha!– ser vendida por menos do que vale.

O documentário Flow (Fluxo) – Por Amor à Água, de 2008, mostra como as grandes corporações tomaram conta da água no mundo e transformaram riqueza natural em commodity. Trata-se de uma indústria de 400 bilhões de dólares atualmente, a terceira maior após o petróleo e a eletricidade. Especialistas dizem que em 20 anos o negócio da água vai crescer duas ou três vezes mais que a economia global. Imaginem o interesse dessas multinacionais sobre as empresas públicas brasileiras, o país com a maior reserva de água doce do mundo.

Na contramão da eficiência, o filme mostra moradores de bairros pobres de países africanos tendo que usar um cartão magnético para poder ter água na torneira. Água pré-paga, já imaginaram? A diretora francesa Irena Salina revela ainda uma coisa bizarra: como a presença de disruptores endócrinos na água, principalmente o pesticida Atrazina, está causando feminização dos peixes. Já foram encontrados rios inteiros apenas com peixes fêmeas ou intersex nos EUA, no País Basco e na França. A Atrazina é proibida em diversos países da Europa, inclusive na Suíça, de onde a multinacional Syngenta exporta para os países que a aceitam.

Muita gente se pergunta: se faz isso com os peixes, que efeito poderia ter nos seres humanos? A atrazina é amplamente usada na agricultura brasileira e de lá vai para os nossos rios, que correm para a água que sai da torneira de nossas casas. Além das mudanças hormonais, a substância tem sido conectada a tumores de mama, retardamento da puberdade, inflamação da próstata em animais e a câncer de próstata em humanos.

“Milhares de pessoas vivem sem amor. Mas não sem água”, diz a frase do poeta W.H. Auden na abertura de Flow. No Dia Mundial da Água, convido vocês para um mergulho nessa questão da qual depende nosso futuro como humanidade. Bom filme. (Fonte: aqui - Onde estão disponíveis dois vídeos).

OLD CARTOON


Pavel Constantin. (Romênia - 2002).

BRASIL: SÉCULO 20, O RETORNO


Começar mais uma vez...

Por Janio de Freitas

As negativas de adoção do golpismo feitas pelos oposicionistas vociferantes são apenas falsidade política
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Férias sem viagem não desligam, logo, não são férias. Mas, a bem da verdade, se não pude viajar no planeta, fui levado a viajar no tempo. Com ótimas e péssimas companhias nos 204 milhões transportados a bordo do Brasil de volta ao século 20.

O século que, para nós, começou antes de chegar. Uma linha de historiadores considera que o século 20 só começou para o mundo em 1914, com o fecho brutal da "belle époque" pela irrupção da Guerra Mundial. No Brasil, o novo século começou em 1889, com o golpe de Estado que expulsou o Império e impôs a República. E que não mais se dissociou dela ainda naquele e no decorrer do século 20, como golpismo latente, como inúmeros golpes tentados e frustrados, e como consumados e numerosos golpes ora brancos, ora em seu clássico verde oliva.

"A democracia brasileira está consolidada" não é mais do que uma ideia generosa com o (mau) caráter da política brasileira, produzido e disseminado pela mentalidade primária e gananciosa, além de alheia ao país, da classe dominante com seus poderes maiores que os dos Poderes institucionais. O golpismo é um recurso natural dessa mentalidade. Por isso está aí.

Se não, por que a exibida indignação dos oposicionistas com Dilma por suas práticas opostas às que propalou na campanha? É só falsidade. Oposição honesta, se não for imbecil, não tem como não estar satisfeita com a adoção de política econômica e medidas antissociais que são autenticamente suas, e de sua conveniência. E satisfeita ainda com a derrota final dos que a repudiaram nas urnas. Um só motivo para tanta indignação exibida: o golpismo.

Alberto Goldman delatou a tática em texto na Folha de 24.2.15. "Como levar adiante uma transição (...) sem ter de aguardar quatro anos" é "um desafio" que "só acontecerá se o agravamento das condições econômicas e políticas persistirem [o plural é dele] a ponto de mobilizar o povo e os partidos para uma solução que, de qualquer forma, ainda que legal e democrática, não deixa de ser traumática".

Ou seja, berreiro acusatório total contra "as condições econômicas e políticas" até conseguir clima para derrubar a presidente: (...) "Dilma Rousseff e seu partido não têm condições políticas e morais para conduzir o país por mais muito tempo".

Pequenos trechos a meio do noticiário confirmam a continuidade do propósito e da prática. Assim, nos últimos dias: "Não se trata de sangrar, a degradação econômica e política pode levar ao impeachment, não se deve ter receio" (Carlos Sampaio, irado líder do PSDB na Câmara). Ou a referência ao governo como "o que não deve ser salvo", feita por Fernando Henrique. Ou ainda as reuniões da direção peessedebista com delegados e advogados à procura de meios de incriminar Dilma, e por aí em diante.

