segunda-feira, 18 de julho de 2011

OITO COPOS DE ÁGUA



Oito copos de água

Ivan Lessa

Nós todos, a humanidade, para sobrevivermos, precisamos de oito copos de água (cada um de 8 onças líquidas) por dia. A isso chamam de “a lei dos 8 x 8”.

Não me canso de ver gente, principalmente agora, no verão, carregando sua garrafinha, ou garrafona, de água na mão. Nas ruas, teatros, cinemas, na condução, onde estiverem.

Há inclusive, pegando uma bela carona na superstição (já chego lá), cinturões especiais de fino material e acabamento, muitos de grife, que vêm com o espaço para encaixar aquele que já foi o “precioso líquido” e hoje substitui, com desvantagem, creio, o cigarrinho ora proibido.

Os médicos recomendam os tais “8 x 8”. Aqueles mesmos senhores que não sabem o que é nem como atua no organismo humano a aspirina.

Felizmente, como em toda profissão, há, aqui e ali, lampejos de sensatez. Que é o caso da doutora Margaret McCartney, de Glasgow, na Escócia, que, em artigo publicado há pouco na mais respeitada publicação, talvez mundial, do gênero, o British Medical Journal revelou o que nós, pessoas sóbrias e equilibradas, sempre desconfiamos – mais: sempre soubemos --: qual seja, isso é exagero.

A dra. McCartney vai mais longe, pois como boa escocesa não tem meias-palavras, só palavras completas. Diz ela, a uma certa altura que esses 8 copos de água por dia constituem “um absurdo que chega ao ridículo”.

Enfileirando com o devido rigor sua argumentação, ela afirma o que seus colegas de profissão sempre souberam: não há nenhuma prova científica de que o corpo humano precisa de tanta água por dia. E prossegue dizendo que o corpo humano regula seu próprio consumo de água quando necessita substituir o consumo do fluido em questão.

A ilustre doutora McCartney é definitiva em seu esboço de tratado. O corpo humano quando precisa mesmo de água tem sede. Esse o mecanismo básico a ser posto em funcionamento.

Tudo depende da atividade em que o indivíduo está envolvido e quanta água contém o que ele ingere na comida. Isso para não falar de fatores como o calor e as condições médicas da pessoa.

Para os que, além de viciados (não há outra palavra) em água, são ainda chegados a uma reciclagem, saibam que 1 tonelada e 500 milhões de quilos de plástico são utilizados pela indústria potável em recipientes plásticos, por sinal de difícil e dispendiosa reciclagem.

Parabéns pois à Volvic e à Evian por contribuir para a ignorância da plebe dita “esclarecida”, para não dizer maníaca também, pelo produto inodoro e insípido que faz, para uns poucos, lucros de milhões e aufere (para) um dinheirinho razoável para seus acionistas. (Fonte: BBC Brasil)
                    
Heinz Valtin, fisiologista americano, não encontrou em suas pesquisas, motivadas pelo ensaio da dra. McCartney, nenhuma referência aos tais 8 copos de água diários “imprescindíveis” para nossa saúde.

Apenas que, em 1945, a Junta de Nutrição de seu país opinou (eram mais tolerantes então) que o que comemos já possui os fluidos necessários para o nosso funcionamento adequado.

No que voltamos ao lendário popular. Consta das crendices dos menos dotados de luz que 8 copos de água diários são sensacionais para tratar de infecções do trato urinário e melhorar a tonalidade da pele, além de reduzir as dores de cabeça e auxiliar nos casos de constipação, que, aliás, acrescenta Valtin, os rins cuidam do problema diretinho, sem auxílo de qualquer copo de água de grife ou sem grife.

Portanto, vamos parar de fazer rolar esse aguaceiro desatinado. E, com a devida moderação, optar pela boa e velha água de bica. Que é grátis.

POR QUE EVA COMEU A MAÇÃ


No início, Eva não queria comer a maçã.

- Come! - disse a serpente - E serás como os anjos!

- Não! - respondeu Eva, virando o rosto para o lado.

- Terás o conhecimento do Bem e do Mal! - insistiu a víbora.

Eva cruzou os braços, olhou para a serpente e respondeu firme:
- Não!

- Serás imortal!

- Não! Já disse!

- Serás como Deus!

- NÃO e NÃO! Já disse que NÃO!

Irritadíssima, a serpente já estava desesperada e não sabia mais o que fazer para que aquela mulher, de princípios tão rígidos e personalidade tão forte, comesse a maçã. Até que teve uma ideia, já que nenhum dos argumentos havia funcionado. Ofereceu novamente a fruta e disse com um sorrisinho maroto:

- Come, boba!! EMAGRECE!!

FOI TIRO E QUEDA!

(Fonte: AQUI).

ECOS DA COPA: PÊNALTES LUNÁTICOS


Charge de DePieri.





Charge de Biratan.

domingo, 17 de julho de 2011

JOGÃO DE BOLA


A final da Copa do Mundo de Futebol feminino foi arrebatadora: disputa acirrada, garra, toques sutis - e superação.

