sexta-feira, 31 de julho de 2009

ABRAM ALAS!


AOS AMIGOS O TREM BÃO
AOS INIMIGOS O ASSASSINATO
DE REPUTAÇÃO


Certas plataformas políticas só funcionam a contento no mar de lama.


DA TRIBUNA, DISCURSOS VEEMENTES
MAS ONDE SE VÊ CHUMBO GROSSO
LEIA-SE PANOS QUENTES


Achados & Perdidos: político de peso procura conchavo esmagador.


NO SENADO E NO MORRO
ATÉ QUESTÃO DE ORDEM PADECE
NO MATO SEM CACHORRO


A vaidade política tem razões que a falsa modéstia finge desconhecer.


SOBRE O SENADO, O QUE SE DIZ:
NEM RECESSO TEM
FINAL FELIZ

quinta-feira, 30 de julho de 2009

SIM ÀS AÇÕES AFIRMATIVAS


A Procuradoria-Geral da República emitiu em 28.07 parecer contrário à aprovação de pedido formulado pelo partido político DEM, consistente no cancelamento do ingresso de vestibulandos negros pelo sistema de quotas raciais na UNB Universidade de Brasília. A matéria será decidida pelo Supremo Tribunal Federal.

Entre as várias abordagens do alentado parecer (21 páginas), destaco um dos critérios mais invocados pelos oponentes do sistema de quotas - como o DEM -, o sistema meritocrático:

"(...) o 'princípio meritocrático' não se reveste de natureza absoluta, podendo ceder, numa ponderação, diante de outros princípios e interesses constitucionais, como os que buscam a concretização da igualdade material, a compensação de injustiças históricas contra os negros, a promoção do pluralismo no ensino superior e a quebra de estereótipos negativos sobre o afrodescendente."

Atualmente, 35 instituições públicas de ensino superior adotam políticas de ação afirmativa para afrodescendentes (32 com o mecanismo de quotas, 3 com sistema de pontuação adicional). Além disso, 37 universidades públicas reservam vagas para indígenas. Os reflexos de uma decisão do STF contrária a tal política seriam dramáticos. Daí o periculum in mora inverso.

FIM DO TÚNEL?


"O MUNDO NÃO ACABOU, O QUE ACABOU FOI O FIM DO MUNDO."


(Foi o equivalente ao que afirmou Barack Obama ao inteirar-se das conclusões expostas em relatório de 29.07, do Federal Reserve, pela primeira vez revelando dados positivos que demonstram o começo da superação da maior crise financeira das últimas décadas - para desespero de aves agourentas espalhadas mundo afora, especialmente num certo país tropical).

quarta-feira, 29 de julho de 2009

GRIPE COMUM? CHÁ DE SUMIÇO


A Gripe H1N1 merece todas as cautelas. Doze milhões de alunos tiveram as férias prorrogadas Brasil afora. Ok, até porque a maioria das vítimas fatais é formada por jovens e adultos, ao contrário da Gripe Sazonal (Comum), que mata mais os idosos.

Até o dia 29 de julho, a H1N1, que completa um mês no Brasil, produziu 58 (cinquenta e oito) vítimas fatais.

E a Gripe Comum, Sazonal? Quantas pessoas morreram em um mês? E ao longo de 2009? Tais números, se é que algum dia pintaram na grande mídia, tomaram chá de sumiço. A que se deve tamanho silêncio? Estatística ainda inconclusa, por parte do Ministério da Saúde? E os números de anos anteriores, então, por que não são citados?

Em 2008, a Gripe Comum matou 70.142 (setenta mil e cento e quarenta e duas) pessoas no Brasil. Média mensal: 5.845 óbitos. São números espantosos, especialmente para quem jamais se havia detido no assunto. Quem diria que uma gripe comum seria capaz de tantas tragédias? É lastimável, mas é a realidade.

Corre por aí uma tese curiosa: os que têm mais de cinquenta anos estão apresentando resistência maior à H1N1 do que à Comum, em razão de nos anos cinquenta do século passado terem adquirido anticorpos decorrentes da(s) gripe(s) espanhola(s), que àquela época ainda grassava(m) pelo mundo. Se os mais velhos resistem mais, e os jovens já são naturalmente mais fortes, há a possibilidade de o número de vítimas das gripes em geral ser inferior à média anual até aqui verificada. Torçamos.

Fica o registro.

NOSSA VÃ FILOSOFIA...


Ela está (ou estava, já que tudo o que se vê no céu é passado) a 50 milhões de anos-luz da Terra. Foi registrada há pouco pelo telescópio Spitzer, da NASA Agência Nacional de Aeronáutica e Espaço.

O nome da galáxia é NGC 1097, mas podem chamá-la de O-Olho-No-Céu-Que-Tudo-Vê.

Mas eis que alguém, ao longe, alerta, recitando o salmo 33.13: "O Senhor olha lá do céu; vê todos os filhos dos homens".

A poesia continua necessária.

terça-feira, 28 de julho de 2009

DURA LEX, LÍNGUA MORTA



Faz um mês que o americano Bernard Madoff está engaiolado, dando início ao pagamento de 150 anos de reclusão em face de golpes financeiros bilionários.

Ninguém fala mais no assunto. Nenhum recurso foi apresentado pela defesa. A sentença foi proferida por juiz da primeira instância, mas não se viu sequer um reles artigo de jornal questionando o magistrado, ou o promotor, ou os peritos contábeis.