As negativas de adoção do golpismo feitas pelos oposicionistas vociferantes são apenas falsidade política. Até porque, lá atrás, antes que lhes parecesse inconveniente se mostrarem golpistas, deixaram claro o seu objetivo de forçar o impeachment, cuja falta de fundamentação constitucional não projetou mais do que um golpe baixo.

A falsa indignação com a economia e o uso da Lava Jato contra Dilma não bastam para aproximar o golpismo do êxito. Há muitos motivos políticos para que, no Congresso, uma tentativa forçada de impeachment seja derrotada. No Supremo Tribunal Federal de hoje em dia não há possibilidade de aceitação, ainda que conte com uns três votos, de impeachment que não esteja fundamentado com muita solidez factual e em segura constitucionalidade.

O que entrou e continua no século 21, na vida institucional brasileira, não pode ser esquecido. A proteção das Forças Armadas aos militares acusados de crimes na ditadura impediu a atenção para esta presença. Aos recém-substituídos comandantes general Enzo Peri, brigadeiro Juniti Sato e almirante Júlio Moura é necessário reconhecer que asseguraram, ao longo do governo Lula e no de Dilma, uma conduta exemplar dos militares.

Nem uma só voz de militar da ativa veio agravar qualquer dos vários períodos de conturbação. O homem das casernas tornou-se o exemplo de civilização e civilidade, ao lado da degradação paisana. O antigo troglodismo armado está restrito, inofensivo, aos bolsonaros de pijama no Clube Militar.
Além de torcer para que esse exemplo perdure, é preciso batalhar outra vez contra os ressurgidos obscurantistas. (Fonte: Folha - e Jornal GGN, aqui).

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Bem vindo de volta, caro analista.

CACIQUES COLOCAM A REFORMA POLÍTICA NO TOPO


Miguel.

O JUIZ MORO E O PRÊMIO DA GLOBO

 

"Você pode imaginar um juiz britânico – Leveson, por exemplo, o que conduziu as discussões para a regulação da mídia no Reino Unido – numa festa de um magnata da mídia como Rupert Murdoch?

A resposta cabe em três palavras: não, não e não.

Mídia e Justiça devem fiscalizar uma à outra, numa sociedade séria e adulta. Não podem se dar tapinhas nas costas e confraternizar como velhos camaradas.

Que a Globo ignora esse princípio vital da democracia é óbvio. Cenas constrangedoras, no calor do Mensalão, reuniram juízes do STF e jornalísticos icônicos da Globo.

Que o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, não sabia disso é um fato novo, ainda que não surpreendente num país de Justiça partidária como o Brasil.

Num mundo menos imperfeito, Moro teria recusado um prêmio da Globo. Polidamente, assim como um jornalista rejeita um presente caro.

Mas Moro não resistiu, e as imagens dele na premiação são lastimáveis. A posteridade haverá de olhá-las como símbolo de um tempo de atraso no Brasil.

Não há almoço de graça, e nem prêmio. Uma organização como a Globo não premia ninguém sem que haja interesses por trás.

Do ponto de vista prático, o que se deve esperar de alguma causa jurídica que envolva a Globo e que acabe caindo nas mãos de Moro?

A aceitação da homenagem já foi (...) ruim. Mas as palavras de Moro – e o olhar deslumbrado traído pelas fotos da cerimônia – tornaram as coisas ainda piores.

Moro, segundo o site do Globo, disse ter ficado “particularmente tocado” com os protestos de domingo.

Visto que foram protestos em que Dilma foi massacrada, a declaração de Moro não poderia ser mais reveladora.

Mais que isso, só se ele dissesse que tem andado batendo panela.

Como Joaquim Barbosa antes, Moro já se tornou o herói não dos brasileiros – mas da direita nacional.

Também como Joaquim Barbosa antes, a Globo já tratou de armar a gaiola para ele.

Entre sorrisos, na premiação, Moro entrou nela – para prejuízo da sociedade."





(De Paulo Nogueira, jornalista, em seu blog DCM, post intitulado "Em nome do decoro, Moro deveria ter rejeitado o prêmio da Globo" - aqui.

A inércia é uma uma das posturas que o magistrado deve observar: conter-se, estar a postos para receber e decidir sobre os pleitos da cidadania. Nada a ver com badalações e lances de 'fluxo de vaidade'. E a questão não se limita à liturgia do cargo; é, antes de qualquer coisa, questão de bom senso).

ECOS DO CID


Nani.

domingo, 22 de março de 2015

CONTAS SECRETAS HSBC: A MÍDIA ESTÁ ONDE SEMPRE ESTEVE


"Conforme havíamos previsto, a nossa mídia está fazendo de tudo para manter controle narrativo sobre o escândalo do Suiçalão.

Só que vai ser difícil.

Ainda queremos esclarecer as coincidências de datas entre as aberturas e fechamentos de contas secretas de barões de mídia no HSBC suíço, com fatos econômicos importantes, como o confisco da poupança, de Collor, e depois a mega desvalorização do real, no início de 1999.

Há suspeita de vazamento de informações privilegiadas, um problema comum no Brasil quando a elite financeira e barões de mídia (a nata da plutocracia) tinha presença maior no governo.