Muito boas as seleções japonesa e americana, e a primeira, que conseguiu por duas vezes sair da situação de desvantagem no placar, demonstrou a pertinência da associação do nome de seu país à palavra superação.

Viva a seleção japonesa!

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Já a Copa América...

ENFIM, A SOLUÇÃO


Por Laerte.

ESCÂNDALO CONTINUADO


A ex-editora do tabloide News of the World Rebekah Brooks foi presa neste domingo, em Londres.

Brooks deixou a posição de presidente-executiva do grupo News International, pertencente a Rupert Murdoch, na última sexta-feira após enfrentar pressão devido a seu suposto envolvimento com o escândalo de grampos telefônicos e compra de informações de policiais.

A polícia de Londres confirmou que Brooks, de 43 anos, está detida, suspeita de envolvimento em corrupção e em conspiração para interceptar comunicações.

Ela é a décima pessoa a ser presa durante as investigações do escândalo envolvendo o jornal News of the World, que teve sua última edição publicada uma semana atrás. (Fonte: BBC, citada pelo blog Tijolaço).

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Nesse ritmo, o império do australiano Rupert Murdoch, onde o sol nunca se punha, chegará ao crepúsculo. Perdeu o News of the World, teve vetada a compra da Sky, vê o Sunday Times também encalacrado e autoridades americanas avaliando desdobramentos das falcatruas nos EUA. Good news.

sábado, 16 de julho de 2011

DAMA DE LETRAS


Miss Bodoni, criação de David Harris.

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Dica do amigo João Antonio Buhrer. A colagem evoca as Caricaturas de Letra, do dileto parceiro Biratan Porto.

REFÉNS DO GALANINA


Europeus são programados geneticamente para consumir mais álcool e gordura, diz estudo

Descendentes de europeus podem ser programados geneticamente para consumir mais comidas gordurosas e álcool do que pessoas originárias de outras partes do mundo, segundo estudo feito na universidade escocesa de Aberdeen.

Cientistas afirmam que um tipo de interruptor, ou DNA que ativa e desativa o gene galanina dentro das células, regula a sede e o apetite.
"O interruptor controla áreas do cérebro que nos permite selecionar comidas que gostaríamos de comer e, se ele está ligado com intensidade, temos chances maiores de querer comer comidas mais gordurosas e álcool", disse à BBC Alasdair MacKenzie, responsável pela pesquisa.

"O fato de que o interruptor mais fraco é encontrado com frequência maior nos asiáticos, em comparação com os europeus, sugere que eles teriam inclinação menor de selecionar estas opções."

O cientista afirma que "é possível que durante o inverno os indivíduos com o interruptor mais fraco não sobrevivessem tão bem na Europa como os que tinham o dispositivo mais forte e, como resultado, as pessoas no Ocidente teriam evoluído favorecendo uma dieta mais rica em gordura e álcool".

"Os resultados nos oferecem uma visão da vida dos antigos europeus, quando os laticínios e a cerveja eram fontes de calorias importantes durante os meses de inverno. Desta forma, a preferência por comidas com mais gordura e álcool seria importante para a sobrevivência."

"Os efeitos negativos da gordura e do álcool que vemos hoje não teriam importado tanto na época, quando a expectativa de vida variava entre 30 e 40 anos."

O estudo também relacionou o gene com a depressão: "A galanina também é produzida em uma área do cérebro chamada amígdala cerebelosa que controla o medo e a ansiedade. Portanto, níveis variáveis de galanina na amígdala afetam o estado emocional do indivíduo." (...)

Fonte: BBC Brasil.

LIMITES AO BUNGA-BUNGA


(Diário Gauche; Contexto Livre).

sexta-feira, 15 de julho de 2011

CCBB ENTRE OS MUSEUS MAIS VISITADOS DO MUNDO


Cinco museus brasileiros estão entre os mais visitados do mundo

Por Marco Antonio L, do G1

Um prédio de linhas neoclássicas no centro do Rio está situado ao lado da Igreja da Candelária. Este é o endereço de um recordista brasileiro. Dentro do local, encontra-se arte, arte e mais arte. Nos país do samba, da praia e do futebol, temos um museu na lista dos mais visitados do planeta. O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio, ficou em 14° lugar, no ranking internacional, com o público de mais de dois milhões de visitantes em 2010.

Na lista, temos outros museus importantes: o mesmo CCBB, em Brasília e em São Paulo, o MASP e a Pinacoteca, também na capital paulista. Quem ocupou o primeiro lugar, sem surpresa, foi o Louvre, em Paris. Mas o que tem feito "ferver" os museus brasileiros? “Na realidade, é um trabalho educativo que vem dos primórdios do CCBB. É quebrar esse estigma de que a arte só pode ser consumida ou só pode ser vista por aqueles que já detêm o conhecimento prévio sobre ela”, explica o gerente de programação do CCBB-RJ Danon Lacerda.


Alguns números são impressionantes. Uma exposição do artista plástico holandês Escher teve, em menos de dois meses, quase o mesmo público que todo o campeonato carioca nos estádios no Rio.