Nem sequer as algemas, as malditas algemas foram questionadas por alguma autoridade da Suprema Corte, furibunda ante ao flagrante desrespeito aos direitos do humano Madoff.

No Brasil, Daniel Dantas incorreu no seguinte 'descuido' (para ficarmos num só entre as dezenas de descuidos): a autoridade monetária, para estimular o ingresso de recursos externos, autorizou a criação de um fundo exclusivo para pessoas residentes no exterior, cujos rendimentos estariam isentos de imposto de renda. Dantas aplicou dinheiro de pessoas residentes no Brasil e todos embolsaram os ganhos, numa boa. Crime, não tem pra onde correr.

Encanado duas vezes por tentativa de suborno, recebeu como prêmio a liberdade imediata e a glória de ter sido o primeirão a merecer dois habeas corpus seguidos na história do Brasil.

De lá para cá, a preocupação de DD e seus parceiros é a de embaralhar o meio de campo, as zagas e o vestiário: nem banqueiro é, é ex-banqueiro. Nenhuma prova é legítima. Todos os HD's (que até hoje não foram decifrados pela polícia americana) são fraudados. A pilha de crimes atribuidos a ele e seus sócios é fajuta. Nove das 27 fazendas sequestradas não pertencem a Dantas, que nem é pecuarista, mas respeitável proprietário da Global Mine Exploration (2,1 milhões de hectares em 14 Estados, 1.381 autorizações concedidas pelo Departamento Nacional da Produção Mineral), notável empreendimento para fabricação (e lavagem) de dinheiro. Tudo não passa de inveja dos bocós.

Para coroar tudo, a cobertura da grande imprensa, sempre solícita. Há poucos dias, em coletiva, distribuiu ameaças a torto e a direito, senhorial pacas. O fato de ter sido preso duas vezes e recentemente denunciado por uma penca de crimes em nada embotou o elevado conceito desfrutado por Dantas. É que os olhos sensuais da grande imprensa seguem à risca o ditado de que o essencial (para ela) é invisível aos olhos.

Descanse em paz (a do pântano), Madoff.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

CARNE SECA NO PLANALTO CENTRAL



A Biblioteca Nacional de Brasília abrigará, a partir de 4 de agosto, o Projeto Poemação, coordenado por Marcos Freitas.

No olho do furacão, o Rodas de Poesia, com o Sindicato dos Escritores do Distrito Federal e o Coletivo dos Poetas do DF, este sob a direção do poeta piauiense (e velho amigo) Menezes y Morais.

Em 1° de setembro, a presença de Kenard Kruel, que discorrerá acerca de Torquato Neto ou A Carne Seca é Servida, lançado em 2008 pela Editora Zodíaco, 622 páginas, capa do cartunista Paulo Moura e apresentação de Durvalino Filho.

A Carne Seca não brinca em (self) service! (Com o perdão do trocadilho infame).

sábado, 25 de julho de 2009

sexta-feira, 24 de julho de 2009

OS ÍNDICES DE BARACK


Nos EUA, Barack Obama beira os 60% de popularidade, índice ainda confortável, mas que já foi maior. Natural. Além de tentar segurar o cavalo brabo da crise financeira, Obama parte agora para reformar o sistema de saúde, certamente o maior gargalo americano. O SUS brasileiro, tão malhado pela grande mídia, está servindo de referência para os EUA (e a ONU)...

Na área externa, melhorou a imagem atual dos Estados Unidos (isto é, Obama), em comparação com a era George W. Bush, mas o avanço foi quase imperceptível em países do mundo muçulmano, à exceção da Indonésia, em que houve elevação de 37% para 67%. Outros índices:

.Brasil ........de 47% para 61%;

.México .....de 47% para 69%;

.Alemanha:de 31% para 64%;

.França .....de 42% para 75%.

Não temos dados acerca da Palestina (cujo reconhecimento como Estado é defendido por Obama), mas os EUA detêm 55% de confiança no quase vizinho Líbano (elevação de 4% em relação ao índice de 2008).

Em contrapartida, a imagem dos Estados Unidos piorou em Israel. Faz sentido.

........
(No desenho acima, Obama e Abraham Lincoln).

quinta-feira, 23 de julho de 2009

CANTO DO LIVRO (II)


A TRAGÉDIA OCULAR DE MACHADO DE ASSIS, de Hermínio de Brito Conde, é o título número 1 de dez a serem lançados pela Academia Piauiense de Letras, em parceria com a Fundação Cultural do Piauí. Nada mais justo, oportuno e útil.

O autor acompanha a trajetória do literato e burocrata, tendo como foco a sua capacidade ocular: os olhos normais da infância, o abuso ocular da adolescência, a miopia da juventude, a tragédia ocular da maturidade, os olhos malferidos da velhice.

Além do propósito de ressaltar a importância da 'higiene ocular', notadamente para os 'estudiosos e intensivos trabalhadores visuais', Hermínio nos brinda com informações e impressões colhidas a partir de certas obras de Machado e de abordagens realizadas por críticos e admiradores.