Ainda não tivemos tempo de fazer todas as investigações necessárias sobre os nomes que a imprensa tem, a contragosto, vazado a conta-gotas.

Por que UOL/Globo não vazam tudo de uma vez?

Transcrevo abaixo post do Fernando Rodrigues, até pouco tempo o único “dono” da lista do HSBC, que menciona oito doleiros conhecidos no Brasil, que tinham contas secretas no Suiçalão.

Rodrigues dá destaque, como era de se esperar de um jornalista do UOL, a um doleiro ligado ao mensalão do PT, Dario Messer.

Acusações sem prova feitas, anos atrás, contra o PT, voltam a ser destaque no post de Rodrigues.

Por que não faz o mesmo para acusações ligadas à privataria tucana?

O jornalista da UOL pratica uma omissão previsível: não diz que o mesmo Dario Messer, segundo o livro Privataria Tucana (que traz documentos), de Amaury Ribeiro, informa que Messer também operou para Ricardo Sérgio, do PSDB, levando para fora o dinheiro sujo da privataria tucana.

Aliás, é curioso que o UOL “pule” os oito anos do PSDB quando faz associações entre o momento político brasileiro e o histórico de doleiros com contas secretas na Suíça.

Interessante ainda notar que quase todas as operações da Polícia Federal que resultaram em investigações contra doleiros, por evasão fiscal e remessa ilegal de dinheiro ao exterior, aconteceram na era Lula, sobretudo durante a gestão de Paulo Lacerda, de 2003 a 2007.

Era a época em que Gilmar Mendes e mídia acusavam a PF de transformar o Brasil num “Estado Policial”. Lembram?

*****

Oito doleiros envolvidos em escândalos de corrupção estão no SwissLeaks

Fernando Rodrigues,
no UOL.

Doleiros citados em escândalos como a Operação Lava Jato, o mensalão e o caso PC Farias aparecem na lista dos 8.667 brasileiros relacionados a contas no HSBC da Suíça. Em todos os casos, foram investigados pela suspeita de terem operado dinheiro de origem duvidosa e acobertado operações financeiras ilegais. Eles negam ter cometido irregularidades.

No acervo de dados do HSBC suíço, vazado em 2008 por um ex-funcionário do banco, aparecem Henrique José Chueke e sua filha, Lisabelle Chueke (caso PC Farias); Favel Bergman Vianna e Oscar Frederico Jager (propinoduto); Benjamin Katz (Banestado); Dario Messer (mensalão); Raul Henrique Srour (Lava-Jato) e Chaim Henoch Zalcberg (Operações Roupa Suja e Sexta-feira 13).

Chueke, tido nos anos 1990 como um dos doleiros mais ricos do Rio de Janeiro, foi acusado de ter alimentado contas do empresário Paulo Cesar Farias, tesoureiro de campanha de Fernando Collor de Melo, e de Ana Acioli, secretária do ex-presidente. Quando o escândalo veio à tona, os jornais publicaram que entre maio de 1991 e junho de 1992 o escritório de Chueke, situado no mesmo endereço da Belle Tours, empresa de sua filha Lisabelle, havia recebido 27 telefonemas da EPC, empresa de PC Farias. Nos registros do HSBC, Chueke e sua filha mantiveram uma conta conjunta de 24 de janeiro de 1989 a 28 de outubro de 2004.

MERCADO PARALELO

Vianna e Jager foram envolvidos no escândalo do propinoduto, revelado em 2003. Vianna foi assassinado com um tiro dentro de seu Audi, na Avenida Atlântica, no Leme, no Rio, em março daquele ano — 23 dias depois de o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter bloqueado US$ 9 milhões que ele mantinha em uma conta bancária em Nova York. O bloqueio estabelecido pelos americanos atendia a um pedido da Justiça suíça. Na época, as autoridades brasileiras suspeitaram que a conta de Vianna havia sido usada para remeter ao exterior dinheiro obtido ilegalmente pelos fiscais da Receita envolvidos no escândalo. O Ministério Público Federal também suspeitou que a conta de Vianna servia para lavar dinheiro da contravenção no Rio de Janeiro.

Mais recentemente, em 2004, os Chuekes, Jager e Vianna apareceram numa ação do Ministério Público Federal decorrente da Operação Farol da Colina, da PF. Eles foram acusados de evasão de divisas, formação de quadrilha e operação de instituição financeira sem a devida autorização.

Nessa ação, Vianna ainda foi acusado pelos procuradores de ter sido sócio de Jager em uma empresa chamada Eleven Finance Corporation, aberta nas Ilhas Virgens Britânicas. Segundo o MPF, a offshore teria sido criada para administrar uma conta com recursos de operações ilegais de câmbio. Nas planilhas do HSBC, os dois surgem dividindo uma conta identificada pelo nome “Eleven”. Ela foi criada em 24 de outubro de 1988 e fechada em 15 outubro de 1991. Em 2006/2007, estava zerada.