A melhor propaganda para os museus, que geralmente têm pouco dinheiro para investir em publicidade, é a boca a boca. De uns tempos pra cá, ela tomou outra dimensão por causa da tecnologia. A internet com as redes sociais, tem ajudado, e muito, os museus brasileiros a garantir outro público. Quem vem e gosta, espalha na rede.

Mas dois outros fatores também são importantes: as obras interativas estimulam a criatividade e a sensibilidade para portadores de necessidades especiais. Eles enxergam de um jeito especial e têm a ajuda de um cão guia nos corredores. “É outra imagem que a gente acaba tendo. É outra visão, porque a gente não precisa enxergar para ter o sentido da visão de deduzir e imaginar”, explica a estudante Vanessa da Silva.

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O CCBB oferece obras que vão do clássico ao experimental, do erudito ao popular, dos grandes mestres aos talentos iniciantes. Instalado no número 66 da Rua Primeiro de Março, é uma das jóias arquitetônicas do Rio de Janeiro. Seus espaços, organizados e adornados com elementos neoclássicos, abrigam três teatros, sala de cinema, sala de vídeo, cinco salas de exposições, biblioteca com 140 mil títulos, museu e arquivo histórico, videoteca e salão para conferências e palestras. O freqüentador dispõe ainda de restaurante, casa de chá, bombonière e loja de produtos culturais.

OLD CARTUM


Gérard Lauzier. Cartunista francês. 1932-2008.

O RESGATE DO DINHEIRO SUJO

Deu no Última Instância:

União resgata R$ 55 milhões desviados na construção do TRT-SP

A Justiça Federal em Brasília determinou a transferência imediata para o Tesouro Nacional de aproximadamente R$ 55 milhões em créditos pertencentes ao Grupo OK, do ex-senador Luiz Estevão. O dinheiro é parte do valor desviado durante a construção do fórum trabalhista de São Paulo. Estima-se que o esquema, que também envolvia o juiz Nicolau dos Santos Neto entre outros, causou um rombo de quase R$ 170 milhões aos cofres públicos.

Segundo informações da AGU (Advocacia Geral da União), este é o maior resgate de dinheiro público desviado por corrupção já registrado no país. Os recursos já haviam sido bloqueados pela Justiça em ações que o governo moveu para executar a condenação imposta pelo TCU (Tribunal de Contas da União) ao Grupo OK no caso do TRT de São Paulo.


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Notícia altamente positiva.

PROPAGANDITE MÓRBIDA


O vergonhoso parecer do CONAR

Por Mariana Ferraz, no Última Instância

“Da mesma forma que Suécia e Dinamarca tem por base evitar que suas crianças de olhos azuis fiquem gordinhas, o Brasil tem por base acabar com a desnutrição dos nossos meninos moreninhos. Ao contrário dos Estados Unidos, aqui o Mc’Donalds não é vício, é aspiração.” “Cada vez mais crianças pedirão um brinquedo para o pai e este orgulhosamente dirá: Sim, eu posso!” - Trechos do parecer de Enio Basilo Rodrigues aprovado por unanimidade pelo Conar (Conselho Nacional de Autoregulamentaçao Publicitária) - (...).

Não foi trote no Twitter nem no Facebook, trata-se de parecer oficial do Conselho Nacional de Autoregulamentaçao Publicitária aprovado por unanimidade a respeito de denúncia sobre publicidade dirigida ao público infantil. (...)

O texto, que deveria ser um parecer técnico e fundamentado sobre denúncia encaminhada ao órgão, saiu completamente da esfera da formalidade e passou a registrar ofensas ao denunciante - o Instituto Alana -, caracterizando-o como "bruxa", desmoralizando a atuação da organização, que tem trabalhado há mais de 10 anos de forma séria sobre a questão do consumismo e publicidade abusiva direcionada ao público infantil.

A denúncia apontava propaganda de rede de fast food dirigida a crianças menores de 12 anos, que oferecia brinquedos como brindes. (...) a publicidade infringia o Código de Autorregulamentação Publicitária, o próprio código de ética da empresa e o acordo de autorregulamentação firmado junto à Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos) e à ABA (Associação Brasileiras dos Anunciantes), em 2010.

A venda de alimentos com brinquedos é alvo de críticas em todo o mundo. O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) entende que a publicidade direcionada ao público infantil é por si abusiva, pois se aproveita da inocência e falta de experiência próprias da criança para incitar o consumismo. Técnicas de marketing como a associação de produtos a brindes ou a personagens de desenho animado apelam para uma comunicação direta com a criança e, o que é mais grave, na maioria das vezes estão associadas ao consumo de alimentos não saudáveis.

De acordo com o Ministério da Saúde, 30% das crianças brasileiras estão com sobrepeso e 15% já estão obesas. Vale também relembrar que metade da população brasileira adulta está acima do peso. Entre os 20% mais ricos, o excesso de peso chega a 61,8% na população de mais de 20 anos. Também nesse grupo se concentra o maior percentual de obesos: 16,9%. Dados esses que decerto passam longe do conhecimento do Conar.