Aperitivos: 1) os olhos são uma emanação delicadíssima do cérebro (...) exposta às agressões e ao abuso; 2) o pince-nez, que Machado principiou a usar a partir dos 25 anos, revelou-se danoso, face à insuficiente graduação e má qualidade das lentes - além do desajuste para a 'vida longínqua'; 3) as anomalias oculares de Machado poderiam explicar sua brusca mudança do romantismo de 'Helena', por exemplo, para o 'espanto' do realístico 'Memórias Póstumas de Brás Cubas'; 4) Machado: miopia, neurastenia ocular, crises epiléticas (e consequente câncer da língua - e, por causa dele, subnutrição), cegueira noturna, vida gradativamente confinada; 5) Machadinho (como dizia dona Carolina), hostilizado pela família da noiva, contrária ao casamento em razão da cor parda do escritor, vê agravada sua gagueira; 6) o grande escritor, sempre às voltas com dificuldades financeiras, para fazer face às despesas de casamento teve de recorrer a 'dinheiro emprestado'; lamentava não poder oferecer a dona Carolina o conforto merecido - e trabalhava mais e mais, forçando os alquebrados olhos, até onde resistiu. "A FALTA DE OLHOS É TUDO".

A Liga Nacional de Prevenção da Cegueira enumerou 43 conselhos sobre higiene visual. Hermínio Conde os lista. Descontados os impertinentes à época e à profissão de Machado de Assis, todos foram por ele infringidos, total ou parcialmente, implicando sofrimento permanente - mas 'as suas próprias misérias participarão da consagração da fama', como vaticinou um dos seus críticos.
(Últimas palavras de Machado de Assis, sussurradas a José Veríssimo, no dia de sua morte, 20.09.1908: 'A vida é boa').

A TRAGÉDIA OCULAR DE MACHADO DE ASSIS, a despeito de pequenos escorregões da revisora, deveria ser matéria obrigatória para toda a rede escolar. Corrijo-me: todos, estudantes ou não, deveriam lê-lo.

....
(A Tragédia Ocular de Machado de Assis; Hermínio de Brito Conde; coleção Grandes Textos, vol. 1; 106 páginas; prefácio de João Alfredo Lopes Braga; capa: Antônio Amaral, sobre desenho de João de Deus Neto; Halley S.A. Gráfica e Editora).

quarta-feira, 22 de julho de 2009

NIVER DA JOSY



Linda, Danielle, Josy Britto, José Elias A. Leão, Edilva Barbosa, Dodó, Laurinha Macedo, Giordano Bruno e Delite Fonseca, na festa de aniversário da Josy, na segunda-feira, 20.07.

Antes, vimos o clássico 'noir' A DAMA DE SHANGAI, de 1947, com Orson Welles e Rita Hayworth (direção, roteiro e produção do monstro Welles), na Sala de Vídeo da Casa da Cultura, que Josy dirige.

É bom ressaltar: a Casa da Cultura, rua Rui Barbosa, em frente à praça Saraiva, dá gosto: oferece cursos e oficinas gratuitos (violão, jazz, dança contemporânea, estamparia e reciclagem, teatro, artes plásticas, fotografia), bem como um alentado acervo de obras (pinacoteca) num espaço amplo que envolve bibliotecas, galeria, auditórios etc.

Sem contar, claro, a mostra de clássicos do cinema e documentários, na Sala de Vídeo.

Pra fechar: o bolo estava uma delícia.

NIVER DA JOSY (II)


Linda, Danielle, Josy, Zé Elias, Edilva, Laurinha, Giordano Bruno, Kassio e Delite, no aniversário da Josy.
Parabéns, mais uma vez, Josinha!

terça-feira, 21 de julho de 2009

OS PICLES



O PIOR HALTEROFILISTA É O QUE VIVE A LEVANTAR EM FALSO.


Uma xerox vale mais do que mil pleonasmos.


CORRUPTOS INEXPRESSIVOS, QUANDO MORREM, VÃO PRO INFERNINHO.


Tão capcioso que vivia a querer saber com quantos paus se faz um submarino.


PRETENDIA DAR UMA NO CRAVO E DUAS NA FERRADURA, MAS TEVE DE TIRAR O CAVALO DA CHUVA.


Homem-de-visão do ano é o que leva vantagem em tudo e ainda consegue não dar na vista.


O QUE SERIA DOS ESCÂNDALOS, SE NÃO HOUVESSE O TEMPO PRA GARANTIR O ESQUECIMENTO?


Só quando a noite é total é que não há sombra de dúvida.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

É O BRASIL, NHÔ!


O ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, em artigo recentemente publicado, declara-se agradavelmente surpreso com o destaque que o Brasil vem merecendo no chamado Primeiro Mundo e instituições globais. O Brasil, que antes era solenemente ignorado, agora é aplaudido, despontando como exemplo de administração da crise financeira mundial por conta da evolução e solidez de seus indicadores econômicos.

Dito isto, Bresser põe um pé atrás: seu 'espírito caipira' recomenda cautela total, culminando com a eliminação do 'ufanismo imobilista': o Brasil não se deve deixar levar pela euforia, mesmo porque há um enorme caminho a percorrer, e quem se diz satisfeito deseja manter tudo como está.

Bresser soprou, em seguida mordeu.