Abaixo, os dados das referidas contas (clique na imagem para ampliar):


Benjamin Katz foi investigado pela CPI do Banestado por “operar fortemente no mercado paralelo”. Não houve relatório final por divergência entre os membros da comissão. O nome de Katz aparece no caso SwissLeaks ligado a uma conta que durou apenas 15 dias, de 1º a 16 de outubro de 1991.

No episódio do mensalão, o doleiro Antonio Oliveira Claramunt, mais conhecido como Toninho da Barcelona, disse que Dario Messer recebia dólares do PT em uma offshore no Panamá e entregava ao partido o valor correspondente em reais no Banco Rural. Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, entre 1998 e 2003, Messer teria enviado irregularmente ao exterior pelo menos US$ 1 bilhão. Em 2005, a CPI dos Correios pediu à PF que o localizasse, mas ele havia embarcado para Paris. As planilhas do HSBC indicam que, em 2006/2007, Messer tinha US$ 69 mil depositados na Suíça.

Raul Henrique Srour foi citado na investigação da Operação Lava-Jato. De acordo com o MPF, ele fez parte do grupo do doleiro Alberto Youssef e atuou no mercado negro, fraudando identidades para realizar cerca de 900 operações de câmbio. Segundo os dados do banco suíço, Srour teve três contas, mas todas já haviam sido fechadas em 2006/2007, quando os dados foram extraídos do HSBC.

Henoch Zalcberg foi alvo de duas operações da Polícia Federal, a Roupa Suja e a Sexta-feira 13, realizadas em 2005 e 2009, respectivamente, para desbaratar uma quadrilha acusada de fraudar licitações, evadir divisas e lavar dinheiro. Em 2006/2007, a conta de Zalcberg no HSBC também já havia sido encerrada.

Participaram da apuração desta reportagem os jornalistas Bruno Lupion, do UOL, e Chico Otavio, Cristina Tardáguila e Ruben Berta, do “Globo”."






(De Miguel do Rosário, em seu blog 'O cafezinho', post intitulado "A vã tentativa da mídia de controlar o Suiçalão" - AQUI.

No Brasil, a máxima consagrada tem sido 'Se não deu no Jornal Nacional, não aconteceu!'. Ocorre que o escândalo das contas secretas do HSBC é de tal dimensão e gravidade que, de fato, não haverá, esperamos, como a grande mídia enterrar o assunto. Basta que a CPI atue com a requerida seriedade. É a oportunidade, enfim, de se flagrar sonegadores e colher pistas relacionadas a escândalos que há décadas permanecem 'abafados').

DIA MUNDIAL DA ÁGUA


Luscar.

O BRASIL E A ÁGUA


Maior aquífero do mundo fica no Brasil e abasteceria o planeta por 250 anos

Por Carlos Madeiro

Imagine uma quantidade de água subterrânea capaz de abastecer todo o planeta por 250 anos. Essa reserva existe, está localizada na parte brasileira da Amazônia e é praticamente subutilizada.

Até dois anos atrás, o aquífero era conhecido como Alter do Chão. Em 2013, novos estudos feitos por pesquisadores da UFPA (Universidade Federal do Pará) apontaram para uma área maior e nova definição.

"A gente avançou bastante e passamos a chamar de SAGA, o Sistema Aquífero Grande Amazônia. Fizemos um estudo e vimos que aquilo que era o Alter do Chão é muito maior do que sempre se considerou, e criamos um novo nome para que não ficasse essa confusão", explicou o professor de Instituto de Geociência da UFPA, Francisco Matos.

Segundo a pesquisa, o aquífero possui reservas hídricas estimadas preliminarmente em 162.520 km³ --sendo a maior que se tem conhecimento no planeta. "Isso considerando a reserva até uma profundidade de 500 metros. O aquífero Guarani, que era ao maior, tem 39 mil km³ e já era considerado o maior do mundo", explicou Matos.


O aquífero está posicionado nas bacias do Marajó (PA), Amazonas, Solimões (AM) e Acre --todas na região amazônica-- chegando até a bacias sub-andinas. Para se ter ideia, a reserva de água equivale a mais de 150 quatrilhões de litros. "Daria para abastecer o planeta por pelo menos 250 anos", estimou Matos.

O aquífero exemplifica a má distribuição do volume hídrico nacional com relação à concentração populacional. Na Amazônia, vive apenas 5% da população do país, mas é a região que concentra mais da metade de toda água doce existente no Brasil.

Por conta disso, a água é subutilizada. Hoje, o aquífero serve apenas para fornecer água para cidades do vale amazônico, com cidades como Manaus e Santarém. "O que poderíamos fazer era aproveitar para termos outro ciclo, além do natural, para produção de alimentos, que ocorreria por meio da irrigação. Isso poderia ampliar a produção de vários tipos de cultivo na Amazônia", afirmou Matos.