Com efeito, o Conar presenteou a sociedade civil com um atestado de seu despreparo e falta de seriedade para lidar com o tema. Certamente esse não é o fórum apropriado para tratar de importantes questões tal qual a vulnerabilidade infantil diante das estratégias de marketing e seus impactos na saúde dos brasileiros.

RISCO DE CALOTE


Charge de Nani.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

UM BANCO ESTRATÉGICO


O jornal britânico Financial Times pretendia criticar diretamente o brasileiro BNDES, mas espertamente bolou a estratégia de listar juízos prós e contras (carregando nesses), sem nominar os consultados, é o que se constata da leitura de matéria publicada no Estadão sobre o assunto.

Aspecto positivo: o BNDES empresta e investe em uma base estritamente comercial, mas o apoio da instituição foi fundamental para a criação de grandes conglomerados brasileiros como a Brasil Foods, maior exportador mundial de frango, e a JBS, maior exportador mundial de carne bovina. Segundo o FT, essa 'criação de heróis nacionais' seria uma postura lançada pelo governo Lula.

Outro ponto positivo: o BNDES provê financiamento de longo prazo no Brasil em uma área na qual os credores privados são cautelosos.

Aspecto negativo: os empréstimos concedidos pelo banco na realidade expulsam o setor privado e sua política generosa de crédito ajuda a alimentar a inflação. "O banco empresta a taxas subsidiadas, supostamente prejudicando os esforços do Banco Central de conter a inflação aumentando as taxas de juros", afirma o texto.

Mais um aspecto negativo: os empréstimos nao são estratégicos, pois não favorecem companhias inovadoras ou indústrias de tecnologia intensiva para ajudar o Brasil a produzir e exportar com mais valor agregado.

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Quando veio a crise financeira mundial e, no Brasil, todos os bancos privados restringiram suas aplicações, os bancos estatais é que seguraram as pontas, a ponto de pela primeira vez alcançarem o topo do ranking em volume global de aplicações. Os bancos estatais, à frente o BNDES, foram responsáveis, em parte, pelo sucesso do Brasil.

Há alguns dias, jornais deram conta (sem muito destaque, é fato) de que Barack Obama, refém da banca privada e desolado ante a persistência do marasmo econômico nos EUA, teria lamentado o fato de não contar com um banco tipo BNDES.

Com o perdão pelo exagero, bem-aventurados os Estados que contam com bancos próprios sólidos, consolidados e detentores de expertise!

De outra parte, são perfeitamente compreensíveis os cangapés dos arautos do neoliberalismo diante da ação positiva de agentes como os bancos estatais...

A SÍNDROME DO GRAMPO


Cartum de Ares.

GIGANTES DO FUTEBOL


Os escritores e jornalistas João Máximo e Marcos de Castro vão lançar a segunda edição do livro Gigantes do Futebol Brasileiro (a primeira é de 1965).

São 21 gênios, entre eles: Friedenreich e Ademir, Fausto Silva e Domingos da Guia, Leônidas da Silva e Tim, Romeu e Zizinho, Heleno de Freitas e Didi, Danilo e Nilton Santos.

A nova versão de Gigantes do Futebol Brasileiro traz capítulos sobre jogadores mais contemporâneos – como Ronaldo, que encerrou carreira há poucos meses – e Gérson, Rivellino, Tostão, Falcão, Zico e Romário.
 

Na primeira edição, o prefácio era de autoria de Paulo Mendes Campos. Texto mantido na segunda, que ganha reforço de peso com a apresentação assinada pele cronista Luis Fernando Verissimo.
(Fonte: Coluna Porteira)

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As ilustrações/caricaturas são de Ique.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

TÁ PENSANDO O QUÊ?


Por Ben Heine.

O ESTADO PALESTINO


Manifesto da campanha pelo Estado da Palestina Já!

 
O Povo Palestino tem o direito de ter o seu próprio Estado, livre, democrático e soberano! Em 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Plano de Partilha da Palestina, que resultou na criação do Estado de Israel. Essa iniciativa criou uma tragédia cotidiana para o povo palestino. Mais de 500 vilas e comunidades palestinas foram destruídas. Milhares foram presos, torturados e assassinados.
 
Palestinos foram expulsos de suas casas e de centenas de cidades. Cerca de 4,5 milhões de refugiados palestinos vivem hoje pelo mundo, sendo que a maioria destes se encontra nas fronteiras da Palestina ocupada, e o Estado de Israel segue negando o direito de retorno para todos. A ocupação militar israelense, com o apoio das potencias ocidentais, avançou e conquistou novos territórios, em Gaza, Cisjordânia, Jerusalém e até mesmo nas terras sírias das Colinas de Golã e no Sul do Líbano.
 
Caberá à ONU, com base no direito internacional e em suas próprias resoluções (em especial a 181, de 1947, que reconhece o Estado da Palestina), ratificar e admitir o Estado da Palestina como membro pleno da organização, caso contrário, será conivente com os crimes cometidos pelo colonialismo israelense contra o povo palestino.
 