Transcrevo comentário por mim inserido nesta data em matéria acerca do assunto, publicada no blog do jornalista Luis Nassif:

Discordo. Não me parece haver ufanismo imobilista; o que há é ostensiva posição imobilista dos representantes das elites nacionais, consistente em impedir (atravancar) qualquer avanço, torcer contra (José Simão, na Folha do dia 10.07, foi certeiro ao classificar de ‘pessimismo enganoso’ o comportamento de Miriam Leitão), desmerecer, minimizar as conquistas, atribuir exclusivamente a gestões passadas os êxitos alcançados.O fato de se reagir com satisfação ante, por exemplo, reportagem da The Economist que aplaude o Brasil não implica tapar os olhos para a realidade ainda amarga, como se tudo estivesse bem.É evidente que os sectários sempre existirão, em todas as vertentes e independentemente da conjuntura. Mas não me parece razoável que o sentimento de satisfação em face de certos avanços seja classificado como ufanismo, muito menos imobilista.

domingo, 19 de julho de 2009

DIÁLOGO (NADA) LUNÁTICO


- Aquele, de fato, foi um pequeno passo para um homem, mas um enorme salto para a humanidade.

- Dois metros.

- Foi um pequeno passo, não um passo de dois metros.

- Não me refiro a isso. É que Terra e Lua se distanciam 5 cm a cada ano. Como se passaram 40 anos desde Armstrong e Aldrin no solo lunar, Terra e Lua estão 2 metros mais distantes.

- Só falta agora você dizer que já viu o outro lado da Lua.

- Eu, não. Mas sei quem viu: Gilgamesh, Elias, Enoque, Anu, Enlil, Enki...

- Mas, e se tudo não tiver passado de uma farsa? Se tudo tiver sido coisa do Nixon?

- Aí eu direi: não acredito em sacanagens inomináveis, mas, que elas existem, existem.

AS AMARGAS, POR QUE NÃO?



No II Festival de Cinema, há pouco realizado em Paulínia (SP), foi exibido o documentário 'Caro Francis', sobre o jornalista e escritor Paulo Francis, morto em 1997.

Dirigido por Nelson Hoineff, grande amigo de Francis, o filme se concentra nas aparições do jornalista no Jornal da Globo, no Manhattan Connection (GNT) e em imagens do arquivo pessoal da família dele.

Hoineff fez questão de ressalvar: a obra é parcial. Feita por um amigo sobre um amigo (à la Álvaro Moreyra: as amargas, não).

Não vi o documentário. Li dezenas de comentários a respeito. Elogios e pauladas acerca da opção de Hoineff e bem mais sobre o caráter e o estilo de Francis.

Louvações e impropérios à parte, listo algumas sacadas de Francis quando em Nova York, começo dos anos setenta ('Paulo Francis Nu e Cru', 1976, Editora Codecri):

.As profundezas do espírito nunca estão super-populadas (cortesia de Saul Bellow).

.Os físicos italianos B. Bertotti e A. Cavalieri alegam que só há 2% de galáxias luminosas no universo, Jaguar. O resto é reflexo e matéria morta. Menos que o juro que se paga para viver.

.Um traficante de cocaína em Nova York fatura 10 mil dólares por semana. Descontos na fonte para a polícia.

.Sabe por que você não é canhoto, Jaguar? Porque inside (dentro) mamãe, além de ficar de cabeça para baixo, você permaneceu encostado na parede esquerda do útero, o que deu à direita maior campo de manobra e de fortalecimento muscular. A direita sempre leva todas as vantagens.

.Diz o Dr. R. D. Laing que os esquizofrênicos têm mais a ensinar aos psiquiatras sobre o mundo interior do homem do que vice-versa. Laing é inglês e está atrasado. Precisa vir à América Latina.

.Há dois dias que não vejo a cara de ninguém e não falo com ninguém. Por comparação, estou me achando ótimo.

.Não existe nada que eu queira na vida. Atingi um nível de entendimento das coisas que considero satisfatório. Quer dizer, sei que sou ignorante, mas que tenho a base para deixar de ser naquilo que me interessar. O problema é que menos e menos me interesso por tudo. Considero programa ficar num sofá, sem fazer nada, nem lendo. A cabeça corre sozinha, forma conceitos, imagens, contradições, impressões etc. Nada fica ou me estimula ao esforço de completar o sugerido ou iniciado. Será a menopausa intelectual dos 40 anos, ou uma forma (ainda) branda de esquizofrenia?

(A caricatura de Francis, acima, é de Reginaldo FORTUNA).

sábado, 18 de julho de 2009

ECOS DO SALÃO VIII (MEIO AMBIENTE CÁ E LÁ)


UMA GERAL SOBRE OS AUTORES PIAUIENSES


Será ministrado no Auditório do Convívio Cultural do Instituto Dom Barreto, ao lado da Clínica Batista, nos dias 25, 26 e 27 de agosto próximo, das 9 às 12 horas, o curso “Literatura Brasileira de Autores Piauienses – Das Origens aos Nossos Dias (1808 a 2009)”, como forma de dar suporte ao Art. 226 da Constituição do Estado, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da Literatura Piauiense nas escolas públicas e particulares do Estado.
O ministrante é o escritor, jornalista e professor Kenard Kruel, presidente do Sindicato dos Escritores e da Associação Piauiense de Imprensa.As inscrições - valor de R$ 10,00 (dez reais) - pelo e-mail kenardkruel@yahoo.com.br, nas Livrarias Bom Livro, Mons. Melo (UFPI), Nova Aliança, na Toccata Discos (toccatadiscos@yahoo.com.br), na Academia Piauiense de Letras, com Bárbara Chanelle (Letras UFPI) ou mesmo no local de realização do referido curso.
Serão expostos à venda livros de autores piauienses ou assim considerados, com descontos especiais. Os alunos receberão certificados, dependendo da freqüência.
.
(Acima, Kenard Kruel. Foto de José Alves Ferreira. O livro aborda a trajetória de Eurípedes de Aguiar, à qual Kenard - o Dínamo, como gosto de dizer - há meses se vem dedicando. Já é o próprio, compadre?!)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