Para o professor, o uso da água do aquífero deve adotar critérios específicos para evitar problemas ambientais. "Esse patrimônio tem de ser visto no ciclo hidrológico completo. As águas do sistema subterrâneo são as que alimentam o rio, que são abastecidos pelas chuvas. Está tudo interligado. É preciso planejamento para poder entender esse esquema para que o uso seja feito de forma equilibrada. Se fizer errado pode causar um desequilíbrio", disse.

Mesmo com a água em abundância, Matos tem pouca esperança de ver essa água abastecendo regiões secas, como o semiárido brasileiro. "O problema todo é que essa água não tem como ser transportada para Nordeste ou São Paulo. Para isso seriam necessárias obras faraônicas (veja post abaixo). Não dá para pensar hoje em transportar isso em distâncias tão grandes", afirmou. (Fonte: aqui).

................
Em maio do ano passado, este blog trouxe o seguinte post, em que são abordadas alternativas para o abastecimento de água:


A solução norte-americana para o problema da água

Por Motta Araújo

Já há muito tempo as duas maiores cidades do Pais deveriam ter projetos prontos pra trazer água de longe. A cultura brasileira no setor de água é de que sendo o Brasil um Pais rico em água doce, toda cidade tem alguma fonte de água por perto, não cabe na nossa cabeça trazer água de muito longe.

Hoje há uma nova realidade. As mudanças climáticas tornaram o ciclo de chuvas muito mais irregular, os reservatórios perto das cidades já não dão conta do abastecimento, a poluição torna inservível a água de algumas fontes.

Está na hora do Brasil criar uma consciência de trazer água de longe, pois essa será uma das soluções para a escassez de água. Os EUA tem 18.293 (km) de canais artificiais construídos há muito tempo para trazer água de longe. O Estado da Califórnia não tem água, precisa trazer do Colorado ou do Oregon, a água viaja por canais ou por dutos de grande diâmetro; lá é algo tão normal que nem se pensa muito nisso. Los Angeles traz água de 650 quilômetros.

No Brasil, por causa da topografia, canais são mais difíceis do que dutos. Aquedutos resolveriam o problema de São Paulo trazendo água de uma distância média de 200 quilômetros, das represas de Jurumirim e Barra Bonita.

Para se ter uma ideia, o sistema de transporte de água por dutos da Líbia, quase pronto, tem 3.700 quilômetros de extensão. Por que será que o Brasil não tem essa cultura e todo mundo vê o problema da água como de difícil solução?

É um dos problemas mais simples de resolver, só depende de investimento, que não é tão grande. (Fonte: aqui).

....
"...o sistema de transporte de água por dutos da Líbia, quase pronto, tem 3.700 quilômetros de extensão...". Poderá ser a solução para aquele país - se a guerra tribal lá em curso não comprometer o projeto.


Quanto ao Brasil, seria alarmista o temor de que, no ritmo catastrófico em que o mundo se digladia com o problema da escassez de água potável, viéssemos a ter nossa Amazônia invadida e ocupada por outrem, de olho no aquífero?

DIA MUNDIAL DA ÁGUA


Musa Gumus. (Turquia).

DIA MUNDIAL DA ÁGUA


Fabrício Rodrigues.

FUTEBOL: FOX PÕE ÁGUA NA FEIJOADA GLOBAL

                Galvão quer saber: Ali Kamel levou outro drible do Edu Zebini,
                    da Fox – pode isso, Arnaldo?

A Fox acaba com a farra da Globo no futebol

Por Rodrigo Vianna

O Edu Zebini eu conheço bem. Foi ele quem, no Departamento de Esportes da Record, conquistou direitos de transmissão das  Olimpíadas, dos Jogos Panamericanos e da Copa dos Campeões. Deixou a Globo na poeira.
 
O Edu foi com a cara e a coragem pra Europa, falou com as pessoas certas, e quando a Globo percebeu já tinha levado a bola no meio das pernas…
 
O Edu hoje está na Fox. Ele é quem traça a estratégia da emissora que atazana a Globo.
 
Nos últimos dias, o Edu meteu outra bola no meio das pernas do Ali Kamel – este eu também conheço bem (ideólogo conservador, escreve livros para negar (!!) que haja racismo no Brasil, e ainda processa blogueiros que criticam a Globo).
 
Kamel – que é responsável pelo jornalismo e o esporte na Globo – se preocupa com os blogueiros e em fazer política contra o governo, enquanto o Edu cuida da Fox – que esta semana transmitiu com exclusividade o jogo do Corinthians na Libertadores.
 
A Globo põe futebol às 22h. Desrespeito com o torcedor! A Fox transmite às 20h.
 
Fora isso, de um lado está o Edu Zebini. De outro, o Ali Kamel. Quem você acha que tá ganhando essa parada?
 
O Edu está arrebentando a Globo. Mas quem conta a história é o jornalista esportivo Cosme Rímoli – de quem eu era leitor há muito tempo, e com quem tive a alegria de trabalhar no Pan de Guadalajara e nos Jogos Olímpicos de Londres. (Rodrigo Vianna)
 
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por Cosme Rímoli, em seu blog no R-7
 
Tudo estava muito tranquilo para a TV Globo e os canais Sportv até 2011. Desde 1995 havia a Fox Sports Latinoamérica. A empresa, um braço da Fox, do bilionário australiano Rupert Murdoch, não incomodava. Crescia na América do Sul, do Norte, Central. Por uma questão estratégica, o Brasil ficava fora do circuito. A multinacional só entraria no país quando estivesse estruturada, diante da importância comercial e da área continental brasileira.
 