Em setembro deste ano, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), reconhecida internacionalmente como única e legítima representante do povo palestino, irá solicitar da ONU a aprovação do Estado da Palestina como membro pleno desta organização.
 
Enquanto o povo palestino vem insistindo por uma paz justa para o conflito, os sucessivos governos israelenses continuam não cumprindo as inúmeras resoluções da ONU, mantendo nos cárceres mais de oito mil presos políticos, reprimindo violentamente as manifestações pacíficas de palestinos e israelenses que defendem a criação do Estado da Palestina e seguindo na construção do muro do apartheid ou muro da vergonha, um muro que hoje já tem cerca de 500 km de extensão, e que proíbe a livre circulação de pessoas e produtos entre as cidades e vilas palestinas.
 
Uma paz justa e duradoura pressupõe a criação, de fato, do Estado da Palestina, e a inclusão deste como membro pleno da ONU, com todos os direitos e deveres que tal decisão implica.
 
Estados Unidos e Israel comandam a oposição sistemática para que os direitos inalienáveis do povo palestino ao retorno e à autodeterminação não sejam cumpridos.
 
Se a ONU permitiu a incorporação do Estado de Israel como membro pleno, apesar do mesmo não obedecer aos princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas, e de violar cotidianamente os direitos humanos, econômicos, sociais, políticos e culturais dos palestinos, é preciso que o Estado da Palestina também tenha o direito de existir plenamente já.
 
Apoiaremos as mobilizações populares dos palestinos que lutam contra o governo antidemocrático de Israel. Nós, militantes de organizações representativas do povo brasileiro, afirmamos: apoiar o povo palestino é apoiar todos os povos em sua caminhada de paz, justiça e liberdade!
 
Comitê Palestina Livre

FUSÃO IMAGINÁRIA


Charge de Pelicano.

DO HIPER-REALISMO


Quando a fotografia surgiu mexeu muito com o mundo das artes plásticas. Os mais pessimistas achavam que ela iria acabar com as artes visuais, mas a verdade é que ela contribuiu mesmo com alguns pintores.

Pintores como Denis Peterson (autor da obra acima) são a mostra de como artes visuais e fotografia podem conviver harmoniosamente. Ele foi um dos pioneiros no uso das técnicas do hiper-realismo que surgiu entre as décadas de 1960 e 1970 nos EUA.

Utilizar-se de fotografias como meio para apreender todos os detalhes de uma imagem e reproduzi-la com tinta acrílica sobre tela: é assim que alguns críticos resumem o trabalho dos pintores hiper-realistas ou fotorrealistas.

Porém, este estilo artístico vai mais além: assim como a pop art, o que o hiper-realismo propõe é a apropriação dos símbolos da cultura de massa e do cotidiano pela arte. Contudo, ambas as correntes artísticas voltam-se para aspectos diferentes dentro da proposta: a pop art se apropria de objetos estandardizados e ícones do mundo da mídia, enquanto o hiper-realismo busca conferir a algo massificado o valor de obra particular. Retira o objeto de seu circuito habitual - no caso das pinturas de Denis Peterson, isso se dá com a imagem original - e o recupera como objeto de arte. Como bem definiu o também Hiper-realista Richard Thorpe McLean, o que esses artistas fazem é “re-autenticar o evento fotografado como um puro evento pictórico.” (...)

Fonte: Jéssica Parizotto, no Obvious. Para ler mais, CLIQUE AQUI.

YEAH!


ADEUS, ENCICLOPÉDIAS


Cartum de Crist.

terça-feira, 12 de julho de 2011

JOSÉ DE FREITAS E A INCLUSÃO DIGITAL


Inclusão digital muda realidade de José de Freitas

Como lousas digitais e computadores foram capazes de reduzir os índices de evasão e repetência escolar na cidade de 36 mil habitantes localizada a 48 quilômetros de Teresina, no Piauí


Em José de Freitas, cidade do Piauí com pouco mais de 36 mil habitantes, a realidade de cerca de 2.000 alunos do 1º ao 5º ano primário mudou graças à tecnologia. Computadores, lousa digital e aparelhos desenvolvidos para o ensino de português e matemática atraíram a atenção dos estudantes e incentivaram professores.

O resultado foi queda nas taxas de reprovação e de evasão escolar. O Ministério da Educação lançou um desafio à Positivo Informática: implantar a tecnologia educacional desenvolvida pela empresa em um dos 1.300 municípios brasileiros com baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

A escolha de José de Freitas se deu pela proximidade com uma capital fica a 48 quilômetros de Teresina e pela possibilidade de atender a todos os estudantes do 1º ao 5º ano das 11 escolas públicas do município. O projeto implantado em 2009 rendeu rápidos resultados.

Para Maria do Livramento, diretora da Escola Estadual Levy Carvalho, que não tem biblioteca nem mesmo telefone, a maior dificuldade para os professores era a falta de metodologia. A união da tecnologia com conteúdo didático e formação do professor resultou em uma aula completa, alegre e dinâmica.