GUERRA DOS MUNDOS


No encerramento do primeiro semestre da legislatura, o Senado faz seu balanço: auxílios-moradia, verbas saúde e passagens aéreas pelos subterrâneos, nomeações, promoções e aumentos salariais pelos desvãos, verbas indenizatórias pelos flancos, serviços terceirizados a três por dois pelas caixas pretas etc.

Pairando sobre tudo, a obsessão incontrolável de deixar o Lula na rua da amargura via solapamento de suas já carcomidas bases de sustentação política, posição sofregamente compartilhada (melhor, estimulada) pela grande imprensa.

E, quanto à CPI da Petrobras, o desejo de que "a decisão seja justa, mas desde que o povo a julgue justa", conforme o senador Cristovam Buarque, vestal imbuída dos mais elevados propósitos cívicos, ao aconselhar seus parceiros a ouvir as bases - coisa que ele faz com esmero, visto que, mesmo sendo representante do Distrito Federal, desfruta de escritório político adicional na cidade satélite de Taguatinga, a expensas do Erário.

Tudo somado, noves fora.
.
(Charge do jornal O Mossoroense, do RN, edição desta data).

quarta-feira, 15 de julho de 2009

CANTO DO LIVRO


Inauguro o 'Canto' com o livro 'Medra', de Cafu, poeta brasiliense. Estou com ele desde janeiro, não num canto, mas à mesa, com outros. É o grupo dos 'apegados'; os demais estão nas estantes, à espreita.

'Medra' traz, de cara, Paulo Leminsky:

"Que fazer com alguma coisa que não serve para nada, a não ser continuar vivendo, como um peixe-boi, um cactus, um tucano, um bicho-preguiça?

Saúde a vocês que fazem, saúde a vocês que curtem, pólos magnéticos por onde passa a faísca da poesia".

A faísca passa por Cafu, que prima pela sutileza e concisão.

A meu arbítrio, elegi cinco haicais (em alguns a autora usou técnicas do poema concreto, mas eu os converti ao formato de haicai), entre os muitos poemas de nossa parceira do Portal Luis Nassif:

LÍNGUAS DE FOGO
NO CALOR DO VERBO
TRANSPIRA O DIVINO

lua cheia
praia deserta
silêncio de prata

À FLOR DA PELE
PELO MENOS
PRIMAVERA

a poesia que eu queria
vaga solta vadia
no dia a dia
.
POETAS À MÍNGUA
FAZENDO MISÉRIAS
RIQUEZAS DA LÍNGUA
.
('MEDRA'. Cafu. 46 páginas. Projeto gráfico: Guilherme Mansur; Arlindo Diorio. Composição/impressão: Gráfica Ouro Preto Ltda. Capa: papel artesanal; Gráfica Mariana. Na última página, solitariamente, nonada, de Guimarães Rosa).

terça-feira, 14 de julho de 2009

ECOS DO SALÃO (VII)


Trombone e Cia, show de bola no 26° Salão de Humor do Piauí.

Em primeiro plano, de frente pro leitor, Tuca Maia, craque no baixo, e mestre Colombo, o maior amigo das cordas - guitarra, violão, cavaquinho, bandolim... O que vier o cara traça! É o patrono dos musicistas piauienses, batalhador incansável e virtuose de postura franciscana.

Se o reconhecimento oferecido a mestre Colombo - e ao Trombone e Cia - fosse diretamente proporcional ao talento deles, eles estariam por cima da carne seca.

Sem embargo - e sem choramingos -, palmas para o Trombone!

ECOS DO SALÃO (VI)


VANDO, ALÉM DE BAMBA NO TROMBONE, DÁ SHOW FORA DO PALCO (NO CASO, CORETO).
.
A ATUAÇÃO DO TROMBONE E CIA FOI MARCANTE, UMA VEZ MAIS, NO SALÃO DE HUMOR DO PIAUÍ.
.
NA FOTO, À ESQUERDA DE VANDO, O EXÍMIO SAXOFONISTA RANIEL SANTOS.


ECOS DO SALÃO (V)


O caricaturista Ricardo Soares e o cartunista Solda se refestelam ao som do Trombone e Cia.

Ricardo expôs cerca de trinta megabanners na praça Pedro II, com caricaturas de monstros sagrados do Blues e do Jazz.

A diversidade é uma das marcas registradas do Salão de Humor do Piauí.

ECOS DO SALÃO (IV)


O Trombone e Cia já é o tal no chorinho, no samba, na gafieira, até na valsa, e fica melhor ainda quando o Vando, às vezes só, às vezes com Raniel (saxofone), circula pela plateia. Animação garantida.

Na foto, Vando sob o atento olhar de Érico Junqueira Aires, Lúcia Junqueira e Laura Macedo, entre dezenas de admiradores do grupo.