Dinheiro nunca foi problema. A conceituada revista Forbes avalia o patrimônio de Murdoch em 14,1 bilhões de dólares, cerca de R$ 46,4 bilhões. Executivos do canal trataram de comprar os direitos de transmissão dos principais torneios das Américas, do mundo. Foi assim que atropelou a Globo e se tornou dona da Libertadores e da Sul-Americana, em 2011.

Estava tudo certo, já que colocaria no ar seus canais no ano seguinte. Teoricamente. Foi quando a Fox percebeu a força que a Globosat tem no mercado das tevês a cabo no país. A Net e Sky, de maneira muito estranha, se recusava a liberar canais para a emissora mostrar os torneios.

Mesmo assim, a fórceps, exerceu seu direito. E não cedeu a transmissão da Libertadores e da Sul-Americana para os canais Sportv em 2012. Justo nesse ano, o Corinthians foi campeão pela primeira vez do torneio. O sucesso para a Fox foi uma tragédia nos canais Globosat. A pressão ficou insuportável.

Executivos da Fox perceberam que haveria a necessidade de negociar, compartilhar com a Globo. Em troca dos seus dois grandes trunfos, a emissora exigiu três torneios para mostrar ao vivo: o Brasileiro, a Copa do Brasil e a Copa do Mundo.

Tudo certo? Mais ou menos. No Mundial, a Globo exerceu seus privilégios. Principalmente em relação à Seleção. Junto a isso, a pressão exercida enfrentada junto à Net e Sky nunca foi esquecida.
E o troco veio. Na reunião que ficou decidida a tabela da Libertadores deste ano, a empresa de Rupert Murdoch surpreendeu. Resolveu impor os seus direitos de dona da transmissão dos jogos. E exigiu, na confecção da tabela, dois jogos exclusivos do Corinthians. A Globo foi surpreendida. O clube, assim como o Flamengo, são os principais carros chefes do futebol na emissora. A ordem dos executivos é mostrar sempre que possível partidas dos dois. (...).

(Para continuar a leitura, clique aqui).

................
São interessantes os embates pela audiência, que produzem bons resultados para o público. Como se vê, também no universo esportivo o monopólio se revela danoso. Por falar em monopólio, vejamos o que disse um dos leitores do Escrevinhador:

"(...) a Fox de Murdoch esta envolvida em vários escândalos, em especial na Inglaterra, onde teve alguns de seus diários fechados. Os casos de manipulação e até mesmo de espionagem levaram a Inglaterra a discutir e a aprovar uma lei de meios que hoje é exemplo para o Mundo.
O que gosto no caso da Fox x Globo é o fato da Globo beber de seu próprio veneno (...)".

DIA MUNDIAL DA ÁGUA


Victor H.

PETROBRAS: O SUMIÇO DO VÍDEO


Globo tira do ar vídeo sobre a Petrobras (incluindo a compra de Pasadena)

Jean-Paul Prates, consultor na área de petróleo, comentou, em vídeo disponibilizado pela Globo no Youtube, a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, e outras mazelas que a Petrobras atravessa.
 
No referido vídeo, o especialista deixou claro que a atual discussão travada em torno de Pasadena é política e que assuntos dessa magnitude não podem ser tratados com oportunismo e de modo superficial.
 
O vídeo, porém, foi retirado do ar.
 
Não obstante, clique AQUI para vê-lo. Ou aqui).

sábado, 21 de março de 2015

CARTUM BÚLGARO


Stefan Despodov. (Bulgária).

REFORMA POLÍTICA QUE DESPOLITIZA


A reforma política que despolitiza

Por Antônio Augusto de Queiroz

O debate da reforma política ganhou impulso de novo no Congresso, com a Câmara e o Senado discutindo mudanças nos sistemas eleitoral e partidário, porém numa perspectiva de despolitização.

Na Câmara, a Comissão Especial da Reforma Política está em fase de audiência pública, ouvindo autoridades, especialistas e representantes da sociedade civil, mas já se sabe que os dois temas mais caros ao PT e aos movimentos sociais – o sistema eleitoral e o financiamento de campanha – terão um conteúdo diferente do defendido por eles.

Os textos tomados como referências para o debate são duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs): a 344-A/2013, de autoria do líder do DEM, deputado federal Mendonça Filho (PE), e a 352/2013, do então deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que fora coordenador de um grupo de estudo sobre o assunto na legislatura passada. Em ambas, os dois temas são tratados de modo distinto do pretendido pelos partidos de esquerda e pelos movimentos sociais.