A taxa de reprovação, que era de 50%, agora é quase nula, comemora. Os professores, que antes contavam apenas com lousa, giz e conteúdo didático tradicional, agora utilizam durante as aulas o portal Aprende Brasil, que oferece material didático de apoio para todas as disciplinas, além de centenas de jogos educativos, passatempos e desafios que prendem a atenção da criança e ajudam a fixar o conteúdo.
Com a finalidade de mostrar que a tecnologia pode contribuir, e muito, para formação educacional, o projeto trouxe avanço na alfabetização dos estudantes. Muitos alunos não sabiam ler, somente desenhavam as letras, diz Regina Silva, diretora de projetos educacionais da Positivo Informática.

Processo de transição
A professora do 1º ano da escola estadual Engenheiro Vicente Batista, Regina Lima, confessa que, à primeira vista, tanta tecnologia assustou. "Nunca tive contato com computador ou lousa digital. Fiquei apreensiva. Mas depois do treinamento percebi o quanto as soluções me ajudariam nas aulas." Os educadores tiveram cerca de 500 horas de treinamento e podem contar com um monitor, que fica à disposição nas escolas, para qualquer dúvida.

Os alunos têm acesso ao laboratório no mínimo três vezes por semana, em aulas de 50 minutos. Com certeza as novas atividades melhoraram o desempenho; percebo maior rapidez de raciocínio devido à prática de aprendizado paralelo ao conteúdo ministrado , diz a professora Regina. Ela acrescenta que, agora, a única dificuldade é tirar os alunos do laboratório após o término das aulas.

Mudança de didática
O modelo de ensino tradicional, no giz e livro, é pouco eficiente para algumas partes do currículo educacional. Isso acontece principalmente nas primeiras séries, cuja introdução básica do português e matemática exige muita repetição de informação, o que pode entediar o aluno , afirma Edgard Cornachione, pesquisador na área de tecnologias instrucionais.

Francisco da Rocha, de 9 anos, cursa a 4ª série e afirma que as aulas são mais atrativas, pois a turma não fica mais o dia inteiro dentro da mesma sala. Agora vamos para o laboratório, as aulas ficaram mais legais e mais cheias, meus amigos quase não faltam, conta o garoto.

Segundo teorias educacionais, as crianças aprendem por tentativa e erro. Para o professor Cornachione, os alunos que são instruídos com o auxílio de programas de computador, por exemplo, têm menos medo de errar, pois o processo é mais dinâmico.

As novas gerações podem utilizar instrumentos de simulação que permitem o erro sem consequências. Camila Lima dos Santos, de 10 anos, nunca tinha visto um computador.

Ela conta que as aulas ficaram mais divertidas e os conteúdos mais fáceis de aprender. Agora, a gente fica com mais vontade de ir à escola. O que mais gosto é o jogo de tabuada, pois minha matéria preferida é matemática, diz a menina. Quero me formar em Medicina para salvar a vida de outras pessoas, sonha. (
Fonte: Brasil Econômico/IQE Instituto Qualidade no Ensino).

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Iniciativa bem interessante. Melhores resultados poderão ser alcançados quando as escolas contarem com bibliotecas. A Escola Estadual Levy Carvalho, citada no texto, "não tem biblioteca nem mesmo telefone". Outras certamente apresentam tais carências. 

SAUDOSISMO


Cartum de Nani.

O ANO NETUNIANO


Netuno, 1 ano

Carlos Orsi

Faz um ano que o planeta Netuno foi descoberto. Ou, ao menos, um ano netuniano: é apenas hoje -- 60.150 dias, ou 164 anos e nove meses depois -- que o oitavo planeta do Sistema Solar retorna à mesma posição de sua órbita em que se encontrava em 24 de setembro de 1846, quando foi oficialmente descoberto.

"Oficialmente" porque a existência do planeta já havia sido prevista matematicamente por Urban de Verrier e John Couch Adams, em cálculos realizados em 1845. Houve uma certa disputa entre De Verrier e Adams quanto à autoria orginal dos cálculos, mas a observação que detectou o planeta foi feita com base nas contas do francês.

Para ler todo o post, CLIQUE AQUI.

FLAGRANTE DO I FESTIVAL DE MÚSICA INSTRUMENTAL DE TERESINA


Laura Macedo, Ithamara Koorax, Josy Brito e Laurenice França, na noite de Ithamara no I FMIT (foto de Dodó Macedo).

Para ler post da pesquisadora Laura Macedo sobre o Sucesso do I Festival de Música Instrumental de Teresina, CLIQUE AQUI.

SOBRE O PRIMEIRO FMIT


Foi pleno o êxito da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves na realização do I Festival de Música Instrumental de Teresina. Nossos parabéns a Laurenice França e equipe.

A pesquisadora Laura Macedo postou interessante matéria sobre o assunto em seu blog do Portal Luis Nassif.

Para ler o post, clique aqui.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

FLAGRANTE DO I FMIT (II)


A esplendorosa Ithamara Koorax realizou exibição arrebatadora no 1º FMIT. Não à toa, é considerada pela Down Beat magazine a 3ª maior cantora de jazz do mundo.

Foto: Dodó Macedo.