Foram sete noites animadérrimas - e dois dias depois já estávamos no Espaço Trilhos (estação ferroviária) curtindo o Trombone e degustando uma cervejinha.

Viva o Trombone!

ECOS DO SALÃO (III)


O som apurado do Trombone e companhia não atrapalhou as discussões de Albert Piauí e Solda a respeito de ideias para, como todos esperamos, salões futuros.
Bacana mesmo é que a cada novo desafio o magrão bola novos e criativos lances, como se observou no 26° Salão, que contou com um palco em plena praça Pedro II. Certamente o diferencial, razão maior do sucesso do evento.

ECOS DO SALÃO (II)

Liana, Solda (the great Soruda-San), Laurinha Macedo, Lúcia Junqueira, Vera Solda, Albert e a poeta e musa Talita, na praça Pedro II, sob os eflúvios do Trombone e cia.

No canto inferior direito da mesa, minha indefectível cerveja.

Baita Salão, siô!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

ALAS PARA A NOVA ERA? (I)




O Cardeal Ratzinger notabilizou-se (no Brasil) por ser o 'juiz' de Leonardo Boff. Bastou tal circunstância para ele receber o rótulo de conservador.

Ungido Papa Bento XVI em 2005, ratificou as expectativas: a Igreja se manteve inflexível quanto às questões envolvendo procriação e sexualidade, aborto, eutanásia, manipulações genéticas, celibato etc.

Eis que no dia 07 deste mês Bento XVI emite a Encíclica Caritas in Veritate (Caridade na Verdade). Encíclica é o mais importante documento passível de emissão pelo papado. O Brasil é laico, mas, qual o resto do mundo, não costuma fazer ouvidos de mercador à Igreja.

Mas a grande imprensa fez ouvidos moucos à Caritas in Veritate. Repercussão quase zero.

A Encíclica é importantíssima, estando a merecer ampla divulgação e reflexão. O que prega, em resumo, é que:

.o cristão deve estar convicto de que o Mercado (o famoso Livre Mercado!) não é o lugar de atropelo do forte sobre o fraco;

.a Economia (o implacável Mercado Globalizado!) não elimina o papel do Estado (o chamado Estado Regulador);

.as finanças, após os dramáticos prejuízos infligidos à Economia Real, passem a ser um instrumento orientado para o desenvolvimento;

.as sociedades, notadamente as mais tecnologicamente evoluídas, podem e devem diminuir suas próprias necessidades energéticas e avançar na pesquisa sobre energias alternativas.

Alerta importante: carecem de fundamento as notícias dando conta da expansão do agnosticismo entre as hostes neoliberais.

Palmas para Bento XVI.

sábado, 11 de julho de 2009

ECOS DO SALÃO

Julgo de bom tom divulgar comentário simpaticíssimo (há outros) à matéria divulgada no Portal Luis Nassif, blog de Gregório Macedo, sobre o 26° Salão de Humor (a matéria é a 'A Volta Triunfal' exposta abaixo, com algumas fotos a menos):

"SEMPRE QUE VEJO UM MOVIMENTO ASSIM, TÃO ENVOLVENTE E TÃO RICO, ME VEM À CABEÇA A MÚSICA DO MILTON: 'A NOVIDADE É QUE O BRASIL NÃO É SÓ O LITORAL. É MUITO MAIS, É MUITO MAIS QUE QUALQUER ZONA SUL'. PARABÉNS A TERESINA E A TODOS OS ARTISTAS QUE PARTICIPARAM DO FESTIVAL". (Helô).

PINGOS NOS IS


Empolgado com o sucesso do Salão, no texto laudatório abaixo omiti deliberadamente uma péssima ocorrência: o fato de a SDU centro/leste da prefeitura de Teresina haver, em plena madrugada e sem qualquer consideração, recolhido obras de arte que estavam expostas na avenida Frei Serafim.

A prefeitura sustenta que autorizara tão-somente a utilização da área entre a estátua de Wall Ferraz e a rua Coelho de Resende, enquanto a Fundação Nacional do Humor, documentada, julgava-se investida no direito de fazer uso do espaço entre a Igreja de São Benedito e a citada rua - o que foi previamente anunciado em várias matérias veiculadas na Capital.

Ocorre que, ao fim e ao cabo, a Fundação transformou o limão em limonada: recolheu o material apreendido e agregou-o ao acervo exposto na praça Pedro II. Os fantásticos potes e esculturas de metal e demais obras deixaram a praça 'o maior barato', pra usar uma gíria bem duca.

Então, era como se o Salão, na dele, dissesse: 'Meu sucesso é a minha resposta!' E estaríamos conversados.

Acontece que ontem li no blog do Solda um relato indignado sobre o assunto, com a observação de que "OS BANNERS DA MOSTRA 'OSTRAS PARÁBOLAS' NÃO FORAM RECUPERADOS".

Houve prejuízo material, portanto.

Convém, em vista do exposto, registrar o ocorrido e dizer-nos solidários com o autor dos banners, a Fundação e o público que se viu privado de apreciá-los.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A VOLTA TRIUNFAL DO SALÃO INTERNACIONAL DE HUMOR DO PIAUÍ





Tema do 26° Salão: o meio ambiente no século XXI. Participaram da competição cerca de 2.000 cartuns, de mais de 60 países. 200 trabalhos foram selecionados.

Cartum vencedor: o do alto. Autor: Mohammad Ali Khalaji, do Irã.