O plano de trabalho da comissão está estruturado em dois blocos. O primeiro sobre sistema eleitoral e modelo de financiamento de campanha. O segundo sobre vários temas, como coincidência de eleições; fim de coligações, duração de mandatos, suplência de senador e voto facultativo, além de cláusula de desempenho; coligações em eleições proporcionais, federações partidárias; prazo mínimo de filiação partidária para efeito de disputa eleitoral.

A espinha dorsal de qualquer reforma política passa pelo sistema eleitoral e pelo modelo de financiamento de campanha. Os demais aspectos, embora importantes, são secundários frente à forma como se convertem votos em cadeiras no Parlamento e ao modo como são financiadas as campanhas eleitorais.

Quanto ao sistema eleitoral, a tendência do relator, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), é defender a substituição do sistema proporcional pelo voto distrital misto, proposta também pelo PSDB. O PMDB, por sua vez, defende a utilização do sistema majoritário (distritão) na eleição para as Assembleias Legislativas, Câmaras de Vereadores e Câmara dos Deputados.

Considerando que os dois maiores partidos, depois do PT, rechaçam a manutenção do sistema proporcional, bem como a troca do sistema de lista aberta pelo de lista fechada – que valoriza os programas, a ideologia e a doutrina dos partidos na disputa eleitoral –, a tendência é que a mudança seja para pior, na forma de eleição dos deputados e vereadores.

Para o relator, as vantagens do sistema majoritário, independentemente de sua modalidade, seja distritão, seja distrital misto, estariam supostamente no fato de aumentar a representatividade dos eleitos e aproximar os representantes dos representados, além de, na visão dele, reduzir os custos de campanha.

O argumento, entretanto, desconsidera a participação das minorias no processo eleitoral, cujas chances de eleição se reduzem drasticamente no sistema majoritário; despolitiza ainda mais o pleito, porque personifica cada vez mais a disputa eleitoral, deixando em segundo plano o debate de ideias, programas, doutrina e ideologia no processo eleitoral; e favorece o poder econômico nas campanhas eleitorais.

Em relação ao financiamento de campanha, a tendência do relator é apoiar o atual sistema de financiamento privado, com doação de pessoas físicas e jurídicas. A dúvida é apenas se as contribuições serão só para partidos ou se para partidos e candidatos. O financiamento exclusivamente público ou apenas do cidadão, com exclusão das empresas, terá a oposição das forças conservadoras e do relator na comissão.

O argumento, na verdade um sofisma, em defesa do financiamento por pessoas jurídicas é que não haverá mais financiamento empresarial para candidatos, mas apenas para partidos. Ora, como os partidos dispõem de autonomia plena de gestão (administrativa, financeira e orçamentária), seus dirigentes poderão direcionar tais contribuições empresariais para os candidatos que desejarem, sem nenhuma interferência externa ou regra de isonomia.

As contribuições empresariais, além de estarem na origem dos principais escândalos políticos no país, eliminam qualquer possibilidade de equidade na disputa eleitoral, já que as empresas decidem para quem doar e em que montante, prejudicando na disputa aqueles que não tiveram o mesmo nível de acesso a recursos.

Para fazer o contraponto nesse debate e evitar retrocessos, o PT e os movimentos sociais, se possível com o apoio do governo federal, devem trabalhar pelo aperfeiçoamento do sistema proporcional, defendendo o fechamento da lista, e resistir ao financiamento empresarial, que torna os governantes (gestores e parlamentares) reféns de doações de empresas, cujos interesses nem sempre coincidem com os interesses do povo.

Portanto, ou os partidos de esquerda e os movimentos fazem alianças na sociedade e no Parlamento por um modelo que valorize os partidos, combata a corrupção, torne a disputa mais equitativa, aproxime os representes dos representados, e, por fim, facilite a eleição de representantes de gênero, etnia e raça, ou as forças do atraso farão uma reforma que, em lugar de avanço, significará retrocesso. Dois movimentos são necessários nesse cenário: formar coalizão de resistência no Parlamento e mobilizar a população para forçar a consulta popular, mediante plebiscito, sobre a reforma política. (Fonte: aqui).

* Antônio Augusto de Queiroz é jornalista, analista político e diretor de Documentação do Diap.

REFORMA POLÍTICA É O FOCO

Thomate.

....
DIÁLOGO TRANSCENDENTAL

"Como dizia o velho sábio, e eu endosso: A virtude está no centro! Engana-se quem afirma que os caciques estão alheios à reforma política, e que o povo está pouco ligando. Acontece o contrário:  os caciques estão empenhadíssimos em fazer a reforma política... dos sonhos do Centrão!" 

"E quanto ao povo?"

"Do centro ou da periferia?"

(Pano rápido).

CARTUM PRECAVIDO


Yuri Ochakovsky. (Israel).

EM DEFESA DO DESTINO DEMOCRÁTICO DO BRASIL


"No dia 15, em meio a um mar de ódio, a um turbilhão de palavrões, a um desfile de símbolos pavorosos e esqueletos insepultos do período ditatorial, algo quase passou despercebido.

Nas redes sociais, uma intensa militância reagiu com uma hashtag simples, direta e poderosa: #MenosOdioMaisDemocracia.