FLAGRANTE DO I FMIT


Laura Macedo, Josy Britto e Yala Sena, após uma das empolgantes apresentações com que fomos brindados no I Festival de Música Instrumental de Teresina.

Foto: Dodó Macedo.

CHARGE DE LUSCAR


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Até aqui, está assim: uns batem bola, outros batem em retirada...

GAME OVER


Depois de violar a privacidade de cerca de 4.000 pessoas, ser publicamente execrado e demitir 200 jornalistas via e-mail, o semanário News of the World, 168 anos de existência, fechou as portas em 10.07.2011. Rabo entre as pernas? Nem tanto. O propósito maior de Rupert Murdoch, dono do conglomerado, foi o de salvar a pele das demais publicações de seu grupo.

Business is business.

SOBRE A CRISE MUNDIAL

Stiglitz: pacotes de austeridade matam crescimento

Joseph Stiglitz, que participará numa conferência em Angola sobre o tema “A Crise Financeira Internacional: Riscos e Oportunidades para Economias Emergentes como Angola”, organizada pelo Sol e que marca o lançamento da revista Foreign Policy neste país, afirmou, em entrevista a esta última publicação, que “a principal razão para os déficits destes países (tal como nos EUA) é a falta de crescimento, que reduz as receitas fiscais e aumenta as despesas”. “Matar o crescimento, como fazem estes pacotes de austeridade é, por isso, contraproducente”, avançou o Nobel da Economia.

Stiglitz defende que os governos devem “encorajar o crescimento” e que deve existir uma maior assistência por parte da Europa aos países com maiores dificuldades, o que incluirá um fundo de solidariedade europeu para a estabilidade, menores taxas de juros e mais investimento.

O economista critica a noção de que os países europeus periféricos são “pecadores” e que devem ser castigados, defendendo que esta é uma visão “mesquinha e parcialmente errada”.

Joseph Stiglitz defende que é necessário que o governo tente regular os abusos” dos mercados, na medida em que “vivemos num mundo pleno de assimetrias de informação, imperfeições de mercado e de concorrência, assimetrias de poder, fatores externos”.

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Enquanto o 'livre mercado' não for regulado, a crise mundial persistirá. Enquanto Grécia, Irlanda, Potugal, Espanha e Itália, entre outros (incluamos os EUA!), rumam para o matadouro, os grandes conglomerados financeiros continuam a esbórnia. Sem regulação não há solução. (Basileia I e II, que regulam o crédito bancário, por exemplo, e que o Brasil observa, são simplesmente ignorados por Tio Sam - mesmo depois do tsunami de 2008/9...).

domingo, 10 de julho de 2011

CARTUM DE LIBERATI

ALMANAQUE NERD


Resenha: Enciclonérdia: Almanaque de Cultura Nerd

Por Roberto de Sousa Causo

Enciclonérdia: Almanaque de Cultura Nerd. São Paulo: Panda Books, 2011, 248 páginas. Ilustrado. ISBN: 978-85-7888-11-4

Eu não comemorei o "Dia do Orgulho Nerd" ou "Dia da Toalha" em 24 de maio deste ano, porque não sou nerd. Sou esquisito.

Era o que minha mãe dizia - assim como muitos parentes e amigos durante a infância e adolescência. Afinal, eu passava tempo demais mergulhado em livros e gibis, vendo filmes de ficção científica até altas horas da madrugada, e, que horror, levando o conteúdo dessas coisas a sério: a conquista do espaço, a existência de extraterrestres e a importância do avanço científico. Mais do que isso, sou de uma época em que era comum se ouvir que ler demais leva à loucura, e que ler fora da escola é coisa de ocioso...

Mesmo quando outros esquisitos conseguiam se encontrar para trocar idéias e informações, formando por exemplo o que hoje é chamado de "fandom de ficção científica", isso acontecia sob o peso de certas tensões sociais. Dois fãs que formassem um casal sofreriam inveja mortal daqueles que não encontravam apoio e partilha de interesse entre namoradas, familiares ou amigos. Há também relatos de esposas e filhos prometendo pais de queimarem postumamente suas coleções de livros e gibis, e até histórias de liquidações furtivas de bibliotecas pessoais, quando o sujeito estava em viagem... Suprema traição!

As coisas parecem que começam a mudar quando nerds e geeks prototípicos como Bill Gates e Steve Jobs se tornam bilionários da era digital, procurando no mercado de trabalho gente semelhante para trazerem novas idéias e desenvolverem novos produtos, que passaram ser comercializados no mundo todo. Nerds e geeks entraram na cultura popular em séries de TV como The Big Bang Theory e em filmes como A Rede Social (2010). Ao mesmo tempo, os agentes produtores dessa literatura, quadrinhos ou cinema passaram a ser o assunto de obras literárias sérias e premiadas como As Incríveis Aventuras de Cavalier & Klay (2000), romance de Michael Chabon ganhador do Prêmio Pulitzer, e A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao (2007), outro ganhador do Pulitzer, escrito por Junot Diaz. Agora mesmo, na edição de julho/agosto da revista americana The Magazine of Fantasy & Science Fiction, a escritora de FC Elizabeth Hand resenha os livros de e sobre cultura nerd: My Best Friend Was a Wookie, de Tony Pacitti; How To Live Safely in a Science Fiction Universe, romance de Charles Yu; e Jar Jar Binks Must Die... and Other Observations About Science Fiction Movies, de Daniel M. Kimmel. Títulos que dizem tudo...