Houve duas menções honrosas, uma delas a acima. Autor: Pol Leurs, de Luxemburgo.

A Fundação Nacional do Humor vai expor os 200 cartuns (ou mais) em seu site.

O Salão contemplou, além do seu 'ofício' principal, oficinas (dezenas de crianças exercitando a arte do rabisco), shows de rock, espaço infantil, performances, concurso de piadas, roda de poesia e tambores, clube do vinil (o eterno fascínio dos velhos vinis), música (som e desenhos - veja adiante), mostra de esculturas de madeira (Edson Meireles) e de metal (José Rodrigues) e artes plásticas (veja abaixo) e palestras em torno do meio ambiente e cultura, educação, mídia, cidades, consumismo, espiritualidade, explosão demográfica, energia renovável, aquecimento global e políticas públicas.

A VOLTA TRIUNFAL DO SALÃO... (II)




2008 passou em brancas nuvens para o Salão. Mas quando resolveu dar as caras foi assim: este foi, disparado, o melhor de todos. Por quê? O que fez o Salão dar essa baita volta por cima?

A praça.

Explico: o palco, nos 25 salões anteriores, era o solene palco do Theatro 4 de Setembro. A exposição dos desenhos da competição ocorria, no início (nos anos oitenta), numa galeria, e em seguida no salão do Clube dos Diários. Theatro e clube se integram ao 'complexo cultural', mas são, queiramos ou não, solenes, não podendo competir com o apelo e a descontração da praça pública.

Tudo passou a integrar a praça.

Para alegria de todos, a Fundação Nacional do Humor nominou o palco principal de Palco Arnaldo Albuquerque! Ducacete. Homenagem mais que justa ao piauiense pioneiro do cartum e do quadrinho (com incursões pelo cinema), autor do antológico 'Humor Sangrento'. Que bom.

(Os potes da foto acima - e outros - foram pintados pelos artistras plásticos Dora Parentes, Gabriel Arcanjo, Cícero Manoel, Rogério Albino, Dalva Santana, Genivaldo, Mestre Expedito, Josafá, Cleiton, Jonathans, Cecília Mendes, Jandaia, Jacinta Ramos e Josefina Gonçalves).

A VOLTA TRIUNFAL DO SALÃO... (III)




Convém lembrar: as atividades do Salão ocuparam a praça Pedro II, o palco Osório Júnior, no bar do Clube dos Diários, o Centro de Artesanato e o adro e uma pracinha ao lado da igreja de São Benedito - espaço que, ao fim e ao cabo, acabou por se revelar ideal.

Dois megatúneis agregavam desenhos (banners de caricaturas e de desenhos já consagrados sobre meio ambiente e cartuns da mostra competitiva sobre o mesmo tema) e esculturas de metal e de madeira, formando bela salada cultural.

Os amantes da música curtiram várias atrações ao vivo (da música erudita ao rock, passando pelo chorinho) e se deliciaram com caricaturas de lendas do blues e do jazz, de autoria de Ricardo Soares.

Hilários e impagáveis os desenhos de Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar, criador do O Pasquim, lendário jornal cujos quarenta anos de nascimento acabamos de comemorar.

A VOLTA TRIUNFAL DO SALÃO... (IV)






E foi asim, do dia 1° ao dia 7: 'sketches' em série, concurso de piadas, praça fervilhando, obras de arte à disposição, banners à beça, cartuns a mancheia, riso a granel, comidas típicas, muita cerveja (que ninguém é de ferro), apresentações musicais e de humor (Dirceu Andrade e Amaury Jucá) no palco Arnaldo Albuquerque.

Coroando cada noite (não a madrugada, que aí só dava rock, no vizinho Centro de Artesanato), coroando a noite, como eu ia dizendo, o imbatível Trombone e companhia, liderado por Vando e capitaneado por Colombo, o rei das cordas, no coreto, o 'point' dos points.

E Rosângela, com seu vozeirão maravilhoso, arrebentando; Fátima Castelo Branco (foto acima, à esquerda), poeta e cantora, mostrando sem reservas a sua sensibilidade; Roraima, novo cidadão piauiense, cantando Chico Buarque de Hollanda e outros monstros. E o Trombone acompanhando a todos com singular maestria.

E a divina Rosinha Amorim (foto acima, à direita), que passeia pela praça com Ademilde Fonseca, piscando, charme total, para Lupicínio Rodrigues... Divina, eis a palavra!
Em seguida, retornam o choro, o samba e a gafieira do Trombone, e cada um se converte em vagão e juntos formamos um trenzinho para lá de caipira.

A VOLTA TRIUNFAL DO SALÃO... (V)





Ao encerrar o 26° Salão Internacional de Humor, Albert Nunes de Carvalho, o Albert Piauí, num exultante bom humor, agradeceu aos patrocinadores (governos federal, estadual e municipal) e apoiadores, louvando o prefeito de Água Branca (PI), o popular Zito, que há um bom tempo desenvolve parceria cultural com a Fundação Nacional do Humor, realizadora do Salão.

Os discursos foram breves, pois o show iria continuar - o que se deu logo em seguida, com exibições no palco Arnaldo Albuquerque (alunos de música do prof. Erisvaldo Borges) e no festivo coreto da praça, com o inigualável Trombone e cia.

O Salão voltou!