Mais importante do que o slogan ter ficado em primeiro lugar nos tópicos mais divulgados pelo Twitter no Brasil e chegado a terceiro no mundo é o fato de que ele consagrou-se como a palavra de ordem essencial de uma luta que mal começou e está longe de acabar.

A batalha que se trava agora é maior do que simplesmente a de defender um governo eleito que é fustigado por um golpismo indisfarçado.

O que está em jogo e precisa de ser defendido com unhas e dentes é o próprio destino democrático do país, o legado de direitos da Constituição de 1988 e os avanços sociais da última década, diante do risco de grupos que se organizam para ameaçá-los com seu entulho autoritário.

Muitos consideram esse problema algo fora de hora, pois os grupos extremistas seriam minoritários. É verdade, são minoritários, como eram minoritários os nazistas, os macartistas, o Comando de Caça aos Comunistas, os que baixaram o Ato Institucional nº 5. O poder do extremismo nunca foi e nunca será uma questão numérica.

Dizem que os grupos que convocaram as manifestações são muito diferentes entre si. Dizem que o pessoal do #VemPraRua, aquele para quem o povo "não está preocupado com os detalhes jurídicos do Impeachment" (pois é, a eleição de um presidente da República, de repente, virou um mero detalhe jurídico) é diferente do "Revoltados Online", o grupo que defende que o melhor candidato à presidência é Jair Bolsonaro.

Por sua vez, ambos são diferentes do "Movimento Brasil Livre" (MBL), que diz expressamente que "não acredita no uso da forca [sic] para fins políticos" - eles ainda não externaram sua posição quanto ao apedrejamento, à fogueira, ao empalamento e a outros métodos antigos e medievais.

Devem ser mesmo diferentes e, possivelmente, a maioria dos que fizeram a multidão nas ruas não deve ter a mínima ideia nem de que eles existem.

A questão é que o poder de atração desses grupos cresce à medida em que aumenta a insatisfação não apenas com o governo, mas com a política e as instituições, de uma forma geral.

Não se pode analisar a conjuntura atual olhando apenas o dia 15. É preciso enxergar adiante. O "Fora, Dilma" e "Fora, PT" é disputado por duas orientações distintas e paralelas.

O PSDB e outros partidos de oposição querem simplesmente desgastar o governo até o osso, deixá-lo prostrado, derrotar sua agenda no Congresso e ganhar as eleições municipais do ano que vem com ampla margem de votos, acumulando forças para 2018.

Enquanto isso, os dois piores grupos de trombadinhas dos protestos querem mais. Querem esculhambar a política e as instituições do país, eliminar adversários, alguns com o uso da forca [sic] mesmo, e intimidar não apenas partidos e organizações sociais, mas pessoas que pensam diferente - sejam elas propriamente de esquerda ou aquelas que, simplesmente, são estigmatizadas por não engrossar o coro dos descontentes.

Esses grupos extremistas sabem muito bem que têm uma longa jornada adiante. Como o inquérito aberto no Supremo não traz qualquer evidência de crime de responsabilidade contra a presidenta da República, é óbvio que a narrativa desses grupos autoritários ultradireitistas espera apenas o momento certo para jogar a culpa no Congresso e no Judiciário por não terem feito nada [nada do que esses grupos queriam, obviamente].

A frustração a ser gerada com uma eventual não ocorrência de impeachment está sendo cozida em fogo alto para fermentar a adesão, se não a um golpe militar, à formação de algo que nunca existiu no Brasil: um grande partido de extrema direita, permanentemente mobilizado, agressivo, violento, com uma legião cada vez maior de adeptos e financiados empresarialmente - como é comum a qualquer partido de extrema direita. O fenômeno tende a superar o famigerado Integralismo.

Esse projeto político tem no ódio sua principal ideologia e na tibieza de muitos democratas sua grande avenida. A criação de um grande partido de extrema-direita ajudaria a estreitar o espaço democrático, a 'endireitar' até partidos de centro, e a dar substância ainda maior a uma mídia que pulveriza veneno todos os dias sobre a sociedade.

O extremismo daqueles que falam em liberdade, mas a tratam como um emblema vazio ou um polidor de sabres; daqueles que incitam à violência contra adversários políticos; esse extremismo atroz se alimenta e cresce protegido pela confusão irresponsável e pusilânime de que a democracia e a liberdade de expressão dão amparo ao vale-tudo.

Mais que uma palavra de ordem, #MenosOdioMaisDemocracia tornou-se uma insígnia, uma bandeira de todos os democratas e humanistas, inclusive liberais, contra aqueles que preferem a barbárie e as ditaduras.

"Menos ódio e mais democracia" é o escudo que precisa ser empunhado por todos aqueles que sabem o quanto custou ao Brasil redemocratizar-se, depois de uma noite que durou 21 anos.

É preciso estancar o ciclo da intolerância antes que seja tarde demais."




(De Antônio Lassance, cientista político, post intitulado "Menos ódio, mais democracia" - aqui).