Pode-se dizer - e tem-se dito repetidamente - que a cultura nerd e geek se moveu na direção do mainstream da sociedade, nos últimos anos. E agora surge no Brasil o primeiro livro que, de modo bem-humorado, dedica-se a explorar e dar ainda mais visibilidade a esse movimento. É o simpático e atraente Enciclonérdia: Almanaque de Cultura Nerd, da dupla Luís Flávio Fernandes & Rosana Rios - ele um especialista em software e ela uma prolífica e premiada escritora da área da literatura infantil e juvenil, criador do Grupo de Estudos de Literatura Fantástica.

O livro, que é bastante atualizado com respeito ao que existe de disponível no Brasil para o público nerd, tem verbetes organizados em ordem alfabética e remetidos, por meio de ícones como os de computador, a áreas diversas como desenhos animados, ciência e tecnologia, "clássicos da literatura nerd", "gadgets", fã-clubes e comunidades, filmes, HQs, seriados de TV e nerds famosos da ficção e da vida real. Na letra G, por exemplo, o leitor vai encontrar "Gaiman, Neil" (escritor e quadrinista); Galáctica (série de TV); Galaxy Quest (filme); Galileu (cientista); "Gates, Bill" (nerd e empresário); o Gato de Schrödinger (conceito da física quântica); Genius (brinquedo); Guerra nas Estrelas (franquia); Google (empresa e ferramenta da internet); Os Goonies (filme); Granger, Hermione (personagem da série Harry Potter); Gravidade (conceito da física) e por aí vai...

É evidente que o livro não pretende apenas "pregar aos convertidos", mas funciona também como um guia a quem está entrando agora nessa cultura particularmente forte na Internet, que, segundo o escritor de FC Bruce Sterling, tem se tornando o paraíso dos fandoms, em particular o de FC. No Brasil, estranhamente (ou esquisitamente) o bastante, a cultura nerd/geek tem amparado o desejo de socialização de milhares de jovens (e alguns maduros), muitos dos quais dão um passo além e passam não só a consumir mas a produzir histórias, jogos, brinquedos e quadrinhos de ficção científica, fantasia e horror. Trata-se definitivamente de uma tendência, palavra mágica do jornalismo cultural e de comportamento, tendência essa que vem mudando radicalmente o quadro editorial de FC e fantasia no país. Sem apelar para afetações sociológicas ou antropológicas, a dupla de autores de Enciclonérdia fala de dentro para quem já faz parte e para quem deseja fazer dessa tendência.

É claro que, para os velhos esquisitos como eu, o movimento na direção do mainstream é ambivalente. Ele nos torna mais aceitáveis, menos segregados; mas ao mesmo tempo mais domesticados, menos ameaçadores a um status quo que, muitas vezes, vale a pena ser questionado diretamente pelo que gêneros como a FC e a fantasia podem fazer como literaturas inquiridoras, mas também pelas atitudes de quem os produz e consome.

Também é evidente que um livro como Enciclonérdia não pode incluir tudo daquilo que faz parte de uma cultura vasta e que transcende em muito o contexto do Brasil urbano atual. Os próprios autores reconhecem, na introdução, que o livro é necessariamente incompleto, e abrem a possibilidade, muito apropriada e inteligente, da sua pesquisa ser continuada no site http://www.enciclonerdia.com.br.

Não obstante, fica difícil dizer que Enciclonérdia não deixa de dar forma a um contínuo de referências em particular, a centro estrato da cultura nerd. Diante desse estrato, é possível pensar nas inclusões e exceções, e criar de improviso um "nerdómetro" que avalia quem está mais no centro e quem está mais na borda da tendência.

Por exemplo, o escritor Isaac Asimov foi incluído, mas Ray Bradbury, Arthur C. Clarke, Philip K. Dick e outros grandes nomes da ficção científica são apenas mencionados. Star Trek está lá, mas Perry Rhodan não. Star Wars foi incluído, mas não há verbete sobre space opera. Não existe um verbete para a fantasia, gênero que foi embutido no "Literatura Fantástica em Geral". E embora estejam lá O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Nárnia (no verbete "Nárnia"), não há nada sobre Conan ou Lovecraft.

Monteiro Lobato é um dos poucos brasileiros mencionados, sem que se diga nada sobre Jerônymo Monteiro, um dos nossos nerds-fundadores - uma lembrança que, assim como as outras apontadas acima, com certeza me afastam do novo universo nerd e me colocam firmemente no terreno ainda mais bagunçado da pura esquisitice. Não sei se isso me deixa feliz ou preocupado, mas gosto de pensar que exista um lado nerd ou esquisito que permaneça não-domesticado, mal encaixado no mainstream. (Fonte: Terra Magazine).