terça-feira, 18 de agosto de 2026

UNIVERSAL LANÇA CAMPANHA 'ESPIRITUAL' QUE TERMINA NO DIA DA ELEIÇÃO E FALA EM 'TIRANOS'

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No DCM

A Igreja Universal do Reino de Deus iniciou uma campanha espiritual de 52 dias que termina exatamente em 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições de 2026. Batizada de “Desafio de Neemias”, a mobilização prevê uma tarefa diária para os fiéis e inclui no roteiro temas como “guardiões da família”, “governantes contra o povo” e “sob o jugo de tiranos”. 

A duração remete ao personagem bíblico Neemias, que, segundo o relato do Antigo Testamento, liderou a reconstrução dos muros de Jerusalém em 52 dias. Na versão da Universal, cada missão concluída pelo participante representa uma “pedra” acrescentada a uma “muralha espiritual”. Para acompanhar o desafio, os fiéis precisam se cadastrar em um aplicativo que registra o cumprimento das metas.

O conteúdo, porém, ultrapassa a devoção individual. Um dos principais responsáveis pela mobilização é o bispo Alessandro Paschoall, que dirige o projeto Arimateia, braço da Universal dedicado à chamada conscientização política. O grupo rejeita a ideia de que “política e fé não se misturam” e promove a participação de fiéis na vida pública.

Logo no lançamento, Paschoall trouxe o fechamento de templos durante a pandemia de Covid-19 como tema. Em vídeo gravado em Jerusalém, afirmou que as restrições adotadas durante a crise sanitária representaram um “direito violado” e disse que aquilo “não pode se repetir”. As medidas de limitação de aglomerações foram adotadas por estados e municípios e enfrentaram oposição sistemática do governo Jair Bolsonaro.

A escolha dos demais temas reforça a temperatura política da campanha. Os participantes já sabem que, antes de chegar às urnas, passarão por desafios intitulados “governantes contra o povo”, “sob o jugo de tiranos” e “guardiões da família”. O 45º dia será dedicado às “fake news”, expressão frequentemente usada pela própria Universal para se apresentar como vítima de informações falsas e de perseguição pela imprensa.

A mobilização ocorre num momento em que a Universal mantém peso relevante na política institucional. O Republicanos, partido historicamente ligado à igreja, possui uma bancada com diversos integrantes da denominação e, nas alianças estaduais de 2026, aparece mais próximo do PL do que da federação liderada pelo PT. A própria Universal também ampliou sua presença política e institucional no governo Tarcísio de Freitas em São Paulo, com eventos, atuação em órgãos públicos e emendas destinadas a iniciativas relacionadas à igreja.

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E quanto aos Palestinos?

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