Parabéns, Piauí! Parabéns, Teresina! Parabéns, Fundação Nacional do Humor! Parabéns, Albert!

terça-feira, 7 de julho de 2009

POR QUE DAR OUVIDOS ÀS AGÊNCIAS


Muitos agentes, conceitos e instituições foram desmoralizados pela crise financeira internacional, entre eles as agências de risco, pilhadas em meio a juízos estapafúrdios e infundados.

As agências atuantes na União Européia sofreram reformulações radicais em sua forma de atuação, o mesmo ocorrendo com as norte-americanas, enquadradas com rigor pelo Pacote Obama, ora em análise no Congresso americano.

Mas o certo é que, desmoralizadas ou não, se as agências atribuíssem nota baixa ao Brasil, a grande imprensa iria repercutir bombasticamente, pregando o domínio do caos.

Aconteceu o contrário: a agência Moody's estuda a possibilidade de elevar o Brasil à condição de investiment grade, o que já se verifica desde o primeiro semestre do ano passado relativamente à Standard&Poor's e à Fitch Ratings.

O que explica tal realidade? Elevação real de 46% do salário mínimo no governo Lula; programas de redução das desigualdades sociais e regionais (diretrizes, aliás, previstas pela Constituição Federal); diversificação das parcerias comerciais do Brasil com o exterior, com ênfase para países africanos e asiáticos, e incremento das transações comerciais com a América do Sul e Caribe. Ou seja: fortalecimento do mercado interno e atenuação do impacto produzido pela retração das exportações, notadamente de matérias-primas.

Conquanto investiment grade, o Brasil está longe do ideal, visto que ainda às voltas com mazelas de variados naipes. Mas que está segurando o baque mundial, está, e bem - particularidade detectada por agências de escalas de risco mundo afora, para tristeza de neoliberais empedernidos.


P.s.: E os 15 anos do Plano Real? O plano merece aplauso? Sem dúvida. E a sessão solene do Congresso Nacional desta data em comemoração a ele? Justíssima. Algum reparo? Sim: a ausência de atores ilustres, entre eles Itamar Franco, autor do Plano. Uma frase recente de Itamar: 'O grande ministro do Plano Real chama-se Rubens Ricúpero e, em seguida, Ciro Gomes'. FHC e parceiros fizeram ouvidos moucos.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

MÃO SANTA EMPUNHA A PALMATÓRIA


O senador Mão Santa, da tribuna do Senado, relembra o pedido que o presidente Lula lhe fazia, quando eram aliados: 'Cuide do meu menino'. O 'menino' era o governador Wellington Dias. Em seguida Mão Santa sentencia: "O menino era muito traquino, precisava de uma palmatória'. Ou seja, Wellington não está com nada.

As pesquisas em geral e a evolução dos indicadores sociais (embora ainda sombrios) contradizem o senador: Wellington surfa com folga nos índices de popularidade. Mão Santa não se dá por vencido e contrapõe: nada mais fácil do que comprar pesquisas - observação estendida para o 'Luiz Inácio'.

O senador foi governador do Piauí por dois mandatos (não completou o segundo; foi cassado em face de irregularidades administrativas) e conta com muitos simpatizantes Brasil afora. Entre seus méritos, figura a criação da universidade estadual.

Mão Santa é dado a tiradas espirituosas. 'Atentei bem' a um pensamento atribuído a ele pelo google ('pensador - info'): 'Eu acredito no estudo e no trabalho, no trabalho e no estudo. Quem segue esta trilha é condenado ao sucesso'.

Humm, lembrei esta de Machado de Assis, colhida por ocasião de pesquisa realizada em face do centenário da morte do 'bruxo da cosme velho': 'Estudo, trabalho e talento: a fórmula do sucesso'.

Esse goooooooogle!! Cadê a palmatória?!

domingo, 5 de julho de 2009

JEAN CHARLES, QUATRO ANOS


Dia 22 deste mês completará quatro anos a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, no metrô de Londres, por agentes da Scotland Yard, a mais famosa e conceituada instituição policial do mundo. Há, por sinal, um filme no circuito, produção nacional, cuidando do triste episódio.

Mas esta nota tem o propósito de louvar o Repórter Record há pouco apresentado por Roberto Cabrini.

São reconstituídos os passos finais de Jean, recheados com depoimentos recentes de uma de suas primas (parceira dele em Londres) e de dona Maria e seu Matosinhos, pais de Jean, ainda residentes na zona rural da cidadezinha de Gonzaga (MG), bem como de um (ex)agente policial, à época detentor de cargo de destaque na Scotland Yard (depoimento simplesmente demolidor, pondo a nu e a pique todas as patifarias urdidas por chefões e subordinados).

Não há o que contestar: Jean Charles foi morto estupidamente, na esteira da paranoia terrorista que grassou no Reino Unido. E é nos efeitos dessa paranoia que o juiz inglês se escora para atribuir o homicídio a 'erro corporativo', salvando a pele de todas as pessoas físicas envolvidas. Plena impunidade.
Ponto para o Repórter Record.
Enquanto isso, 007 continua a agir com baita sofisticação.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

HOMENS DE VISÃO


"A MAIS PERIGOSA VISÃO DO MUNDO É A DAS PESSOAS QUE JAMAIS OLHARAM O MUNDO".


(Alexander von Humboldt; 1789-1859; naturalista alemão).